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4.6.16

Como falar de morte com as crianças



Falar de morte com crianças não é mesmo nada fácil. Uma das coisas, que todos os especialistas são unânimes, é que, independentemente, da idade e da situação, se morreu um bicho de estimação, um parente próximo, ou, um conhecido distante, não se deve mentir, ou, esconder o fato das crianças. As crianças, são só crianças, não bobas. É difícil dizer o que seu filho entende em cada idade. Mas é certo, que mesmo tão cedo quanto aos dois anos, as crianças são capazes de perceber mudanças no clima e nas emoções da casa.
A gente também se engana, quando acha, que nossos filhos nunca ouviram falar da morte. Ela está nos livros infantis, nos filmes, os pais de Simba morrem em O Rei Leão, os vilões são mortos pelos mocinhos no final, nas notícias da TV, nas conversas das pessoas na rua. Também está naquele pernilongo que ela vê morto, e, nas flores que murcham no vaso.
Viajando nesse contexto, “morte”, trago um texto muito bacana sobre o assunto para refletirmos, publicado no Portal da Revista Crescer, por Cíntia Marcucci, a saber:
“Por volta dos 6 anos, a criança não entende que a morte é irreversível. “Nessa fase ela não difere fantasia da realidade, acredita que, assim como nos desenhos animados, dá para se levantar depois que cai uma bigorna na sua cabeça”, ensina Julio Peres, psicólogo e autor do livro Trauma e Separação (Ed. Roca). Ele explica que é preciso deixar a criança “brincar de morto”, sem repreender. Isso, somado às pequenas mortes do dia a dia, dos insetos, plantas e pequenos animais, são um bom treino para entender a sequência da vida e facilita na hora de lidar com uma morte de alguém próximo.
Claro que o curso do mundo nem sempre permite essa sequência ideal e que, mesmo com esse “contato prévio”, a hora que a situação vira real, muda tudo. E receita pronta para fazer tudo certo não existe. Depende de quem morreu, de como foi a morte, da proximidade da família e da criança, das crenças de cada um, da personalidade do seu filho. Mas alguns pontos são importantes para se levar em conta:
Na hora de contar
Se for alguém próximo e você estiver sofrendo muito, procure se acalmar primeiro. Use uma linguagem simples que seu filho entenda. Rita aconselha usar o verbo morrer mesmo. Se a pessoa estava muito doente ou tinha muita idade, isso vai responder à famosa pergunta “por quê?”. Já as metáforas que os adultos usam para falar de morte podem não funcionar tão bem, principalmente para as crianças menores de 6 anos. Dizer que o vovô foi viajar, que a tia foi morar com o papai do céu, ou que o primo vai dormir para sempre são conceitos difíceis para os mais novos. Eles ficam imaginando por que o papai do céu não deixa vir visitar, podem ficar com medo de dormir e não acordar mais, ou do pai ir viajar e nunca voltar. Seja simples e espere pelas dúvidas de seu filho. “Temos o hábito de antecipar a angústia da criança pela nossa própria e por vezes damos informações além das que ela precisa e pediu. Dê tempo para ela compreender tudo”, comenta Julio.
Os rituais
A participação infantil nos rituais de velório, enterro, cremação e até mesmo a visita a um parente doente é uma questão muito particular. Há quem pense que nenhuma dessas situações é adequada para crianças, que é melhor guardar apenas memórias dos entes queridos saudáveis e vivos, e há quem acredite que elas podem e devem estar junto, uma maneira de demonstrar que a família se reúne nos momentos felizes e tristes. A decisão vai variar de acordo com os valores de cada família. De novo, o que é importante é avaliar e respeitar os limites e capacidades de seu filho. Se o ambiente estiver carregado de muita emoção, pessoas chorando e demonstrando desespero, como ocorre no caso de mortes violentas ou inesperadas, evite envolver mesmo os mais velhos, até 12 anos. Outro ponto é analisar os seus próprios sentimentos. Você está sob controle? Tem como dar suporte ao seu filho ou algum parente próximo que possa cuidar dele também? Caso a sua decisão for levar as crianças, explique como vai ser antes. Que vai haver uma caixa, a pessoa vai estar deitada lá dentro, mas que não pode ouvir, falar ou se mexer, diga que as pessoas vão estar tristes, chorando, que é um momento de dizer adeus àquela pessoa. Conte até mesmo se terá flores, incensos, música ou velas. Se possível, depois de explicar, deixe a criança decidir se quer ir ou não. Se ela for, esteja pronto para trazê-la de volta para casa se ela não quiser ficar, não espere que ela consiga acompanhar quieta ou séria o tempo todo e entenda se ela falar algo que, no mundo dos adultos, não seria apropriado.”

26.5.16

Brigas entre irmãos



A disputa entre irmãos é comum e esperada, tanto pela atenção dos adultos, como por brinquedos, ou, pela satisfação dos próprios desejos. É compartilhando da experiência e vivência de termos irmãos, que aprendemos que o mundo não gira, somente para o nosso lado, que dividir a presença dos pais, a atenção de familiares, de brinquedos, é a coisa mais normal do mundo.
Nessa oportunidade de aprendizagem, a criança entra em contato com afetos diversos, e, ao mesmo tempo, ensaia como vai ser a “concorrência” no mundo lá fora, conforme vão crescendo e se desenvolvendo em todos os sentidos (físico, emocional, mental).
Contudo, nem sempre as coisas saem como, nós pais, gostaríamos, e, a briga começa a correr solta dentro de casa.
O que podemos fazer nessa hora?Adicionar aos favoritos
PARA PREVENIR
* As ações ensinam mais do que as palavras, então, dê o exemplo. A maneira como os pais lidam com os conflitos em casa, no trabalho, ou, no trânsito, servirá de modelo aos filhos.
* É muito importante reforçar, valorizar, elogiar, os momentos em que há paz e acordo. Mas não se engane com a ausência de brigas. Ela pode significar que uma das partes está insegura e acuada.
* As disputas são uma excelente oportunidade de trabalhar com as crianças, valores de justiça e de moral. Aliás, pode ser mais fácil entender esses conceitos, a partir de uma briga do que em momentos mais pacíficos.
NA HORA DA BRIGA
* Em situações simples, como pequenas discussões, procure não interferir, observando os argumentos, e o modo de expressar o pensamento de cada um dos filhos. Permita, que eles tentem resolver às questões sozinhos.
* Promova autonomia, mas não fique alheio ao embate. É preciso monitorar, mesmo que a distância.
* Caso julgue, que é necessário interferir, tente provocar uma reflexão, questionando o motivo inicial, expondo à razão de ambas as partes.
* Se a diferença de idade ou de tamanho for grande, fique atento aos excessos por parte do mais velho, ou, ao protecionismo pelo menor.
* Senso de justiça não é sinônimo de igualdade. Cada criança tem características, ritmos e necessidades próprias, e, os pais devem agir de acordo com elas.
* Não há nada de errado em tomar partido, quando entender, que um dos filhos está errado. Mas isso deve ser feito com base em princípios claros, justos e compartilhados com todos os envolvidos.
QUANDO ELES PASSAM DOS LIMITES
* As crianças têm uma limitação no controle da frustração, por isso, partir para a violência física não é anormal. Interfira imediatamente, sem agredir ninguém, claro. É necessário explicar veementemente que não serão aceitas trocas de agressões.
* Atue como um juiz: ouça todos os lados, e avalie a melhor forma de resolver o conflito.
* De acordo com a gravidade do atrito, talvez funcione privá-los de alguma atividade de lazer. Ou, ainda, quando os ânimos acalmarem, colocar as partes envolvidas na briga para conversarem, reconhecerem o erro, e, se comprometerem a rever sua conduta.

7.5.16

Alguns motivos para comemorar o dia das mães


Dificilmente encontramos famílias que não festejam o dia das mães. Por que será que este dia tem tanto simbolismo, mesmo na contemporaneidade.  O dia das mães representa não só a mãe, enquanto figura simbólica da família, mas também a maternidade, a mulher que trás a luz e a vida. A comemoração desse dia tem suas raízes na Grécia antiga, onde a entrada da primavera brindava Rhea, a mãe dos Deuses.
A partir desse conceito, Ann Jarvis, nos Estados Unidos, fundou, no final dos anos de 1850, o “Clube de Mães”, com o objetivo de promover a saúde de adultos e crianças do pós-guerra da Secessão. Em 1907, Anna Jarvis cria um memorial para sua mãe Ann, e, inicia uma campanha para que o governo americano reconhecesse o “Dia das Mães”. Com a crescente difusão da data, o dia das mães assume um caráter de amorosidade e ao mesmo tempo de comercialização ao redor do mundo.
É sobre essa amorosidade que gostaria de fazer uma reflexão junto ao leitor. A relação mãe-filho é um envolvimento complexo, sendo brindada, na maior parte das vezes, com carinho e dedicação. As mães, desde a concepção de seus bebês, vão proporcionando a sua prole um ambiente fertilizante: úmido, quente e escurinho. E assim, os bebês vão crescendo e se desenvolvendo, trocando amor, alimento e ao mesmo tempo uma relação muito íntima e pessoal.
Com o nascimento dos filhos, as mães, quando contam com um ambiente facilitador, procuram amparar sua cria, promovendo as crianças um ambiente suficientemente adequado, caloroso e nutridor. De início as mães se fazem muito presentes, e, com o passar do tempo, vão se tornando menos necessárias, ao ponto de “darem linha” para que seus filhos se preparem para alçarem voo solo.
É entre o cuidado íntimo e o “dar linha”, que as relações mãe-filhos vão se construindo. Muito caminho será percorrido, e, como em todo trajeto, nem tudo serão flores. Algumas mães no afã de suprir todas as necessidades de seus filhos invadem a linha tênue entre criar um reizinho mimado, infantilizado, e, despreparado para a vida, e, uma mãe distante das necessidades básicas de sua prole, negando-se a oferecer o calor e o caldo enriquecedor para o desenvolvimento de uma mente sadia. Os extremos são sempre problemáticos, o equilíbrio é a melhor saída.
 Como atingir esse equilíbrio?
A mãe “superbonder” pode correr o risco de criar filhos dependentes, inseguros e pouco assertivos. Por outro lado, o filho incentivado a dar conta de tudo, numa fase imatura de sua vida, pode crescer acreditando que ele não precisa de ninguém, e, assim, desenvolver um escudo para se proteger do mundo, visto e sentido como hostil. É o famoso “cara” durão por fora e inseguro por dentro. Portanto, a genialidade na relação com os filhos é encontrar o meio termo. Encontrar o equilíbrio na adição dos temperos, que irão assegurar o ponto certo ao bom paladar.
A relação confiável e a amorosidade entre mãe e filhos ajuda a construir cidadãos fortes e independentes, principalmente, quando a mãe demonstra claramente seu afeto às crianças, e, ao mesmo tempo mostra, que para viver nesse mundão de Deus é preciso ter regras e limites claros. Desse equilíbrio materno nascem as bases seguras para a construção de crianças confiantes em relação ao mundo de amanhã, e qual o papel que elas deverão se dedicar para ter um futuro digno.
E é nesse vai e vem, nesse sobe e desce, que se constrói, que se aprimora, que mãe e filhos vão tecendo os fios da vida, dando significado a cada fato que acontece no cotidiano, e, de quebra assegurando a saúde mental dos pequenos.
E ai?  Você ainda tem dúvida por que devemos comemorar o dia das mães?
Esqueça o lado comercial!
Foque apenas na missão que a nobre mulher-mãe tem para com a humanidade!

29.4.16

5 importantes reflexões para você fazer após uma cesárea!



1-      Amamente: amamentar após uma cesárea pode ser um pouco desconfortável, mas nada é impossível. Uma almofada pra amamentação pode ajudar a posicionar melhor o bebê e quem sabe até lançar mão da posição invertida (football americano). Essas medidas visam aliviar a pressão sobre a ferida cirúrgica, promover conforto a mãe e manter o bebê perto e aconchegado.
2-      Segurar o bebê nos braços: durante os primeiros dias pós-parto não é uma tarefa fácil, pois a pressão sobre o abdome materno pode ser desconfortável. Procure posicionar o bebê um pouco acima da barriga, bem abaixo dos seios. Caso você decida usar o “Sling” pode sentir o mesmo desconforto. Portanto, aguarde algumas semanas, que logo tudo passa a ser natural e adorável.
3-      Dormir junto: algumas mães / casais preferem dormir junto ao bebê (co-sleeping) para atender as necessidades emocionais e físicas do bebê prontamente, e, proporcionar facilidades para a mãe. Não vejo problema nessa escolha, desde que o casal entre em entendimento e o bebê tenha seu espaço assegurado. Quem sabe um bercinho acoplado a cama da mamãe também seja uma boa ideia.
4-      Intenções pós-cesárea: em algumas situações a mãe já sabe de ante mão que fará um parto cirúrgico. Assim, a futura mamãe pode combinar com a equipe de saúde que após o nascimento do bebê, e, ainda na sala de parto, ela quer ver, tocar, acariciar, beijar e se possível aleitar seu filhinho. É uma maneira da mãe ter uma boa experiência em dar a luz, mesmo na ausência do parto normal.
5-      Não era isso que eu queria: muitas vezes, a mulher se prepara para o parto normal, mas isso não acontece (por “n” motivos). Essa situação pode frustrá-la, decepcioná-la, entristecê-la, desapontá-la e trazer ações e emoções negativas que podem repercutir diretamente em seu humor e até no aleitamento. É um momento muito favorável para a mãe poder contar com um suporte emocional tanto da equipe de saúde como de seus pares: mãe, irmãs, amigas, tias, ou outras de sua confiança e convívio. Essas mulheres poderão acolher e conter as frustrações da mamãe, além de incentivá-la a iniciar os primeiros cuidados a si própria e ao seu bebê com amorosidade, confiança, paciência e muito carinho.

27.4.16

O bebê chegou e... E nós?


Lembro-me muito bem, do primeiro dia que cheguei com minha filha em casa. Meu marido me perguntou onde nossa filha iria dormir: No berço ou no carrinho? No quarto dela ou no nosso?
Olhava para aquele corpinho tão pequenino e indefeso, e, eu mal compreendia como poderia deixá-la um milímetro longe de mim. Pensava, que eu, e, somente eu, poderia ser sua única fonte de carinho, conforto e alimento. Era como se naquele instante o mundo só tivesse espaço para nós duas. Logo a ficha caiu, o choro, as mamadas frequentes, o trocar de fralda, as atividades diversas do lar, me fizeram entender a realidade, enxergar que eu precisava de ajuda, e, a mais próxima era a de meu marido.
Um pai amoroso, prestativo e muito disponível para tudo que fosse necessário. Todavia, ele é humano como eu, e, portanto, se cansava, tinha muito sono, e, precisava trabalhar no dia seguinte.
Pois bem, observo que o primeiro ano de vida do bebê, não é nada fácil para a maioria dos casais. É um período de grandes adaptações do casal, da nova constituição familiar, dos hábitos da casa, das mudanças do cotidiano, e, que uma criança exige regras, rotinas e alterações no estilo de vida.
As mudanças podem ser tão intensas, que alguns casais não sabem como lidar com elas, chegando até a separação. Não é fácil ser pai e mãe!
Tão logo o bebê deixa sua “incubadora humana”, ele mostra aos seus pais, que ele precisa de um ambiente acolhedor, amoroso e nutridor em todos os sentidos. O pequeno precisa de tudo isso para se desenvolver fisicamente e cognitivamente. Ele precisa de estabilidade, e, por estabilidade, entenda um lar calmo e previsível. Onde seus pais se respeitem e se queiram bem.
A chegada de um bebê pode causar muitas “turbulências”. Engana-se quem pensa que um lindo e gracioso bebê, não gera um estresse, pensar assim é puro idealismo, romantismo e imaturidade.
O sociólogo E. Le Master publicou, no início da década de 60, uma pesquisa mostrando, que cerca de 80% dos novos pais, passariam por uma crise relacional moderada, ou, severa, durante o primeiro ano de vida do bebê. Claro, que o sociólogo foi criticado, e, deixado no ostracismo por décadas.
Hoje se sabe que as adversidades do casamento, causada pela vinda do primeiro filho, é uma experiência normal, representa uma transição na vida de casal para a vida triangular (pai, mãe e filho), mas que mesmo assim pode desencadear conflitos relacionais.
Qual a causa das adversidades relacionais pós-chegada do bebê?
A principal seria a perda de sono, ou, a restrição dele, a carga de trabalho por vezes distribuída de maneira desigual entre mãe e pai, e, a depressão. Claro, que casais que decidem ter filhos de maneira consciente, e, apresentam fortes laços de amorosidade e cumplicidade, essas variáveis tendem a ser menos incidentes ou intensas.
De um lado temos os pais tentando se ajustar a nova vida, e, do outro, o pequeno tentando a todo custo se vincular amorosamente aos seus pais, principalmente, à sua cuidadora imediata, a mãe.
Se o bebê precisa tanto de um ambiente amoroso para crescer de maneira saudável, o que acontece, então, quando o casal está em pé de guerra?
Os conflitos, ou, desavenças conjugais frequentes, são capazes de prejudicar o desenvolvimento cerebral do bebê, e, predispõe ao estresse tóxico. Estes bebês, são difíceis de acalmar, choram repetidamente, não conseguem dormir, e, o apetite pode tornar-se voraz ou inapetente.
Se a hostilidade conjugal perdura a criança pode crescer apresentando dificuldade em lidar com a frustração, agressividade desmedida, dificuldade para balancear as emoções, problemas com a concentração, e, pouco recurso para se autoacalmar. Além dos problemas emocionais, as crianças ainda podem apresentar maior predisposição para doenças repetitivas, como resfriados, tosses, amigdalites e otites.
Como driblar os conflitos relacionais advindos da chegada do bebê?
Uma boa dica, seria preparando o relacionamento a dois. Casais com relacionamentos sólidos e empáticos conseguem fazer a transição de casal, para a paternidade com mais compaixão e cumplicidade, atravessam noites mal dormidas e outras privações, com menos mágoas e sobrecarga, aceitam ajuda com presteza, procuram construir uma rede de apoio, se sentem a vontade em contar com pessoas próximas de seu circulo de referência.
Moral da história: pais harmoniosos asseguram o sadio desenvolvimento mental de seus filhos, bem como a sua felicidade.

14.4.16

Ninguém me contou que o pós-parto era assim!


Durante muitos meses, a futura mamãe foi se adaptando ao bebezinho, que estava sendo gerado em seu ventre. Conforme seu corpo ia adquirindo novas formas, a mãe, quando saudável e amparada, se dedica de corpo e alma a chegada de seu filho, além de se moldar as novas mudanças fisiológicas, que o bebê requer para crescer e se desenvolver sadio.
Uma coisa é certa, a mamãe sonha e vislumbra seu bebê no mais amplo sentido da alegria e idealização: ele será lindo, saudável, inteligente e vitorioso para se impor nesse mundão de Deus. Imagina e fantasia o bebezinho em seus braços, prestando cuidados amorosos, integrando essa criança aos planos futuros do casal, ou, da família.
Por outro lado, o nascimento de uma criança, é uma mudança importante, não só para o bebê, mas também para a mãe. Viver intensamente com alguém dentro de sua barriga, e, de repente se ver esvaziada, e, ao mesmo tempo agarrada a um “serzinho” tão indefeso, não é nada fácil. Isso pode gerar algum grau de ansiedade ou angústia.
Não é raro, durante minha passagem na maternidade (consulta a saúde materno infantil), me deparar com mães, que se sentem desamparadas, solitárias e revoltas ao passado – ao seu próprio passado. Recordando sua meninice, seus feitos, seus abandonos, suas alegrias, suas desesperanças. É uma verdadeira chuva de ideias e memórias!
Nesse vai e vem de sentimentos, não é incomum encontrar uma mãe pedindo contenção e amparo. Um acolhimento, que nem sempre seus familiares estão enxergando naquele momento, ou, mesmo estão disponíveis para oferecer. Ser puérpera não é nada fácil!
A presença de um acompanhante de escolha da recém-mamãe pode fazer toda a diferença, pois, este vai poder acolhê-la em suas angústias, ajudar a conter o cansaço das primeiras horas, dos primeiros dias do pós-parto. Esse acompanhante deverá ser uma pessoa com habilidades para trazer segurança e apoio emocional para a mãe e seu bebe.
Quem seria essa pessoa?
Alguém especial nomeado pela mulher (parturiente ou puérpera) capaz de reciclar suas ansiedades e angústias. Uma pessoa afetiva, dedicada, disponível para servir de corpo e alma a novata mamãe. Pode ser o companheiro, uma avó afetiva, uma amiga dedicada, uma Doula. Não importa o nome, o que realmente importa é a disponibilidade desse “alguém” para a mulher que acabou de parir.
O próprio Ministério de Saúde do Brasil relata que a presença de um acompanhante no peri parto traz benefícios importantes para a mulher. Vão desde o sentimento e sensação de maior segurança e confiança até a redução de medicamentos para alívio do desconforto e da duração do trabalho de parto. Sem contar sua participação nos cuidados iniciais com o bebê e a amamentação.
É claro, que se as angústias maternas se exacerbarem, se tornarem impossíveis de ser confortadas por pessoas do círculo da puérpera, um profissional de saúde mental deverá ser chamado. Um profissional que esteja habilitado para lidar intimamente com a relação mãe-bebê.
O parto é um evento social e emocional. Todos anseiam por este momento. Há uma mistura de preocupação pela vida da mãe, do bebê, e, um desejo imenso de comemoração. Todavia, ver o recém-nascido, poder acolhê-lo nos braços, é uma maneira de ajudar a mamãe, a recuperar sua identidade, seu estado de lógica. Olá terra, cambio! Estamos aqui de volta – eu e agora o meu filho!
A presença do pequenino na família propicia possibilidades de renovação, esperança e integração, se é assim, então, que a vida se renove, e, seja celebrada com muito amor e carinho! Que se façam “rodas”, assim como os índios, pra recepcionar os dois nobres viajantes, a mulher, que acabou de dar a luz, e, o bebê, que chegou do mundo aquático para a vida aérea!