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7.5.16

Alguns motivos para comemorar o dia das mães


Dificilmente encontramos famílias que não festejam o dia das mães. Por que será que este dia tem tanto simbolismo, mesmo na contemporaneidade.  O dia das mães representa não só a mãe, enquanto figura simbólica da família, mas também a maternidade, a mulher que trás a luz e a vida. A comemoração desse dia tem suas raízes na Grécia antiga, onde a entrada da primavera brindava Rhea, a mãe dos Deuses.
A partir desse conceito, Ann Jarvis, nos Estados Unidos, fundou, no final dos anos de 1850, o “Clube de Mães”, com o objetivo de promover a saúde de adultos e crianças do pós-guerra da Secessão. Em 1907, Anna Jarvis cria um memorial para sua mãe Ann, e, inicia uma campanha para que o governo americano reconhecesse o “Dia das Mães”. Com a crescente difusão da data, o dia das mães assume um caráter de amorosidade e ao mesmo tempo de comercialização ao redor do mundo.
É sobre essa amorosidade que gostaria de fazer uma reflexão junto ao leitor. A relação mãe-filho é um envolvimento complexo, sendo brindada, na maior parte das vezes, com carinho e dedicação. As mães, desde a concepção de seus bebês, vão proporcionando a sua prole um ambiente fertilizante: úmido, quente e escurinho. E assim, os bebês vão crescendo e se desenvolvendo, trocando amor, alimento e ao mesmo tempo uma relação muito íntima e pessoal.
Com o nascimento dos filhos, as mães, quando contam com um ambiente facilitador, procuram amparar sua cria, promovendo as crianças um ambiente suficientemente adequado, caloroso e nutridor. De início as mães se fazem muito presentes, e, com o passar do tempo, vão se tornando menos necessárias, ao ponto de “darem linha” para que seus filhos se preparem para alçarem voo solo.
É entre o cuidado íntimo e o “dar linha”, que as relações mãe-filhos vão se construindo. Muito caminho será percorrido, e, como em todo trajeto, nem tudo serão flores. Algumas mães no afã de suprir todas as necessidades de seus filhos invadem a linha tênue entre criar um reizinho mimado, infantilizado, e, despreparado para a vida, e, uma mãe distante das necessidades básicas de sua prole, negando-se a oferecer o calor e o caldo enriquecedor para o desenvolvimento de uma mente sadia. Os extremos são sempre problemáticos, o equilíbrio é a melhor saída.
 Como atingir esse equilíbrio?
A mãe “superbonder” pode correr o risco de criar filhos dependentes, inseguros e pouco assertivos. Por outro lado, o filho incentivado a dar conta de tudo, numa fase imatura de sua vida, pode crescer acreditando que ele não precisa de ninguém, e, assim, desenvolver um escudo para se proteger do mundo, visto e sentido como hostil. É o famoso “cara” durão por fora e inseguro por dentro. Portanto, a genialidade na relação com os filhos é encontrar o meio termo. Encontrar o equilíbrio na adição dos temperos, que irão assegurar o ponto certo ao bom paladar.
A relação confiável e a amorosidade entre mãe e filhos ajuda a construir cidadãos fortes e independentes, principalmente, quando a mãe demonstra claramente seu afeto às crianças, e, ao mesmo tempo mostra, que para viver nesse mundão de Deus é preciso ter regras e limites claros. Desse equilíbrio materno nascem as bases seguras para a construção de crianças confiantes em relação ao mundo de amanhã, e qual o papel que elas deverão se dedicar para ter um futuro digno.
E é nesse vai e vem, nesse sobe e desce, que se constrói, que se aprimora, que mãe e filhos vão tecendo os fios da vida, dando significado a cada fato que acontece no cotidiano, e, de quebra assegurando a saúde mental dos pequenos.
E ai?  Você ainda tem dúvida por que devemos comemorar o dia das mães?
Esqueça o lado comercial!
Foque apenas na missão que a nobre mulher-mãe tem para com a humanidade!

29.4.16

5 importantes reflexões para você fazer após uma cesárea!



1-      Amamente: amamentar após uma cesárea pode ser um pouco desconfortável, mas nada é impossível. Uma almofada pra amamentação pode ajudar a posicionar melhor o bebê e quem sabe até lançar mão da posição invertida (football americano). Essas medidas visam aliviar a pressão sobre a ferida cirúrgica, promover conforto a mãe e manter o bebê perto e aconchegado.
2-      Segurar o bebê nos braços: durante os primeiros dias pós-parto não é uma tarefa fácil, pois a pressão sobre o abdome materno pode ser desconfortável. Procure posicionar o bebê um pouco acima da barriga, bem abaixo dos seios. Caso você decida usar o “Sling” pode sentir o mesmo desconforto. Portanto, aguarde algumas semanas, que logo tudo passa a ser natural e adorável.
3-      Dormir junto: algumas mães / casais preferem dormir junto ao bebê (co-sleeping) para atender as necessidades emocionais e físicas do bebê prontamente, e, proporcionar facilidades para a mãe. Não vejo problema nessa escolha, desde que o casal entre em entendimento e o bebê tenha seu espaço assegurado. Quem sabe um bercinho acoplado a cama da mamãe também seja uma boa ideia.
4-      Intenções pós-cesárea: em algumas situações a mãe já sabe de ante mão que fará um parto cirúrgico. Assim, a futura mamãe pode combinar com a equipe de saúde que após o nascimento do bebê, e, ainda na sala de parto, ela quer ver, tocar, acariciar, beijar e se possível aleitar seu filhinho. É uma maneira da mãe ter uma boa experiência em dar a luz, mesmo na ausência do parto normal.
5-      Não era isso que eu queria: muitas vezes, a mulher se prepara para o parto normal, mas isso não acontece (por “n” motivos). Essa situação pode frustrá-la, decepcioná-la, entristecê-la, desapontá-la e trazer ações e emoções negativas que podem repercutir diretamente em seu humor e até no aleitamento. É um momento muito favorável para a mãe poder contar com um suporte emocional tanto da equipe de saúde como de seus pares: mãe, irmãs, amigas, tias, ou outras de sua confiança e convívio. Essas mulheres poderão acolher e conter as frustrações da mamãe, além de incentivá-la a iniciar os primeiros cuidados a si própria e ao seu bebê com amorosidade, confiança, paciência e muito carinho.

27.4.16

O bebê chegou e... E nós?


Lembro-me muito bem, do primeiro dia que cheguei com minha filha em casa. Meu marido me perguntou onde nossa filha iria dormir: No berço ou no carrinho? No quarto dela ou no nosso?
Olhava para aquele corpinho tão pequenino e indefeso, e, eu mal compreendia como poderia deixá-la um milímetro longe de mim. Pensava, que eu, e, somente eu, poderia ser sua única fonte de carinho, conforto e alimento. Era como se naquele instante o mundo só tivesse espaço para nós duas. Logo a ficha caiu, o choro, as mamadas frequentes, o trocar de fralda, as atividades diversas do lar, me fizeram entender a realidade, enxergar que eu precisava de ajuda, e, a mais próxima era a de meu marido.
Um pai amoroso, prestativo e muito disponível para tudo que fosse necessário. Todavia, ele é humano como eu, e, portanto, se cansava, tinha muito sono, e, precisava trabalhar no dia seguinte.
Pois bem, observo que o primeiro ano de vida do bebê, não é nada fácil para a maioria dos casais. É um período de grandes adaptações do casal, da nova constituição familiar, dos hábitos da casa, das mudanças do cotidiano, e, que uma criança exige regras, rotinas e alterações no estilo de vida.
As mudanças podem ser tão intensas, que alguns casais não sabem como lidar com elas, chegando até a separação. Não é fácil ser pai e mãe!
Tão logo o bebê deixa sua “incubadora humana”, ele mostra aos seus pais, que ele precisa de um ambiente acolhedor, amoroso e nutridor em todos os sentidos. O pequeno precisa de tudo isso para se desenvolver fisicamente e cognitivamente. Ele precisa de estabilidade, e, por estabilidade, entenda um lar calmo e previsível. Onde seus pais se respeitem e se queiram bem.
A chegada de um bebê pode causar muitas “turbulências”. Engana-se quem pensa que um lindo e gracioso bebê, não gera um estresse, pensar assim é puro idealismo, romantismo e imaturidade.
O sociólogo E. Le Master publicou, no início da década de 60, uma pesquisa mostrando, que cerca de 80% dos novos pais, passariam por uma crise relacional moderada, ou, severa, durante o primeiro ano de vida do bebê. Claro, que o sociólogo foi criticado, e, deixado no ostracismo por décadas.
Hoje se sabe que as adversidades do casamento, causada pela vinda do primeiro filho, é uma experiência normal, representa uma transição na vida de casal para a vida triangular (pai, mãe e filho), mas que mesmo assim pode desencadear conflitos relacionais.
Qual a causa das adversidades relacionais pós-chegada do bebê?
A principal seria a perda de sono, ou, a restrição dele, a carga de trabalho por vezes distribuída de maneira desigual entre mãe e pai, e, a depressão. Claro, que casais que decidem ter filhos de maneira consciente, e, apresentam fortes laços de amorosidade e cumplicidade, essas variáveis tendem a ser menos incidentes ou intensas.
De um lado temos os pais tentando se ajustar a nova vida, e, do outro, o pequeno tentando a todo custo se vincular amorosamente aos seus pais, principalmente, à sua cuidadora imediata, a mãe.
Se o bebê precisa tanto de um ambiente amoroso para crescer de maneira saudável, o que acontece, então, quando o casal está em pé de guerra?
Os conflitos, ou, desavenças conjugais frequentes, são capazes de prejudicar o desenvolvimento cerebral do bebê, e, predispõe ao estresse tóxico. Estes bebês, são difíceis de acalmar, choram repetidamente, não conseguem dormir, e, o apetite pode tornar-se voraz ou inapetente.
Se a hostilidade conjugal perdura a criança pode crescer apresentando dificuldade em lidar com a frustração, agressividade desmedida, dificuldade para balancear as emoções, problemas com a concentração, e, pouco recurso para se autoacalmar. Além dos problemas emocionais, as crianças ainda podem apresentar maior predisposição para doenças repetitivas, como resfriados, tosses, amigdalites e otites.
Como driblar os conflitos relacionais advindos da chegada do bebê?
Uma boa dica, seria preparando o relacionamento a dois. Casais com relacionamentos sólidos e empáticos conseguem fazer a transição de casal, para a paternidade com mais compaixão e cumplicidade, atravessam noites mal dormidas e outras privações, com menos mágoas e sobrecarga, aceitam ajuda com presteza, procuram construir uma rede de apoio, se sentem a vontade em contar com pessoas próximas de seu circulo de referência.
Moral da história: pais harmoniosos asseguram o sadio desenvolvimento mental de seus filhos, bem como a sua felicidade.

14.4.16

Ninguém me contou que o pós-parto era assim!


Durante muitos meses, a futura mamãe foi se adaptando ao bebezinho, que estava sendo gerado em seu ventre. Conforme seu corpo ia adquirindo novas formas, a mãe, quando saudável e amparada, se dedica de corpo e alma a chegada de seu filho, além de se moldar as novas mudanças fisiológicas, que o bebê requer para crescer e se desenvolver sadio.
Uma coisa é certa, a mamãe sonha e vislumbra seu bebê no mais amplo sentido da alegria e idealização: ele será lindo, saudável, inteligente e vitorioso para se impor nesse mundão de Deus. Imagina e fantasia o bebezinho em seus braços, prestando cuidados amorosos, integrando essa criança aos planos futuros do casal, ou, da família.
Por outro lado, o nascimento de uma criança, é uma mudança importante, não só para o bebê, mas também para a mãe. Viver intensamente com alguém dentro de sua barriga, e, de repente se ver esvaziada, e, ao mesmo tempo agarrada a um “serzinho” tão indefeso, não é nada fácil. Isso pode gerar algum grau de ansiedade ou angústia.
Não é raro, durante minha passagem na maternidade (consulta a saúde materno infantil), me deparar com mães, que se sentem desamparadas, solitárias e revoltas ao passado – ao seu próprio passado. Recordando sua meninice, seus feitos, seus abandonos, suas alegrias, suas desesperanças. É uma verdadeira chuva de ideias e memórias!
Nesse vai e vem de sentimentos, não é incomum encontrar uma mãe pedindo contenção e amparo. Um acolhimento, que nem sempre seus familiares estão enxergando naquele momento, ou, mesmo estão disponíveis para oferecer. Ser puérpera não é nada fácil!
A presença de um acompanhante de escolha da recém-mamãe pode fazer toda a diferença, pois, este vai poder acolhê-la em suas angústias, ajudar a conter o cansaço das primeiras horas, dos primeiros dias do pós-parto. Esse acompanhante deverá ser uma pessoa com habilidades para trazer segurança e apoio emocional para a mãe e seu bebe.
Quem seria essa pessoa?
Alguém especial nomeado pela mulher (parturiente ou puérpera) capaz de reciclar suas ansiedades e angústias. Uma pessoa afetiva, dedicada, disponível para servir de corpo e alma a novata mamãe. Pode ser o companheiro, uma avó afetiva, uma amiga dedicada, uma Doula. Não importa o nome, o que realmente importa é a disponibilidade desse “alguém” para a mulher que acabou de parir.
O próprio Ministério de Saúde do Brasil relata que a presença de um acompanhante no peri parto traz benefícios importantes para a mulher. Vão desde o sentimento e sensação de maior segurança e confiança até a redução de medicamentos para alívio do desconforto e da duração do trabalho de parto. Sem contar sua participação nos cuidados iniciais com o bebê e a amamentação.
É claro, que se as angústias maternas se exacerbarem, se tornarem impossíveis de ser confortadas por pessoas do círculo da puérpera, um profissional de saúde mental deverá ser chamado. Um profissional que esteja habilitado para lidar intimamente com a relação mãe-bebê.
O parto é um evento social e emocional. Todos anseiam por este momento. Há uma mistura de preocupação pela vida da mãe, do bebê, e, um desejo imenso de comemoração. Todavia, ver o recém-nascido, poder acolhê-lo nos braços, é uma maneira de ajudar a mamãe, a recuperar sua identidade, seu estado de lógica. Olá terra, cambio! Estamos aqui de volta – eu e agora o meu filho!
A presença do pequenino na família propicia possibilidades de renovação, esperança e integração, se é assim, então, que a vida se renove, e, seja celebrada com muito amor e carinho! Que se façam “rodas”, assim como os índios, pra recepcionar os dois nobres viajantes, a mulher, que acabou de dar a luz, e, o bebê, que chegou do mundo aquático para a vida aérea! 

6.4.16

As artes plásticas e a música na vida do bebê

 Quando falo em “artes” para bebês, não quero introduzir os pequenos, nos conhecimentos do impressionismo, da arte moderna, ou, de qualquer artista complexo e famoso. Arte para a criança significa poder envolver o corpo no espaço em que ele habita. É instigar sua coordenação motora, seu equilíbrio, testar suas sensações, usar em toda a sua potencialidade seus órgãos dos sentidos, poder pensar, falar e ouvir de maneira interativa.
É uma forma, da criança pequena dizer que está no mundo e que faz parte dele.
É deixar o bebê criar livremente sua interação com o mundo infantil e o mundo adulto. Quando deixamos os pequeninos voarem e expressarem sua criatividade expontâneamente, o pequeno desenvolve sua linguística, um vínculo de confiabilidade, e, pode de quebra assegurar, que existe um adulto antenado por perto, para lhe proteger, e, reabastecer sua mente de conforto e atenção.
Descobrir os sons da natureza, ouvir o som dos animais e dos pássaros junto ao bebê, facilita a expressão, a improvisação de sons, movimentos e a intercomunicação.
Depois do quarto mês de vida do bebê, o reflexo de preensão é substituído pelo de intenção, e, dessa maneira, o bebê expressa seus desejos pelos objetos, que lhe chama a atenção. As coisas não param por ai.  Por volta dos cinco meses, o pequeno estende seus bracinhos para agarrar os objetos e levá-los a boca. Com isso ele desvenda os mistérios das formas, texturas e sabores, o bebê avalia cuidadosamente cada objeto, passa o brinquedinho de uma mão para a outra, já demonstra ser um verdadeiro artista! Percebe que existem cores diferentes, e, a mamãe ressignifica essa predileção afirmando para o bebê o quanto ele gosta de determinado objeto “azul”.
Dos nove aos doze meses, se oferecermos uma cartolina em branco e um punhado de lápis colorido, os pequenos artistas esboçam traços, salivam de prazer, sorriem e treinam a linguagem pré-verbal.
Deixar a criança exercer sua criatividade ao ar livre, na presença de material atóxico e com múltiplas texturas, incita o bebê a explorar o mundo ao seu redor. Nesse contexto valem as tintas de dedo, os pinceis de vários tamanhos, papeis com texturas, rolinho de tinta, esponja, entre outros materiais seguros para essa faixa etária.  Permita que a diversão corra solta, sem tempo e limites para começar ou acabar. Apenas brincar num local seguro, confiável e compartilhado. Quando perguntamos para acriança o que é isso? O que é esse desenho ou pintura, certamente seus olhinhos se encherão de alegria e frescor. Isso é a base da comunicação de amanhã.
                                E a música, onde entra nessa história?
                Desde o intraútero a criança já está imersa num mundo de sons interno e externo ao corpo materno, e, as pesquisas mostram, que os bebes reagem a esses sons. Desde o nascimento, o bebê identifica a voz da mãe, do pai e é capaz de se acalmar e prestar atenção nelas. Desta “audição sonora” a interação e o apego mãe-bebê vão se consolidando e reverberando para o papai e para os demais membros da família num compasso lento, harmônico e progressivo.
Quando a mãe e o pai colocam melodias em suas falas ou cantam para seus filhos, a linguagem vai se ampliando, e, o bebê pode se apropriar da sonoridade de seus pais e da cultura onde vive.
As diversas formas de produzir sons para o bebê (falar, cantar, imitar o som dos pássaros, tocar um instrumento, etc.) é um convite para promover a interação e deixar emergir do bebê momentos gratificantes de alegria e de muito contato.
O bebê desde muito pequeno vocaliza sons e adora brincar com eles. Dessa maneira, graciosamente, explora o ambiente e se comunica com o mundo a sua volta. Ao ouvir uma música predileta, usa o corpinho para entrar na melodia, interagir com seus cuidadores, usufruir de momentos de descontração e muito prazer.
E você, já pensou em promover um momento artístico com seu bebê?

14.3.16

O que acontece quando o bebê não se conecta apropriadamente a mamãe?


            O bebê humano é o mamífero mais dependente do reino animal. Precisa de um cuidador disponível para assegurar seu crescimento e desenvolvimento global. Isso só acontece devido à alta especificidade do corpo humano.
            Para assegurar seu desenvolvimento, o bebezinho precisa contar com relações interpessoais favoráveis, e, por favoráveis quero dizer, amorosas, acolhedoras e cuidadosas. Quando isso não acontece de maneira positiva, o bebê não percebe, e, não sente suas necessidades básicas acolhidas. Sem percepção de sentimento de conforto e amor, o bebê tende a aumentar suas angústias e ansiedades, alterando seu arcabouço cerebral.
Como o bebê demonstra que não se sente confortado e acolhido?
Claro que ele não fala, ou, muito menos se dispõe a discutir a relação!
A tendência do bebê é de demonstrar irritação, chorar com muita frequência, e, até mesmo por longos períodos. As mamadas são vorazes, e, os engasgos comuns, querem mamar a todo instante, levando a recém-mamãe ao cansaço extenue.
O sono não é tranquilo e nem reparador. Mal iniciou o repouso já está acordando inquietamente. O colo e o embalo tem pouco efeito como apaziguador. Por vezes, o cuidador o embala por horas a fio, e, quando tenta colocá-lo no bercinho, prontamente ele acorda, e, inicia uma nova crise de choro.
Sentem o meio a sua volta como ameaçador, e, passível de muita desconfiança. Não toleram ficar só e muito menos sofrer alguma forma de frustração. Um estimulo, pouco diferente do habitual, pode deixar o pequeno irritado e superestimulado. Como resultado dessa relação conturbada, mãe e bebê se sentem perdidos. Cada um a sua maneira!
A mãe, por sua vez, se sente frustrada por não conseguir satisfazer as necessidades de seu pequeno, aumentando desmedidamente suas ansiedades e angustias. Por vezes, a mãe não se sente apoiada, compreendida e cuidada. Ambos acabam se atolando em um enorme vazio. Não é raro, observar nessas situações a ausência ou a incompreensão do pai.
 O que estou narrando até o momento não é exclusividade de bebês “maduros”, isso também pode ocorrer com bebezinhos prematuros, que passam um bom período em unidades neonatológicas, sem construir um apego saudável com seu cuidador imediato.
Outras situações, além das já mencionadas no pós-parto, podem predispor ao vinculo desadaptado. Mulheres que viveram suas gestações desamparadas, que se sentiram angustiadas ou mesmo com depressão, que perderam entes queridos, que sofreram dificuldades conjugais, agressões, violência doméstica ou profissional também podem ter dificuldade em estabelecer uma conexão positiva com seus bebês.
São mães que não conseguem reconhecer as necessidades emocionais de seus bebês, por que de uma maneira ou de outra, estão vivendo um momento intenso de solidão interna, não reconhecendo suas próprias necessidades e emoções.
Por vezes, observamos mães que se circundam de todo suporte técnico para cuidar de seu bebê (familiares, pajem, babá eletrônica com câmera, dispositivos multimídia, entre outros), mas no fundo apresentam grande dificuldade em interagir com seus bebês. São fortes candidatas a não conseguirem estabelecer um apego de início e uma boa relação vincular e de intimidade com seu bebê.
Não estou querendo induzir o leitor, que, para que o bebê se vincule positivamente a sua mãe / cuidador a relação tem que iniciar dentro de um ambiente perfeito! Claro que não!
O ambiente tem que ser somente suficientemente bom!
Quando esse ambiente, que deveria ser suficientemente bom, falha em demasia, algumas desordens pode advir sobre a criança numa fase mais tardia, tais como dificuldade de atenção, hiperatividade, depressão, dificuldade de sociabilidade, ansiedade, riscos para psicopatias graves, entre outras.
Por isso, uma base fortalecida na construção dos sentimentos e das emoções da futura mamãe e da mamãe no pós-parto, pode assegurar a saúde mental do binômio mãe-bebê.