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19.6.17

Difícil controlar os dedinhos




 
As crianças são surpreendentes! Fazem coisas do arco da velha! Sobem, descem, dão cambalhotas, pulam, dão piruetas, trepam em coisas impossíveis, se jogam com muita desenvoltura e raramente se machucam! Parecem que são feitas de silicone! Basta dar um beijinho carinhoso no dodói que logo o “chororo” passa e elas voltam a sorrir e a brincar novamente.
Até aqui não estou comentando nada inédito, ou, que cause espanto a qualquer pessoa, que já tenha olhado para uma criança tenaz e cheia de vida. Crianças brincam, choram, questionam, fazem birra, testam limites e algumas roubam!
Nossa! Como é mesmo?
Roubam?
Trouxe esse assunto nesta semana, tendo em vista um email que recebi, via jornal Atibaia Hoje, há cerca de algumas semanas. No email, a senhora comentava ter dois filhos seguidos, ou seja, o mais velho de 8 anos e uma menina de 6 anos. Percebeu, que de uns tempos para cá, o menino começou a roubar pequenas “coisinhas” (borracha do amigo de escola, balinha no mercadinho colado a sua casa, pequenos objetos na casa dos parentes) e a deixá-las em local visível, como se na verdade quisesse que alguém visse. Conta ainda que sua filha é muito linda, doce, afável e admirada por todos que convivem com ela.
Aqui não é muito difícil entender a reação do garotinho. Afinal ele, provavelmente, quer também ser admirado e valorizado por “coisinhas” interessantes que ele “adquire”.  Todavia, aos 7, 8 anos, já é esperado, que a criança saiba que roubar ou tomar para si o objeto de outrem é errado e inaceitável.
O que fazer então?
A primeira coisa é entender que o garotinho está tentando, mesmo que por meio escuso, chamar a atenção de sua família sobre ele, ou seja, talvez por sua irmãzinha ser tão admirada, as pessoas o deixa em segundo plano. Dessa maneira, ele se sente privado do amor de seus pares e tenta cobrar do ambiente esse amor e carinho. O roubo, nessa questão, pode ser visto como uma compensação, uma carência – algo que está faltando em demasia. Não podemos esquecer que o ser humano é sempre carente de algo!
Todavia, os pais ao fingirem, que não perceberam nada, se tornam cúmplices do roubo do filho, coniventes e responsáveis também pelo ato de roubar.
Segundo, os pais precisam passar ao garoto que o amam, que ele tem qualidades importantes e admiráveis, que ele não precisa roubar para mostrar que ele existe. Em seguida, os pais devem conversar com a criança e dizer-lhe que seu comportamento é inaceitável, reprovável e que isso deve parar imediatamente.
Terceiro, sem humilhar a criança com atitudes violentas ou com tortura psicológica, assegurar que a criança devolva o que roubou. Os pais podem acompanhar a criança durante todo o processo, fazendo o pequeno retornar o que ele pegou indevidamente e ao mesmo tempo se desculpar pelo ato com o coleguinha ou com o adulto em questão.
Por último e não menos importante, os pais devem dizer ao filho, que seus dedinhos fizeram algo que sua cabeça inteligente não queria fazer, que sua atitude, até o presente, estava pautada na necessidade de chamar a atenção, que ela é uma criança muito inteligente e capaz de mandar em seus próprios dedos daqui para frente.
Quanto aos pais, estes precisam estar mais presentes e atentos na vida da criança. Ter um momento só deles, deixar os ouvidos abertos para conversar, expor ideias e pensamentos, abrir espaço para o diálogo, e, acima de tudo ter um coração receptivo para as demandas emocionais da criança.

5.6.17

Papai e mamãe devem desejar um bebê juntos




Como deveria ser a chegada de um bebê: programada ou surpresa?
Se pensarmos, que em décadas passadas, nem ultrassom existia, o que dirá de métodos contraceptivos seguros e com poucos efeitos colaterais. Apesar, da pílula anticoncepcional, ter mais de 50 anos, ela passou por grandes evoluções, além, da chegada, no mercado de outros dispositivos contraceptivos. O que quero dizer, é que há algumas décadas passadas “estar grávida” poderia realmente ser uma grande surpresa.
Há 30, 40 ou mais anos passados, era esperado um número maior de filhos nas famílias. Na atualidade, é possível decidir o número de filhos que um casal gostaria de ter – de certa maneira os bebês são “programados.”
 Benditos métodos contraceptivos!
A chegada do bebê na contemporaneidade entra na lista de prioridades do casal. Primeiro vem a festa de casamento, depois a lua de mel, o carro da família, a casa própria e assim por diante. Quando as “coisas” parecem estáveis, é a hora de pensar no bebê. Não estou recriminando as escolhas ou as prioridades, apenas comentando sobre as crianças programadas.
Tornar-se pai/mãe, nos dias de hoje, parece uma decisão mais madura do que na época onde os métodos “naturais” reinava. Era uma verdadeira loteria ou crise de ansiedade. Os candidatos a pais poderiam, num belo dia, acordar papai ou mamãe e o famoso jargão ser entoado “foi sem querer”!
Atendo casais que apreciam muito a vida a dois, mas ora ou outra são pegos pelo marcador do relógio biológico feminino e a famosa pergunta aparece “será que devemos ter filho agora?”. “Vivemos tão bem só nós dois!”
Quando se é jovem tudo parece distante, e facilmente, algumas decisões podem ser postergadas, sem muitos questionamentos. Todavia, quando a mulher está na faixa dos quarenta anos, ter o primeiro filho pode ser um pouco conflitivo.
Certa vez, atendi uma mulher entre 34/35 anos, que estava em dúvida quanto a ter seu primeiro filho. Dizia ter uma vida prazerosa com o esposo, que a roda de amigos era fértil e muito ativa. Comentei com a paciente, que ela estava numa fase da mulher madura para ter um filho, que seu momento era de plenitude. Se ela trazia para a sessão uma demanda “filhos” é por que o assunto estava se tornando palatável para ela, e assim, sempre damos um jeito de criar um espaço amoroso em nossa mente, quando o desejo da maternidade emerge.
Tanto o pai quanto a mãe, quando têm um bebê, se tornam pais a partir desta criança, e, graças a ela, os horizontes se abrem, muitas questões podem vir à tona. Moral da história é isso que faz um casal evoluir – é se surpreenderem dia a dia com o “poder” da chegada de um filho. Não pretendo ser romântica e vislumbrar somente o lado bom do nascimento, mas entre ganhos e perdas, o casal que realmente se ama, tem um saldo positivo com a chegada de uma criança. Qualquer coisa que aconteça ao casal depois de ter bebê é transformador. Ninguém sai do nascimento de um filho do mesmo jeito que entrou. Nesse sentido todos nós, pais, um dia já fomos casulo e depois nos tornamos, com muita garra, borboletas.
Quanto à pergunta inicial, acho que cada indivíduo ou casal deve pensar com muita ponderação sobre a chegada de um filho. Quanto cada um está disposto a abrir mão de algumas coisas, provisoriamente ou não. Refletir o quanto um filho programado pode trazer maior estabilidade emocional aos parceiros do que o “fator” surpresa.
Claro, que o ser humano tem a capacidade de superar desafios e intempéries, porém, é mais saudável, mentalmente falando, fazer uma coisa por vez – cada coisa no seu tempo!

29.5.17

O papai se ausentou e agora?



Até pouco tempo, as pessoas acreditavam, que as crianças criavam uma relação muito íntima com suas mães, e, que os pais seriam secundários nesse processo. Isso não é de tudo verdade, mas tem um fundo de realidade.
De início, os bebês são muito conectados com as suas mães e dependem dela para tudo: mamar, higiene, aprender sobre o ambiente que os circunda, afeto, emoções, entre outras funções. Tanto isso é verdade, que é impossível pensar num bebezinho sem logo associá-lo a sua mãe. Todavia, desde o início da vidinha do bebê, o pai também tem uma função primordial, não só de acolher ao filho, mas também proteger a mãe, para que ela se dedique de corpo e alma ao bebê, e, também, de pessoas que adoram dar palpites e sobrecarregá-la com “conselhos” e cobranças.
Bem, vamos voltar a falar de ausência paterna. Por vezes, o pai precisa viajar ou se ausentar a trabalho, e, os familiares pensam que por que a criança ficou com a mamãe ela não sofrerá, ou, se ressentirá da distancia do pai. Precisamos lembrar que a criança pequena ainda é inundada com pensamentos concretos e o abstrato passa longe. Falar para um pequeno que o papai volta logo não pode ser entendido por ela como algumas horas ou poucos dias. Para um pequenino dias podem significar semanas ou muito mais.
É função do pai, caso ele precise se ausentar por qualquer motivo, chamar seu filho e comunicar a necessidade de seu distanciamento e deixar claro para a criança, que ele estará pensando nele com muito carinho e amor. Assim como o pai está sendo claro e verdadeiro em seu discurso, a mãe também precisa assegurar a cabecinha do filho, que o papai não sumiu, que ele continua existindo, que a ausência dele é temporária.
Não exija demais do pequeno, se no retorno do papai, ele fizer cara feia, esconder o rosto, for para o quarto ou não der bola para ele. O comportamento dos pais precisa ser o mais natural possível – em breve a criança volta a se aproximar carinhosamente do pai, a se interessar pelas novidades, ou, pelo mimo, que o papai se lembrou de trazer para ele.
Não se admire se com a chegada do papai a criança não saltar no colo, não enchê-lo de beijos e abraços. Os pequenos costumam mostrar seu amor e saudades oferecendo seus brinquedinhos, seus bichinhos de pelúcia ou bonecos preferidos.
O pai não deve esquecer, de receber a atitude do filho com muito amor, e, de enfatizar, que se sente muito feliz em vê-lo, de poder brincar com os brinquedos queridos. Para os pequenos é muito bom ver que aquilo que lhe causa interesse (os brinquedos) também causa interesse e tem importância ao papai. E nesse vai e vem de proximidade e carinho, o retorno do papai vai sendo alimentado por uma relação de proximidade, confiança e de muito afeto positivo.
Caso o papai tenha que se ausentar novamente, o filho entenderá que ele vai, mas volta!
No caso das crianças maiores, a mamãe pode fazer uso de um calendário, e, junto com a criança, marcar os dias que o papai está ausente, e, dessa maneira, mostrar de forma concreta, quanto tempo falta, para o papai chegar.
Falar sobre o pai em sua ausência e de maneira positiva ajuda a fortalecer a confiança, a esperança de que logo as coisas voltam a ser como antes. Mais um lembrete, a mãe não deve usar a ausência do pai como objeto de chantagem: “Se você não fizer isso ou fizer aquilo errado vou contar para ele!”
A mãe que age de maneira a chantagear a criança, na ausência do papai, na verdade está ajudando a criar sentimentos conflitantes do filho em relação ao pai, e, a temer pelo seu retorno. Algo que poderia ser muito positivo se transforma em algo temeroso. Imagine como fica a cabecinha dessas crianças! Socorro!
A criança precisa ver o pai, mesmo nos períodos de ausência, como um parceiro da mãe, que ele tem a função, assim como a mãe, de participar igualmente de sua educação.



15.5.17

Bons motivos para receber os bebês sem “noias”



     
Gostaria de falar sobre as particularidades de cada família em relação à chegada de um bebê, mas aqui não há espaço para isso. Assim, vou comentar de maneira genérica, porém, com muito carinho e atenção, sobre as “noias” (paranoias) que experienciamos com a vinda de um pequenino ao seio familiar.
A chegada de um novo membro na família, pode trazer “um certo” estresse, principalmente, quando os pais são pais de primeira viagem, ou, apresentam um desejo interno e "irrevelável" sobre a preferência do sexo do bebê. Algumas mães ou pais gostariam que o primogênito fosse do sexo masculino e quando o oposto acontece, decepções podem vir a tona, mesmo que de maneira velada. Cada um tem sua preferência pautada em suas histórias ou conflitos familiares. Ótimo para quem não pensa assim – uma dificuldade a menos.
Até o momento estou me dirigindo aos pais, mas o mesmo pode acontecer com os avós. Alguns avôs, que atendi em sessão familiar, referiam que seu primeiro neto deveria ser um menino, assim a “profissão” ficaria na família (médico, advogado, engenheiro, etc). Acredite, existem avós que preferem um neto para dar continuidade ao nome da família.
O “drama” não para por aí! O nascimento de um bebê pode desorganizar a cabecinha do filho mais velho. Ele precisa de um tempo para se ajustar a nova configuração familiar. Quando a criança é pequenina, entre 1 e meio ou 2 aninhos, dificilmente ela esboça propriamente o ciúme. Ela encara o irmãozinho como um brinquedo animado.
As coisas se complicam mais, quando a criança é maior, entende claramente seu lugar na família e o quanto ela é agraciada por isso. Não é fácil para o filho mais velho perceber, que o “novo membro familiar” é uma gracinha, pequenininho, fofo, que detém a maior parte da atenção da família nuclear, dos parentes e dos amigos. Haja coraçãozinho! Acho que elas pensam “como alguém pode admirar uma pessoa menor que eu?”. “Como alguém pode curtir um ser que faz muito menos coisas do que eu?”. “Como alguém pode querer ficar perto de alguém que chora periodicamente e ainda faz suas necessidades na frente de todos e na roupinha?”
O que estou querendo comentar é que para o primogênito, talvez fosse mais fácil se os bebês já nascessem grandinhos e pareados para possíveis comparações. Nesse aspecto não são só os filhos mais velhos que precisam de ajuda. Os pais também! Os pais necessitam de uma rede de apoio para ingressarem em mais uma nova jornada familiar: a expansão da família.
Por vezes, o filho mais velho muda seu comportamento com a chegada do bebê, e grande parte das pessoas, associa isso ao ciúme, a birra, ou, a “ataques” de capricho infantil. Pensar dessa maneira é uma forma linear de não levar em conta as emoções e sentimentos do primogênito, ou, até mesmo seu estado físico. Certa vez, atendi uma mãe, que reclamava, que seu filho de 3 anos não queria ir para a escolinha, que todos os dias, na hora de colocar o uniforme era uma briga – põe a calça – tira a calça. Isso se repetia umas “duzentas vezes”, até a criança se dar por cansada e aceitar o uniforme, e, os pais estarem a beira de um ataque de nervos.
Todos achavam que ela estava fazendo birra, ou, querendo chamar a atenção, devido à chegada do bebê.
Ledo engano!
Em sessão familiar esse evento (põe e tira o uniforme) veio à tona e o pequeno disse, por meio lúdico (fantoches), que odiava por o uniforme da escola, pois, ele era quente e que transpirava demais.
Resumo da ópera, aquilo que traduzimos como birra, ou, a criança estar tentando chamar a atenção dos pais, nem sempre é o que parece ser. Precisamos ter bom senso, ouvir, ver e dar espaço para o irmãozinho mais velho se pronunciar, quer por meio da palavra objetiva, quer por meio de expressões lúdicas! Deve sempre haver um bom motivo para as reações humanas. Nem sempre elas aparecem de maneira clara, mas vale a pena pensar e não polemizar. As crianças são mais simples do que parecem!