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23.8.10

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Barriga da Mamãe - Minha História Dentro da História da Mamãe e do Papai - Parte 1











Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe Minha história dentro da história da mamãe e do papai

Parte 1 Eu não tenho dúvidas que a gravidez é, na vida de uma mulher, de um casal e de uma família, um período de grande complexibilidade emocional. Em nossos costumes, principalmente, o ocidental, é uma fase na qual a mulher exibe e esbanja fecundidade, lembranças de sua meninice, memórias de questões não resolvidas no seu seio familiar e perspectivas de que agora em diante tudo poderá ser bem diferente. É um momento de abrir espaços. Espaços para o que está chegando, espaço para os que já se conceberam marido e mulher e espaço para que a família receba o novo ser. Toda gestação tem em si uma história anterior e é sobre essa história que eu gostaria de comentar com você. Antes do bebê vir ao mundo, ou pelo menos o que consideramos por mundo (alô terra, contato por favor! Seres humanos, vivos e não vivos, vocês estão ai?) já havia um homem e uma mulher e cada um deles com suas respectivas histórias de vida. Dessa história individual, surgiu um encontro (casual ou não) e o estabelecimento de uma relação e o projeto intencional ou não de uma gravidez. Antes mesmo das duas pequenas células, masculina e feminina, se encontrarem, e diga-se de passagem, em um ambiente escurinho, quentinho e acolhedor, propício ao primeiro despertar do que será uma nova vida, cada genitor recebeu ao longo de sua existência uma verdadeira avalanche de informações familiares verbal e não verbal e que no futuro irão fazer parte da história da terceira “pessoinha” que está por chegar – o bebê. Todas essas informações, mensagens e códigos familiares farão parte do psiquismo infantil e alimentarão o futuro dessa criança. Essa avalanche de informações é um bem precioso, embora também contenha mitos, tabus, ditos que nem sempre corresponde a realidade, mas fazem parte dos bens hereditários de cada um dos proponentes a pais. Costumo dizer um dito interessante em minhas aulas aos meus alunos “Pau que nasce torto morre torto” ou ainda “Filho de peixe peixinho é” e finalizo com esta pergunta: vocês realmente acreditam nisso? E graças a Deus, a maioria dos alunos discordam dessas frases e assim eu continuo em minha jornada acreditando que o ser humano sempre pode se superar e mudar ou ainda relativizar. Na realidade o que importa é que as circunstancias ou os eventos gerados em cada família de origem é que comporão e darão colorido a pré-história do futuro bebê. O que podemos dizer sobre a história do casal antes da chegada do bebê? A história do casal começa quando eles ainda eram bebezinhos e foram se estruturando rumo a maturidade e nessa história, certamente, deve ter ocorrido muitas experiências positivas, algumas nem tão positiva assim, fatos omitidos, distorcidos ou mesmo ainda, engrandecidos ou não e tantas outras que compuseram a dinâmica de cada um dos parceiros dentro do contexto familiar. O mais importante independente do tipo de experiência existencial de cada um, é que cada mãe e cada pai tiveram um lugar em sua família de origem e os que não se sentiram nomeados nela, ou bem dizendo, não desenvolveram o sentimento de pertencer, que o presente permita que esse lugar seja conquistado ou recuperado para que o bebê, que está a caminho, possa desfrutar desse lugar com a plena autorização do papai e da mamãe e assim se constituir como uma pessoa. Os bebês muitas vezes vêm ao mundo com o propósito de desempenhar papeis ou legados determinados por seus pais, tais como: unir o casal, presentear o vovô usando seu primeiro nome e sobrenome, com direito a um “plus” de neto, perpetuar a missão profissional (todos os homens da família são médicos) entre outros ou simplesmente ser bem vindos e serem felizes pelo o que são e pelo que o futuro assim lhes desejar. O que eu não tenho dúvida, é que papeis delineados aos filhos serão cobrados e nem sempre a criança terá ombro suficiente para suportar o peso do legado familiar e ai o “caldo pode entornar”. Estamos falando da felicidade e do bem estar de amanhã de nossos filhos, que ao nascer já experimentam o potencial para vida e para o viver criativo. Assim, não podemos esquecer que o bebê é uma pessoa, que tem seu próprio talento e é merecedor de sua identidade pessoal e sua liberdade. Tem seu EU diferente de todos os outros bebês. É capaz de desenvolver recursos e potencialidades que lhes serão facilitados por seus pais e pela família. O que importa para nós, nesta conversa, é que a noção de casal que a criança terá no futuro será determinada pelas idéias e concepções que lhe deram origem. Não quero dizer que isso é um determinismo, mas a conduta futura do bebê será influenciada de maneira importante pelas idéias parentais de uma forma ou de outra. Os humanos possuem a tendência a repetir a história da família de origem, de maneira positiva ou negativa, e o que eu desejo, é que os bebês que estão por chegar, tenham a tendência em repetir o amor, o carinho, a sinceridade, a fraternidade e o sentimento de pertencer e existir que receberam de sua família de origem e possam transmitir isso por várias gerações. Até o próximo encontro.

Um comentário:

  1. Seu blog é incrível!! Quanta informação! Espero ter todo esse conhecimento quando eu me formar!
    Parabéns pelo seu trabalho que é lindíssimo!

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