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21.9.10

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe - Pode Ser uma Boa Idéia Engravidar - Magnífica Idéia - Parte 2


Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe

Parte 2 Pode ser uma boa idéia engravidar - Magnífica idéia Parece incrível, mas do desejo de um homem e de uma mulher pode entrar em cena uma terceira vida, o filho tão querido, desejado e esperado. Uma vez eu estava lendo em um livro que dizia que para que um filho nasça é preciso ser três. Pode parecer estranho, não? Mas não, eu não estou equivocada. Na verdade é tudo muito simples, simples como uma boa matemática. Pois bem, é preciso um pai, uma mãe e claramente um bebê. Sem a presença desses três seres não haverá nascimento e muito menos um núcleo familiar. Penso que muito antes de haver um embrião, feto ou bebê existe um projeto, seja ele consciente ou inconsciente por parte de uma mãe e de um pai. Me pego olhando para muitas grávidas e fico pensando: como ele foi concebido?, Será que foi muito esperado? Teria sido programado? Foi uma fonte de euforia para seus familiares? São tantos questionamentos .. . O que eu estou querendo dizer é que independente do que penso ou vejo, esses bebês, de alguma maneira, já possuem algumas marcas em sua historinha de vida e querendo ou não já existe uma inscrição no inconsciente de cada pai, mãe e até mesmo dos parentes mais próximos. Nossa trajetória de vida é confrontada de maneira não muito usual com coisas esperadas e outras nem tão esperadas assim. Nesse percurso há fontes inspiradoras e de muita força. Nesse contexto, posso exemplificar, e, com muita graça, os filhinhos das camisinhas furadas, os que furaram a tabelinha, os que brigaram com os 99,9% de certeza de contracepção da pílula anti-concepcional, ou, ainda os filhinhos que nasceram com o “DIU na cabeça”. Meu Deus, eu fico maravilhada com a força de vida – com o desejo de viver de alguns bebês. Continuo achando que são fontes inspiradoras de vida, de poesia e de um mundo melhor. Eu me pergunto: - estes casos são de força de vida de um bebê, que deseja pertencer a esse nosso mundo tão conturbado, ou, seria nosso desejo consciente de não ter filhos, que inconscientemente os sabotamos e permitimos então que os “atos falhos” aconteçam? Atos esses, que depois de cerca de duzentos e setenta dias se transformam em lindas criaturinhas. As falhas ou os lapsos podem ser atribuídos tanto a mulher quanto ao homem – aqui não se atribui predomínio de gênero, raça, credo – talvez a idade. Para a mulher o tempo pode estar passando. Para o homem, pode ser que ele não deseje estar na condição de um pai-avô. Parece que o inconsciente é democrático. . Não posso deixar de mencionar o dueto “o quero não quero” . Não leitores, não é um tipo de dança folclórica, são apenas os períodos de ambivalência que passamos em nossas vidas. Acho que é mais um período “William Shakespeare” de grandes reflexões do tipo ser ou não ser, ..., ter ou não ter. Será essa a questão, a condição, a fase de vida? Nesse período, o casal pode estar num jogo onde ora é a mulher que não pode engravidar naquele determinado momento, pois, estuda ou investe em sua carreira, ora é o homem, que não se habilita ao trabalho de procriar – pois, está em vias de receber um aumento de salário, de ocupar um cargo em outro extremo do Estado e lá a assistência médica e os convênios ainda são insipientes. Portanto, a menos que um dos dois consiga superar a própria ambivalência, ou seja, de ser capaz de continuar a dizer sim, no momento em que o outro se arranja pelo seu lado, eles jamais gerarão filhos. A não ser, é claro, que a mulher sustente seu desejo e finalmente decida ter esse filho, e se defronte com as oposições do homem. Cá para nós, não acho que será uma boa idéia, pois o futuro pai, seguramente, um dia cobrará a traição de não ter sido consultado, e, as omissões, ou, as vinganças, podem vir no silencio da relação a dois, e, na conseqüência da relação a três. O que não podemos desconsiderar é que o desejo de ter um filho não é igual para o homem na mesma medida que o é para a mulher. Ter filhos têm significados diferentes para ambos, inclusive por que o desejo emerge para cada um, em um determinado momento de sua trajetória, e, são permeados de suas histórias pessoais, histórias estas, que são particulares, singulares e vividas em sua intimidade. O desejo de ter um filho é uma coisa, o projeto de ser pais é outra bem diferente e complexa, mas que também preexiste à concepção do filho. O projeto de ser pais denota a maneira como cada um se vê como futuro pai e futura mãe. Como cada um dos pais imagina em seu imaginário, em seu desempenho futuro como pais responsáveis, e, ao mesmo tempo vislumbra no futuro as projeções para esse filho, sem cair nas armadilhas da vida de não respeitá-lo como pessoa e como indivíduo, dono de suas escolhas. Os pais sempre são um modelo de referencia, quer desejamos ou não. Podemos nos espelhar em sua forma de serem e de conduzirem as situações ou ainda refutá-los. Seja como for, não temos como negar nossa herança O projeto de ser pais não compromete somente o casal. Ele acaba transpassando por toda a família do bebê, bem dizendo, pela linhagem que pode ou não estar em dissonância. E aqui não é difícil encontrar uma sogra que tenha idéias muito rígidas sobre o que é um bom genro e um bom pai, ou ainda, como uma boa nora deve encarar a maternidade e suas funções como esposa. É aqui, que o caldo pode entornar, e, os projetos começarem a ser engavetados ou sabotados. Quem será mais marrudo, ou, quem chegará na liderança da corrida da concepção do futuro herdeiro? Não quero ser otimista e nem pessimista, mas continuo com a convicção de que para desejar, planejar e ter um filho é necessário primeiro fazer a despedida de filho de nossos pais, e, então fazermos a passagem para a nossa família nuclear, e, nos tornarmos pais de nossos filhos. Até o próximo encontro.

Dra. Regiane Glashan Terapeuta familiar – Casal – Individual / ênfase na relação mãe-bebê Especialista pelo Cefas, IPPIA, VínculoVida Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP Fellow Universidade Pittsburgh – USA Consultório Rua Constantino de Souza, 645 – Sala 4 Campo Belo – Tel. 9933 7938 São Paulo – São Paulo

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