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27.10.10

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe - Parte 3 - A Concepção


Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da mamãe Parte 3 – A concepção

Nesta altura do campeonato, vou falar sobre a concepção. Esta etapa do desenvolvimento do desejo e do querer um bebê. O desejo de ter um filho está inter-laçado a história que precede os desejos de ser pai e de ser mãe. Eu não tenho dúvida, que desse desejo de materializar um ser, a vida se esboça. Possivelmente é a origem da vida. Como posso saber quando é a origem da vida? Seria quando os desejos de um homem e uma mulher se encontram e a explosão de amor acontece ou seria no exato momento da fecundação? Não importa para mim qual a resposta fisiologia, científica ou metafísica da origem da vida. O que me emporta realmente é que, embora eu desconheça o exato momento da vida, eu sei que a maioria das mulheres a celebra com muita emoção e esperança. O corpo ainda não pode sentir o início da vida, mas com certeza, a mente já esboça, os contornos de um novo serzinho. Penso muitas vezes, que assim como eu escolhi um parceiro para gerar um filho, meu óvulo também se enamorou de um determinado espermatozóide de meu parceiro, e, assim o encontro foi tão explosivo e colorido como o amor solidário e carinhoso que tive na escolha de meu companheiro. Passa o tempo, e, com ele as expectativas vão aumentando. A dura pergunta que quer uma breve resposta: - sim você está grávida! 100% grávida – totalmente grávidos. Mas pêra lá, quantas pessoas são necessárias para gestar um bebê? Pelo visto muitas. A gestante, o parceiro da gestante, os pais da gestante, os pais do parceiro, as tias, os tios, os primos, os sobrinhos, os amigos, os chefes ... Epa ! Tem mais gente gestando que célula se formando. Foi só um devaneio, mas um devaneio sincero e com certo ar de verdade. É uma verdadeira “net de gestadores “. Tudo bem, é o milagre da vida capaz de mobilizar o mundo a favor da celebração da vida. Após o período de impactação, vem a fase da aceitação e para muitos da confusão de papeis. Eu, no presente momento, sou amiga e companheira. Em cerca de duzentos e tantos dias serei mãe. Minha irmã está confusa, pois até agora ela era minha irmã e com a notícia da gravidez, se reconheceu “virando titia”, sem falar na mãe, que até bem pouco tempo usou as roupas da pré-gestante e ainda não incorporou o papel de avó. Jovem avó, mas avó. Sem falar no futuro vovô que pensa em tingir os cabelos para exibir uma aparência mais jovial. Acho que as gestantes, ao mesmo tempo, que exalam contentamento, causam de certa maneira algumas confusões em sua família de origem. Não bastasse isso, a ambivalência de quem gesta também aparece neste exato momento. O contemplar de gerar uma vida é invadido por pensamentos do tipo, que medo, não posso voltar atrás, não posso voltar a ser filhinha da mamãe. Parece que chegar ao destino tão desejado nos dá receio e desejo de voltar para casa. Penso que essas hesitações apontam pra nossas limitações humanas de desbravar o desconhecido, mas manter um pezinho (ou dois se for possível) no conhecido. Não é demérito, é puro anseio de segurança e conforto. Quem nos criou, nos fez com tanta sabedoria, que nos deu cerca de duzentos e setenta dias para pensarmos sobre o assunto e amadurecer a idéia. Tanto isso é verdade que algumas mulheres descobrem a gravidez antes do médico e antes dos resultados laboratoriais. A escuta do próprio corpo e a atenção aos conteúdos internos da mente, favorecem a muitas mulheres a predição da gravidez. Que maravilha, a mulher não tem mais dúvida de seu estado interessante, foi devidamente confirmado e reconhecido a gravidez: a palavra médica e os tubos de ensaio atestaram. Sinas subjacentes começam a surgir, tais como, as náuseas, a intolerância a odores, os seios doloridos, a sonolência e o “ensimesmamento” (na linguagem psi é o mesmo que voltar-se para si próprio). Não tenho dúvidas – é a gravidez, ou, pelo menos o que podemos proclamar de a consagração do trabalho em gerar a vida. Não quero dizer com isso que todas as mulheres sentem os mesmos sintomas gestacionais. As diversidades e as particularidades são democráticas para as gestantes. Muitas delas reviverão nesse período suas próprias histórias como filhas e como bebês que um dia já foram. Essas histórias podem, não necessariamente, serem prazerosas, mas sem dúvida não deixará a mulher pensar em si mesma da maneira igual como pensava antes da gestação. Mais ainda, poderão partilhar da dúvida do ter ou não ter – eis a questão. O que estou querendo dizer é que minha visão do reconhecimento da gravidez não é tão simplista, mas no momento, me apego ao lado mágico e imenso do bom sentido de torna-se mãe e merecedora de ser uma agente da formação e concepção de uma nova vida. A confirmação da gravidez e o reasseguramento da concepção, ressoa neste momento nas várias histórias de milhares de mulheres que de geração em geração proclamam em seu ventre a verdadeira força da vida. E de alguma maneira as histórias de cada uma dessas mulheres se interligam na experiência esplendorosa de dar vida e luz a um ser humano. Em nosso próximo encontro iniciaremos nossa conversa sobre o primeiro trimestre da gravidez.

Dra. Regiane Glashan Terapeuta familiar – Casal – Individual / ênfase na relação mãe-bebê Especialista pelo Cefas, IPPIA, VínculoVida Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP Fellow Universidade Pittsburgh – USA Consultório Rua Constantino de Souza, 645 – Sala 4 Campo Belo – Tel. 9933 7938 São Paulo – São Paulo

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