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12.11.10

Presente de “Grego”: desvio na comunicação


Presente de Grego ou Desvio na Comunicação


Sempre estamos preocupados, quando estamos apaixonados ou gostamos muito de alguém, em agradar ou realizar os desejos do outro a partir de nossa visão de mundo e de necessidades. Porém, nunca nos perguntamos, como somos capazes de traduzir os sentimentos amorosos em ações ou de que maneira essas ações são entendidas como amorosas a partir do olhar do outro: “minha ação, gesto ou atitude foi entendida como amorosa?”. Penso muitas vezes que as crianças não têm problema para separar as coisas. Elas podem muito bem se decepcionar com o presente de uma tia querida ou um amigo e mesmo assim abraçá-lo ou beijá-lo em retribuição pela atenção (recebida). No fundo, elas sabem diferenciar entre seus sentimentos pelo presente e seus sentimentos para com ele – criança amada pelos parentes e amigos. Tudo bem, o presente foi comprado para alegrar a criança que o receberia, mas não deu certo e ponto! Foi apenas uma falha de comunicação em gosto e necessidade entre duas pessoas. O impasse poderia ter sido resolvido se o parente ou amigo tivesse perguntado a criança o que ela gostaria de ganhar. Foi estabelecido, então, uma falta de acordo: gosto não gosto, penso que ele gostará ou penso que será útil. Este é um pequeno e bobo exemplo de como a falta de acordo pode gerar divergências e dificuldade de expressão de nossos sentimentos. Podemos, com isso, deixar o outro confuso. Quem recebe o presente pode se sentir confuso e interpretar a ação como desafeto ou falta de consideração. Diferente da criança citada no exemplo, o adulto costuma reagir muito negativamente quando se decepciona com o outro (presente ou afeto dispensado). Nesse aspecto, reflito como somos influenciados pela nossa família de origem (pai, mãe e irmãos). Muitos parceiros vêm de famílias em que os sentimentos eram expressados de maneira bem diferente da qual conhecemos ou vivenciamos e ai o caldo entorna. Para alguns, transmitir afeto é preparar um bom e quentinho prato de comida, para outros é a corporalidade que fala mais alto. E então? Com freqüência, isso não dá certo e não alimenta as relações, e talvez seja a explicação para o fato de haver pessoas que amam muito, mas mesmo assim não conseguem viver juntas. O fato reside em muitas famílias induzirem seus filhos a agradecerem e dizerem que gostaram muito do presente, quando no fundo elas não se sentiram agradadas por eles e ainda foram “induzidas” a falar que gostaram muito, quando, na verdade, um muito obrigado seria o suficiente. È assim que ensinamos nossos filhos a pensar de uma forma e a expressar de outra, não valorizando o real e verdadeiro sentimento. É como se eu no fundo dissesse sim quando na verdade eu gostaria de ter dito não. Está, ai, estabelecida a baita confusão emocional e de comunicação. Como posso dizer o que sinto e o que quero, ou a negativa inicial, quando isso foi embotado em meu inicio de desenvolvimento infantil?Não tenho dúvida, os desvios de comunicação e sentimentos são estabelecidos no início de nossa vida com o convívio, lado a lado, de nossa família de origem.

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