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6.12.10

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe - Quarta Parte (1) - Primeiro Trimestre


Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe Quarta Parte (1) Primeiro Trimestre Neste artigo, que compõe parte de “Quase duzentos e setenta dias dentro da mamãe”, vamos conversar sobre as emoções da mãe, sobre as modificações corporais, e, como a mulher enfrenta essas alterações e sua interação com o meio que a cerca. Muitos autores consideram o primeiro trimestre da gestação como o primeiro período onde a grávida inicia sua experiência rumo a maternidade. Para a mulher, é uma oportunidade de se desenvolver enquanto indivíduo e de se realizar na plenitude de suas funções biológicas. Não é a toa que muitos simbolizam o momento do parto, como o momento de dar a luz. “O povo” com esta frase menciona dois significados ao mesmo tempo: 1- uma vida está por vir e com ela a luz que iluminará o caminho de seus pais e de sua família; 2- a mulher estará atravessando um caminho com a perspectiva de dar luz a si mesma – é um ritual de passagem. Passagem de uma fase singular, para um período de vida dual, e então, a partir do nascimento do bebê, em plural (mãe-bebê). Não quero afirmar que só exista glamour na gestação, ou, que os nove meses na vida de uma mulher é cor de rosa, nem tão pouco, que seu caminho será só de flores. A imagem da mulher grávida, normalmente é associada a um período bem sucedido, sem intempéries, prazerosa e entusiástica. Sei que muitas mulheres, neste e em outros momentos de sua vida são submetidas a diversas formas de violência, e, que sua pessoa desaparece por trás do seu ventre, protuberante e arredondado. Suas palavras são ouvidas como sussurrar no meio da noite e a atenção é voltada particularmente ao feto. Eu sei que, as vezes, pareço ilusória e centrada no melhor que pode acontecer a uma mulher no período gestacional. Porém, nesse exato momento de minha vida, quero e preciso acreditar que o mundo é bom. É por isso que em meus artigos eu tenho focado o lado bom de gestar uma vida. Perdoem-me, minhas “nobres leitoras”, mas talvez meus cabelos brancos (e tingidos) me façam reagir assim, acreditando que as pessoas são boas, e, que o mundo está mudando para melhor. Entretanto, não nego as possibilidades de sofrimento. Bem, voltemos ao lado prático e maravilhoso (e às vezes nem tão maravilhoso assim) do primeiro trimestre da gestação. Neste período surgem as primeiras modificações da percepção e da imagem corporal. Os seios tornam-se túrgidos, exuberantes, notáveis, porém, doloridos e sensíveis (principalmente o mamilo); os odores e o paladar se modificam e não é raro desejar e repelir algum alimento. Este início da gravidez pode ser sentido e vivido por algumas mulheres como algo assustador – meu corpo está mudando e minhas formas arredondando. Por outras mulheres, a lente íntima pode denotar formas que antes não podiam ser observadas, como a sensualidade dos seios fartos e os quadris mais evidentes. É um momento onde a mulher pode vivenciar a passagem de um corpo de “menina” para um corpo realmente de mulher adulta e fecunda. Neste contexto, o olhar do parceiro terá grande influência sobre a mulher, oferecendo o acentuar de sua satisfação enquanto gestante ou a insatisfação com seu corpo rico em modificações. O homem pode sentir-se excluído, pois até o momento a parceira era integralmente dele e com a confirmação da gravidez, esta mesma mulher ora é vista como a futura mãe de seu filho, ora é vista como uma entidade santificada, geradora de vida e descontextualizada de erotismo. Meu Deus, que confusão! Não é a toa que a libido pode estar reduzida nessa fase gestacional. Reduzida em quem? Acredito que em ambos. O homem porque ainda não encontrou seu real papel como futuro pai e a mulher por que acaba neste início de gestação, regredindo um pouco em suas emoções e vai se identificando com seu bebezinho em formação, e, com o bebezinho que um dia ela já foi. Todas as mulheres referem a mesma percepção da gestação? Talvez. Algumas já de prontidão curtem e esbanjam a satisfação com a futura maternidade. Outras demoram um pouco mais para se sentirem grávidas e esta demora pode estar atrelada aos aspectos inconscientes. Aspectos esses em se adequar a imagem de uma mulher maternal, biologicamente fecunda e acolhedora. Muitas vezes, essas características não são evidenciadas na própria mãe (futura avó), vista como pouco amorosa, invasiva e sufocante. Mãe esta que pode impor a necessidade de um ideal de mulher sempre sensual e magra. Outras mulheres podem negar o corpo gravídico, temendo a rejeição de seu companheiro – rejeição esta já vivida pela história de outras mulheres de sua família de origem. O mais interessante e animador de tudo que comentamos é que nada é definitivo ou estacionário e é possível que a gestação propicie a mulher um momento de evolução e superação. Conflitos podem ser negociados (mãe-filha) e, portanto, dependerá da possibilidade de cada parte envolvida, nesse tema, em se dispor para rever e atualizar os conceitos. É uma oportunidade de passar o passado a limpo e reeditar de maneira positiva contextos que não foram elaborados e que no presente surgem como verdadeiras pedras no meio do caminho. É preciso desarmar para amar. Junto as primeiras mudanças do corpo da mulher grávida, surgem os famosos desconfortos iniciais deste período: náuseas, enjôo, vômitos, azia, desejos ou repugnância alimentar, alteração do padrão alimentar e de sono e mudança de humor. Mas quem ou o que é responsável por isso? A biologia humana refere mecanismos hormonais e os pesquisadores da área “psi’ aceitam a labilidade humoral, mas, também contemplam aspectos psicológicos banhando a mente da gestante. Gostaria de falar um pouco sobre eles. É como se a mulher se assemelhasse ao seu futuro recém-nascido (RN). Calma, não estou delirando. Os RN em seu comecinho de vida demoram um período para se adaptarem a dura realidade do mundo real – aqui fora. Dormem muito ou ficam noites sem dormir, ingerem muito leite e depois sofrem de “azia (refluxo) ou regurgitam. Ficam impacientes, e se recusam a se alimentarem (mamar). Não é incrível que no comecinho da gestação a futura mãe exiba sintomas semelhantes ao seu futuro filhinho? Bem, provavelmente a grávida neste comecinho de gestação tenha a oportunidade de se remeter ao seu próprio nascimento e até mesmo a outros nascimentos na família. É lindo, não é? É uma forma da mulher retroceder, de se identificar com o seu bebê, de alguma maneira colocar-se no lugar do dele, e, de se aproximar das sensações físicas e emocionais de seu filho. Em nosso próximo encontro, continuaremos com esse tema – primeiro trimestre, porém vamos enfocar os aspectos emocionais de cada sintoma em particular. Até lá. Dra. Regiane Glashan Terapeuta familiar – Casal – Individual / ênfase na relação mãe-bebê Especialista pelo Cefas, IPPIA, VínculoVida Mestre-Doutora-Pós-Doutora pela UNIFESP Fellow Universidade Pittsburgh – USA Consultório Rua Constantino de Souza, 645 – Sala 4 Campo Belo – Tel. 9933 7938 São Paulo – São Paulo

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