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8.3.11

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe - Segundo Trimestre – Parte 1: evolução do embrião a feto


Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe Segundo Trimestre – Parte 1: evolução do embrião a feto Neste capítulo, enfocaremos a evolução do embrião a feto e as várias nuancias que este período causa na mulher. Parece conversa de comadre, mas todo mundo comenta que o segundo trimestre é considerado (por 10 entre 9 gestantes – diga-se de passagem, estatística obtida em minha experiência com gestantes) o melhor momento do período gestacional. É uma fase ou período de desabrochamento. O ventre está protúbere, o mal estar está em fase de declínio (náuseas, enjôo, vômitos, sonolência, cansaço, entre outros) e a mulher se sente o centro da admiração e do carinho (claro que isso acontece quando tudo vai bem). O primeiro trimestre foi marcado pela ação hormonal, de produção materna (ovários), e a insuficiência desse hormônio, se não tratada, pode provocar abortos espontâneos. A partir do segundo trimestre, é a placenta que toma o lugar do ovário na manutenção da gestação. É ela que de agora em diante tomará as rédeas para que a gestação siga em frente até seu destino final – o nascimento. A placenta mantém a troca de substâncias importantes entre a mãe e o feto e o ambiente uterino é um verdadeiro ninho de aconchego para ele. A mãe por sua vez, ao se liberar dos sintomas físicos, abre espaço para que sintomas psíquicos aflorem, e dentre os sintomas, a ansiedade e angústias podem surgir. Vou falar sobre eles mais a frente. É claro que o corpo se modifica mês a mês e junto com essa mudança, o guarda roupa também muda. As roupas ficam mais soltinhas e tendem a ser confortáveis, porém não menos elegantes. Não há mais como negar a gravidez. E o papai? Como fica o papai? A maioria dos companheiros se sentem orgulhosos pelo crescimento do ventre de suas mulheres – é a verdadeira consumação do amor entre duas pessoas e não menos, a certeza de que esses homens são (muito) potentes. Por outro lado, alguns homens não reagem dessa maneira e ficam desconfortáveis com as novas formas da mulher. Reagem a isso, sentindo-se incapazes de experimentar desejo sexual ou ainda culpa por não tê-lo. Muitos se defendem dessa inibição, tornando-se rudes e comentando o quanto elas engordaram e não são mais atraentes. Pode ser um período para estas mulheres de entristecimento, solidão e falta de intimidade entre o casal. É nesse momento que o bebê em seu ventre, torna-se seu melhor confidente e leitor de muitos dos sentimentos que permeiam a mente da gestante. A forma como as mudanças na mulher são experienciadas pelo casal pode ser um indicativo de qual lugar este filho vai ocupar na conjugalidade de seus pais. Ele será um cúmplice, um detetive de sentimentos, será um incômodo, será um rival, será rejeitado, ou melhor ainda, será bem-vindo e terá um lugar de destaque no lar aconchegante e quentinho proposto para ele? Do fundo do coração, espero que o lugar proposto para esse novo cidadãozinho seja de amor e acolhimento sustentado. Penso que é na união do casal que o bebê vai construindo seu lugar e assegurando sua origem geracional. É a construção de uma nova identidade dentro de uma relação a dois. Um dado que não se pode esquecer é de que cada cultura enxerga a gestação de uma forma. Para algumas o sexo é interditado e para outras ele é proclamado e incentivado, até mesmo para estimular o momento do parto. Os movimentos do bebê dentro do útero causam prazer na futura mamãe. É a nova vida mostrando a que veio e é a expressão inimaginável da maior experiência de existir dentro de um corpo já existente. É altamente rejuvenecedor – não é a toa que muitas pessoas afirmam a gestante que ela está luminosa e revigorada. E as ansiedades que comentamos anteriormente? Onde elas estão ou como elas surgem na vida da gestante? Nem tudo é fantasia e plenitude na gestação. É no segundo trimestre que angustias começam a permear a vida da gestante. Mas como essas angústias são vividas ou identificadas? Algumas mulheres referem insônia nesse período e o distúrbio do sono pode estar relacionado a hipervigilancia da mulher sob seu bebê. No primeiro trimestre os receios da mulher diziam respeito a manutenção da gravidez. No segundo trimestre, a gestação é assegurada com mais positividade – a responsabilidade da gestação não recai de maneira stricta na mulher, fisiológicamente falando. O feto tem sua parcela, em conjunto com a placenta. Voces se lembram que no início gestacional, são os hormônios maternos (ovarianos) que asseguram a gestação. No segundo trimestre, o bebê tem mais autonomia, pois a manutenção da nova vida é mantida pela placenta (que o próprio bebê produziu). Parte da angustia vem do processo de separação – da “autonomia” que o bebê conquistou. Ele se alimenta e faz trocas com a sua placenta, se movimenta de maneira autônoma dentro do útero, desenvolve dia a dia seu corpinho e seus órgãos dos sentidos entre outras funções. É como se a mãe temesse se separar do bebê que até agora vivem em intensa simbiose de amor e carinho. Acho que é o medo da separação – de perder experiências e sensações que são boas demais, mas que são finitas. Creio que a angustia vem desse prazer – de saber que ele tem data para acabar e a separação é inevitável. É saber que a felicidade não dura para sempre. A maioria das mulheres passará por essa fase com certa tranqüilidade e as angústias serão superadas pelo desejo de seguir em frente. Outras mulheres, viverão esse período com mais angústia, pois reviver suas separações e seus abandonos pode significar relembrar muita dor e sofrimento. Suas histórias familiares ressoarão de maneira intensa na mente e sentimentos de solidão, perdas e isolamento podem permear a gestante. O que me conforta é saber que o ser humano é potente em várias áreas do conhecimento e entre elas, a área dos sentimentos. A grávida costuma nos surpreender em numerosos aspectos, e assim, nesse segundo trimestre, ela consegue de maneira brava e altiva atravessar momentos como esse e reeditar bravamente conflitos antigos em verdadeiras lições positivas de presente e futuro. Outro dado que me surpreende em relação as gestantes no segundo trimestre é a capacidade de negação e como Freud dizia de projeção. Para elas esse período esplendoroso vem acompanhado de um espectro de cores que variam somente do rosa ao azul. Não há espaço para o nebuloso, ou, melhor dizendo, para os tons de cinza ao preto. É realmente uma fase onde impera o positivismo: tudo vai dar certo, meu bebê é o mais bonito (visualizado pelo ultrasom 2,3,4,5,6...D), com certeza o mais inteligente e dormirá a noite toda como nenhum outro. Se algo der errado nos planos da gestante, certamente, será atribuído ao outro, seja lá o que e/ou quem for. Além disso, o que não lhe confere prazer ou segurança, só acontecerá com o outro (ela é que não será uma boa mãe, ela é quem não sabe colocar limites no filho, ele é quem não é paciencioso com o bebê deles, etc.). O mais interessante desse período gestacional é a descoberta dos movimentos fetais. Não que o feto não se mexesse antes. Pelo contrário, o bebê se mexia e muito, mas a gestante ainda não podia sentir seus movimentos graciosos e acrobáticos. Agora, neste segundo trimestre, sua atenção será desviada para desfrutar do prazer de sentir seu filhinho fazendo mil peripécias em seu ventre. Bem, em nosso próximo encontro, irei comentar sobre a haptoterapia - Palavra difícil que designa a arte de entrar em contato com o feto e o final do segundo trimestre. Até lá.

Dra. Regiane Glashan Terapeuta Familiar – Casal – Individual e Perinatal / ênfase na relação mãe-bebê

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