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11.4.11

O Nó, o Laço e o Abraço



O NÓ, O LAÇO E O ABRAÇO O mesmo fio que aproxima para o abraço e conduz ao laço, é o mesmo que com o tempo sofre entorses e finaliza em nó. É o mesmo fio, que de inicio é um fio amoroso, sedutor e confiável, mas que com o chegar dos anos vira rancor e nó. Aquilo que cai no previsível e no equilíbrio tem a tendência em se transformar em nó. É bem isso que acontece num grande número de casamentos. O equilíbrio (a rotina) rouba o lugar da criatividade, do início da relação amorosa, e, acaba por deixar o dia a dia sem tempero e muito preto e branco. Quando digo nó estou querendo, na verdade dizer crise ou as dificuldades que as pessoas podem enfrentar no casamento. Crise pode ser entendida como desencontros, brigas, sentimentos de não sermos amados, valorizados, ciúme, falta de comunicação, descompasso na sintonia sexual, dificuldades financeiras e familiares entre outras. Seria possível afrouxar ou desfazer nós? Ou ainda seria possível fazer um laço mais frouxo e colorido? Minha experiência com casais e famílias tem demonstrado que o primeiro passo a ser dado é entender que o nó não acontece inicialmente por falta de amor, ou porque as pessoas não querem ficar juntas de um dia para outro, mas provavelmente porque a ida em direção ao nó é da própria natureza do ser humano. Veja se estou errada. Com o passar do tempo e por inúmeras razões, os laços amorosos, o “tesão”, a paixão do início do casamento vai se estreitando, apertando, ficando cada vez mais difícil de um enxergar ao outro com uma certa distância. O nó resultante, é um nó que prende, sufoca, aprisiona, fere, frustra e acaba separando pessoas que estavam tão próximas e fortalecidas. É como se o laço fosse a cada dia apertando mais e mais ao ponto de em vez de unir, afastar – Que estranho, é um abraço, sem laço, e sem espaço para um olhar para o outro. Quando sentimos que o nó está apertado demais, dá uma vontade imensa de desatar ou de cortar o fio tensionado e ir embora. Todavia, é uma solução ingênua e inconseqüente, pois cada um vai sozinho e triste para seu lado e com a possibilidade de repetir os mesmos erros numa relação a dois no futuro. Não quero dizer que em casamentos normais não existam nós. É que nos casamentos normais, os casais exercitam um pouco melhor a reflexão. Na maior parte do tempo quando dizem sim, é um sim fortalecido e não carrega por traz o desejo de dizer não. Quando dizem não, o fazem sem culpa. Complicado? Não, é só uma questão de tempo para aceitar que a chave do sucesso matrimonial pode estar no diálogo franco, espontâneo e na maior parte das vezes regado a afeto e criatividade.

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