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11.5.11

Quase Duzentos e Setenta Dias Dentro da Mamãe: terceiro trimestre (parte 1)




Quase Duzentos e Setenta dias Dentro da Mamãe: terceiro trimestre / Parte 1



Nessa altura do campeonato, acho que seria interessante rememorar alguns aspectos dos dois trimestres anteriores.
No primeiro trimestre, a mulher tinha em seu interior um embriãozinho, ou seja, um amontoado de células, se dividindo e se especializando em alta velocidade, e, num momento mágico dar-se-á a concretização de um sonho, um futuro ser humano.
Com a entrada do segundo trimestre, este embriãozinho já evoluiu bastante e foi promovido a feto. Suas estruturas fisiológicas estão amadurecendo e em breve serão mais funcionais. O terceiro trimestre é uma etapa fantástica na vida da gestante – cada dia que passa ela acredita que seu bebê chegará e trará muitas alegrias e emoções – é a etapa de prever o nascimento, de visualizar o ultrassom, enxergar com quem o bebê se parece, e, negar as semelhanças conflituosas.
É um período onde a mãe está se preparando para a separação – para o inevitável momento do nascimento e do (re)conhecimento. Chega a hora do encontro com um desconhecido tão conhecido e sentido por cerca de duzentos e setenta dias. O papai, certamente, está desejoso por um grande zagueiro, ou, uma graciosa bailarina do cisne branco. São as idealizações que fazem parte do imaginário dos pais e que alimentam a história do casal de que tudo vai dar certo e de que tudo vai correr muito bem.
Novamente não quero ser Poliana e achar que tudo é paradisíaco e que problemas não podem acontecer. É claro que a noção de prematuridade pode ter um certo desenho no imaginário materno. Todavia, como mencionei anteriormente, desejo apenas enfatizar a gestação normal.
O final do terceiro trimestre abre as cortinas para o nascimento do bebê. É um momento muito importante para ele, pois, representa a saída de um meio aquático para a vida aérea. É onde ele adquire o status de sujeito, com direito a nome e sobrenome.
A mãe passa a experimentar em sua mente a possibilidade de realizar um parto normal, ou, de se submeter um parto cirúrgico. É como se ela pudesse estar amadurecendo a chegada oportuna de seu bebezinho.
Nem tudo são flores e sabores. É um período brindado com certo mal-estar físico: seu abdome está bem mais volumoso a ponto de importuná-la. Suas atividades de vida diária são efetuadas com passos mais lentos, e, o cansaço, no final de tarde, é muito bem vindo, quando acompanhado por uma madorna e uma bebida refrescante. Dia após dia, ela vai se desligando de suas atividades obrigatórias para ir se direcionando ao seu bebê.
Calma, não estou afirmando que todas as mulheres grávidas reagem desta maneira, estou tratando do geral. Assim como existem gestantes que vão se desligando delicadamente de suas ocupações, existem outras, que entram em estado de euforia, a ponto de “quase esquecerem” que estão grávidas.
Algumas referem que não conseguem ter um sono reparador a noite, outras queixam-se de um cansaço importante. Muitas referem redução da libido, ou, do aumento do desejo de aconchego com seu parceiro.
Agora vamos pensar pelo lado do bebê.
Se a mãe está cansada e desconfortada pelo importante desenvolvimento de seu ventre, imagine só como está o feto. Totalmente espremido, contorcido e sem nenhum espaço para uma boa “espreguiçadinha”. A sua primeira morada está ficando muito apertada.
Quando a grávida entra nessa fase, não há como evitar a seguinte pergunta: para quando é o seu bebê? Quando ele vai nascer? Já existe uma data prevista? Você já deixou tudo pronto para a chegada do bebê? É a curiosidade comunitária tomando conta da esperança da nova vida que está por chegar.
É uma fase tão vibrante, que a maioria das pessoas, de bom senso, abre alas para a gestante: nos corredores das instituições se emocionam com o andar gracioso e meio de pata, em filas favorecem o atendimento preferencial, outros cedem o assento nos meios de transporte e outras delicadezas plenamente justificáveis (não precisa me lembrar que gestantes e idosos tem atendimento preferencial previsto em lei*). Calma, eu sei que nem todos agem dessa forma e fingem que nem percebem que a mulher está com um abdome semelhante a uma melancia. Novamente vale a antiga frase: educação e sensibilidade vem de berço!
Agora é uma fase onde não dá para não conversar com o (a) primogênito (a) sobre a chegada do novo (a) irmãozinho (a). A barriguinha pontuda ou arredondada como dizem nossas avós, está ai para todos contemplarem, e, por isso não dá para fugir do assunto com ele (a). Eu sei que alguns pais hesitam em falar com os pequeninos sobre a chegada do novo bebê, com medo que eles sofram, ou, que não estejam entendendo a situação. É claro, que as crianças não têm a mesma noção de tempo que os adultos, e, que pouco vai adiantar dizer, que o irmãozinho chegará num curto espaço de tempo. Entretanto, clarificar que algumas coisas estão sendo preparadas para a chegada dele é importante. Assim como os pais vão criando um espaço em suas mentes para o novo membro da família, o irmãozinho também precisa dessa oportunidade. É o início da “digestão” de que um outro está chegando para dividir o espaço. Com tudo isso, como contar a criança que a mamãe está indo para a maternidade? E o papai, será que ele pode estar se achando estranho por não poder saber o que é dar a luz?
Essas questões serão abordadas no nosso próximo encontro. Até lá.
*Lei No 10.048, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2000.

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