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22.6.11

Quase Duzentos e Setenta dias Dentro da Mamãe: terceiro trimestre - Segunda Parte





Quase Duzentos e Setenta dias Dentro da Mamãe: terceiro trimestre - Segunda Parte : O que esperar do irmãozinho e do papai.





Em nosso último encontro finalizamos o artigo comentando que a mamãe já estava pronta para ir para a maternidade. No caso do irmãozinho. Como ele fica? E o papai? Será que ele está pronto também?
É de conhecimento que as crianças não têm a mesma noção de tempo que os adultos e consideram que tudo o que acontece é definitivo. Assim, se ela sair de casa, isto em sua mente é para sempre. Se disserem a ela que precisa ficar com os tios por um período, pode soar como abandono e desproteção.
A criança que não é informada dos acontecimentos – e aqui vale a pena enfatizar que não precisa ser rico em detalhes, pode sentir-se angustiada, ter pesadelos, achar que a separação temporária (ida a maternidade pela mãe e pai) é definitiva e ameaçadora e que ela está muito desamparada.
Qual é o resultado disso? A criança não sabe dizer que está se sentindo excluída e que se sente em segundo plano. Dessa maneira a sua saída é a introversão ou acessos de ira e agressividade. Reconhece o recém chegado como uma “pessoinha” que veio tomar seu lugar e as pessoas que ela tanto ama e confia.
Como lidar com a questão? Penso que a forma mais clara é a verdade e a objetividade: você vai ficar com o vovô e a vovó (se este for o caso), porque a mamãe está indo para a maternidade – lugar onde os bebês nascem, e o papai vai me acompanhar. Quero te assegurar que assim que o seu irmãozinho tiver nascido, seu pai virá lhe buscar para você conhecê-lo e também pra festejarmos juntos este momento.
O mais importante de tudo é comunicar ao filho o que está acontecendo sem se estender demais em explicações que podem gerar angústia e ansiedade. A verdade dos fatos dará força a criança para que ela suporte este pequeno período de distanciamento da mãe.
Bem, e os papais? Como vimos em capítulos anteriores, a mulher pode de alguma maneira, sentir-se só, desprotegida e desolada pela falta de amparo afetivo e social durante a gestação. Com o homem isso não é muito diferente. Razões pessoais também podem influenciar o humor dos homens quando a proximidade do nascimento do filho torna-se imperativo. Nesse momento, o pai também revive sua história enquanto filho e membro de sua família de origem. Pode se sentir excluído da viagem maravilhosa que é “dar a luz”. Dar a luz é uma viagem interior a dois e que o terceiro pode apenas confortar, mas não abreviar ou viajar pelo outro. Minha experiência tem demonstrado que a maioria dos pais estão muito participativos e envolvidos durante o pré-parto e o pós-parto, mas outros acabam ficando perdidos, confusos e impotentes.
A casa que era nutrida pela presença do casal e tudo era a cara dos dois, agora está mesclada com fraldas, roupinhas, berço, carrinho, banheirinha, utensílios infantis e tantos outros objetos que denotam a existência de um terceiro na relação marital. Isso tudo pode agitar e desequilibrar as emoções dos futuros papais.Sem falar que nunca a casa foi tão visitada pelos futuros avós, tios e amigos como nessa fase. A imobilidade emocional do homem pode “empurrá-lo para horas a mais no trabalho, happy-hour e, ou mesmo provocar algumas somatizações, tais como dores articulares, quebrar uma perna e etc. Fatores estes que acabam atraindo a atenção da esposa ou de parentes mais próximos.
Não estou querendo deixar a situação nebulosa ou afirmar que os exemplos acima ocorrem com todos os homens. Entretanto, algo deve ser levado em conta, como a possibilidade do homem também sentir solidão e desamparo.
Sentimentos intensos que podem representar o receio das responsabilidades na constituição da família ou do aumento dela. Sua virilidade, fortaleza e masculinidade estão sendo checadas e a sociedade cobra que este homem dê conta de todo o recado e ainda tenha energia e disposição para se manter alegre, altivo e confiante no futuro dessa família.
Assim como o papel da mulher durante todo o processo da maternidade é celebrado e sofre períodos de nebulosidade e turbulências, em menor grau, mas não menos importante, o homem também experiência momentos difíceis e denotam o quanto a conjugalidade precisa estar assegurada para que o casal desfrute desse momento fortalecidos e unidos.
Em nosso próximo encontro vamos falar sobre as emoções que permeiam a mulher no terceiro trimestre.
Até lá.

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