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4.8.11

Transtorno de Estresse Pós-Traumático Pós-Parto – E existe isso?




Transtorno de estresse pós-traumático pós-parto (TEPTPP)




Parece conversa de doido. Hoje em dia tudo ocasiona estresse. Querem ver só? Estresse alimentar, estresse oxidativo, estresse generalizado, estresse pós-trauma, estresse pós-cirúrgico, etc.
Estou apenas tentando descontrair frente a uma “conversa” tão séria – realmente o TEPTPP existe e causa muito sofrimento.
Grande parte das mulheres, quando estão gestando, planejam e idealizam o momento do parto. Essa idealização faz parte do enredo que lentamente a mãe vai construindo para seu filhinho e para introduzi-lo no seio da nova família.
A gestante fica ansiosa, eufórica, cria muitas expectativas e sonha com um dos dias mais felizes de sua vida. Nem tudo são flores. Algumas mulheres mesclam coragem e medo da hora do parto, pois, no fundo sabem que esse momento as marcará para o resto de suas vidas.
Infelizmente, para algumas mulheres, a vivência do parto é sentida e vivida como aterrorizante, sufocante e difícil de ser esquecida – é nesse momento que o TEPTPP pode se instalar.
Se pesquisarmos na literatura científica sobre esse assunto, o material clínico ainda é insipiente e pouco divulgado. Por isso resolvi escrever sobre este tema. Quero despertar no leitor a importância desse assunto.
A mulher que evolui para o TEPTPP apresenta alguns sintomas bem marcantes: sentem-se fracassadas e ao mesmo tempo se culpam, por não cumprir um papel semelhante as outras mães – não encaram o parto como algo “glorioso”; apresentam sentimentos de raiva, ansiedade, depressão e forte sensação de terem sido injustiçadas.
Não é infreqüente elas sofrerem de perda de controle do humor, reviverem cenas ou sonhos de um parto traumático e demonstrarem sensação de desligamento, ou seja, se distanciam de tudo e de todos.
Insistem usualmente em falar ou reviver questões relacionadas ao que aconteceu durante o parto e sua experiência frustrante e traumática.
Não obstante, se afastam do bebê, não por que não o ame, mas por tudo que ele representou durante o parto. O afastamento do bebê se agrega ao afastamento familiar e referem nítida sensação de serem incompreendidas por eles.
Abrem mão do convívio mais íntimo com o parceiro, temendo nova gestação.
Nota-se importante dificuldade em procurar ajuda, tendo em vista, que se sentem pouco acolhidas e amparadas. Costumam ouvir dos profissionais de saúde “o que importa é que tudo evoluiu satisfatóriamente, e, o seu filho está bem.
Com sintomatologia exuberante, o TEPTPP pode sofrer a influência de alguns fatores e entre eles destacamos: sentir-se emocionalmente e/ou fisicamente ameaçada ou a seu filho; sentir-se insegura, não ouvida e acolhida pela família, amigos e equipe de saúde; sentir-se desqualificada em seus sentimentos e opiniões; sofrer procedimentos obstétricos dos quais não esperava ou não concordava (toques, episiotomia, ruptura provocada da bolsa de águas, etc.).
Por outro lado, sabemos que a mulher pode ter experiências muito satisfatórias em seu parto, e, as mais citadas são: ambiente seguro, confortável e acolhedor; presença do companheiro ou de um acompanhante que lhe transmita segurança e apoio durante o trabalho de parto ou enquanto aguarda o parto cirúrgico; a percepção de que está sendo ouvida e compreendida pelos seus pares e pela equipe de saúde; ter acesso a informações sobre o desenrolar de seu parto; manter-se ativa e escolher as posições que facilitam o pré-parto; participar das decisões que acomete a sua pessoa e o seu bebê.
Lembrar que cada mulher-parturiente é única, e, cada experiência de parto é exclusiva e intransferível, e, a lembrança será para sempre.
Prevenir ou mesmo tratar a mulher vítima de estresse pós-traumático pós-parto é saúde mental da mulher e de seu bebê

1.8.11

Quase duzentos e setenta dias dentro da mamãe – terceiro trimestre: Parto normal ou Cesariana?



Quase duzentos e setenta dias dentro da mamãe – terceiro trimestre: Parto normal ou Cesariana?

Está chegando a hora. E, então parto normal ou cesariana?
Esta é uma questão que aflige muitas futuras mamães quando a gestação está chegando ao fim. Algumas mulheres sentem-se seguras quanto a experiência de um parto normal, outras não conseguem nem pensar no assunto e não abrem mão da cesariana. Durante o período gestacional a mulher tem a oportunidade de ir de encontro a suas raízes, e, aqui me refiro a história familiar, aos mitos e as crenças sobre dar a luz.
É claro que se a gestante é neta e filha de mulheres parideiras sua aceitação quanto ao parto normal é mais fácil e até encarado com muita normalidade. Ao contrário, uma mulher com antecedentes de familiares vindos ao mundo por meio do parto cirúrgico, não encaram o parto normal como uma viagem segura e esperada. Sem falar na influência negativa da mídia sobre o parto normal. O mais importante de tudo, é que a gestante e seu obstetra estejam em sintonia, para que na hora do parto, o profissional possa trazer o bebê ao mundo da melhor forma possível, onde mãe e filho estarão seguros e saudáveis.
Tenho observado que muitas mulheres até são desejosas em passar pela experiência de um parto normal. Entretanto, os médicos indicam por uma causa ou por outra uma cesariana. Essas mulheres podem julgar que são incapazes de dar a luz, ou ainda, se sentirem muito decepcionadas.
Nesse aspecto, penso que os médicos deveriam ser mais delicados e ponderarem com a gestante que, no momento, o mais importante é o parto seguro para ambos (mãe-bebê) e ao mesmo tempo deixar um espaço de reflexão para a mulher e fazê-la participar da decisão. Ela não se sentirá excluída ou pressionada frente a uma decisão teoricamente imposta. É uma forma humanizada de conduzir uma atitude médica sem excluir a opinião da parturiente.
Este é um momento muito importante da gestação, onde a grávida e o médico vão dialogar sobre: vamos deixar o trabalho de parto transcorrer sem nenhuma intervenção obstétrica? Vamos induzir? Vamos utilizar a peridural? Vamos optar por um parto humanizado? Vamos utilizar técnicas alternativas para o controle do desconforto/dor?
Seja qual for a escolha, ela será melhor tolerada quando tomada em comum acordo entre médico-parturiente.
Outras gestantes se sentem muito angustiadas com a idéia de enfrentar horas de trabalho de parto, e, preferem, de imediato, ter uma data programada para o bebê nascer (respeitando a idade gestacional de um bebê maduro).
O que importa realmente é que as mães sonham com o momento do nascimento de seu filho. Poder ouvir seu chorinho ou seu murmúrio, pode representar para a futura mamãe o verdadeiro sentido de dar a luz e vivenciar uma experiência de plenitude e de concretude do estabelecimento de uma família.
É uma abertura de espaço para que a mãe e o futuro papai recebam com amor e carinho, aquele que os nomeará como pais.
Finalmente, o terceiro trimestre de gestação é um período dinâmico e que ocupa muito espaço no psiquismo da mulher. É um período onde a futura mamãe quer conhecer o rostinho de seu filho, mas ao mesmo tempo, não quer que ele deixe o seu ventre protetor e aconchegante. É o momento da separação necessária – separação essa que propicia a reatualização das separações vividas pela gestante anteriormente a sua gravidez: as positivas e as negativas.
É em meio a tantos pensamentos e sentimentos que a mulher vai abrindo espaço para a chegada do bebê. Tanto em seu imaginário quanto fisicamente falando. É o clamor sublime de um momento inesquecível que ficará para o resto da vida de quem o viveu: mamãe, papai, vovós e vovôs, titios, futura madrinha e padrinho, amigos e toda equipe de saúde que também se emociona a cada “serzinho” que confirma o milagre da vida.
Em nosso próximo encontro vamos falar um pouco sobre o pós-parto e os sentimentos que costumam aparecer nessa fase. Até lá.