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26.1.12

Como driblar a raiva, preservar a nós mesmos e a família


Como driblar a raiva,  preservar a nós mesmos e a família
Com as pressões e todas as responsabilidades do dia-a-dia fica muito complicado não sentir raiva de algo em determinados momentos.
Somos humanos e, algumas vezes, não conseguimos nos controlar, seja por que alguém invadiu nossos direitos de cidadão, seja por que não fomos respeitados em nossas reivindicações.
Nessas horas descontamos no primeiro que estiver a nossa frente. Por primeiro quero dizer: amigo, marido, esposa, filhos, parentes e outros não menos importantes e criamos situações em que acabamos por magoá-los.
Depois que esses momentos passam, a respiração volta ao normal, as batidas do coração se acalentam, a transpiração é pouco perceptível e notamos que podemos resolver a situação com mais parcimônia e racionalidade.
Será que existe alguma maneira de driblar a raiva e ajudar no autocontrole?
  1. Trate as suas raivas anteriores
    Tente ver no seu passado o que lhe causou mágoa e tente deixá-la para trás. Não misture o seu filho com quem te causou mágoa no passado. 
     Lembre-se de que o seu filho irá se espelhar no seu comportamento para se comportar. Uma criança que tem o pai ou a mãe sempre agressivos terá um comportamento que reflete essa raiva.
  2. Coloque em perspectiva
    As crianças aprendem, desde muito cedo, o que faz os pais ficarem irritados. Para ajudar a colocar em perspectiva pelo que vale a pena brigar escreva em um papel duas colunas, na primeira coloque o que seu filho faz que pode ser relevado e na outra o que é realmente importante brigar. Sempre que escrevemos fica mais fácil visualizar como existem várias situações em que relevar é a melhor política.
    Existem algumas sentenças que podem ajudar a colocar a raiva em perspectiva. Repita para você mesmo:
    - Acidentes acontecem;
    - Eu sou o adulto da situação;
    - Manterei a calma e todos aprenderão alguma coisa da situação.
  3. Faça da raiva uma aliada
    O lado bom da raiva é que nos faz agir para tentar solucionar um problema que está nos incomodando. Quando estiver mais calmo tente racionalmente achar uma solução para o seu problema. Se precisar evitar uma pessoa que te deixa irritado, faça isso. Se não puder evitar, você poderá relevar um pouco o comportamento do outro ao racionalizar sobre a situação.
  4. Conscientize-se: o que te faz sentir raiva?
    Veja o que te faz sentir raiva e evite determinadas situações. Se ir a um jantar em família te faz sentir raiva, tente evitar esses encontros. Dê uma desculpa. Com certeza existem determinadas situações que não podemos evitar. Nessa hora, seja o mais assertivo possível e não deixe o outro estragar o seu dia.

11.1.12

Limite combina com caretice?


Limite combina com caretice?
Quando atendo um casal, ou um dos pais em separado, a maior parte das vezes escuto, que um dos maiores problemas na educação dos filhos é o de estabelecer limites e disciplina sem parecer ser “careta”.
As dificuldades dos pais, muitas vezes, surgem da culpa e da reação das crianças ao serem interrompidas ou freadas em uma determinada ação e/ou atitude.
Digo a culpa, pois, muitas mães e pais ficam ausentes de casa por longo período do dia, delegando boa parte do tempo das crianças, a atenção de um cuidador ou da escola.
A dificuldade em estabelecer regras/limites ficam diluídas na falta de tempo com os filhos, e, na visão de que um NÃO bem empregado gera profunda decepção no rostinho da criança, que no entender dos pais, já estão longe delas.
O receio de impor limites e o desconforto em dizer não, por parte do casal, dá para a criança a idéia de que “eu sou a Majestade” e não posso ser contrariado ou repreendido.
Nesse momento estamos induzindo a criança a desenvolver a baixa tolerância a frustrações e uma falha em seu processo de desenvolvimento psicoemocional. Ela passa a acreditar que o mundo gira em função de seus desejos e a criar a fantasia de que as pessoas estão a sua disposição para servi-las e conceder-lhes, de qualquer forma, as suas vontades.
Resultado: pais rendidos ao controle onipotente dos filhos, e, crianças autoritárias, impossíveis de lidar, de se submeterem a regras.
Eu sei, que muitos pais, quando jovens sentiram-se sufocados, por uma educação desrespeitosa e pautada na autoridade desmedida, e, não querem, então, que seus filhos tenham uma imagem deles semelhante ao que sentiam por seus próprios pais.
Atrapalhados com a questão de autoridade, acabam por se comportarem com as crianças, de maneira oposta do que viveram, abrindo mão do verdadeiro papel de pais. Papel este que exige orientação e hierarquia. Hierarquia sim, pois, os pais serão sempre a figura de respeito no lar.
Entre pais e filhos não pode existir uma relação simétrica. Pais não dão palpite na vida dos filhos, como podem fazer os amigos ou os colegas. Pais educam, aconselham e auxiliam seus filhos a enxergarem um Norte na vida.
Os pais que não assumem este tipo de conduta (paternidade responsável), não percebem, mas estão de certa forma sendo tão desrespeitosos como foram seus pais. Acabam por obrigar uma criança a escolher ou agir de uma maneira que ainda não está preparada – é uma forma de desrespeito a sua imaturidade e insegurança.
Sem medidas ou parâmetros externos, que lhes imponham limites seguros e verdadeiros, a criança ou o jovem vai ousar cada vez mais, testando seus próprios limites e os limites dos pais.
Nós não podemos garantir o prazer e a felicidade permanente de nossos filhos, e, o NÃO na hora certa desempenha uma função amorosa e protetora.
Pais que chamam para si a educação de seus filhos estão auxiliando a formar cidadãos éticos e responsáveis.

E o bebê se lembra de tudo?


E o bebê se lembra de tudo?
O bebê tem um tipo “especial de memória” que ainda não pode ser configurada como memória consciente de longo prazo. Vamos entender isso melhor.
A criançinha, e a ela me refiro, ao bebê em seu começo de vida, já iniciou sua trajetória rumo as lembranças de coisas importantes, mas não da forma que esperamos. Trata-se da memória de reconhecimento.
Este tipo de memória permite ao bebezinho reconhecer e identificar pessoas e objetos vistos anteriormente. É por isso que, muitas vezes, o papai que fez muita careta para ele num dia, no outro, o bebê repete o comportamento como se estivesse dizendo: “eu sei o que você fez ontem”. Isso é “memória” e cognição.
A memória vai se aperfeiçoando à medida que a criançinha vai se desenvolvendo física e emocionalmente. O estímulo, as brincadeiras, o aconchego e o balanceio contribuem muito para o estabelecimento dessa memória. Os neonatos reconhecem a voz de sua mãe ao nascer por que já estavam acostumados com ela durante todo seu desenvolvimento intrauterino, assim como a do papai e das pessoas de convivência diária. Não é a toa que alguns bebês acostumados a “ouvir Bach” durante a gestação, se acalmam quando o seu responsável o deixa por alguns instantes “curtindo” o artista clássico.
            Outro aspecto interessante é o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos no bebê. O tato, audição e olfato são muito desenvolvidos na criança ao nascer. Tanto isso é verdade que bebes amamentados ao seio são capazes de reconhecer o cheiro da mãe depois de cerca de uma semana pós nascimento, e em algumas semanas estão aptos a reconhecer o rosto dos pais e familiares e de expressar suas preferências por eles – isso acontece devido ao efeito “repetição”.
            Já a memória de curto prazo, capacidade de se lembrar de alguns detalhes de uma experiência específica em um período curto de tempo, esta começa a mostrar ação entre o final do primeiro semestre e o final de segundo semestre de vida do bebê (6 meses a 12 meses). Quanto mais ele viver uma determinada experiência, mais ele as fixará. Daí a importância das boas experiências do bebê.
Por boas experiências quero dizer, as mamadas gostosas, o pouco tempo que aguardou pela mãe quando a solicitou, o acolhimento nos momentos difíceis (cólica, febre, mal estar), o colinho aconchegante e tantos outros exemplos positivos – não quero dizer que o bebê não possa ter nenhuma frustração – até pode, mas gradualmente.
Com essa idade, seu bebê será capaz de lembrar onde estão seus brinquedos e a imitar ações que viu até uma semana antes. Ao mesmo tempo, também começará a mostrar que sabe o que vai acontecer na hora da comida, do banho e de ir para a cama.
Saber previamente o que vai acontecer é uma forma de mostrar que ele se lembra do que aconteceu da última vez. 
Querem um exemplo? Quando a mãe traz o pratinho de comida, o bebê sorri, bate as perninhas e ao mesmo tempo fica impaciente para saborear a comidinha. É por quê ele se ‘lembra” de como esse momento é prazeroso e conforta sua barriguinha.
Todavia,  a memória consciente de longo prazo e para eventos específicos, só vai aparecer depois do primeiro aniversário do bebê, entre 1 ano e 2 meses e 1 ano e meio. 

Criança brinca por quê? Parte I


Criança brinca por quê?
Parte I
Alguns pesquisadores já diziam: se a criança brinca não há problemas graves em seu funcionamento (Winnicott). Vamos além – ao brincar a criança tem o prazer em usar a sua imaginação. Podemos considerá-la uma criança saudável, mesmo que as vezes, ela tenha um probleminha do tipo xixi na cama, gagueira eventual, um temperamento mais difícil, entre outros.
O brincar mostra que a criança é capaz, em um ambiente razoavelmente bom, desenvolver e expressar seu modo de ser, de exercitar sua humanidade e sentir-se bem vindo ao mundo.
Portanto, brincar é para a criança um rico sinal de saúde, pois, o brincar facilita o crescimento (físico e mental), relacionamentos sociais, a comunicação e a capacidade de compartilhar experiências afetivas. Quando a criança brinca, ela está em verdadeiro trabalho: mental e físico,e, esse brincar sofre mudanças ao longo da vida da criança.
No início, quando bebê, a criança está preocupada em explorar o ambiente, conhecer seu corpinho (onde começa e onde termina – algo semelhante a limite corporal) e continuar seu desenvolvimento orgânico. Ele elabora alguns sentimentos, tais como, a angústia da ausência da mamãe. E aqui vale a lembrança da brincadeira “ cadê a ..., achou!” – é uma forma do bebê lidar com a ausência e presença da figura amorosa da mãe (e/ou figura substituta) e desenvolver uma tranqüilidade relativa. Relativa, pois ele é só um bebê. Ele vai desenvolvendo a capacidade de notar que a mãe vai embora, mas no intervalo de um suspiro, ela volta. É o desenrolar do sentimento de segurança e confiabilidade.
Quanto mais a criança avança em seu desenvolvimento, as brincadeiras vão ficando mais ricas e sofisticadas. As crianças vão introduzindo o simbolismo em suas vidas para “encarar situações difíceis e de certa forma, dar um colorido e fantasiá-las. Por exemplo, uma criança que foi ao dentista, pode brincar de odontologista e tratar os dentes das bonecas. Dessa maneira ela deixa o lugar de passiva (sofreu ou ficou aterrorizada em um procedimento) para empreender um lugar ativo – é uma forma de controlar a ansiedade ou de lidar com situações difíceis.
Quando a criança está brincando, ela está treinando para um dia ser adulta. Ela ensaia em ser mãe, casar, ser uma profissional. Ela é capaz de elaborar situações que acontecem em seu cotidiano, em sua vida em família. As vezes ela é a mãe brava com as bonecas, as vezes a professora critica que grita com seus alunos. Por outro lado, pode ser a mãe boazinha do amigo, e, nesse vai e vem ela desenvolve habilidade para entender por que uma pessoa é de uma maneira e outras não. A representação de vários papéis, deixa a criança com um pé na realidade e outro na fantasia.
Vale ressaltar que nem sempre o que elas dizem é fiel a realidade. Durante a brincadeira a criança pode dramatizar que sua mãe é muito má sem necessariamente isto ser real. 

Criança brinca por quê? Parte II


Criança brinca por quê?
Parte II
 Todas as crianças brincam da mesma maneira? Não, pois muitas brincadeiras estão relacionadas ao âmbito social e a identidade sexual. O indinho não brinca igual a criança da cidade, e, a criança da fazenda não brinca igual a criança da capital. Isso é tão real que um certo dia recebi em meu consultório uma criança que não fazia ideia o que era um pé de jabuticaba. Ela achava que as bolinhas negras nasciam no chão tal e qual os morangos silvestres.
As meninas gostam de brincar de boneca, casinha, escolinha, bailarina, cantora – são brincadeiras que respondem ao que a sociedade espera de uma mulher. Contudo, os meninos se sentem atraídos por bolas, carrinhos, jogos que exijam força e adoram se vestir de super heróis. Desde criança, os meninos valorizam a potência como ensaio para a vida adulta.
E menino pode brincar de boneca? As crianças desde cedo são muito espertas e perspicazes e logo aprendem o que os pais e a sociedade esperam dela – seu desejo é corresponder a essas expectativas. Portanto, os meninos tendem a direcionar sua atenção para brincadeiras mais duras e as meninas para as brincadeiras mais delicadas.
Quando um menino brinca de boneca ou uma menina gosta de carrinhos ou de jogar bola, não significa que eles tenham algum problema com sua sexualidade. Eles apenas estão mostrando que o brincar é desprovido de regras e de exigências sociais. Contudo, quando um menino insiste em brincar de boneca, arrumá-la, colocar roupinhas bonitas, pode estar querendo sinalizar que sua mãe é pouco feminina ou cuidadosa com sua aparência. É uma forma que a criança encontra de chamar a atenção para um problema que não é dele.
Existem crianças que vivem interrompendo suas brincadeiras. Não conseguem se fixar por algum tempo em uma atividade. Existem outras que só gostam de brincar sozinhas, e, sempre das mesmas coisas (horas rodando um mesmo objeto). Há crianças que não brincam. Nestes casos a forma de brincar pode estar indicando alguma desordem psíquica.
O brincar também tem tudo a ver com a amizade. A amizade seria o tipo mais importante de criatividade. É na amizade que as crianças aprendem um tipo sofisticado de estar só sem estar na solidão. Aprendem a criarem brincadeiras divertidas, a fantasiarem atividades do cotidiano e depois num momento posterior, se despedem e cada um vai continuar sua brincadeira em seu próprio espaço criativo. É um estar só, porém aprendido anteriormente na experiência com o outro.
Portanto, eu costumo dizer que, para a criança, brincar é trabalho sério e nele as habilidades e competências vão surgindo, sendo lapidadas. No futuro farão parte de uma recordação gostosa e contada em verso e prosa por quem brincou!

Por que pedir quando posso gritar? ...essas crianças!


Por que pedir quando posso gritar?  ... essas crianças!

Quase sempre, o motivo dos gritos e destempero das crianças está associado a insegurança e a necessidade de atenção, entretanto, com firmeza e carinho, é possível modificar este tipo de atitude.
Outro dia, passeando por um shopping de Campinas, presenciei uma criança de cerca de 4 anos esperneando, gritando e sacolejando a roupa da mãe, para expressar seu intenso desejo por um brinquedo exposto numa linda vitrine de produtos infantis. Não nego, que estas lojas são verdadeiras armas de sedução para as crianças e de destruição para os pais – elas nos forçam testar nossa paciência e o potencial de nossa conta bancária.
Não me desviando do assunto, observei muitas pessoas olhando para a criança com olhos de espanto e de repúdio, ao mesmo tempo em que comentavam baixinho: “acho que essa mãe não tem o mínimo controle sobre seu filho”; “criança mimada e mal educada é fogo”; “quando eu tiver um filho ele nunca fará isso, eu não permitirei” ; entre outras.
Embora esse tipo de comportamento infantil nos cause desconforto, ele é freqüente, e, na maior parte das vezes, denuncia o quanto a criança precisa da atenção de seus pais.
É um canal de comunicação que a criança encontra, “de maneira torta e nada salutar”, para ser vista e ouvida, quando a comunicação familiar está truculenta, ou seja, a criança adota este tipo de atitude, como forma de fazer o adulto se voltar a ela. Infelizmente, os pais não conseguem de imediato fazer essa leitura, e, a resposta reflexa, é agir com hostilidade, e, às vezes puni-la. A reação dos pais alimenta negativamente o comportamento dos filhos, este por sua vez agirá assim, na tentativa de manter um contato “torto” com os pais, portanto, ninguém consegue o que quer, e, a comunicação entre pais e filhos torna-se ansiogênica e animosa
Em sessão familiar, os pais ao iniciarem a conversa dizem que costumam ouvir e serem atenciosos com seus filhos, contudo, quando damos a palavra aos baixinhos, a queixa é sempre a mesma: eles não me ouvem, não têm tempo de me dar atenção, e, quando respondem, é quase sempre “amham...”. Resultado – pura carência!
O diálogo não para por aí. Os pais afirmam que isso não é verdade, que no fundo não sabem como lidar com a situação de constrangimento a que as crianças os expõem. Parece conversa de louco: um diz que dá e o outro afirma que não recebe!
O que podemos concluir de tudo é, que a criança está a dizer, que algo não vai bem com ela, e, que ela não sabe lidar com seus sentimentos (raiva, frustração, intolerância, entre outros).
O que pode estar por trás da atitude intempestiva da criança? Ela pode estar evidenciando que algo não está legal na relação familiar, ou, na escola.
O que fazer então? Tente ser mais flexível com seu filho – antes do “ataque” acontecer, explique a ele, o que vocês farão durante a ida ao shopping (ou supermercado, loja de conveniência, parquinho, cinema, etc), deixe bem claro, que você não vai comprar nenhum brinquedo, ou, outro produto, se mesmo assim, os gritos surgirem, procure mudar de ambiente e tente distraí-lo. Não perca tempo conversando ou apaziguando o problema em público, pois, a “emenda pode ficar pior que o soneto” – (lembra da retroalimentação do comportamento que falei acima?). Em casa, depois que a situação se tranqüilizar, converse com ele e diga que você não aprovou o comportamento dele e o por quê.
Por outro lado, toda vez que seu filho fizer algo positivo, o elogie, diga que você sente muito orgulho por ele fazer ou ter atitudes tão legais.