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24.2.12

Como as crianças mudam o casal


Como as crianças mudam o casal
Parece que com a vinda dos filhos o “ NADA” se torna imperativo. Não entendeu o que eu quis dizer? Pois bem, vou tentar ser mais clara.
Quando digo nada, eu quero dizer: nada de sexo, nada de privacidade, nada de decisões imediatas do tipo “que tal um jantarzinho num bistrô” ?, Nada de pegar a última sessão de cinema, nada de não ter hora para acordar depois de uma festa, com duração até altas horas, nada de não ter hora certa para comer e... nada de não ter momento certo para curtir simplesmente um ao outro.
A chegada de uma criança trás muitas alegrias, e, a esperança na renovação das gerações, entretanto, no quesito conjugalidade pode-se dizer que é a prova dos nove.
O marido se estressa de um lado, tentando ajudar a esposa ao máximo, dentro de suas possibilidades, e, mesmo assim, ainda pode sair com a fama de ser folgado, ou, incompreensível, fora isso, ganha de quebra, o sentimento de exclusão, e, de não fazer as coisas tão bem feitas como sua esposa.
A esposa, por sua vez, se sente assoberbada. Os cabelos nem sempre permanecem alinhados, o sono está conturbado, e, seu perfume é o puro “extrato de aleitamento natural”. Nada se compara a este cheirinho – ele fica pela casa, nas roupas e no ambiente que agora pertence a sua majestade “o bebê”.
A maioria dos casais que atendo costumam me perguntar, se um dia voltarão a ter o tempo de adultos como antes, ou, se um dia poderão conversar olhando um ao outro – olhos nos olhos - sem ter que desviar o olhar, para checar se tudo esta bem. Será que um dia poderemos falar de outro assunto, que não sejam fraldas, chuças, pomada para os mamilos, e, outros não menos importantes?
A mulher torna-se sobrecarregada com atividades, que na maior parte do tempo, só ela pode resolver – e, não tenho dúvida, seu bebê agradece e celebra por isso. Por outro lado, o preço que a mamãe paga é muito grande – ela acaba se esquecendo de si própria e de seu companheiro. Cobre um santo e descobre outro.
É o famoso estado que Winnicott (psicanalista infantil), que muito bem define, como “preocupação materna primária” – uma ligação profunda e absorvente da mãe com o bebê. Uma ligação que, na maior parte das vezes, é benéfica e volta ao seu estado normal em alguns meses. Devo confessar que vista pelo lado do pai, é uma fase delicada, pois, a mãe ora se sente vulnerável e frágil, ora, se sente poderosa – só ela sabe realmente o que o bebê quer ou precisa.
Já ouvi muitos companheiros definirem esta fase como um verdadeiro “porre”. Ao mesmo tempo, que eles ficam no limbo, eles desenvolvem a percepção de serem incompreensíveis, e, de serem promovidos ao simples cargo de assistentes.
O interessante é lembrar que começamos nossa história conjugal com um homem e uma mulher. Um casal disposto a compartilhar sentimentos, sabores e dissabores durante o “até que a vida nos mantenha unidos”.
Dessa maneira me pego refletindo; quem vem primeiro em nossas vidas, nosso companheiro ou nosso filho?
É uma pergunta temporariamente complicada de responder, pois, em nossa sociedade, é esperado que após o nascimento do filho, todas as atenções se voltem a ele. Entretanto, os pais que se deixam absorver completamente pela criação dos filhos, acabam abandonando emocionalmente um ao outro, e, ao casamento ávido por necessidades que só os adultos podem satisfazer.   

23.2.12

Superproteção e negligência também são formas de abuso infantil


A autoestima, tão essencial em nossa vida, começa a se formar na infância, a partir de como as outras pessoas nos tratam. Para nos sentirmos amados, precisamos ser reconhecidos e valorizados por nossos pais. É assim que a “coisa” começa. Toda criança precisa ser amada incondicionalmente, ao menos nos primeiros anos. Sem os pais como espelho de uma atitude de aceitação, a criança não tem como saber quem ela é.
São por meio das boas experiências repetidas e por outras, em menor quantidade, que as crianças vão tecendo o sentimento de bem querer, e, de querer e respeitar ao próximo. Só para lembrar: autoestima é ter consciência de seu valor pessoal, ou seja, acreditar, respeitar e confiar em si - é a soma da autoconfiança com o autorespeito. É acreditar que é capaz! 
Não estou dizendo, que para ter autoconfiança seja necessário viver na “ilha da fantasia”, mas pelo menos não ter sofrido abusos (físico, psicológico e outros), pois essas variáveis podem dificultar a auto valorização e a saúde mental.
Pais extremamente exigentes, autoritários, críticos, e, pouco dignos em expressar confiança nas crianças, propiciam o desenvolvimento da insegurança e da baixa autoestima em seus filhos. A conseqüência é a formação de filhos dependentes, inseguros e com diminuta confiança no mundo e nas pessoas.
Por outro lado, a superproteção também é uma maneira de abuso infantil. Não estou enganada – é abuso sim!
A criança superprotegida, mimada, que submete os pais aos seus mandos e desmandos, torna-se uma criança, adolescente e um adulto inseguro, pouco tolerante, e, com a ilusão de ser autosuficiente e “dono do mundo” - as pessoas estão aos seus pés para servi-lo. A criança cresce com a idéia, que tudo pode, tudo mesmo. Pode até ser intolerante, que tudo bem. Papai ou mamãe, e quem sabe, que outra pessoa no futuro, corrigirá o mundo para que ele continue desafiando quem ousar passá-lo em seu caminho.
Na realidade são crianças ou jovens inseguros, não confiam em suas habilidades, pois, tem sempre um adulto para fazer por elas. Como não reconhecem seu próprio valor, apresentam dificuldades em reconhecer o valor do outro. A autoimagem no espelho é nublada e distorcida.
Outro dia, estava lendo um artigo de uma escritora ativista pelo direito das crianças – Alice Miller. Ela comenta sobre conceitos importantes - formas de educar, e, de ver o mundo na ótica infantojuvenil:
- Pedagogia negra: consta de uma educação que visa transformar a criança em submissa e obediente por meio do poder, manipulação e repressão, ainda que velado. Crianças que foram “adestradas” a obedecer aos desejos e ordens dos adultos passam a infância e adolescência contendo e disfarçando a raiva, e, depois a usam automaticamente. Já ouviram falar em Bullyng?
- Testemunha auxiliadora: é uma pessoa que ajuda a criança maltratada ou negligenciada, ainda que de forma esporádica, oferecendo um pouco de apoio e amor. Pode ser uma vizinha, um professor, avó, tia. Graças a essa testemunha, a criança começa a descobrir que existe amor. Você teve alguma?
- Testemunha conhecedora: na vida do adulto, essa pessoa pode representar um papel semelhante ao da testemunha auxiliadora na criança. É uma pessoa, que conhece as consequências da negligência, e, maus-tratos sofridos pelas crianças, e, a ajuda enfrentá-los e elaborá-los. Sem a testemunha conhecedora é impossível suportar a verdade da infância. A terapia pode proporcionar o reconhecimento emocional da verdade armazenada no corpo, a libertação da lei do silêncio e da idealização dos pais.
           Quando crianças, aprendemos a reprimir e negar os sentimentos. Muitos aprenderam que as humilhações e as surras foram para o próprio bem, e, não provocaram dores, com isso, aprende-se também a utilizar no futuro a violência contra os outros, ou, contra si mesmo.