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12.5.12

O papel do pai na relação vincular com seu filho


O papel do pai na relação vincular com seu filho
Freud, o pai da psicanálise, em seu trabalho Leonardo da Vinci , diz: "na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada".
A função paterna é fundamental para o desenvolvimento do bebê. Segundo A função é dinâmica, já que o pai representa um sustentáculo afetivo para a mãe interagir com seu bebê e também, ainda nos primeiros anos da criança, deve funcionar como um fator de divisão da relação simbiótica mãe-bebê.
A criança necessita do pai para desprender-se da mãe e, ao mesmo tempo, também necessita de um pai e de uma mãe para satisfazer, por identificação, sua sexualidade.
Além do papel crucial que o pai exerce na triangulação pai-mãe-filho, o papel paterno é crucial para o desenvolvimento dos filhos: a entrada na adolescência, quando "a maturação genital obriga a criança a definir o seu papel na procriação".
As crianças que não convivem com o pai acabam tendo problemas de identificação sexual, dificuldades de reconhecer limites e de aprender regras de convivência social. Isso mostraria a "dificuldade de internalização de um pai simbólico, capaz de representar a instância moral do indivíduo". Tal falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para o envolvimento com a delinqüência.
O comportamento dos pares e a ausência paterna vêm sendo associados com maiores índices de distúrbios do comportamento em adolescentes. Pesquisas mostram que a ausência paterna geralmente tem um impacto negativo em crianças e adolescentes, sendo que estes estariam em maior risco para desenvolver problemas de comportamento.

A reciprocidade na relação mãe-bebê na formação do vínculo


A reciprocidade na relação mãe-bebê na formação do vínculo
A reciprocidade da interação mãe-bebê dá a ambos a qualidade de agentes no processo, onde a mãe introduz na situação aspectos de sua história e momentos de vida.
Uma mãe sob estresse, deprimida ou que não tenha estabelecido com seus pais um modelo de apego seguro, pode não estar pronta a responder adequadamente às necessidades de seu filho.
Do mesmo modo, os bebês que são mais agitados, choram muito ou são difíceis de serem consolados, bem como aqueles que vivem ou viveram situações estressantes de hospitalizações prolongadas, abandono por parte dos pais ou qualquer outra situação de privação social ou afetiva, podem não apresentar comportamentos falicitadores de contato, como o olhar mútuo, o sorriso para o outro ou ainda serem menos responsivos quando chamados à interagir.
O comportamento de apego da criança, por sua vez, inclui todos os tipos de comportamento que promovem a proximidade com a figura materna. Assim, as formas de comportamento mediadoras do apego no primeiro ano de vida, são o sorrir e o chorar, o seguir e agarrar-se, o chamar e a sucção.
A qualidade dos cuidados que o bebê recebe tem um peso importante na forma como seu comportamento de apego se desenvolve, mas a própria criança participa dessa interação e influencia a forma como a mãe responde a ela.
Alguns comportamentos iniciais do bebê expressam e promovem uma resposta pela mãe, que interage com ele a seu modo, fortalecendo o vínculo entre eles.
A participação do bebê nessa interação é ativa desde os primeiros meses, através de suas exigências; as várias formas de chorar, chamar, sorrir, aproximar-se dela e chamar sua atenção, provocam, mantêm e dão forma à reação da mãe, reforçando algumas respostas e outras não. Um padrão de interação próprio se desenvolve entre a mãe e a criança e resulta da participação de ambas no processo.

O vínculo mãe-bebê e suas inter relações futuras


O vínculo mãe-bebê
A relação mãe – bebê se inicia com uma forte necessidade de contato entre ambas as partes. Progressivamente, tanto o bebê quanto a mãe vão ampliando suas relações - o pai por exemplo entra em jogo e essa díade inicial vai sendo rompida. Com a maturação, o bebê começará a ter condições de substituir a mãe concreta pela capacidade de recriá-la em suas fantasias e brincadeiras , desde que, tenha sido possível internalizá-la, ou seja, guardar dentro de seu universo mental uma imagem da mãe que possa ser relembrada, quando esta não estiver concretamente presente.
O sentimento do bebê em relação a seus pais é um apego, na medida em que ele sente nos pais a base segura para explorar e conhecer o mundo à sua volta. O sentimento dos pais em relação ao filho é mais corretamente descrito por vínculo afetivo, já que os pais não experimentam um aumento em seu senso de segurança na presença do filho, e tampouco o filho tem para os pais a característica de base segura.
Segundo Winnicott, a infância é um processo gradual de formação de crenças em pessoas e coisas, e esse período é elaborado aos poucos, através de experiências satisfatórias onde algumas necessidades são atendidas e justificadas, e de experiências ruins, onde a raiva, o ódio e a dúvida também podem surgir. Sendo assim, a criança tem que encontrar um lugar onde possa agir e a partir do qual possa construir um método pessoal para conviver com seus impulsos destrutivos. Ele diz também que uma criança normal emprega os recursos que a natureza lhe ofereceu para defender-se contra a angústia e os conflitos que não tolera, enquanto que uma criança não normal revela-se na limitação e na rigidez dessa capacidade.
A maioria das pesquisas sobre apego e vínculo afetivo concentram-se na primeira infância e nas primeiras relações mãe-filho.Brazelton, pediatra português, , em "A importância do apego no processo de desenvolvimento", descreve o vínculo afetivo entre pais e filhos como um processo contínuo que se inicia na gestação e vai se formando na medida em que as interações vão ocorrendo. Com o desenvolvimento das capacidades de locomoção, as crianças vão aos poucos distanciando-se da mãe, voltando sempre a procurá-la quando algo novo acontece no ambiente, e retomando suas atividades de exploração quando novamente sentem-se tranqüilas.
O vínculo entre mãe e filho é a fonte de onde irão provir, depois, todos os futuros vínculos que se estabelecerão pela criança e que constituirão a relação a ser formada durante o curso de vida da criança. Para toda a vida, a força e a qualidade deste laço influirá sobre a qualidade de todos os futuros vínculos que serão estabelecidos com as outras pessoas de seu convívio.
O sentimento e o comportamento da mãe em relação a seu bebê são também profundamente influenciados por suas experiências pessoais prévias, especialmente as que teve, e talvez ainda esteja tendo, com seus próprios pais. É este padrão de relacionamento parental que dará origem à forma como ambos os pais irão vincular-se ao filho, provendo ou não suas necessidades físicas e emocionais.
Nos primeiros estágios de desenvolvimento, uma ajuda contínua que em sua maior parte venha de uma só pessoa, parece ser essencial para que o desenvolvimento tenha sucesso. Neste contexto, a mãe seria a pessoa mais adequada para exercer esse papel, já que nenhuma outra mulher está tão pronta a se dedicar e entender as reais necessidades do bebê, tanto físicas quanto emocionais. Desde que o bebê nasce, a mãe procura estabelecer com o filho um modelo de comunicação, no qual busca compreender suas sinalizações.
Supõe-se que a falta de um vínculo significativo na primeira infância comprometerá os futuros relacionamentos desta criança, uma vez que na falta deste não terá como internalizar uma experiência gratificante e repetir o padrão satisfatório aprendido com outros indivíduos.
Klein, psicoterapeuta austríaca não médica e não psicóloga "A formação do vínculo afetivo: A questão do apego", ao falar do bebê e suas emoções, diz que o primeiro objeto de amor e ódio do bebê é sua mãe, ou seja, é ao mesmo tempo desejado e odiado com toda a intensidade. No início, ele ama a mãe assim que ela satisfaz suas necessidades de alimentação, que alivia suas sensações de fome e lhe oferece o prazer sensual que experimenta quando sua boca é estimulada pelo sugar do seio. Essa "gratificação" faz parte da sexualidade da criança, é na realidade sua expressão inicial.
Porém, quando o bebê sente fome e seus desejos não são gratificados, ou quando sente dor ou desconforto físico, então toda a situação subitamente se altera. Nele surgem sentimentos de ódio e ele se vê dominado pelos impulsos de destruir a pessoa mesma que é objeto de todos os seus desejos e que sua mente está ligada a tudo o que ele experimenta - seja de bom ou de mau. O meio imediato e primário para aliviar este bebê desses estados dolorosos de fome, ódio, tensão e medo é a satisfação de seus desejos pela mãe.
Este, para quem a mãe é antes de tudo apenas um objeto que satisfaz a todos os seus desejos, começa a corresponder a essas gratificações e aos seus cuidados por meio de crescentes sentimentos de amor para com ela como pessoa. Mas este primeiro amor já está perturbado em suas raízes por impulsos destrutivos. Amor e ódio lutam entre si na mente do bebê; e essa luta persiste, até certo ponto, durante toda a vida, podendo tornar-se uma fonte de perigo nos relacionamentos humanos.
O comportamento de apego apresenta três características distintas e universais:
·- busca constante de proximidade com seu objeto de ligação, podendo tolerar afastamentos temporários;
- ·estabelecimento de maior ou menor segurança, segundo o padrão de confiabilidade e previsibilidade do objeto; e
·- reação de protesto pela separação ou perda e a conseqüente busca de recuperação da figura de apego.
Portanto, os vínculos estabelecidos no início da vidinha do bebê influenciarão profundamente sua forma de ver e de lidar com o mundo.

6.5.12

O que esperar de uma criança ao nascer: o estabelecimento do molde da autoestima


O que esperar de uma criança ao nascer? 

É possível afirmar, que toda criança ao nascer, nasce com a capacidade de amar, confiar, e, de ser amada. Sua impressão, sobre as pessoas que a rodeia, vai se formando a medida que ela estabelece suas relações com a mãe, e, depois com as outros que ela convive e assim por diante.
            Dessa impressão, o molde da autoestima vai se configurando e sendo modelado na alma e no corpo do bebê.  A partir dessa modelagem, a mãe, não disponível emocionalmente para a criança, transmite a ideia que nenhuma outra pessoa o estará. A resultante deste processo é uma pessoa com dificuldade de confiar no outro.
            Quando essa mesma criança, agora adulta, encontrar alguém para dividir afetos, ela entenderá que é isso que ela quer e precisa. No entanto, ela não conseguirá confiar, pois, estabelecerá reações fugidias e de incertezas.
            As crianças utilizam seus pais como modelos de percepção e de vivencia no mundo. Assim, os filhos internalizam as dificuldades de relação dos pais com as pessoas. Caso esses mesmos pais afirmem usualmente: “Não confiem em ninguém, pois, todos tem algum interesse em nós”; “Não perturbe as pessoas meu filho, elas estão ocupadas, e, tem mais coisa a fazer do que dar ouvido a você”; “Fique na sua e se limite ao seu lugar de criança, e, de quem no momento não sabe nada”, e, assim por diante; “Não ligue não meu filho, todas as mulheres são iguais”; “Não chore na frente dos outros, isso é pura demonstração de fraqueza”. Frases desse tipo irão afetar profundamente a visão que uma criança terá do mundo futuro.
Portanto, as impressões deixadas durante a construção de nossos primeiros relacionamentos, certamente marcarão profundamente nossa alma e nossa mente no que concerne nossa visão de mundo.
Querem um exemplo? Imagine uma mulher que foi pouco reconhecida e valorizada por seu pai – não recebeu atenção, carinho, incentivo e outros afetos tão importantes para desenvolver suas boas relações com as outras pessoas. Essa mesma mulher, quando conhecer um homem vai ter muito medo de gostar dele – de se sentir rejeitada e reviver a dor da desvalorização e do abandono experienciado com a figura paterna. Ela vai enxergar os homens com a mesma lente que ela enxergava seu pai.
O pior de tudo, é que mesmo que essa mulher encontre um bom homem que a ame, ela não vai acreditar nisso. Sua tendência é enxergar os homens como insensíveis e não verdadeiros na expressão amorosa.
A mesma coisa, podemos dizer de um homem, que conviveu até a fase adulta com uma mãe dominadora, autoritária e com doses especiais de opressão. Sua noção de mulher será ambivalente, pois, ora esse homem entende que precisa da mulher, e, ora elas o oprimem e cerceiam sua liberdade (física e pensamento).
É como se ao mesmo tempo ele desejasse carinho e proteção, do outro lado, ele se sentisse diminuído e desmerecido por essa mesma mulher. Confuso, não?
O fruto da experiência frustrante com os pais é a percepção infantil de que elas não podem confiar nas pessoas, e, acabam entrando na adolescência e na fase adulta com uma visão distorcida das pessoas. Serão crianças, que no futuro terão problemas e conflitos com figuras de autoridade (professores, policiais, supervisores, etc.).