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27.8.12

O que uma criança de cerca de 4 anos costuma pensar?


O que uma criança de cerca de 4 anos costuma pensar?

As crianças dessa fase são muito espertas e estão o tempo todo fazendo associações e procurando a vida de relação, ou seja, relacionar-se com o outro.
As crianças desta faixa de idade estão preocupadas com relações e principalmente aquelas que envolvem seus pais.
Elas ficam instigadas sobre assuntos que só os adultos podem conversar ou fazer e elas ainda não.
Às vezes, a ideia do papai e da mamãe estarem juntos dá a sensação gostosa e harmônica a criança de que os pais realmente se amam e estão juntos para assegurar carinho e proteção.
Outras vezes a criança se sente excluída, irritada, nervosa, ciumenta e invejosa por não poder usufruir do espaço de intimidade dos pais.
Permitir que os pais estejam juntos, sem os perturbar, exige uma pitada de generosidade e de recursos emocionais e afetivos da criança, que ainda é pequena.
Todavia, é importante que a criança possa ser capaz de deixar seus pais desfrutarem de intimidade, sem exacerbar sentimentos e exclusão e não pertencimento.
Para conseguir isso, os pais precisam ser amorosos, passar confiabilidade afetiva aos seus filhos e mostrar as crianças que existem momentos que só pertencem aos adultos, assim como há momentos que só as crianças podem desfrutar.
Saber também que nessa fase os sentimentos são contraditórios  e ambivalentes.  Amar o papai é intenso - ele é um verdadeiro herói, mas de certa maneira tem horas que ele é chato e “gosta” de cortar o barato quando as coisas estão bem criativas e imaginativas.

7.8.12

Existe idade certa para namorar?


Existe idade certa para namorar?
A primeira reação que temos ao ouvir do adolescente que ele está namorando é saber a sua idade. A preocupação reside no fato da iniciação sexual “precoce” se é que podemos denominar assim.
Regras rígidas não é a melhor forma de impor um comportamento sexual aos filhos. Certa vez um casal colocou em sessão que estava preocupada com sua filha de cerca de doze anos. Ela estava freqüentando baladinhas e comentava, ao telefone com as amigas, que havia “ficado”com dois meninos na festa. Não estou negando a preocupação dos pais ou muito menos incentivando a iniciação sexual precoce.
Os termos “ficar”, “transar”, “rolar”, “namorar” são palavras difíceis para os pais de compreender, pois pode significar desde um beijo até o ato sexual em si. São termos que assustam e deixam muitas vezes os pais congelados e sem saber que atitudes tomar – escutar e dizer “bacana ou você não acha que isso é muito cedo para você”?
Estou segura que algumas práticas não precisam e nem devem começar muito cedo na vida do adolescente, sem querer parecer uma falsa moralista. É simplesmente uma questão de respeitar o desenvolvimento do organismo humano: físico e emocional. A explosão hormonal, na entrada da adolescência, desperta sensações nunca sentidas ou experimentadas. Entretanto, o não zelo, nesta ou em outras fazes da vida, podem acarretar sérias conseqüências, tais como: doença sexualmente transmissíveis, gravidez precoce, possibilidade de postergar planos futuros (estudo, oportunidades de trabalho, entre outros). Neste aspecto quero enfatizar que se a maturidade física preocupa qualquer pai, a emocional não fica atrás.
Adolescentes que assumem a gravidez e “optam” pelo casamento, muitas vezes o enlance vai por água a baixo, pois o casalzinho ainda estava imaturo para assumir responsabilidades de grande porte como um casamento e a educação de um filho ao mesmo tempo. Se isso já é barra para um adulto, imagine para duas pessoas que ainda possuem a cabeça no sonho da meninice e na rebeldia da adolescência. Não é nada fácil.
Nem tudo está perdido – o jovem, quando bem orientado, não costuma sair por ai, ficando ou transando com todo mundo no mesmo dia / na mesma balada. A orientação amorosa e efetiva costuma gerar bons frutos. O jovem mantém um lado da cabeça no prazer e o outro lado na responsabilidade, e, assim consegue fazer boas escolhas e se preservar. Neste momento é que encaramos o fato de termos, como pais, feito um bom trabalho. Afinal sempre tivemos em mente que limite e responsabilidade andam juntos.
O estabelecimento do limite vale a pena para poder nortear os filhos até onde eles podem ir, mesmo as vezes, parecendo pais caretas ou meio desconectados do universo BBB.
Se tudo parece tão fácil, então porque as regras ou limites ficam difíceis de serem clareados aos filhos? O que me parece é que a família não acredita em sua força e termina, por vezes, se omitindo de suas próprias responsabilidades com medo de parecerem antiquados ou receosos de perderem o amor ou amizade dos filhos.
Quando a família se posiciona desta forma, ela perde boas oportunidades de orientar, ensinar conceitos essenciais sobre sexo e sexualidade para seus filhos.
Estudos epidemiológicos no Brasil têm demonstrado que o início da atividade sexual nas meninas ocorre em média por volta dos 16 anos e para meninos 14 anos. Assim, os pais poderiam dialogar com seus filhos que seria uma vantagem para eles se situarem entre a maioria ou até um pouco além da média. Isso ajudaria a preservar a saúde mental e física do adolescente.
Adolescente não gosta de seguir regras. Portanto, essa idéia deve ser acolhida por ele num momento de comunicação franca e sem muitos discursos biológicos ou mesmo sociais. Sei que atingir essa meta não é fácil, porem dois ou três anos a mais nessa fase pode fazer muita diferença no quesito maturidade. Essa atitude requer tempo, paciência, perseverança e constância dos pais. 

6.8.12

Crianças e adolescentes em situação de risco e abandono


Falta de convívio familiar contribui para a perda da autoconfiança. 
Achei muito bonita esta matéria e também muito bem redigida. Trouxe para este blog no sentido de advertir o público para um assunto tão importante

Quando falamos da situação psicológica de crianças e adolescentes em situação de abandono é importante analisarmos quais as condições necessárias para um desenvolvimento psicossocial saudável dos mesmos; ou seja, entendermos qual seria o caminho para que a criança tenha uma vida normal.

O desenvolvimento destas dependerá de diversos fatores: um ambiente que proporcione amor, carinho, respeito e condições físicas (alimento, higiene). Esses fatores são imensamente importantes para que a criança possa crescer saudável do ponto de vista psicológico, fisiológico e social. Toda criança tem o direito de crescer num lar amoroso, atento às suas necessidades e sem privações. Isso significa que a criança terá experiências pessoais que irão facilitar a construção de uma personalidade sadia e ter boa saúde física, maior tolerância a frustrações, enfim uma forma mais positiva de vivenciar as situações diárias da vida. Caso contrário, estas crianças podem ter baixa autoestima e diversas frustrações futuras, ocasionadas devido ao ambiente inadequado em que viveram.

Pensando na relação mamãe x bebê, observa-se a importância da mãe ou da cuidadora demonstrar afeto, carinho, todos os cuidados básicos com um bebê, sendo que será a partir dessas primeiras sensações, experiências com bebê, que ele criará uma condição saudável e positiva com a vida, pois a partir do outro que ele começará a se reconhecer de forma amorosa e positiva; ou seja, se receber carinho, atenção, amor, alimento, o bebê se sentirá bem e amado. Quando ocorre o contrário, quando um bebê fica exposto a estímulos negativos (fome por muito tempo, maus tratos, violência física e/ou verbal), isso trará a ele muitos danos psicológicos, caminhando na contramão de um desenvolvimento considerado adequado.

A perda do amor no convívio familiar é uma das causas que contribui para a perda da autoconfiança, a confiança no outro ser humano, haja visto, que foi abandonado pelas pessoas que deveriam lhe proteger. Crianças e adolescentes que foram retirados de suas famílias, como medida de proteção, acabam percebendo essa situação, como uma repetição da violência, e não se sentem em nada protegidos, podendo criar um grau de desconfiança nas suas relações com o mundo. Será preciso tempo e dedicação dos profissionais que estiverem trabalhando com eles, no sentido de auxiliá-los no resgate de sua autoconfiança e confiança nos outros.

Muitas crianças que foram abandonadas vivenciaram no convívio com suas famílias situações de negligência, violência física, violência sexual, violência psicológica, privação de alimentos, de higiene, de saúde, enfim, diversos tipos de maus tratos que possivelmente deixarão marcas profundas nesses indivíduos. Por isso elas podem se comportar de maneiras diversas, mas com toda certeza estarão lidando com sentimentos de menos valia (baixa autoestima), raiva (que poderá estar contida ou declarada), medo de ser novamente abandonado, autodestrutividade, entre outros fatores.

Os comportamentos que as crianças vão desenvolver podem ser diversos, dependendo de como vão lidar com os traumas vividos e também do suporte que terão de profissionais capacitados para lidar com essas situações. Podem desenvolver doenças psíquicas tais como: Personalidade anti-social, agressividade, depressão, baixa tolerância a frustrações. Apesar disso, essas crianças e adolescentes podem reconstruir suas vidas se estiverem próximos de pessoas que consigam lhes transmitir amor, respeito, valores morais, limites, proteção e orientações adequadas.

Um conceito utilizado pela psicologia, mas que vem das ciências exatas (mecânica e engenharia) é o da resiliência – são pessoas capazes de vencer as dificuldades, os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que eles sejam. No caso de crianças e adolescentes em situação de abandono, vítimas de negligência e de abuso, por exemplo, são mostrados, a eles, que apesar dos traumas sofridos, é possível superar a situação e retornar a uma vida de maneira saudável. Neste processo é importante contar com o apoio de todos que as cercam, pois será decisivo na recuperação da autoconfiança delas. Outra técnica utilizada pela psicologia para ajudar crianças com traumas é o Fanb Play, com a ajuda de uma caixa de areia com diversas miniaturas que representam o mundo, meninos e meninas são estimulados a representar o mundo em que vive ou viveram.

A técnica lúdica possibilita com a brincadeira um processo que faz com que a criança se expresse e assim supere os problemas enfrentados. Sendo assim, apesar da situação psicológica das crianças e adolescentes vítimas de abandono ser bastante traumática, ela não define ou garante que essas pessoas serão incapazes de ter uma qualidade de vida normal. Por isso é de extrema importância que toda a sociedade e o poder público voltem suas atenções a elas, de maneira a apoiá-las na reconstrução de sua autoimagem, criando novas possibilidades de relações afetivas positivas, de vivenciarem experiências fortalecedoras, para que se sintam capazes de enfrentar os obstáculos da vida de forma positiva e criativa.







* Luciane Evangelista de Oliveira Claro é psicóloga, formado pela Universidade Paulista, e Pós- Graduada na Universidade Federal de São Paulo. http://www.direitoshumanos.etc.br