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12.9.12

A partida dos filhos: voos necessários


A partida dos filhos

Temos falado nos últimos artigos sobre perdas. Perdas que são necessárias para nosso crescimento pessoal e espiritual. Teremos dificuldades em compartilhar os ganhos se não nos prepararmos para as perdas.
Tenho visto que muitos pais têm dificuldades em deixar seus filhos alçarem seus voos. É muito comum, nos dias de hoje, encontrarmos adultos presos aos seus pais. Não estou me referindo a indivíduos com graus de desabilidades e sim adultos que não conseguem se desprender de sua família de origem.
Observo homens que não conseguem estabelecer um relacionamento estável e de confiabilidade mútua com sua parceira porque, de uma maneira ou de outra, permanecem tomando conta de suas mães.
Por outro lado, há os que se casam, mas que continuam emocionalmente vinculados em demasia as suas mães. É como se elas ocupassem um lugar central na vida desses homens e as suas esposas ficam em segundo plano. Não estou inferindo que os filhos não devam ser gratos aos seus pais. Isto porque devem, porém gratidão e reconhecimento é uma coisa, dívida é outra.
Onde está o fio da meada? Minha experiência tem mostrado que quando o casamento e a conjugalidade não vai bem, a mãe acaba por escolher um filho para ocupar o lugar do companheiro. Este filho passa a ser o centro de sua vida – sua dedicação é intensa e em contrapartida, esta mãe estimula uma coalisão mãe-filho.
Como o filho carece de amor, carinho e reconhecimento afetivo de sua mãe, ele fica preso a ela. Qualquer movimento do filho no sentido de se separar de sua mãe (rumo ao crescimento pessoal), cobranças, ameaças, chantagem emocional ou doenças aparecem. Como o filho se sente em dívida com mãe tão dedicada e sacrificada por ele, a culpa o mantém preso a ela.
Em um outro estágio, podemos encontrar homens passivos e pouco proativos. São homens que até fazem movimentos rumo à independência e autonomia. Saem das azas materna, mas acabam contraindo matrimônio com uma mulher autoritária que reproduz o papel de sua mãe. É o famoso “se correr o bicho come, se ficar o bicho pega”.
Por uma série de circunstâncias, essas mulheres/mães não souberam preparar seus filhos para a partida – para a autonomia física e emocional. No momento em que elas deveriam abrir as asas e deixar seus filhos experimentarem o mundo lá fora para crescerem e se tornarem indivíduos plenos e realizados, eles por algum motivo foram impedidos. A situação pode ser agravada ou complementada quando não existe a figura de um pai disponível, com o qual pudessem se identificar.
No imaginário dessas mães elas mantêm seus filhos ao seu lado. Entretanto, os filhos experienciam intenso conflito entre amor e o ódio e também entre o desejo de se desprenderem e o desejo de crescerem. É como se esses filhos ficassem presos em uma caixa de ouro, pois não conseguem amar e honrar suas mães porque o que realmente os conecta a elas é a divida de gratidão e não o reconhecimento amoroso da dedicação.
Quanto mais tentamos segurar as pessoas perto de nós pela dívida de gratidão ou pelo carnê afetivo, mais os perdemos. Esses filhos podem até ficar ligados fisicamente a suas mães, porém, emocionalmente estão distantes.
Comentei sobre a dificuldade de algumas mães em deixar seus filhos voarem, mas o mesmo pode ocorrer com alguns pais e suas filhas.
O mais importante de tudo é que para se tornar adulto é preciso se separar dos pais. É necessário deixar o mundo da infância e ter condições emocionais para viver a própria vida.

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