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3.2.13

Mentirinha de criança (ou não?)


É de conhecimento de nós pais, professores e a maioria dos adultos que existe uma fase na vida das crianças que fantasia e realidade andam juntas, ou melhor dizendo, se misturam e isso caminha até cerca dos 6 ou 7 anos.
Isso porque suas histórias de vida estão mixadas com o cotidiano e com as fantasias dos livros, dos contos, dos filmes, das narrativas dos coleguinhas e etc. Nessa época a imaginação corre solta!
Depois dos 7 anos o sentido de realidade está mais presente e real na vida das crianças e a mentira deixa de ter um caráter predominantemente fantasioso.
Certamente, as crianças ainda continuaram mentindo ou omitindo fatos, porém, com objetivos mais reais, ou seja, proteção. Farão isso para se preservarem.
A mentira assume um aspecto intencional – usada para resolver um problema ou um conflito pontual, como por exemplo, fugir de um castigo, punição ou de uns tapinhas no bumbum.
Nesse momento é muito importante a intervenção dos pais. Estes devem ser firmes e ao mesmo tempo afetuosos, pois corrigir o filho na hora certa também é expressão de carinho e amor.
Os pais devem aproveitar a oportunidade para reforçar as crianças o valor da verdade e da sinceridade entre as pessoas que elas convivem.
A criança que mente com frequência está apontando para a dificuldade que ela tem em elaborar seus sentimentos de uma maneira salutar e assertiva.
É esperado que quando os pais forem conversar com seu filho não seja na frente de outras pessoas e muito menos acusá-la em alto e bom som que ela é uma mentirosa. Tal atitude desarma momentaneamente a criança, desestrutura sua autoestima e reforça o quanto é importante mentir.
Mentir passa a significar, não ser pega ou punida por pais abusivos e pouco protetores.
Até o momento falamos sobre a mentira “protetora”, que livra a criança de um castigo. Por outro lado, existem crianças que mentem por comportamento aprendido. São filhos de pais que habitualmente mentem. O hábito faz o monge e a mentira corriqueira incita a criança a mentir em situações do cotidiano.
De maneira geral, a criança pode mentir em várias situações: medo de ser punida, medo de perder o amor e carinho dos pais, medo de falar a verdade e não ser compreendida por seus pais ou aceita por quem ela gosta, medo de assumir responsabilidades, ser valorizada por amigos ou outro adulto, chamar atenção no seio familiar, punir alguém, pressão familiar ou escolar, etc.
Quando uma criança mente demais ela está demonstrando que algo não vai bem com ela – a compulsão por mentir é tão patológico quanto qualquer outra compulsão (comida, drogas, sexo, objetos, remédios, limpeza, etc.) e demanda cuidados médicos e psicológicos tanto com a criança como com a família. O acompanhamento é conjunto.
As crianças que usualmente mentem apresentam baixa tolerância à frustração, grau variado de agressividade, dificuldade em acatar ordens e seguir regras e limites. Parecem crianças muito seguras e prepotentes. Mas na verdade usam a mentira como uma máscara para se protegerem das dificuldades em enfrentar o mundo que as cerca e seu desejo mais íntimo é ser aceita e amada dentro e fora da família.
Por trás dessa máscara existe uma criança insegura e frágil gritando por ajuda.

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