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21.3.13

Crianças: coisas demais ou coisas de menos?


                Vivemos num mundo onde todo dia é dia de premiação para as crianças. Os prêmios podem ser desde docinhos até presentes mais significantes, como objetos eletrônicos, brinquedos mirabolantes, ou, passeio ao shopping Center com passagem livre para o cumprimento dos desejos. Com tantas ofertas, a criança deixa de achar graça nos novos presentes, e, o impulso consumista se torna um ciclo vicioso.
Não estou recriminando o pai ou a mãe, que por vez ou outra sente um desejo em comprar um presentinho extra para seu filho. Não raro também, os padrinhos, avós e amigos que seguem a mesma linha, e, acabam por ofertar um mimo ou agradinho as crianças fora de época. Resultado, as crianças acumulam excesso de presentes e terminam “entupidos” com uma serie de brinquedos, que elas não dão conta de desfrutar. Tudo vem fácil e no final das contas se tornam pouco valorizados.
A criança quando possui brinquedos em demasia sente-se assoberbada, pois, não consegue dar conta de tantos estímulos ou mesmo pode se sentir frustrada, afinal tantos brinquedos ao seu redor reforçam a ideia de terem um espaço tedioso ou aborrecido. É como se “ter demais” ou presumir, que logo ganhará outro objeto de desejo não despertará surpresa ou encantamento. Dar de maneira desmedida simplesmente para evitar conflito, confronto, tamponar ausências, ou, até mesmo dar para satisfazer uma carência pessoal do passado é nocivo e pouco protetor as crianças. A criança não aprende que para ter é preciso construir uma escala de merecimento.
O importante é tentar estabelecer regras para a obtenção de mimos, presentes ou “grandes surpresas”. Algumas famílias fazem acordos bem estabelecidos com as crianças. Os bons presentes estarão associados às datas comemorativas, tais como natal e aniversário, e, os mimos serão reservados para a páscoa e o dia das crianças. As famílias tentam atrelar os mimos a uma razão mais concreta.
Outros pais procuram substituir os presentes convencionais, alternando jogos, carrinhos ou bonecas por passeios a parques, teatro, zoológico, cinema, entre outros. São oportunidades de interagir dentro da família. Todos participam e se divertem. O presente é comunitário. O momento se torna único e ao mesmo tempo é lúdico e com troca de afeto.
A oferenda de um presente também pode estar associada a outros contextos. Existem algumas empresas que trabalham no sistema “Clube do Brinquedo”. É como se houvesse uma moderação no consumismo – É possível alugar um brinquedo por tempo determinado e depois devolvê-lo e troca-lo por outro. A novidade está continuamente presente na vida da criança e ao mesmo tempo o acumular é evitado. Outros clubes exploram a possibilidade da criança trocar os brinquedos, que elas não estão mais usando, e, dessa maneira reciclar junto aos coleguinhas do clube.
De maneira menos frequente, algumas famílias recorrem à doação. Na época do natal ou do aniversário, a criança escolhe alguns brinquedos em bom estado para serem doados a outras crianças menos favorecidas, e, assim, dar lugar ao novo. É uma atitude solidária que evita o estoque de brinquedos em desuso em casa.
É claro que achar um ponto de equilíbrio no que diz respeito ao consumo de artigos na infância é um desafio familiar e a tarefa não é nada simples. Todos os pais querem dar o melhor para seus filhos. Além do desejo dos pais em ofertar coisas boas aos filhos, existe o bombardeio da mídia em expor, em propagandas muito atraentes, um brinquedo novo para atrair o desejo das crianças. Pai esse eu não tenho! Eu quero!
Como sair desta armadilha? Os pais devem começar dando o exemplo. Evitar comprar superfulos e doar o que está sobrando em casa, isso evitará o acumulo e o desperdício. É valido também ajudar os filhos a refletir: você já não tem um brinquedo parecido com esse? Agora é a hora de comprá-lo ou podemos dar um tempo?
Presentear a criança com frequência pode tirar a graça de receber, e, ao mesmo tempo criar uma criança pidonha que nada a satisfaça. Dar tudo “de mão beijada”, não estimula a criança a desenvolver estratégias para conquistar o que ela deseja. Fortalece a ideia, que a criança não precisa se dedicar para obter o que quer, e, que tudo aparece num passe de mágica!
                

2.3.13

Socorro: meu bebê está em crise!


Existe muita literatura comentando sobre as crises que passam a maioria dos bebês, porém, algumas mães e pais as desconhecem. Acreditam que é algo físico.
O bebê, no primeiro trimestre, vive com sua mãe uma fase que é denominada de simbiótica. Estão tão grudadinhos e parecem um só corpo. É difícil saber onde começa a mãe e onde termina o bebê. Parece chiclete! Por volta do terceiro mês do bebê, ele inicia um processo existencial, no qual passa a olhar, mais intensamente, olho no olho de sua mãe – adora seus gestos e procura imitá-los.
Ele começa a perceber, que a mamãe não é apenas um grande seio, e, assim ele inicia a construção da imagem do outro. O bebê se percebe não tão enredado na mamãe. Precisa “chamá-la” para ser atendido e ter o que precisa (leitinho morno, fraldas limpas, aconchego, etc.). Nesse momento a ansiedade surge, é como se ele pensasse: e agora? E se eu chamar e ninguém aparecer? E se a mamãe for embora, o que será de mim? É ai que começa a crise dos 3 meses.
As mães costumam comentar: meu bebê estava ótimo até alguns dias atrás, mas agora ele acorda várias vezes chorando, fica agitado sem motivo aparente, não quer ficar no colo ou no berço. Parece que nada o agrada!
Calma, isso não dura meses, apenas umas duas semanas, e, a melhor coisa a fazer é ter paciência. Lembre-se ninguém cresce sem crise. É uma fase!
A outra crise ocorre no início do segundo trimestre do bebê, por volta dos 6 meses. A mamãe era a figura mais importante para o bebê, embora o papai também fosse um cara muito legal. Mas é nessa fase, que o bebê percebe com mais entusiasmo a figura do pai, dando início ao que chamamos de triangulação (mãe-filho-pai). Tai mais um motivo para crise!
Alguns bebês ficam mais insones, o apetite diminui um pouco, ficam mais chatinhos e preferem o colo da mamãe a qualquer outro. É a famosa “angustia de separação”.
Nesse período ou um pouco mais, os dentinhos do bebê começam a nascer, e, a impaciência e um pouquinho de agressividade pode ser observada no bebê.
Um pouco mais tarde, ao redor dos 8 ou 9 meses, em algumas crianças pode ser um pouco antes ou pouco depois, afinal gente não é como matemática, não é exata, começa uma outra fase mais chatinha, onde o bebê fica insones, desperta assustado, pode até fazer greve de fome, e, o choro pode ser intenso. Pode durar mais de uma quinzena. O bebê, em sua fantasia, fica temeroso de ficar sem a presença da mãe. Quando a mãe sai de perto do bebê e ele chora, e, por um motivo ou outro, se outra pessoa o atender, a ideia que ele tem, é que sua mãe nunca mais vai voltar. Moral da história, sua angústia aumenta. A criança precisa passar por isso para entender que a presença da mãe pode ser seguida de ausências.
Nessa fase, é importante fortalecer os vínculos, evitar troca de babás ou cuidadores, e, tolerar esse período tão angustiante para a criança. Paciência e amorosidade são as armas para enfrentar mais esta crise. É a fase do estranhamento. O famoso “não é a mamãe”!
A crise dos primeiro ano, é marcada pela ambivalência, oscilações entre as vantagens de ser independente e ao mesmo tempo dependente. O bebê engatinha, esboça os primeiros passinhos, almeja a autonomia, mas ainda precisa do colo amoroso da mãe para se abastecer de afeto. Estão mais independentes. Mexem em coisas proibitivas, abrem gavetas, introduzem os dedinhos em pequenos buraquinhos, sobe e desce do sofá, manipulam o controle remoto da TV, etc. São verdadeiros pesquisadores!
A crise se dá justamente pelo antagonismo: ser independente e ainda precisar do afago e proteção da mamãe. Ele quer fazer muitas coisas, mas as perninhas não obedecem, afinal o cérebro ainda está em desenvolvimento. Haja ansiedade! A criança fica com o soninho mais truculento; durante o dia permanece mais agitada e a alimentação, que andava muito bem se torna menos palatável. Como tudo na vida passa,  pitadas de calma, de equilíbrio e afeto são as armas para driblar esse período. Promover um ambiente seguro e acolhedor é a melhor coisa a se fazer.
Essas fases podem até ser difíceis, porém são extremamente marcantes e influenciam diretamente a vida do indivíduo por toda sua existência. Portanto a palavra de ordem é PACIÊNCIA!!