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18.4.13

Não desconte seu mau humor na Ana!


            Quem nunca passou por um dia ruim onde tudo parece dar errado que atire a primeira pedra!
O transito estava caótico, o marido liga dizendo que a empregada não veio trabalhar e as crianças terão que ficar com a sogra (isso quando ela existe e está disponível). No trabalho parece que as coisas não fluem e de quebra seu coordenador resolve lhe cobrar pendências de meses atrás e ainda requer boas ideias para projetos futuros.
Ufa! Acabou?
Acabou nada! Voce se lembra que hoje é aniversario de sua melhor amiga e o presente ainda está nos planos futuros. Voce migra até uma loja e na pressa rasga a meia e o salto do sapato fica preso no paralelepípedo. O humor está abaixo de zero!
Numa situação como essa é de se esperar que o retorno ao lar não seja dos mais doces. A tolerância pode estar a margem de zero e os filhos, certamente, não têm nada com isso.
Justo nesse dia, Ana, a filha mais nova do casal (uma linda garotinha de 4 anos), também parece não ter tido um dia muito produtivo e seu mau comportamento está acendendo luzes amarelas. Parece que ela “adivinhou” que o dia foi bem conturbado e resolveu colocar a prova a paciência dos pais.
O amarelo é experienciado pelos pais de Ana como uma verdadeira prova de fogo. Num breve instante ele se torna um vermelho reluzente. Ana está irritadiça, se nega a comer, o banho está fora das negociações e a hora de dormir se transformou numa ida e vinda para a cama dos pais.
 A calma e o bom senso são postos em “xeque” e a ira recai sobre a criança. O “pau da barraca” foi chutado! O dispositivo “liberar a raiva” foi acionado. Em vez de lidar com a situação com parcimônia e ponderação, a explosão surge como um cogumelo atômico e a ira contida ao longo do dia é transferida para Ana. Ana se tornou um enorme adorno em tons de neon.
A raiva cedeu lugar a um belo disfarce de emoções complexas, armazenadas ao longo do dia, e, quem sabe até por problemas acumulados. O destempero foi dirigido para a pessoa errada – Pobre Ana!
Não há como negar que existem momentos em que a raiva é expressa para disfarçar outras emoções represadas tais como, aflição, frustração, medo, vergonha, impotência, entre outras. A raiva impede de reconhecer as emoções dolorosas que estão na raiz da situação e pode até ser um grito de desespero.
Todas as pessoas, por um motivo ou por outro, ficam nervosas. É uma resposta natural e biológica frente a um confronto doloroso. O grande problema é que a raiva não é seletiva e ela se torna evidente nos momentos em que mais deveríamos buscar o bom senso e o apaziguamento; como foi no caso de Ana. Ana só queria a atenção dos pais. Que de alguma maneira eles a contivesse e a acolhesse em sua imaturidade infantil.
O que fazer para driblar um “mau dia”? Como voltar para casa e deixar os maus sentimentos do lado de fora? Fingir que nada aconteceu?
Além de ter paciência é preciso refletir: quem é a criança?!
É claro que pais não são perfeitos e como tal, também não podem cobrar a perfeição dos filhos no cotidiano. O fato é que não podemos transformar emoções negativas em armas de longo alcance. O objetivo é desenvolver estratégias que permitam lidar com a irritação de modo a proteger os filhos e buscar soluções mais adequadas para o problema.
A raiva em si não pode ser eliminada como num passe de mágica, porém, é necessário lembrar que ela não é o problema real.
O problema é como responder a ela quando estamos zangados!




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