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16.11.13

Nascer é um parto, assim como crescer e virar gente grande (parte 2)

No post anterior comentávamos sobre a importância da paternidade responsável, e, do cuidado que os pais deveriam ter em não inflar a autoestima das crianças ou do jovem, tendo como pressuposto o sucesso deles na idade adulta. Terminamos o artigo com o questionamento: como distinguir um elogio bom e positivo de outro ruim ou negativo?
Pois bem, não tenho uma receita de bolo e muito menos uma poção mágica, embora, gostaria muito de tê-la e poder dividi-la com meus amigos leitores.
O exemplo mais comum, de um elogio inadequado, é aquele que premia coisas banais ou tidas como corriqueiras. Querem um exemplo bem simples do cotidiano? Se a criança sabe colocar seus brinquedos dentro da caixa com destreza, não é necessário felicitá-la por isso. Se o jovem sabe que é seu dever todos os dias fazer sua lição, checar sua agenda, ou, ajudar em alguns deveres da casa, não é preciso parabenizá-lo, porém, é de bom tom agradecer. Afinal, reconhecimento e gentileza devem permear a vida de qualquer cidadão. Glória Kalil vive dizendo isso em seus livros de etiqueta social!
Os elogios não podem soar como mentira. Observe só: você deu o melhor de si; o problema foi que a professora ao elaborar a questão, o fez de maneira diferente da apostila. A criança ou o jovem percebe que seu elogio está fundamentado na mentira, pois, o enunciado de uma questão não precisa ser uma cópia exata da constante na apostila, no dia da prova.
Pesquisas elaboradas por um grupo de cientistas da Flórida mostraram que há poucas evidências científicas, relacionando elevada autoestima e sucesso escolar e profissional, e, que muitas vezes, ela pode ser contraproducente.
Em qual sentido?
O exagero na autoestima pode produzir indivíduos que exacerbam seus feitos e realizações, e, podem funcionar de maneira rebote, ou seja, tiram o estímulo para que a criança ou o jovem se dedique arduamente a uma tarefa ou objetivo futuro.
A criança ou o jovem hiperinflado em sua autoestima pode desenvolver uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com crítica, aprender com os erros, a se adaptarem aos desafios de viver e trabalhar em grupo e cuidarem da própria vida. Crescem insatisfeitos, alguns referem sentimento de vazio e outros desenvolvem alguma desordem de humor.
Não estou afirmando que as crianças ou adultos, que foram assegurados em sua autoestima vão se tornar adultos-problemas e não vão superar a síndrome da majestade. Muitas vão superar o fato de não serem perfeitos e vão deslanchar em suas escolhas, tanto na vida pessoal quanto profissional, e, serão capazes, ainda, de utilizarem todas as ferramentas proporcionadas pela família, para realizarem coisas boas na vida.
Baumeister, que é um neurocientista, refere, que mais do que ter muito boa autoestima, é mister conseguir ter controle sobre os impulsos, ter força de vontade e persistência para atingir o sucesso, seja ele pessoal e profissional. São ingredientes fundamentais para o crescimento do bolo humano, é quase um fermento.
A literatura atual recomenda algumas dicas para corrigir os efeitos da autoestima exagerada:
1) é preciso frustrar – é uma forma de mostrar a criança e ao jovem, que ele vive num mundo onde não se pode ter tudo, e, é preciso abrir mão de certas coisas pelos outros, 2) limites claros também é prova de amor. Não abra espaço para negociações em certos assuntos como escola. A criança e o jovem devem lembrar, que existem regras e limites a obedecer, 3) confiança mutua nas relações é essencial. A criança e o jovem devem acreditar, que sempre poderá contar com o amor e o carinho dos pais mesmo que ele fracasse em algo ou tenha dificuldades, 4) desapegar de coisas que não estão mais sendo necessárias é uma forma de olhar o semelhante e tirar o foco da atenção de si próprio.

Impor regras não significa ser um ditador, mas saber flexibilizá-las em algumas situações é tão importante quanto o elogio na hora certa!

7.11.13

Nascer é um parto, assim como crescer e virar gente grande (parte 1)


Na atualidade o parto tem sido explorado com muito cuidado, principalmente, por envolver duas nobres pessoas, a mãe e seu bebê. O que seria melhor para a díade: parto normal ou cesariana? No hospital ou no domicílio? Com ou sem intervenções médicas?
Em fim, parir, nos dias atuais, nos leva a vários questionamentos. Contudo, o que estou me referindo neste texto é sobre a dificuldade de dar a luz e depois ter a lucidez de criar esse filho com amor, carinho e responsabilidade. Esse sim, vai ser um segundo parto.
A educação moderna tem exagerado muito em exaltar a autoestima das crianças, e, dessa maneira influenciou profundamente no comportamento delas e na repercussão de seu futuro.
Os adultos ocupados mimam as crianças, as confortam em situações muito simples do cotidiano, e, passam a ideia, que tudo pode ser resolvido rápido e sem nenhum sofrimento. A educação desses “meninos” parece muito mágica! Porém, se tem um cunho mágico, ela não pode ser vista e encarada como verdadeira.
Muitos pais acreditam que para educar filhos, com vistas ao bom desempenho, precisam, desde já, mostrar o quanto eles são especiais e inteligentes, e, que seus feitos são de grande valia e engrandecedores. Essas crianças crescem ouvindo de seus pais, professores e parentes que tudo que eles fazem é de extrema valia, e, acabam por desenvolver uma autoestima exagerada e pouco conseguem lidar com as frustrações do mundo real.
As crianças se transformam em majestades, verdadeiros exemplos do narcisismo, tão bem estudado e citado por nosso caro amigo Freud. Não nego, que os filhos são muito especiais. Especiais para seus pais e não necessariamente para o resto do mundo.
Muitas dessas crianças e jovens majestosas apresentam como bordão o famoso “eu me acho”, “eu sou o tal”, “tudo gira a minha volta e você que pegue carona na próxima rota”, etc. Eles se enquadram como alunos de destaque, e, se tiram uma nota inferior, a culpa é do professor que não explica bem a matéria. Se algo não acontece como planejado a culpa com certeza será do outro, e, esse outro pode ser um dos pais, do amigo, etc.
São jovens que não toleram criticas, se acham merecedores constantes de elogios e reconhecimento. Caso isso não ocorra, é por causa da inveja ou da injustiça.
Você já teve a oportunidade de encontrar um jovem ou adulto assim?
Claro que os pais tiveram boas intenções e ofereceram bons estudos, idiomas, viagens, competência tecnológica, entre outras oportunidades, um aparato cultural invejável, e, portanto, esses jovens têm tudo para se considerarem ótimos e imbatíveis.
Por outro lado, é motivo de questionamento, que raio de criação é essa onde imperou a atenção dos pais, a oferta de um rol cultural e no final gerou jovens tão egocêntricos?
Lendo algumas pesquisas americanas, observei, que a educação moderna tem duas fortes características: a primeira é o esforço incansável dos pais para proporcionar o sucesso futuro do filho (estudo e boa carreira). Isso é tão expressivo que desde pequenos, as crianças já são avaliadas, mesmo antes de entrar numa escola infantil. Existem pré-escolas em São Paulo com lista de espera! Dá para acreditar nisso? A segunda é o fomento dos pais em relação à autoestima de seus filhos.
Acredito que Nathaniel Branden (1969) quando evocou que as crianças precisavam de boa autoestima, para se tornarem bons cidadãos, não sabia que sua teoria daria tanta confusão. Ele acreditava, que se a criança era nutrida ao máximo de autoestima, ela não expressaria ansiedade, depressão e dificuldade de relacionamento. Na ânsia de criar filhos e adultos competentes e livres de traumas, os pais passaram a evitar as criticas, e, o elogio virou obrigação, mesmo quando ele não é necessário.
O resultado?
As crianças ou os jovens começam a acreditar, que são bons em tudo que fazem, e, criam uma imagem distorcida de si mesmos.

Como distinguir o elogio construtivo daquele puramente narcísico?
Aguarde o próximo post!!!