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7.11.13

Nascer é um parto, assim como crescer e virar gente grande (parte 1)


Na atualidade o parto tem sido explorado com muito cuidado, principalmente, por envolver duas nobres pessoas, a mãe e seu bebê. O que seria melhor para a díade: parto normal ou cesariana? No hospital ou no domicílio? Com ou sem intervenções médicas?
Em fim, parir, nos dias atuais, nos leva a vários questionamentos. Contudo, o que estou me referindo neste texto é sobre a dificuldade de dar a luz e depois ter a lucidez de criar esse filho com amor, carinho e responsabilidade. Esse sim, vai ser um segundo parto.
A educação moderna tem exagerado muito em exaltar a autoestima das crianças, e, dessa maneira influenciou profundamente no comportamento delas e na repercussão de seu futuro.
Os adultos ocupados mimam as crianças, as confortam em situações muito simples do cotidiano, e, passam a ideia, que tudo pode ser resolvido rápido e sem nenhum sofrimento. A educação desses “meninos” parece muito mágica! Porém, se tem um cunho mágico, ela não pode ser vista e encarada como verdadeira.
Muitos pais acreditam que para educar filhos, com vistas ao bom desempenho, precisam, desde já, mostrar o quanto eles são especiais e inteligentes, e, que seus feitos são de grande valia e engrandecedores. Essas crianças crescem ouvindo de seus pais, professores e parentes que tudo que eles fazem é de extrema valia, e, acabam por desenvolver uma autoestima exagerada e pouco conseguem lidar com as frustrações do mundo real.
As crianças se transformam em majestades, verdadeiros exemplos do narcisismo, tão bem estudado e citado por nosso caro amigo Freud. Não nego, que os filhos são muito especiais. Especiais para seus pais e não necessariamente para o resto do mundo.
Muitas dessas crianças e jovens majestosas apresentam como bordão o famoso “eu me acho”, “eu sou o tal”, “tudo gira a minha volta e você que pegue carona na próxima rota”, etc. Eles se enquadram como alunos de destaque, e, se tiram uma nota inferior, a culpa é do professor que não explica bem a matéria. Se algo não acontece como planejado a culpa com certeza será do outro, e, esse outro pode ser um dos pais, do amigo, etc.
São jovens que não toleram criticas, se acham merecedores constantes de elogios e reconhecimento. Caso isso não ocorra, é por causa da inveja ou da injustiça.
Você já teve a oportunidade de encontrar um jovem ou adulto assim?
Claro que os pais tiveram boas intenções e ofereceram bons estudos, idiomas, viagens, competência tecnológica, entre outras oportunidades, um aparato cultural invejável, e, portanto, esses jovens têm tudo para se considerarem ótimos e imbatíveis.
Por outro lado, é motivo de questionamento, que raio de criação é essa onde imperou a atenção dos pais, a oferta de um rol cultural e no final gerou jovens tão egocêntricos?
Lendo algumas pesquisas americanas, observei, que a educação moderna tem duas fortes características: a primeira é o esforço incansável dos pais para proporcionar o sucesso futuro do filho (estudo e boa carreira). Isso é tão expressivo que desde pequenos, as crianças já são avaliadas, mesmo antes de entrar numa escola infantil. Existem pré-escolas em São Paulo com lista de espera! Dá para acreditar nisso? A segunda é o fomento dos pais em relação à autoestima de seus filhos.
Acredito que Nathaniel Branden (1969) quando evocou que as crianças precisavam de boa autoestima, para se tornarem bons cidadãos, não sabia que sua teoria daria tanta confusão. Ele acreditava, que se a criança era nutrida ao máximo de autoestima, ela não expressaria ansiedade, depressão e dificuldade de relacionamento. Na ânsia de criar filhos e adultos competentes e livres de traumas, os pais passaram a evitar as criticas, e, o elogio virou obrigação, mesmo quando ele não é necessário.
O resultado?
As crianças ou os jovens começam a acreditar, que são bons em tudo que fazem, e, criam uma imagem distorcida de si mesmos.

Como distinguir o elogio construtivo daquele puramente narcísico?
Aguarde o próximo post!!!

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