Postagens Mais Acessadas

30.12.13

Adolescência: “O” fase difícil!

Como enxergar o mundo quando não se é mais criança e muito menos adulto?
Como se olhar no espelho, se despedir do corpo infantil, e visualizar um corpo em mudanças? Diga-se de passagem, mudanças rápidas no sentido físico e emocional da palavra.
A partir de quando a criança deixa de ser apenas uma criança para entrar no mundo turbulento da adolescência? Segundo o Estatuto da Criança e adolescência isso ocorre na faixa que compreende os 12 e 18 anos de idade (o estatuto não leva em conta os adolescentes tardios). É um período de insatisfações, rebeldia, risos alternados com choro, de grande expressão de amor e romantismo, que ronda essa fase (a moda deles).
É um momento onde o corpo grita as transformações e as mudanças. A voz muda de tonalidade, os pelos se tornam mais evidentes em áreas específicas de gênero, as extremidades se alongam, a ejaculação aparece nos meninos e a menstruação nas meninas. As mamas se pronunciam, os quadris ganham volume e movimento, a lá Oscar Niemayer, e, em ambos os sexos o humor oscila tal qual às estações do ano no Brasil.
As mudanças não param por ai, a agressividade aparece como mecanismo de defesa e de enfrentamento de novas situações. A felicidade e a tristeza andam lado a lado. Apreciam andar em grupo e apresentam grande necessidade em ser aceitos por ele.
Ainda são muito imaturos, e, por isso experienciam sentimentos contraditórios: muito amor e carinho e ao mesmo tempo impulsividade, indecisão, e, grande desejo de fazer algo grandioso pelo mundo (mesmo que depois de uma grande ideia lhes batam sono, preguiça e uma vontade imensa de refletir sobre o tudo e o nada).
Preferem ficar horas no quarto divagando, avaliando erros e acertos e procurando respostas sem o auxílio de um adulto. Tudo é muito rápido na adolescência e as emoções são muito contraditórias. Hoje ele é a pessoa que eu mais amo e quero ficar. Amanhã pode ser que tudo mude. Tudo isso acontece para o adolescente ir fixando suas escolhas com mais competência e estabilidade.
Experimentar é a palavra de ordem do adolescente! Experimentar a descarga de adrenalina (correr riscos); fazer pequenas transgressões; descobrir os próprios limites, assumir decisões, que nem sempre parecem muito coerentes aos olhos do adulto.
Adulto, por falar nele, os adolescentes tendem a se afastar da “voz da experiência”. Os pais são vistos como castradores, retrógrados, e, pouco antenados. Na verdade o adolescente age dessa maneira para buscar suas potencialidades, descobrir sua personalidade e estabelecer suas próprias metas. O jovem percebe que está no meio do caminho, não é mais criança e não tem a autonomia dos adultos – se descobre uma célula em processo mitótico!
Ousam na petulância, mas exigem respeito e renegam o paternalismo. Descobrir o mundo é a grande missão. Embora, queiram e precisam de experiências novas, eles não se atentam que ainda precisam muito dos valores do mundo adulto. Por isso, muitas vezes, se esquecem, que os pais existem. Esquecem de avisar onde estão, esquecem de ligar quando chegam em determinado lugar, deixam a mãe esperando no carro enquanto conversam com os colegas e etc.
O humor é tão lábil como as formas de um caleidoscópio. E sabe de quem é a culpa? Dizem os pesquisadores que é por causa da tempestade hormonal. O futuro adulto está sendo lapidado simultaneamente pela biologia humana, pelos valores culturais de uma sociedade, pela maturidade emocional e mental, pelos comportamentos do grupo onde ele está inserido, e, pelas competências e habilidades que ele está desenvolvendo perante o mundo.
Como ajudar o adolescente a viver melhor com suas mudanças repentinas?
Queimar energia é uma maneira de reduzir a oscilação de humor, organizar e dinamizar o tempo para estimular a auto-responsabilidade, colocar não e limites na hora certa, valorizar as opiniões e boas atitudes, estimular o desenvolvimento do auto-controle e da empatia, viver com equilíbrio e sabedoria.

Parece simples, não? Pode até ser, desde que exista a presença constante de pais amorosos e claros em suas decisões e exigências.

18.12.13

Natal com “N” maiúsculo!!

Não sou uma regra, mas também não me sinto um peixe fora da água. Em época como as de agora me sinto saudosista e esperançosa como muita gente.
Saudosista porque parece que os anos anteriores foram melhores ou tiveram menos agruras do que este que está se despedindo. Esperançosa no que diz respeito em nos tornarmos seres humanos melhores, renovados, empáticos e desejosos em construir um mundo melhor para nós e nossos filhos.
Esperançosa em termos no mais amplo dos sentidos um Natal com “N” maiúsculo!
No mesmo instante que refletia sobre isso, tive a oportunidade de folhear um livro de crônicas de Veríssimo, no qual ele falava sobre o Natal. Senti que seria muito bacana poder dividir essa crônica com muitas “sacadas” com vocês.
Leiam e pensem se não tem tudo a ver com o nosso momento político e social atual. Se não tem tudo a ver com o que pensamos de uma data natalina.

Crônica do Natal (de novo)
Tenho inveja dos cronistas novos. Não porque eles não sabem que todas as crônicas de Natal já foram escritas e podem escrevê-las de novo. Mas porque podem fazer isto sem remorso.
Tem a crônica de Natal tipo “o que eu gostaria que Papai Noel me trouxesse”.
A Luana Piovani ou um fac-símile razoável, a paz entre os povos, um centroavante para o Internacional (ou um fac-símile razoável) etc.
Tem as infinitas variações sobre problemas encontrados por Papai Noel no mundo moderno (seu trenó levado num assalto, sua dificuldade em se identificar em portarias eletrônicas, protestos de ambientalistas contra o seu tratamento das renas, suspeita de exploração de trabalho escravo, suspeita de pedofilia etc.).
Tem as muitas maneiras de atualizar a história da Natividade (Maria e José em fila do SUS, os Reis Magos chegando atrasados porque foram detidos por patrulhas israelenses ou militantes palestinos, Jesus vítima de uma bala perdida).
Tem as versões diferentes da cena na manjedoura, inclusive — juro que já li esta, se não a escrevi — narrada do ponto de vista do boi.
Todas já foram feitas.
Há tantas crônicas de Natal possíveis quanto há meios de se desejar felicidade ao próximo. Os cartões de fim de ano são outro desafio à criatividade humana. Pois todas as suas variações também já foram inventadas.
Quando eu trabalhava em publicidade, todos os anos recebia encomendas de saudações de Natal e Ano Novo “diferentes”, porque os clientes não se contentavam em apenas desejar que o Natal fosse feliz e o Ano Novo fosse próspero.
Uma vez sugeri um cartão de Natal completamente branco com a frase “Aquelas coisas de sempre...” num canto, mas acho que este foi considerado diferente demais. E dê-lhe poesia, pensamentos inspiradores, má literatura e a busca desesperada do diferente. Um cartão em forma de sapato, de dentro do qual saía uma meia: a meia para o Papai Noel encher de presentes e o sapato para entrar no Ano Novo de pé direito. Coisas assim.
Enfim, tudo isto é apenas para desejar a você... Aquelas coisas de sempre.
 Luís Fernando Veríssimo