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29.3.14

Modular as emoções pode ajudar as crianças a serem mais felizes

Ajudar as crianças a identificar suas próprias emoções e as emoções dos outros pode ajudar muito os pequenos a viver em um mundo melhor e mais feliz. Para tanto, a criança precisa desenvolver algumas habilidades: usar suas emoções de maneira eficaz, aprender a nomear as emoções e a regulá-las de forma habilidosa.
Usar as emoções de maneira eficaz significa que as crianças que conseguem fazer isso são potencialmente mais habilidosas e usam as emoções ao seu favor para resolver problemas na escola, com os amigos, com os familiares e no futuro em seu trabalho. Quando a criança usa adequadamente suas emoções, elas são capazes de identificar com maior precisão os sentimentos de si mesma e dos outros. E a vantagem do processo, reside em ler  as situações e relacionamentos e tomar a melhor decisão.
Crianças emocionalmente inteligentes e que regulam suas emoções de forma habilidosa usam as próprias emoções para modularem respostas mais empáticas de maneira útil e responsável.
Ler isso, de primeira vista, parece muito fácil, mas auxiliar a criança a identificar suas próprias emoções e sentimentos pode ser muito difícil, principalmente quando nós, adultos, temos dificuldades em fazê-lo.
            Por outro lado, sabemos que as pessoas, e em nosso caso, as crianças que conseguem usar as emoções a seu favor são mais agradáveis, queridas, comprometidas e com maiores chances de obterem sucesso em sua vida acadêmica e profissional.
            Os pais podem ajudar muito seus filhos a desenvolverem suas habilidades em lidar com os sentimentos e emoções de uma maneira positiva. Observe atentamente algumas dicas abaixo.
            Crianças aprendem observando os adultos – se você está triste e chorando, ou mesmo com raiva, não negue suas emoções. Diga para seu filho que você está realmente triste ou severamente aborrecida, mas que você está tentando encontrar uma maneira de se acalmar.
            Emoções não podem ser traduzidas simplesmente em feliz ou triste. Emoções são muito mais que isso. Use palavras diferentes para traduzir uma situação onde você está se sentindo feliz ou triste. Aproveite para ensinar sinônimos e associe a sua expressão facial e corporal. Isso enriquece o mundo infantil das interpretações de sentimentos e emoções.
            Caso seu filho esteja passando por um acesso de raiva, não negue o que esta acontecendo ou então não ignore o desconforto emocional de seu filho. Procure ser empática com seu filho e diga algo do tipo “Eu sei como você se sente. Sei que você está com raiva e frustrado por não podermos ir no parquinho agora. Quem sabe mais tarde quando você terminar seu dever de escola”.
            Sempre que possível fale sobre compaixão e se colocar no lugar do outro com seu filho e as emoções e sentimentos que emergem durante o assunto. Isso ajuda a enriquecer o mundo de seu filho.

         Flexibilidade é tão importante quanto seguir regras. As vezes é necessário mostrar aos pequenos que podemos mudar nosso ponto de vista ou divergir de outras pessoas sem destruí-las ou nos sentirmos por baixo ou menosprezados. Deixe seu filho falar sobre as divergências na escola, tente entender o ponto de vista e pondere com a criança diferentes saídas.

            Conforme a criança cresce ela vai percebendo que pode usar as emoções a seu favos, deixando-a mais espontânea, feliz e articulada. Ela não vai sentir necessidade de explodir com um colega quando algo não sai como ela quer. Seu filho poderá nomear o que sente, os receios e as consequências de algo em desacordo. Quer um exemplo bem prático?

            Imagine uma situação onde a esposa se sente temerosa em relação a seu esposo, ameaçando-o com o famoso “se” – se você não fizer isso, eu vou...

            Em vez disso, ela poderia ser autentica e dizer o que sente e as consequências: “Eu estou com raiva de você e com medo sobre as consequências de seus atos sobre a nossa família!”

            Como pode notar, as coisas são ditas de forma clara, objetiva, porém não exclui as emoções, os afetos, os sentimentos e as consequências. É uma forma inteligente de ser e se posicionar no mundo.

       Vamos começar a ajudar nossos filhos a modular as emoções?




Inteligência emocional: ajude seus filhos a lidar com as emoções - Parte 2

                    A inteligência emocional (IE) está relacionada com a nossa capacidade de compreender os nossos próprios sentimentos e emoções, bem como, os sentimentos dos outros, pra que possamos viver em harmonia com o ambiente que nos rodeia.
            Se quisermos ajudar nossos filhos a serem mais felizes e de bem com a vida, precisamos ajudá-los a nomear seus sentimentos e a encontrar soluções mais eficazes para os dilemas da vida.
            As crianças com IE elevada são mais predisponentes a serem mais sociáveis, cooperativas, otimistas, empáticas e capazes de encontrar resoluções para seus problemas e desafios de maneira eficiente. De quebra, as crianças desenvolvem melhor seus potenciais e habilidades, com maiores chances de serem bem sucedidas na vida, em seu mais amplo aspecto.
Se desenvolver a IE nos pequenos é tão importante, como, nós adultos, poderíamos ajudá-los?
Algumas atitudes simples, porém muito eficientes, podem ajudar as crianças a desenvolver sua IE. Vamos conhecer algumas!
1-    Aceite as emoções de seu filho e traduza os sentimentos expressos pelo corpo – você não sabia? O corpo fala sim!
 “Ok, isso deve ter sido muito frustrante para você”; “Eu entendo, você está me mostrando que está com muita raiva”; “Voce está muito chateado – algo deve ter acontecido”.
2-    Ajude seu filho a identificar as emoções
“Voce parece muito desapontado”; “Voce parece para baixo hoje”; ‘Eu acho que você está muito triste com o que lhe aconteceu”; “Deve estar doendo muito dentro de voce – seu coração está partido”.
3-    Incentive seu filho a falar sobre seus sentimentos
“Nossa, você parece estar cheio hoje – quer falar sobre o que aconteceu com você?” “como você está se sentindo?”.
4-    Ajude sua criança a reconhecer as dicas ou pistas sobre a forma como as outras pessoas podem estar se sentindo
“Como você acha que ele está se sentindo”; “O que você acha que pode estar acontecendo com ela?”; “Como você se sentiria se isso acontecesse com você?”.
5-    Ajude seu filho a ter consciência de que está sob tensão ou está a beira de um ataque de estresse
“Voce acha que está estressado e sem paciência?”; “Parece estar acontecendo muita coisa com você no momento – você está se sentindo tenso ou pressionado?”; “Eu estou vendo que você está nervoso ou com raiva só pelo seu jeito de se comportar, posso lhe ajudar?”.
6-    Ensine sua criança a se acalmar
“Voce acha que um pouco de tempo quieto lhe ajudaria a se acalmar?”; “Talvez se você respirar fundo algumas vezes e disser para si próprio que pode se acalmar lhe ajude a ficar menos tenso”; “Todo mundo pode falhar”; “Falhar é humano, da próxima vez voce vai se sair melhor”; “Mais tarde você gostaria de falar sobre o assunto?”.
7-    Ensine e oriente seu filho a obter formas alternativas de expressar as emoções
“Procure falar o que você está sentindo para seu colega em vez de bater e xingar”; “Voce pode pensar diferente de seu amigo e não é por isso que você deve ficar com raiva”; “Diga o que você quer sem gritar, resmungar ou ficar agressivo, dessa maneira eu poderei me concentrar no seu pedido”; “O que voce acha que poderia fazer ou falar da próxima vez que voce ficar com raiva?”.
8-    Ensine sua criança a resolver problemas e a ultrapassar os obstáculos
“Que tal escrever uma lista de coisas que poderia lhe ajudar a resolver esta situação e escolher algumas?”; “O que você acha que aconteceria se você fizesse isso?”; “Como você acha que seu colega responderia a isso?”
9-    Ensine seu filho a “fala-positiva”.
“Eu posso lidar com isso e se não puder vou pedir ajuda”; “Eu posso fazer isso”; “Eu vou fazer o meu melhor”; “Percebo que a cada dia estou ficando melhor e melhor”; “Eu tenho me esforçado para conseguir o que desejo e o que eu preciso”; “Eu mereço ser feliz”; “Eu aprecio desafios”; “Posso conseguir coisas boas com meu esforço”.
10-  Ajude sua criança a reconhecer o que a motiva ou a faz sentir uma pessoa melhor
“O que lhe ajuda a se sentir melhor para começar o dia?”; “Não se preocupe com as dificuldades – continue tentando”; “Eu percebo que quando você tem um objetivo você não desiste – admiro sua persistência”; “Eu aprecio como você planeja seus estudos”.
11-  Ensine seu filho a negociar e a resolver conflitos
“Como podemos resolver isso para chegarmos a um acordo e sermos felizes?”; “O que você acha que ele quer?”; “Qual seria a melhor solução para você conseguir o que você quer?”; “Como você pode dizer isso de forma que ele o entenda?”; “Eu acho bacana quando você consegue falar o que quer em vez de gritar, xingar ou me culpar”.
12-  Aprecie quando sua criança demonstrar auto-controle
“Voce se saiu muito bem naquele impasse”; ‘Eu achei muito bacana voce ter mantido a calma, não ter elevado a voz na discussão com seu colega – você conseguiu manter o auto-controle”; “Voce conseguiu terminar sua tarefa sem ficar nervoso ou agitado”; “Aprecio muito quando você pede o que quer sem gritar, chutar ou brigar”.
13-  Ensine seu filho a falar sobre os próprios sentimentos
“Acho que você está querendo dizer que está cansado e precisa comer ou descansar”; “Eu me sinto frustrado e com raiva quando quero dizer algo e você me interrompe”; “Eu prefiro descansar antes de fazer lição, pois chego cansado e com fome”.
14- Mostre como manter a calma e o controle quando se está com raiva
“Eu tive um dia difícil, podemos falar sobre isso mais tarde, depois que eu descansar um pouco?”; “Eu não gosto do jeito que você está falando comigo”; “Quero conversar com você, agora seria um bom momento?”; “Eu não estou bem hoje, acho melhor ficar em casa”.

            Tudo que você fizer para ajudar seu filho a desenvolver a capacidade de compreender seus sentimentos, certamente você estará ajudando-o a conhecer a si próprio e a ser empático com as outras pessoas.

Quer saber mais sobre o assunto?
Inteligência Emocional e a arte de educar nossos filhos – John Gottman – Ed. Objetiva
Inteligência Emocional da criança - David J. Sluter e Peter Salovey – Ed. Campus

Inteligência emocional: ajude seus filhos a lidar com as emoções – Parte 1

Hoje em dia muito tem se falado sobre inteligência emocional. Adultos que desenvolvem este tipo de inteligência apresentam a tendência em serem mais felizes e de bem com a vida. Pois bem, crianças que são estimuladas a desenvolverem a IE também apresentam maior tolerância a frustração, serem mais resilientes e também mais felizes.
Antes de comentarmos sobre IE precisamos conhecer um pouco de outro assunto – as emoções. Afinal são sobre elas que atua a inteligência emocional.
  As emoções surgem como processos centrais no funcionamento humano, desempenhando um papel importante como organizadores no desenvolvimento cerebral e em diversos domínios do funcionamento psicológico e social.
A pessoa é, constantemente, confrontada com situações onde a emoção se encontra presente, pelo que se torna importante aprender a lidar com as situações emocionais e adquirir hábitos mais adaptativos para lidar com elas.
Há autores que fazem referência a dois tipos de emoções: as emoções-choque e as emoções-sentimento.
Nas emoções-choque, a reação é muito curta. A pessoa reage a um dado acontecimento imprevisto, evidenciando falta de mecanismos de adaptação adequados.
As reações a emoções-sentimentos são duradouras e menos intensas, pelo que são também denominadas apenas por sentimentos.

Classificação das emoções
A literatura especializada evidencia a existência de vários tipos de emoções:
·        Emoções negativas – são as emoções desagradáveis experimentadas por uma pessoa quando não consegue atingir um objetivo, perante uma ameaça ou uma perda.
·        Emoções positivas – são emoções agradáveis, que uma pessoa experimenta quando concretiza um objetivo.
·        Emoções ambíguas – são as emoções que nem são positivas nem são negativas, ou podem ser ambas as coisas, consoante a situação.  
·        Emoções estéticas – são as emoções originadas pelas manifestações artísticas e podem ser positivas ou negativas.

Emoções negativas: Ira – raiva, cólera, rancor, ódio, fúria, indignação, ressentimento, aversão, tensão, exasperação, excitação, agitação, aspereza, inimizade, aversão, irritabilidade, hostilidade, violência, nojo, inquietação, inveja, impotência.
Medo – temor, horror, pânico, terror, pavor, desassossego, susto, fobia.Ansiedade – angustia, desespero, inquietação, stress, preocupação, ânsia, nervosismo.Tristeza – depressão, frustração, deceção, aflição, pena, dor, pesar, desconsolo, pessimismo, melancolia, saudade, desalento, abatimento, desgosto, preocupação.
Vergonha – culpabilidade, timidez, insegurança, rubor, pudor, recato, corar. Aversão – hostilidade, desprezo, aspereza, antipatia, ressentimento, rechaço,receio, nojo, repugnância.

Emoções positivas
Alegria – entusiasmo, euforia, contentamento, prazer, diversão, gratificação, satisfação, êxtase, alívio. Humor – (provoca: sorriso, riso, gargalhada. Amor – afeto, carinho, ternura, simpatia, empatia, aceitação, cordialidade, confiança, amabilidade, afinidade, respeito, devoção, adoração, veneração, enamoramento, gratidão. Felicidade – gozo, tranquilidade, paz interior, satisfação, bem-estar.

Emoções ambíguas
Surpresa
Esperança
Compaixão
Emoções estéticas

A partir do conhecimento das emoções e suas categorias, agora estamos no caminho para entrar na inteligência emocional infantil.

Mas o que é inteligência emocional?

            A IE é a habilidade que o indivíduo pode desenvolver para motivar a si mesmo a persistir mediante situações frustrantes, controlar os impulsos, canalizar as emoções para situações apropriadas, praticar gratificações, motivar pessoas, auxiliando-as a liberar suas melhores habilidades e potencialidades.
Para isso, alguns passos básicos podem ser seguidos;
·        Perceber as emoções da criança e as próprias
·        Reconhecer a emoção como uma oportunidade de auto-conhecimento
·        Ouvir com empatia e legitimar os sentimentos da criança
·        Ajudar a criança a verbalizar as emoções
·       Impor limites, exibir regras claras e auxiliar a criança a encontrar soluções adequadas para os seus problemas e desafios.

Lembrar que a IE da criança é moldada na interação com a família, em clima harmônico. Não estou afirmando que não teremos momentos de raiva, irritação, mas sim, que poderemos agir de maneira assertiva sem causar arrependimentos futuros. Reconhecer as emoções que prejudicam a nossa vida e nosso desempenho é um passo para aprendermos a gerenciá-las e obter caminhos mais agradáveis e um melhor desfecho nas relações familiares e fora dela.


Como desenvolver a inteligência emocional com nossos filhos?!!
Esse será nosso assunto do próximo post.


28.3.14

Birra: explosão de sentimentos e comportamento desorganizado

A birra nada mais é do que um comportamento desesperado, ruidoso e embaraçoso cometido por crianças ao redor de dois ou três anos. É uma forma que a criança encontra para contestar regras e limites impostos pelos adultos. Elas fazem um verdadeiro drama! Choram, dão pontapés, agitam o corpo, se jogam e rolam no chão, atiram objetos, se negam a comer ou realizar atividades do cotidiano (higiene, sono, repouso, vestir-se, etc.) entre outras não menos desastrosas.
Algumas dicas que podem ajudar a lidar com a criança na hora da birra:

1-    Não perca o controle e procure ser firme, mas ao mesmo tempo acolhedora: evite ser tomada pela irritação e raiva. Mantenha sua posição firme, não grite e explique de maneira objetiva que o comportamento dela está sendo inadequado. Se possível acalme-a pegando-a no colo.
2-    Resista aos apelos de sua filha e seja firme em suas atitudes: a birra não deve ser vista como corriqueira ou uma fase que logo passará. Lembre-se ela é um teste e se você for aprovada, sua filha sempre repetirá este comportamento para satisfazer seus desejos, conseguir o que quer e expressar seu autoritarismo. Portanto, ajude sua filha a lidar com a frustração desde pequenina.
3-    Cuidados com suas atitudes: bater porta, gritar, deixar o outro falando sozinho podem ser atitudes comuns dos adultos dentro de casa. A criança é muito esperta e logo estará reproduzindo o mesmo modelo e as mesmas atitudes. Se quisermos que nossos filhos lidem com as frustrações precisamos ser o modelo!
4-    Evite dar grande importância as birras: se a criança percebe que seu comportamento não está trazendo benefício nenhum a ela, ou seja, ganhos secundário, a tendência do pequeno é desistir e ir fazer outra coisa.
5-    Todo ato tem consequência: a criança precisa entender que seus atos têm consequência. A consequência pode ser uma privação. Ser privada de um brinquedo interessante por um determinado período, não ver um desenho que ela aprecia ou outro que o adulto avaliar com bom senso.
6-    Flexibilidade não combina com rigidez: é claro que os pais devem ser firmes quando é necessário e as regras e limites foram feitas para serem cumpridas. Entretanto, isso não significa que os pais devam se tornar déspotas no cotidiano do lar. Algumas regras podem ser negociadas com as crianças. Cinco minutos a mais no quarto de brinquedos antes de dormir não vai causar um dolo a ninguém! Flexibilizar também é uma forma de aprendizado para os pequenos.
7-    Valorize os sentimentos da criança e sempre que possível dê nome a eles: dar nome ao que a criança está experienciando pode ser muito útil nas horas de birra e ajuda a reduzir o estresse da criança. É uma forma empática de nos colocarmos no lugar do pequeno e mostrar a ele que nós podemos entendê-lo. A criança pequena ainda está em fase de processo de aprendizado e muitas vezes precisa de um adulto para traduzir suas emoções.
8-    Distração pode ser a alma do negócio: criticar ou chamar a atenção da criança o tempo todo é contra producente e causa mal estar e baixa autoestima no pequenino. Vale a pena tentar distrair a criança em momentos que ela não consegue se acalmar. Isso vale para locais públicos ou em locais que possam chamar muito a atenção das outras pessoas. Tente fazer a criança rir, mostre algo interessante, ofereça um copo de água e se nada der certo, finalize o passeio ou o compromisso e volte para casa. Todavia, fale para ela porque você está tomando essa atitude.
9-    Mostre o ambiente ao redor e compare com a atitude de seu filho: mostre para a criança o ambiente ao redor. Ninguém está chorando ou fazendo birra, apenas você. Como a criança pequena só enxerga a si própria, é uma maneira de ajudá-la a se sintonizar com as coisas ao seu redor.
10-  Evite discutir a relação na hora da birra: no calor da birra a criança pode ficar cega, surda e muda. Aguarde ela se acalmar e converse sobre o acontecido com calma e demonstre segurança em sua fala.
11-  Criança adora elogio: sempre que possível elogie o bom comportamento de seu filho após ter sido chamado atenção por algo inadequado, principalmente após um ataque de fúria. Mostre a ela que vale a pena se comportar para poder ter em troca um passeio legal ou outro divertimento interessante.
12-  Prevenção é a alma do negócio: não leve seu filho ao parque, cinema, supermercado ou outro local com fome, sono, sede ou cansaço. A irritação vem logo e a birra será consequência de uma necessidade biológica não atendida ou postergada. Evite o inevitável!
13-  Criança pequena ainda não sabe se colocar no lugar do outro. Portanto, evite conversas longas ou mostrar o quanto ela prejudicou o passeio. Atente-se para o momento e mostre noções de causa e efeito – vamos embora por que você se comportou mal.
14-  Calma, paciência, tranquilidade: evite gritar, bater, xingar, chamar seu filho de feio ou malvado. Isso agride a criança e só a deixa mais estressada. Imponha limites com segurança e carinho.
15-  Se você quer que seu filho aprenda como lidar com o mundo e com as regras e limites que ele impõe, seja o exemplo. Gentileza gera gentileza – bom senso gera bom senso – equilíbrio emocional gera equilíbrio emocional.
16-  Birra não é publicidade: não queira ser o agente transformador da educação num passeio ao shopping Center. Deixe a vergonha de lado e reprove o mau comportamento de seu filho – todos os pais já passaram por isso e os que não passaram, provavelmente estavam anestesiados!

27.3.14

Brincadeira de criança


O imaginário e o desenvolvimento cerebral da criança na hora de brincar foi tema de evento da marca Mattel e virou um passo a passo com 8 curiosidades!!!
Está até na Convenção dos Direitos das Crianças, da ONU: brincar é um direito fundamental da criança. Além de ser diversão gostosa, brincar é importante para ampliar o imaginário e para o desenvolvimento cerebral. Tanta coisa bacana de se saber que a Mattel, fabricante dos carrinhos Hotwheels, organizou uma palestra. Enquanto as crianças se divertiam na pista montada no chão, a terapeuta infantil Regiane Glashan explicou às mães o importância dos meninos empurrarem os carrinho de lá para cá.
A Pais & Filhos esteve presente e compartilha os principais pontos que foram apresentados.
1. De dentro pra fora
O jeito que uma criança brinca diz muito sobre ser temperamento. Brincar, segundo Regiane, é uma forma de colocar para fora os próprios sentimentos. “É a ponte entre o mundo externo e o interno. A criança expressa através da brincadeira seus desejos, pensamentos e conflitos”, explica Regiane.
2. Criança mil em uma
“Crianças são verdadeiras gênias”, acredita Regiane. Para ela, durante a brincadeira a criança está estimulando seus vários potenciais: artísticos, criativos, lógicos e matemáticos. Puxar o carrinho de fricção para trás, por exemplo, faz a criança desenvolver a noção de espaço. “São essas brincadeiras que tornam a criança saudável física e mentalmente, e que vão fazer com que ela se insira em sua vida em sociedade”, diz.
3. Começando a brincadeira
O homem brinca desde que está na barriga da mãe, onde fica meio nadando. “Ali ele descobre que tem membros, lambe a parede do útero, brinca com o cordão umbilical, reage à voz da mãe e chuta a barriga. É um jogo entre mãe e filho”, explica.
Depois que o bebê nasce, a diversão continua. “É um jogo: sorri para todo mundo e o mundo responde, sorrindo para ele.  Enquanto mama também, brinca com o seio”, exemplifica Regiane.
4. Imaginação é o suficiente
Em uma sala, com apenas um sofá que seja, a criança dá um jeito. Ela solta a fantasia, pula para o chão e vai alguém convencê-la de que ela não é um super herói!  “A imaginação é o limite quando se quer brincar”, ressalta Regiane.
5. Pouco tempo também é suficiente
Não precisa se corroer de culpa se, na correria do dia a dia, você mal tem tempo para passar a tarde com seus filhos. “Alguns estudos mostram que se os pais dedicarem 30 minutos de atividade lúdica com os filhos -- que exclui as horas de comer, fazer lição e tomar banho --, estaremos suprindo as necessidades dele de brincar e imaginar  e as nossas de interagir com eles”, aponta Regiane.
6. Hora para cada coisa
Na hora de brincar vale tudo, mas hora de comer é de comer. Segundo Regiane, ambas as atividades exigem coordenação e atenção, e não é legal misturar as coisas.
O que fazer, então? “Se o jantar vai sair, a mãe deve avisar a criança que ela ainda tem 5 minutos para brincar. Assim a família estabelece limites juntos e a criança divide bem as tarefas do dia”, sugere a terapeuta.
Dar comida enquanto a criança assiste TV, por exemplo, pode até oferecer riscos de obesidade já que o foco sai do que se está comendo.
Mas sem neura. “Se o brinquedo for pequeno e a criança continuar interagindo com a família, não há problema nenhum em levá-lo para a mesa junto”, explica Regiane.
7. E tem fase (e companhia!) pra tudo
Até os 2 primeiros anos, a criança não sabe ainda compartilhar os brinquedos direito, por isso as brincadeiras às vezes acabam em brigas. “Ela não tem maturidade suficiente”, explica terapeuta.
Depois, na fase dos 3 aos 6 anos (conhecida pelos psicólogos por “representativa” ou “simbólica”), a criança a coisa muda. “Nessa fase é comum ela se identificar com ídolos, como o Super-Homem e o Homem-Aranha, e imaginar que um simples papel é dinheiro, por exemplo”, diz.
8. O papel da família na brincadeira
Por mais que você queira voltar a ser criança junto com seu filho, calma: é ele quem deve comandar a brincadeira. “Nós damos apenas o tempero”, orienta Regiane.
É o que a Pais & Filhos sempre reforça: a participação da família é fundamental para o processo de desenvolvimento da criança. Portanto, se seu filho é daqueles que não param quietos na hora da folia, aproveite para observar e ver como o mundo imaginário e emocional dele é colocado para fora. Se ele resolver abrir a caixa de brinquedos dele e fazer a maior bagunça no chão, ótimo! Olhe, brinque junto, entre na fantasia junto com ele e…  curta você também o momento.
http://paisefilhos.com.br/nossa-crianca/brincadeira-de-crianca
Por Mariana Meira, filha de Marisa e Celso

23.3.14

O irmãozinho chegou! A festa acabou???


Introdução
Para muitos pais uma nova gestação pode causar preocupação no que diz respeito ao que o filho mais velho vai sentir; quer relacionado aos sentimentos positivos, quer no que diz respeito ao tão famoso “ciúme”.
Os pais temem que seus filhos fiquem inseguros, perdidos em um mundo “esvaziado”, a final das contas, o universo era só dele. Num passe de mágica, para a criança, seu espaço vai ser dividido com um “cara” que ele não escolheu e muito menos pediu que viesse ao mundo (pelo menos na maior parte das vezes).
As crianças pequenas, e, por pequenas digo dois ou três anos, não gostam de partilhar suas coisas e seus objetos. Portanto, o que dirá ter que dividir os pais!
Por isso, pedir ao primogênito que ele ceda seus brinquedos, pertences e os pais ao irmãozinho que está chegando, não é uma tarefa fácil e o que fica, de imediato, é um sentimento de abandono e perda.
Tudo estava indo tão bem!
Mamãe e papai estavam sempre presentes só para me atender.
 Minhas coisas eram tão somente minhas e a casa tinha um belo espaço para eu transitar e me esbaldar!

Um turbilhão de emoções
Com a possibilidade de chegada de um irmãozinho, a criança começa a experienciar sensações desconhecidas. Sente que pode ser excluída, e, que a chegada do bebê significará a perda do “trono da real majestade”, mas ao mesmo tempo, que  ele poderá ser seu amigo.
Não estou afirmando que todas as crianças terão o mesmo grau de ciúme ou de sofrimento. Apenas que coisas assim podem acontecer.
Algumas crianças demonstram seu ato de repúdio, tornando-se mais chorosos e fazendo birras por situações banais. Outras ficam desobedientes, agressivas e se negam a realizar rotinas habituais.
Não é raro os pequenos voltarem a velhos costumes, dentre eles os mais comuns são: chupar chupeta, retornar a mamadeira, falarem de maneira mais infantilizada, etc. Parece que desaprenderam as coisas que os fizeram andar para frente.
Há também os que, mesmo após terem sido desfraldados, voltam a urinar na cama ou a pedir a fralda no momento de evacuar.
Comum também algumas crianças apresentarem alteração do sono, falta ou excesso de apetite e crises de ira.
Vale a pena lembrar que esses sintomas podem não surgir de uma vez só. Podem vir homeopaticamente.
Por que eles reagem dessa maneira?
É um ato de repúdio?
Querem se vingar por sentirem que não são mais preteridos pelos pais?
NÃO!
O comportamento tem um objetivo muito mais simples e delicado. Eles querem dizer com atitudes e comportamentos aquilo que eles não conseguem dizer em palavras: que precisam e querem muito a atenção de seus e demais familiares.
O irmãozinho, aos olhos da criança, pode ser muito ameaçador. Ele fica grudadinho na mãe o tempo todo e de quebra é gracioso e muito sedutor.
Como são ainda imaturos emocionalmente, as crianças precisam primeiro andar um pouco para trás para depois andarem com mais segurança para frente.
O caminhar para frente vai requerer uma boa dose de paciência, carinho, atenção e diálogo dos pais.
Por outro lado, o ciúme não é de todo ruim para o pequeno. A chegada de um irmãozinho proporciona a criança mais velha noções mais claras de limite, de divisão de coisas, de viver em sociedade e a modular sua relação afetiva com o meio onde vive.
As crianças menores, de dois ou três anos, embora apresente algum grau de autonomia, sentem-se ameaçadas ao ponto de regredirem um pouco em seu comportamento habitual. Já as crianças de três a seis anos interpretam a chegada do irmão como alguém que veio para tomar a atenção dos pais e roubar-lhe o espaço e o afetos de seus pais.

Gestação nos dias atuais
A vantagem de estar grávida nos dias atuais é que a gravidez costuma ser bem vinda e todos acabam  falando e participando da gestação a sua maneira.
Pensar que a algumas décadas atrás, a gravidez era motivo de sussurros, ocultação da barriga e pouco se comentava sobre o assunto perto das crianças.
Muitas acreditavam realmente que eram oriundas de vegetais (repolho, pé de couve), aves (cegonha), sementes (milho, feijão) e até de anjos que as traziam do céu.
Que bom que hoje as crianças desfrutam de um ambiente verdadeiro desde que a mãe descobre que está grávida pela segunda vez. As conversas são abertas e a criança mais velha entende que a barriga da mamãe cresce por que lá dentro existe um bebezinho.
A vantagem de contar desde cedo ao primogênito sobre a chegada do novo bebê, permite que ele vá se acostumando com a ideia de ter outra criança em casa.
É claro que existem situações que vão exigir um diálogo mais cuidadoso com a criança, principalmente se a mamãe já tiver tido histórico de abortos ou deficiência em manter com segurança a gestação.
Nesse aspecto, vale a pena os pais serem mais cautelosos antes de afirmarem a gravidez para o filho mais velho.

Sentimentos de quem chegou primeiro
A chegada do irmãozinho pode gerar sentimentos positivos e negativos no irmão mais velho
Essa pequena coisinha veio para tomar o meu lugar – Eu não sou suficiente para o papai e a mamãe. Agora tenho que dividir tudo!
O nascimento do bebê deve ser interpretado pelos pais como um processo que querendo ou não vai gerar alguns desequilíbrios naturais na vida da família, mas que leva a crescer e encarar a vida de outra maneira.
Se a vinda de uma criança a família é normal, porque o irmão mais velho fica tão ressentido?
O nascimento de um bebê, aos olhos do irmão mais velho, aparece como uma ameaça. Ameaça de perder o amor, carinho, afeto e atenção exclusiva de seus pais. Até agora todas as atenções eram voltadas para o primogênito.
Antes da chegada do irmãozinho a visibilidade dos pais e familiares era para o filho mais velho. Agora além de partilhar os cuidados básicos, ele terá que dividir a atenção das pessoas mais importantes de sua vida.
Como tudo isso é muito novo para o primogênito, algumas inseguranças e sentimentos novos emergem, e, entre eles o ciúme.
Até mesmo crianças maiores, que até pouco tempo demonstravam alegria e ansiedade pela chegada do irmãozinho, podem ter comportamentos reativos.
Outros afetos podem surgir alem do ciúme. A raiva e a ira advém da chegada de alguém, que ao olhar da criança mais velha, veio para tomar seu lugar. Se não bastasse os próprios sentimentos conflitantes do primogênito, os adultos, consciente ou inconsciente, acabam por reassegurar a “bronca” que o irmão está sentindo pelo bebê.
Os adultos fazem cara de maravilhados ao ver o bebezinho, comentam de sua beleza, elogiam suas habilidades e de quebra ainda oferecem presentes a quem nem fala, anda, brinca ou come sozinho!
O mais velho se sente um celofane. Ninguém o percebe!
Resultado?
A criança se sente desvalorizada, pouco prestigiada e desacolhida. Se sente de lado, pouco interessante e desagradável.
Só lhe resta fazer graças desmedidas, irritar os pais, punir o bebê e agredir as visitas, para que de alguma maneira seja vista.
É uma tentativa desmedida de ser acolhida e valorizada pelas coisas boas que ela, como uma criança grande, já sabe fazer (andar, falar, correr, comer e beber sozinha, etc).
Poucos adultos, ao visitar um recém-chegado, se lembram de levar um mimo ao irmão mais velho e dar-lhe uma atenção mais apurada.

Lidando com a situação
Antes da chegada do irmão
Procure manter um diálogo em conexão com seu filho.
Assim como os pais conversam sobre a intenção de terem um segundo filho, esse sentimento deve ser partilhado com o primogênito.
A chegada do bebê a família não deve ser de paraquedas. Amadurecer a ideia com o filho mais velho, acolher as emoções e os comentários e esclarecer as dúvidas, por mais banais que sejam, ajuda o primogênito a lidar melhor com a situação.
Envolva o irmão mais velho na gestação
Para que o ciúme não seja a regra na vida do primogênito, a vinda do bebê a família deve ser esclarecida desde o começo da gestação. Diga que o bebê vai chegar e precisará de um lugar para ele dormir, de roupas para ele não sentir frio, de leite morninho vindo das mamas da mamãe para alimentá-lo e que como todo bebê ele vai chorar.
Comente que o irmãozinho vai chorar. Não por que ele é chato, mas é que ele ainda é muito pequenino e não sabe falar. Sua única forma de pedir algo e se comunicar é por meio do choro. Que o choro do bebê quer dizer “eu preciso de...”.
Esclareça que o bebê nascerá pequenino, frágil e que só poderá brincar depois que ele crescer. Porém, a ajuda do irmão mais velho será fundamental em todo processo.
Seja sincera e mostre clareza no que diz respeito as mudanças físicas que seu corpo está passando, bem como as emocionais. As vezes, a futura mamãe fica estressada, mas isso não quer dizer que ela esteja doente ou cansada de cuidar da família. Apenas sinalize que “fazer um bebê” não é muito simples. Procure acalentar seu filho mais velho, tomá-lo nos braços e diga que você aprecia muito quando ele acaricia sua barriga, conversa com o bebê e  se deita ao seu lado para juntos fazerem uma boa soneca.
Aproveite alguns momentos do dia para contar historinhas sobre a chegada do novo irmãozinho, sobre como ele está se desenvolvendo dentro de sua barriga e que quando o bebê estiver preparado, ele vai nascer e trazer alegria ao lar assim como foi com ele – o irmão mais velho.
Encoraje seu filho a sentir os movimentos graciosos do bebê, acariciando seu ventre. Entretanto, não o obrigue a fazer o que ele não deseja!
Se você achar viável ou interessante, leve seu filho as consultas de pré-natal e em especial ao ultrassom. Dixe seu filho vivenciar com carinho sua gestação.
Aproveite os momentos na sala de espera de consulta para contarem historinhas, carregue os brinquedos que seu filho aprecia e faça brincadeiras simples e amorosas.
Convide seu filho para escolher o berço, as roupinhas e brinquedinhos para o bebê. Inicie a montagem de um álbum com fotos de seu filho mais velho desde a época que ele era bebê e deixe um espaço ao lado para adicionar as do irmãozinho que logo chegará. É uma maneira do primogênito entender que ele já foi pequeno e frágil como será o bebê que está por vir.
Se você planeja ceder o berço de seu filho mais velho ao bebê, o faça antes do bebezinho chegar. Dessa maneira o primogênito não se sentirá excluído e destituído de seu lugar de dormir. Converse com seu filho sobre as vantagens em dormir em uma caminha semelhante a dos adultos.
Aproveite para pedir sugestão de nomes ao seu filho mais velho. Comente sobre os nomes que você e seu parceiro mais gostam e envolva a criança no processo de escolha.
Convide o papai para participar mais das atividades de seu filho: banho, passeio, lazer, etc., para que você passe a ir se desligando lentamente e criando um espaço para cuidar do novo membro que está chegando e ao mesmo tempo proporcionando uma relação mais  íntima entre seu filho mais velho e o papai.
Se possível, introduza hábitos de higiene antes do bebê nascer. Escolinha, não espere o recém-nascido chegar para matricular o primogênito. Escolha um lugar afetivo que vá de encontro as necessidades e crença dos pais, e, que ao mesmo tempo seja acolhedor para seu filho. A escola será uma boa oportunidade para a criança vivenciar a divisão, a partilha de objetos e a atenção de um adulto (professora).
Com a chegada da data provável do parto, comece a preparar seu filho mais velho para o fato de você precisar passar por algum tempo na maternidade quando o bebê chegar. Peça a ajuda dele para arrumar sua mala e a malinha do irmãozinho.
Caso você opte pelo parto domiciliar, procure conversar com o primogênito  e diga como as coisas vão acontecer numa linguagem apropriada a idade dele.
De qualquer maneira, tenha ao seu lado uma pessoa que esteja familiarizada com seu com seu filho para ajudar no grande dia!
Portanto, procure fazer as grandes mudanças que você planeja com seu filho mais velho bem antes do bebê nascer: escolinha, quarto, cuidadora, entre outras para que o mesmo não se sinta desconfortável.
Após a chegada do irmão
Pausa para a reflexão
Após o nascimento do irmãozinho, não descuide daquele que, até o momento, ocupava todos os espaços do lar. Eleve a autoestima de seu filho, potencialize suas qualidades e as vantagens de ser o irmão mais velho.
Procure integrá-lo nas tarefas simples do cotidiano, como, guardar os brinquedos, ajudar a colocar a mesa, trazer um sapato confortável para a mamãe. Se possível, introduzi-lo em cuidados básicos com o bebê: pegar a fraldinha na gaveta, buscar um pequeno objeto esquecido sobre a cômoda, e outros. Essas atitudes ajudam o irmão mais velho a se sentir útil, esperto e importante para seus pais e irmãozinho.
Assim que seu filho se sentir seguro e confiante do amor e carinho de vocês, bem como valorizada na família onde vive, o ciúme tende a diminuir e a aceitação do irmãozinho cada dia será mais positiva.
Os pais precisam demonstrar interesse pelas atitudes do primogênito e tentar entender os momentos de ira e raiva que ele exibe em determinadas situações. Quando a criança se sente compreendida e amada ela tem mais confiança em colocar seus sentimentos para fora sem que se sinta destruída ou que esteja destruindo as pessoas que ela ama.
O que fazer logo de início
Procure reservar um momento do dia para interagir com seu filho mais velho. Não precisa ser horas a fio. Pode ser uma hora para contação de história, assistir a um programa infantil que ele goste, pintar ou brincar de algo que ele aprecie e que aproxime vocês dois.
O pai também é muito importante nessa hora. Ele ajuda a mamãe a aliviar a tensão e a proporcionar momentos divertidos ao primogênito. Um passeio ao zoológico, uma farra a dois na pracinha ou outra brincadeira que ajude a desprender o primogênito um pouco da mamãe e ao mesmo tempo estreitar o vinculo com o papai.
Mostre ao seu filho as vantagens que ele tem em ser maior que o bebê e reforce o quanto o papai e a mamãe apreciam a fase que ele está. Procure ser tolerante com as possíveis falhas e reações negativas de seu filho e mantenha a rotina para que seu filho não se desorganize ou se desestruture.
Não atribua responsabilidades ao primogênito que ele ainda não tem competência para cumpri-las. Do contrário, esse tipo de atitude pode gerar culpa, raiva e sentimento de incapacidade e incompetência.
Dê carinho, colo, abrace e beije muito seu filho mais velho e reduza a sensação de que o irmãozinho chegou para tirar seu lugar.
Por outro lado, evite mimos desnecessários: dormir na mesma cama, faltar a escola, comer fora de hora ou alimentos pouco saudáveis, negar hábitos de higiene, etc.
Ajude seu filho a lidar com o ciúme
Alem de pensar em seus filhos, pense em voce também. Não raro, a mãe se culpa por não poder dar a mesma atenção que dá ao bebê e ao primogênito. Elaborar esses sentimentos, de não estar dando conta de tudo, vai ajudar muito a lidar com a nova situação e a equilibrar melhor as emoções. Não poupe ou negue ajuda, simplesmente aceite! Altruísmo e capa de super não a levará muito longe, pelo contrário, o cansaço e a exaustão a deixará sem energia para dedicar a sua família.
O irmão mais velho sentir um pouco de ciúme e competir com o irmãozinho que acabou de chegar é esperado. Na hora da crise de ciúme, avaliar a situação e ponderar o quão difícil está sendo para a criança é sempre bem vindo. Afinal das contas, “dividir bens” não é fácil para os adultos; o que dirá para os pequeninos.
Procure estimular o amor e o afeto entre os irmãos e evite comparações do tipo “O bebê mama mais que você quando era pequeno”; “O bebê nasceu maior e mais gordinho que você”; “O bebê é mais bonzinho que você”.
Atente para o fato de que sentir ciúme é normal e que o próprio sentimento pode deflagar uma competição sadia que no fundo ajuda os dois irmãos a crescer. Não estou negando o “sofrimento” do irmão mais velho, apenas que o processo facilitará que ambos procurem uma forma de delimitar e alcançar seu espaço na família.
A probabilidade do primogênito receber seu irmãozinho com certo grau de raiva e agressividade é esperado, por isso, toda observação nesse período é bem vinda e recomendável. Não afirme para a criança que ela está sendo má ou feia. Simplesmente, diga que sua atitude não está correta e que o irmãozinho merece amor e carinho.
Tenha paciência e procure reservar um período do dia para contemplar algumas atividades com o irmão mais velho e não esqueça de inserir o papai nas atividades de vida diária e brincadeiras.
Elogie as boas atitudes e os progressos do irmão mais velho e principalmente os passos que ele dá rumo ao amadurecimento.
Retome o álbum de fotos que você preparou (conforme orientado anteriormente) e relembre o quanto ele também era bonito e adorável como irmãozinho. Comente o quanto ele já cresceu e quantas coisas ele pode fazer que o irmãozinho ainda não pode. Reforce as qualidades dele e a autoestima.
Procure adquirir brinquedos que dê vazão a agressividade e a energia contida, e nesse aspecto, a massa de modelar, material de desenho livre, tambor, bola, boliche e outros podem ajudar muito.
Não tente calar a voz do irmão mais velho a todo momento, dizendo que o bebê precisa de silencio e calma para dormir. Recorde que os recém-nascidos dormem com pequenos barulhos.
Tente mostrar ao irmão mais velho que cada “gracinha” que o irmãozinho faz é para chamar a atenção do irmão mais velho e demonstrar o quanto o bebê gosta dele e aprecia o convívio familiar. Essa atitude ajuda a neutralizar um pouco o ciúme do primogênito.
Tenha de reserva alguns presentinhos embrulhados dentro do armário para entregar ao primogênito, caso a visita presenteie somente o irmãozinho e se esqueça de levar um mimo para o mais velho.
Traga para perto o irmão mais velho para prestar cuidados simples com o bebê. O momento da higiene se presta muito bem para isso. Peça para o primogênito trazer o sabonete e o pentinho para o bebê. Peça para a criança pegar a toalha na gaveta e outras atividades simples. Agradeça e elogie a boa vontade de seu filho.
Embora você esteja tentando inserir o irmão mais velho no cotidiano do irmãozinho, não force seu filho a fazer o que ele não quer. Ele não é obrigado a “cuidar” do irmãozinho se ele não o deseja. A criança pode se sentir sobrecarregada e excluída, ou mesmo, só se sentir aceita por seus pais se ela agradar o irmão mais novo.
Assim que o bebê for liberado para sair de casa e passear, promova alguns passeios que envolva a família como um todo e faça desse momento algo leve e prazeroso. Não precisa ser um passeio longo, apenas desfrutem de “uma horinha” em família.
Não tente compensar a chegada do irmãozinho oferecendo atenção excessiva ao primogênito. O recém-chegado precisa de atenção e de uma mãe devotada comum para se desenvolver dentro de um ambiente sadio e amoroso. Tempero e bom senso são as palavras de ordem nesse momento.
Diante de um comportamento inadequado do irmão mais velho não se exalte ou se desespere. Procure mostrar que você não aprova o comportamento da criança em tom de voz seguro e sem agressividade. Converse de maneira assertiva com seu filho mostrando o porquê de você desaprovar determinada atitude ou comportamento de seu filho. Procure não agir com violência física e psicológica.
As birras terão mais expressão nessa fase, o que vai exigir calma. Quando possível ignore o comportamento inadequado de seu filho. Mostre que as atitudes positivas da criança geram muito mais atenção do que as negativas. Co o tempo ela vai notar que vale a pena ser recompensada pelas coisas boas e bacanas que ela faz. Contudo, lembre-se que seu filho mais velho é só uma criança. Não exija mais do que ela tem maturidade para oferecer.
Não espere seu filho choramingar ou ter ataque de raiva para ter sua atenção. Aproveite os períodos calmos do bebê e ofereça um “chamego” para seu filho mais velho. Prepare uma refeição que ele aprecia ou um suco diferente.
Propicie momentos de intimidade entre o irmãozinho e o pimogênito. Os dois podem fazer uma boa soneca ouvindo musica ou historinhas suaves contadas pela mamãe ou o papai.
Quando possível, deixe os dois brincarem. Coloque o dedinho de seu filho na palma da mão do bebezinho. Por reflexo, o bebê tenderá a apertar o dedo do irmão. Essa atividade pode ajudar o irmão mais velho se sentir prestigiado e querido pelo irmãozinho. Peça para o primogênito ajudá-la a fazer uma breve massagem no bebê e mostre como ele aprecia o movimente, ficando quietinho e até caindo num sono relaxante.

Sumário da representação do ciúme
O ciúme é uma reação normal que de uma forma ou outra aparecerá durante a relação fraternal.
É uma mistura de carinho e raiva, difícil de entender pelas crianças pequenas.
É muito útil deixar a criança mais velha saber que é normal sentir sentimentos conflitantes e devidamente nomeados pelo irmãozinho mais novo.
Atenção amorosa e direcionada ao irmão mais velho é fundamental para que ele se sinta amado, aceito e com boa autoestima.
As crianças apresentam um bom comportamento quando se sentem seguros do amor dos pais e recebem carinho e aprovação deles.
Com o passar do tempo, o irmão mais velho tenderá a aceitar o irmãozinho, a lhe dar afeto, cuidado e atenção.