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4.3.14

Leitura: um mundo compartilhado entre mãe e filho


“Era a Chapeuzinho Amarelo. Amarela de medo. Tinha medo de tudo, aquela chapeuzinho. Já não ria. Em festa, não aparecia. Não subia escada nem descia. Não estava resfriada mas tossia. Ouvia conto de fada e estremecia. ...” (Chapeuzinho Amarelo, Chico Buarque. Ed José Olympio, 2011)

A leitura pode estreitar o vínculo mãe-bebê desde a barriga e proporcionar momentos de intensa intimidade e prazer. Quando a mãe inicia o processo de leitura junto a o seu filho, mais do que entreter, a mãe convida seu bebê a mergulhar num mundo de sensações.
Dentro do útero, por volta da vigésima semana, o bebê já percebe a diferença de entonação de voz e da frequência respiratória quando a mãe pratica a leitura. Nesse período, o bebê ainda é um leitor “ouvinte”.
A música e a leitura convidam o pequeno bebezinho a ingressar no mundo das diferentes tonalidades. É claro que ele ainda não entende o conteúdo da historinha e muito menos sinalizará preferência por  Mozart ou Chopin. O importante do momento é compartilhar a atenção e o carinho da mãe voltada ao seu filho.
Quando maiores, as crianças são convidadas a penetrar  num mundo de sonhos e fantasias – de criatividade e imaginação. A leitura para as crianças favorece o entrosamento com diferentes culturas, com as artes e com a realidade que as cercam.
Muitos autores enfatizam que ler para uma criança pode ser entendido como uma necessidade básica. Como uma forma de trabalhar a curiosidade e o interesse pelo mundo a sua volta, dando tons e coloridos ao mundo imaginário infantil.
Sem curiosidade, fantasia e imaginação o brincar se torna árido e pouco atraente para a criança. Nesse sentido, os livros infantis proporcionam uma inundação de estímulos positivos no imaginário infantil.
A leitura infantil não deve ser rígida. Não importa se é um livro de história, um livro de poemas infantis ou mesmo um trava línguas. Não há uma receita de certo ou errado, o que vale é o ritmo e a musicalidade que a obra impõe ao futuro leitor.
As crianças se interessam mais pela leitura quando seus pais introduzem o hábito de ler precocemente. De início, as crianças gostam quando seus pais leem para elas e dramatizam a leitura. Dão vida aos personagens, inventam musicas para dar pano de fundo ao conteúdo e num piscar de olhos, o corpo também se move junto com as páginas do livro. Parece até uma orquestra de sons, movimentos, gestos e palavras.
Como uma criança pode não se apaixonar pela leitura!
Assim que o bebê cresce, os pais devem permitir que ele manuseie os livrinhos, principalmente aqueles que oferecem estimulação tátil e sonora.
Conforme a criança cresce a leitura pode ir fazendo parte de um ritual, como o de dormir. É um momento de intimidade e relaxamento junto aos pais. Um detalhe importante a ser assegurado é que na primeira infância o conhecimento do mundo chega por meio dos sentidos e do afeto e a leitura promove esses dois conteúdos.
A criança imersa em livros infantis vivencia um mundo diferente. Durante a leitura dos livrinhos, os pequenos criam expectativas, criam mistérios e aventam hipóteses sobre o final da história. Treinam o imaginário para ir além!
Até o primeiro ano a leitura é pura brincadeira experiencial: texturas, cores e formas. Dos quinze meses aos três anos de idade, a criança começa a associar os objetos a seus nomes. As ilustrações ganham um tom especial e convidativo aos pequenos. A linguagem e o aprendizado de nomear objetos e retê-los na memória é uma função do lobo temporal e como tal precisa ser exercitada e aprimorada.
Contar com a ajuda dos pequenos para criar um espaço bacana e montar uma pequena biblioteca  é uma estratégia importante para formar os leitores de amanhã. Vale os livros de histórias clássicos até os mais contemporâneos.
E ai? Já leu um livrinho para seu filho hoje?!


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