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24.7.14

Os filhos precisam dos pais


Temos o impulso de cobrar atitudes e comportamentos de nossos filhos, as quais nem sempre somos capazes de cumpri-las e dar o devido exemplo. Não acredito que todas as mães ou pais são sempre solícitos com as pessoas a sua volta, pois, tem dias que a pressa e os problemas do cotidiano cegam nossos olhos e nossa alma.
Imagine uma mãe assoberbada com as tarefas do lar, com os compromissos de trabalho ou com os estudos, descobre numa manhã conturbada, que o aquecedor do chuveiro quebrou e que o serviço de manutenção só poderá vir em dois dias. Tenho certeza, que qualquer mãe ficaria aborrecida e em pensamento diria: meu Deus que caos, teremos que tomar banho de canequinha ou na casa de algum amigo ou parente. Provavelmente iremos ficar muito descontentes e poderemos até soltar um “palavrãozinho”, mesmo que em pensamento, não é?.
Como é possível notar, nós, assim como as nossas crianças também nos destemperamos em algumas circunstâncias. Mesmo nos intitulando adultos e maduros. Emocionalmente, nem sempre nos comportamos como verdadeiras “ladies ou lordes”. Temos uma tendência em “deslizar na maionese”, não é?
Temos sentimentos e emoções de descontentamento em enumeras circunstâncias da vida, e, nossa reação não exclui a raiva, a impaciência, a intolerância e até uma crise de birra semelhante à de nossos filhos.
Tenho observado, em atendimentos com famílias, que muitas vezes a raiz dos destemperos infantis está na inabilidade das crianças em manter o autocontrole. Calma, não estou afirmando que as crianças devem nascer prontas no quesito “controle emocional”, porém, as crianças não estão sendo amparadas por seus pais para desenvolver o tal controle.
Por vezes, uma criança é mal comportada ou mal educada por ser imatura para lidar com as situações que a família ou o ambiente está lhe impondo. Muitas crianças demonstram alguns comportamentos que não toleramos, e, alguns deles estão relacionados à própria imaturidade da criança. Por imaturidade emocional me refiro à dificuldade que os pequenos podem ter para administrar suas emoções mais difíceis, e, no topo delas está a raiva, a ira, a frustração e por que não a vergonha.
Algumas crianças quando entram em contato com essas emoções ficam tomadas por atitudes e comportamentos de desespero, e, reagem a elas chorando, gritando, agredindo, provocando quem está ao seu redor. Elas podem ficar teimosas e arredias.
Precisamos nos atentar que todas as crianças não nascem prontas para a vida. Elas precisam de tempo para amadurecer. Assim como os frutos precisam de um solo nutridor, boa quantidade de água e luz, as crianças também precisam de um ambiente que favoreça seu amadurecimento, e, esse ambiente se chama Lar.
Mesmo as crianças mais “boazinhas”, tidas como calmas, de bom temperamento, também não nascem prontas para a vida. Elas precisam de uma boa “incubadora” de pais.
Quando atentamos para o fato de que as crianças não nascem já formadas para o mundo, acho que nos permitimos desconstruir paradigmas, crenças e tabus de que elas não precisam de atenção constante para moldar sua autoestima e sua inteligência emocional.


9.7.14

Quem é essa criança para me desafiar!


                As crianças de cerca de dois e três anos são muito espertas, ativas e inteligentes, elas estão descobrindo o mundo ao seu redor, e também, que são pessoas com certo grau de autonomia e independência em relação aos seus cuidadores. Elas falam, andam, sobem, descem, se alimentam sozinhas e brincam com desenvoltura de diversas maneiras.
Com essas características elas estão se despedindo da total dependência de seus pais e no caminho da independência relativa. Embora as crianças tenham certa “autonomia”, elas ainda são imaturas para controlar seus sentimentos e emoções. Resumo da história: elas precisam de seus pais para ajudá-las a modular suas emoções, contemporizar suas querências e a entender a firmeza de um NÃO.
Como pais amorosos e responsáveis, temos o dever de ajudar nossos filhos a lidar com as emoções fortes. Não é uma tarefa fácil, porém, vale a pena o investimento. As crianças pequenas apresentam dificuldades em lidar com o sentimento de perda, raiva, vergonha, culpa, ira, dentre outros. Por outro lado, as crianças mais velhas oscilam a expressão de emoções de situação para situação, indo do 8 ao 80 em fração de segundos. Por exemplo, se alegram muito com um carrinho novo, contudo, podem jogá-lo ao chão se perceberem que a rodinha não está girando, são capazes de dizer, em alto e bom som, que não o querem mais.
Se as coisas funcionam assim, de maneira previsível dentro do mundo infantil, é papel dos pais e cuidadores auxiliarem os pequenos a lidar com suas emoções. De início parece tudo muito simples. O problema surge, quando as crianças começam a desafiar o adulto para satisfazer seus desejos. Elas podem partir de uma crise histérica (chorar, gritar, esperniar, se jogar ao chão, arremessar objetos, etc) até virar o jogo e pedir a ajuda do adulto para corrigir um erro ou um engano.
Entre o isso e o aquilo, existe uma longa distância, e é ai que os pais amorosos e responsáveis entram em ação. Eles ajudam seus filhos a modular o autocontrole e estimulam o desenvolvimento da inteligência emocional. É um árduo trabalho que exige atenção, competência, dedicação e amorosidade dos pais.
Como lidar com o comportamento desafiador das crianças?
A criança costuma ser desafiadora quando ela não maneja satisfatóriamente seus sentimentos, ou, não obtém suas necessidades atendidas. A maioria dos comportamentos desafiadores dos pequerruchos costuma ocorrer na fase préescolar, e, para tanto algumas sugestões quero deixar nesse artigo.
O hábito da leitura ajuda muito as crianças. Ler para os pequenos não só ajuda a ampliar o linguajar, o vocabulário, a noção de causa e efeito, a introdução de valores éticos e morais, mas também propicia, por meio da vivencia dos personagens, um pano de fundo para as crianças expressarem seus sentimentos, prever ou traçar hipóteses para o desfecho da história, e colocar-se no lugar do outro, ou seja, a famosa empatia. A leitura na companhia dos pais promove um ritmo interessante na relação devolvendo na dupla de leitores calmaria e estreitamento do vínculo afetivo.
Ensinar as crianças a lidar com a raiva e a frustração é outro ponto importante dentro do rol das emoções. As crianças pequenas têm muita dificuldade em lidar com elas – elas vivem sob o princípio do prazer. Assim, quando seu pequeno estiver enfurecido, com muita raiva, tristeza ou frustrado, nunca negue seus sentimentos. Apenas revalide-os e tente mudar o foco da questão. Essa simples atitude ensina a criança, que existe outra alternativa para expressar os sentimentos sem ferir, machucar ou maltratar o outro.
Mostre que esperar a vez faz parte do cotidiano de qualquer pessoa e para isso você pode usar exemplos simples: você pode dizer ao seu filho “brinque por mais cinco minutos e depois vamos para o banho”. Torne o “tempo” concreto por meio dos ponteiros do relógio ou mesmo de um timer lúdico.
Permita que seu filho demonstre o querer e a fazer suas escolhas. Para tanto, ofereça opções determinadas: duas ou três peças de roupas, duas opções de alimentos, etc. Isso ajuda a criança a desenvolver o seu poder de escolha, autonomia, confiança, competência e responsabilidade por suas decisões.
Ajude seu filho a desenvolver habilidades para o autocontrole. Jogos de tabuleiro, pular corda, esconde-esconde e outras atividades atraentes aos olhos da criança, auxiliam o pequeno a aprender a esperar por sua vez.
Desde pequenino é importante que as crianças desenvolvam o senso de cooperação, do diálogo em conexão com seus pais, e ter a consistência de suas atitudes.