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31.8.14

Se o tapa não educa o que fazer então?


Com a lei da palmada muitos pais estão confusos sobre como disciplinar seu filho – “O que posso e o que não posso fazer”.  Porém, uma coisa é certa, violência não educa e sim machuca.
Você já pensou que até dois anos seu filho era uma gracinha, um docinho, um amor de criaturinha? Pois bem, até esse momento ele ainda era um bebê. Com a chegada dos famosos “Dois”, a criança vai se percebendo separado de sua mãe, e, como tal tem seus próprios desejos e sua intenção é se tornar cada dia mais independente; mesmo dentro de uma dependência relativa.
Com o desenvolvimento das crianças, suas agendas ficam cada dia mais complexas: brincar, escolinha, tarefas extracurriculares, etc. O preencher de atividades na agenda das crianças pode gerar um distanciamento da comunicação cuidador-criança. O tempo se torna escasso para o brincar e para o diálogo em família, sem contar que a maturidade emocional dos pequenos ainda é frágil para lidar com as necessidades do cotidiano. O cuidador fala e a criança não escuta!
Sei que, como pais, queremos filhos felizes e de bem com o mundo que os cerca. Para isso, não podemos simplesmente jogá-los “ao mundo”. Precisamos agir sobre o processo, corrigindo comportamentos inadequados, tirando proveito de uma determinada situação para ensiná-los como fazer melhor ou de outra maneira, ajudá-los a praticar o autocontrole das emoções mais complexas, e, acima de tudo manter uma relação de cumplicidade e reciprocidade.
Às vezes, nossos filhos se tornam intoleráveis. Podem estar cansados, com fome, com sono e a resposta é um belo ataque de nervos. Nesse momento vale a pena esperar ele se acalmar, sob a supervisão dos pais ou do cuidador e afirmar-lhes que não podemos ter tudo que queremos e que muito melhor de que gritar, esbravejar; é falar como estamos nos sentindo.
Ajudar a criança a colocar em palavras sua ira, raiva ou decepção é muito mais interessante do que ter crises explosivas e chutar. É claro que isso exige paciência, treino, perseverança e ... muita persistência!
Educar os filhos não é uma tarefa simples. Ela é repetitiva e pode até parecer que estamos sempre falando e fazendo as mesmas coisas. Sinto lhes informar, mas a criança precisa de repetição assim como os adultos. Nem sempre fazemos tudo de maneira correta e esperada. Sofremos alguns escorregões e contamos com alguém para chamar nossa atenção!
Ensinar / educar uma criança não é uma responsabilidade isolada que pode ser efetuada em módulos. Educar exige constância e continuidade – significa ensinar as mesmas lições por vezes, porém, sempre com pitadas diferentes de tempero. Uma hora precisamos ser mais firmes. Em outra podemos baixar a guarda e sermos mais flexíveis. Fazemos isso para ajudar a criança a assimilar os princípios éticos e morais regidos pela sociedade em que ela vive.
Lembre-se que não é porque uma criança aprendeu o que é certo que ela vai fazer sempre o certo. Assim como nós, adultos, falhamos em descumprir alguma regra, ela também pode dar algumas derrapadas. O importante é estarmos ao lado dela para ajudá-la a compreender o que é certo e o que é errado.

Se pensarmos antes de agir tempestivamente com as crianças pequenas, vamos entender que corrigir um comportamento inadequado de imediato ajuda os pequeninos a lidarem com os sentimentos e a fortalecer a inteligência emocional. Com isso, estaremos construindo com nossos filhos um relacionamento de confiança e de credibilidade.

25.8.14

Você acha que as tensões familiares podem afetar os filhos?


Tenho observado que não só os conflitos do cotidiano podem afetar as crianças, mas também o humor de seus pais.
Pais pouco sensíveis, pouco disponíveis, e, com humor questionável, podem se distanciar de seus filhos, e, dificultar o entendimento dentro da família.
Pais, com algum grau de depressão, apresentam dificuldade em manter um diálogo em conexão com as crianças, pois, perdem muito da sutileza em detectar as necessidades afetivas básicas e ao mesmo tempo aparece um encurtamento da demonstração de afeto e sentimentos.
Alguns trabalhos têm demonstrado que a depressão paterna promove um isolamento importante dos filhos. Em contrapartida, a mãe se sente compelida em compensar o “distanciamento” do pai, se aproximando mais das crianças na tentativa de suprir a figura paterna.
Esses mesmo estudos apontam para os efeitos colaterais, que as relações conjugais tensas, podem desempenhar dentro da família. A criança pode sofrer quieta com o problema, e, os pais, por sua vez, deixam de  perceber as necessidades reais da infância (emocionais e atividades gerais de vida diária).
O mais interessante é que esses mesmos estudos demonstraram que a depressão paterna acaba tendo um efeito peculiar no casamento. Além de sobrecarregar a esposa nos cuidados com os filhos, essas mesmas mulheres apresentam a tendência em compartimentalizar seus sentimentos, sublimando suas reais necessidades e desejos. Ao mesmo tempo em que se tornam criticas em demasia com seu parceiro e costumam privar as crianças dos problemas mais simples do cotidiano.
Outro dado interessante é, que pais deprimidos podem se sentir mais inseguros em relação ao próprio matrimônio, e, por isso, têm mais dificuldade em se apegar aos filhos, com o receio de uma eventual separação de suas companheiras.
A importância do trabalho foi apontar para as diferentes formas de reação no comportamento de um dos cônjuges, frente à depressão, perante os filhos, e, que as crianças não saem ilesas da depressão de um dos pais.
Mesmo a mãe tentando compensar o vinculo friável dos pais com os filhos, durante estados depressivos, é provável que as crianças sofram com o distanciamento emocional do progenitor, e, isso possa atuar como fator estressante, de maneira a favorecer sintomas de ordem social e psicossomática: indisciplina, dificuldade de interação social, alergias, dores de barriga, dor de cabeça, entre outros.

Uma coisa é certa, se a depressão entre um dos parceiros é corrente e os conflitos relacionais são tamponados por um dos cônjuges é provável que um dia as crianças apresentem a conta aos pais.

14.8.14

Pensei que eu fosse dar conta de tudo!

         Com tantos programas de TV, revistas, sites e outras mídias a mamãe de primeira viagem passa a acreditar, que cuidar de seu bebê será sempre descomplicado (meio ilha da fantasia). Não quero induzir as futuras mamães, que a tarefa de assistir ao primogênito será difícil, porém, se evitarmos algumas situações que despontam no cotidiano, os cuidados poderão ser muito mais amenos e prazerosos.
A maioria das mães, ao receber seu bebê nos braços, pensa que de agora em diante seu tempo será exclusivo para o pequenino. De início, isso é verdadeiro. O nenezinho precisa da mãe de corpo e alma voltada para ele. É claro que nos primeiros meses repousar ou tirar uma boa soneca será complicado. É só começar a relaxar, que um chorinho logo aparece. Surge como um pano de fundo para nos lembrar, que precisamos fazer algo pelo bebê.
Por outro lado, existem situações, que não podemos baixar a guarda, uma delas é a alimentação. Mamãe bem alimentada é coisa séria! A mãe precisa de um aporte nutricional adequado e saudável para seguir com a amamentação.
Não dá para ir a academia? Não se desespere. Um passeio agradável com o bebê no carrinho pode atenuar a falta de exercícios físicos. A saída de casa e um bom ar fresco ajudam mãe-bebê a recuperar o fôlego e assegurar um tempinho para relaxar a mente.
Quem não sonha com o quarto do bebê bem arrumadinho, decorado em tons coloridos, que atraia muita alegria ao recém-chegado. Lembre-se de um detalhe, o excesso de adornos no quarto do bebê pode ser superestimulante para o pequenino, além de reter pó, que predispõe a alergias e ao nariz entupido. Objetos dentro do berço também devem ser levados em consideração. Podem provocar sufocamento!
Na hora do soninho, a posição “barriguinha para cima” é recomendada pela sociedade Brasileira de pediatria para evitar a morte súbita.
O que o bebê precisa em seu começo de vida é de muito amor, carinho, proteção, e, de um ambiente calmo, limpo, arejado e apaziguador.
Não caia no conto do vigário, de achar, que o bebê só chora quando tem fome. Ele chora para se comunicar. Como o pequeno não sabe usar as palavras ou apontar para algo que deseja, o choro pode ser entendido como “eu preciso”. Eu preciso de um bom leitinho morno, de descanso, de ter minhas fraldas trocadas, de um colinho e aconchego, etc.
Evite ser tão exigente com você mesma na busca da perfeição com os cuidados de seu lar. Procure relaxar e vivenciar com alegria e leveza a maternidade.
Valorize as fases de evolução de seu bebê e permita se desconstruir a cada aquisição ou sorriso de seu filho. Observe como ele toca sua pele quando mama, como ele olha para seu rosto e como ele se amolda em seu corpo. Parece dois em um!
Não é raro que o grande entrosamento mãe-bebê, possa sem querer, deixar o papai um pouco de lado. Pai é tão importante quanto à mãe. Ele só não engravida e dá a luz. Estimule-o a participar da rotina da criança e o inclua nas atividades importantes do bebê. Demonstre o quanto ele é necessário para vocês dois. Não seja tão controladora, pois, o papai pode cuidar tão bem do pequeno quanto você. Ele apenas o faz de uma maneira diferente!
Até o fim do primeiro trimestre, o bebê costuma acordar a cada duas ou três horas para mamar e dorme nos intervalos. Todavia, não se esqueça, que o bebê não está congelado num ciclo dorme-acorda-mama. Ele apresenta picos de crescimento e desenvolvimento físico e mental. Sempre que esses picos acontecem é possível que haja repercussões sobre o sono, o apetite e o humor.
O que fazer? Paciência, paciência e paciência!
Respeite as necessidades do bebê e reflita sobre o bom trabalho que você tem feito com ele.
Procure suas amigas, mas não fique comparando seu bebê aos delas. Cada bebê tem seu ritmo, seu tempo de amadurecimento e os picos de desenvolvimento são flexíveis. Na dúvida, aborde os questionamentos com seu pediatra, leia matérias confiáveis e livros de boa referência. Não de ouvido as comadres “bem intencionadas”.
Não seja altruísta, aceite ajuda nos meses que seguem após o nascimento de seu filho. Divida as atividades com as pessoas de sua confiança. Distribua tarefas com as pessoas solicitas e solidárias.
Confie em seu instinto materno, no fundo as mães sabem o que é bom para sua cria e esse instinto ajuda as mães a se ligarem positivamente aos seus bebês e, assim, criarem uma fonte nutridora e segura de amor, carinho, amizade e confiança.
Relaxe e na dúvida, lembre-se que os tempos tão gostosos e dedicados ao bebê não voltam mais e essa fase poderá ficar em nosso imaginário para sempre, povoando nossa mente e nosso coração de amor, carinho e uma vontade imensa, que um dia, esse momento possa voltar em nossas recordações afetuosas.

8.8.14

Se eu pudesse fazer tudo novamente (criação dos filhos)!!


Qual pai ou mãe nunca pensou: ah! Se eu pudesse fazer tudo novamente...
Eu corrigiria tal coisa, eu não faria aquilo, eu não teria dito aquela frase, eu, eu, eu. Um monte de “eus” cheio de culpa e ressentimentos.
A maioria dos pais quer acertar com seus filhos, proporcionar-lhes um bom suporte para o desenvolvimento físico, mental, biológico, para que eles sejam felizes, alegres, bem sucedidos e inseridos no mundo que os cercam. Todavia, logo no primeiro ano de vida da criança, pai e mãe percebem que não existe uma receita precisa e infalível para criá-los. Logo a receita cai por terra, pois, o que se adapta a uma criança não se adapta a outra necessariamente.
Algumas crianças são suaves e fáceis de lidar. Outras apresentam um temperamento mais incisivo e exigem uma participação mais eloquente de seus pais. Quando isso passa a ser motivo de discussão nas salas de espera de pediatras, o bolo pode passar do ponto e queimar, ou, ser retirado do forno antes do tempo. Muito mais que ouvir conselhos sobre criação dos filhos, eu acredito, que ouvir o nosso coração é mister.
Enfocar os momentos que desfrutamos ao lado de nossos filhos é mais importante que promover uma agenda cheia de atividades aos pequeninos, sem tempo para a criatividade, a espontaneidade, a fantasia, o brincar e o ócio, a mente das crianças empobrece. Adoro momentos de pernas para o ar com os pequenos, sempre aparece uma frase, uma palavra, uma sugestão inesperada, que rende bons momentos de gargalhada. No não fazer nada, podemos dar azas a inteligência.
Quando estamos de corpo e alma com as crianças, em qualquer atividade lúdica, esquecemos regras, podemos nos soltar e sair da posição enrijecida de comando.
Quebrar regras, de vez em quando é saudável para ambas as partes: pais e filhos! Quando fazemos isso, parece que nos humanizamos mais e ficamos mais próximo deles. Fazer concessões também pode ser uma maneira de mostrar aos pequenos, que ser flexível ajuda muito no convívio familiar.
Existem regras que não podem ser quebradas: respeito, educação, boas maneiras, entre muitas, e, outras que...
As crianças quando desejam algo, o desejam por que é gostoso e dá prazer. Na verdade, a insistência de algo “bom” está associada aquilo que dá prazer no ato, e não ao desejo de deixar os pais enfurecidos. As crianças pequenas ainda vivem sob o domínio do princípio do prazer.
Ai está nosso papel enquanto pais, mediar o tal prazer. Mostrar que existe hora para tudo, relativizar e não castrar.
Quantas vezes nos zangamos com nossos filhos, somos rudes, perdemos a paciência e nos arrependemos a posteriori. Pois bem, que tal treinarmos a calma e a respiração profunda. Numa próxima situação, onde a perda da estribeira esteja querendo emergir, respirar fundo, manter a calma, conter o pequeno e ajudá-lo a lidar com suas emoções, pode ser uma atitude de mestre. Colocar em palavras as emoções que o pequeno sente, ajuda a entender o que ele quer, ou, o que ele precisa.
Não seja rígida ou ríspida demais. Comece praticando a gentileza e só em último caso use a rigidez. Pode ser uma maneira diferente e assertiva de enxergar a educação de nossos filhos.
As vezes nos magoamos, quando nossas crianças dizem que não nos amam, que não nos queria como pais, que somos horríveis e que desgostam de nossas atitudes. Claro que isso acontece, quando uma negativa é aplicada a atitudes ou comportamentos inadequados das crianças.
A empatia é o grande termo da modernidade. Ela significa se colocar no lugar do outro. Pois bem, se coloque no lugar de seu filho. Você gostaria de ter sempre chamada a sua atenção? O tempo todo ser cobrada por acertos? As crianças são semelhantes a nós, também apresentam dificuldade em assumir, que “pisaram na bola”, de entender que a correção é para o bem delas, que sua mãe está fazendo o melhor para ela agora e plantando boas sementes para o amanhã.

Uma coisa é certa, no presente as crianças não compreendem a razão de limites e de negativas. Que eles são úteis para seu desenvolvimento, mas certamente no futuro elas irão lhe ser gratas por tudo isso!

4.8.14

Meu filho parece que está num sobe e desce

               
Tudo estava tão bem até a pouco, e de maneira repentina, meu filho que costumava ser gentil, amoroso, e, gostava de seus brinquedos, parece que entrou num carrinho de montanha-russa. Estou abismada como as coisas estão!
Sua vida, de uns tempos para cá se assemelha a um parque de diversões, ora com muita euforia e adrenalina, ora com muito ressentido e com um humor de arrepiar. A rebeldia chegou e estacionou lá em casa.
Tenho reparado que seu corpo está mudando: a voz pode ir do mais grave ao mais estridente dos ruídos, as emoções sobem e descem num piscar de olhos, os braços estão tão longos e cada vez mais ele requer privacidade.
Acho que o rapazinho está entrando na adolescência. Uma oportunidade para relembrar da minha, e como eu reagia às pequenas broncas, à falta de energia em colaborar com as coisas da casa, e, à grande dúvida “pareço fora do ninho”!
Percebo que controlar as emoções e os sentimentos é uma função difícil para o adolescente. Ele pode passar horas na frente do espelho observando cada mudança em seu corpo. Os cabelos merecem atenção em destaque. Cada dia testa um gel diferente, um corte arrojado, a loção pós-banho, que antes era vista como superfula, agora tem destaque na prateleira do banheiro. Não é só isso, o garoto descobriu a real função do desodorante. Acho que alguém comentou sobre o “cê-cê” dele.
Emocionalmente ele está meio imprevisível. Um dia ele está estável e age com uma maturidade admirável, mas de uma hora para outra fica mal humorado, choroso, zangado, e, mais parece uma criança fazendo birra. Não consegue mais modular suas emoções e sentimentos.
Uns dizem que é por causa dos hormônios, outros dizem que o menino está crescendo e com isso vem o medo de virar gente grande, com responsabilidade, ter que fazer já as escolhas de longo prazo.
Não deve ser nada fácil!
O nobre rapazinho também esta susceptível a criticas e desgosta quando alguém faz comentários sobre sua altura, perfil corporal e projeções para o futuro.
Ele pode se sentir checado e sofrer com a pressão.
O nobre adolescente tem passado mais tempo com a turma e acho que na verdade estão tentando se enquadrar em diversos aspectos da vida, testar hipóteses do tipo “será que sou normal?”, “esse povo me aceita como eu sou?”, “será que eles me acham interessante?”
Ao fazer tantos testes de aceitação os adolescentes estão tentando romper com os laços infantis que os ligam aos pais, e, começam um novo processo rumo a diferenciação, uma viagem para desabrochar para a vida.
Não é incomum encontrar o jovem, ora, na “hibernação mental”, ora, nos infinitos questionamentos sobre a vida. Por que isso? Por que aquilo? Por que eu não posso? Por que ele pode? Por que fazer isso agora? Por quê? Por quê? Por quê?
Acho que tantos porquês sevem para amortecer os sentimentos de perdas e medos, de testar o quanto podem ir alem, e, se realmente existe um adulto para modularem sua liberdade com responsabilidade.


Ajude seu filho a desenvolver habilidades e competências afetivas


Qual pai ou mãe não está preocupado com o sucesso de seu filho. Pensamos como poderemos contribuir para nossa prole se desenvolver com saúde, dignidade, poder usufruir de um futuro próspero e feliz.
Não raro nos pegamos superprotegendo as crianças, tentando poupá-las de sofrimentos e frustrações. Inconscientemente lhes negamos a autonomia, responsabilidades e  competências, que os auxiliam para o desenvolvimento de uma vida produtiva e auto suficiente. Esquecemos que é muito difícil construir valores sem praticá-los. De nada adianta fazermos um “rosário” de você deve fazer isso e aquilo, se nós, pais, não damos o exemplo, ou, muito menos nosso discurso não combina com a prática.
Outro dia, lendo um capítulo de um livro de autoria de John Medina, um neuro cientista infantil, que afirma, que para termos filhos bem sucedidos precisamos, antes de tudo, educa-los com habilidade, perseverança, carinho e concentração. Os filhos são como águias, observam tudo e a todos, porém, ainda não têm maturidade para fazer um julgamento racional e coerente.
A partir disso, o autor sugere que tenhamos como cerne no processo educativo de nossos filhos alguns aspectos muito importantes, e dentre eles podemos citar a responsabilidade, a conquista da autonomia, a empatia, a meritocracia, a gratidão, e, as competências para lidarmos com as frustrações.
As mães atuais (assim como os pais) não têm muito tempo para dispor aos seus filhos. Sua jornada de trabalho é interminável, e o gás, para estar de corpo e alma com as crianças, parece estar sempre na reserva. Assim sendo, parece mais fácil adiantar as atividades domésticas e fazer o trabalho pelos filhos, tais como, guardar os brinquedos, organizar o armário dos pequenos, colocar a comida no prato, e, outras ações que rompem o hábito das crianças para lutarem e conquistarem sua autonomia. A criança que pega um objeto de uma prateleira tem condições de guardá-lo. De início demonstramos como fazer, depois fazemos  juntos, e, com o tempo podemos cobrar o procedimento.
Temos muita dificuldade em aceitar os erros da turminha. Ajudamos a fazer a lição de casa dos pequenos com dedicação e sempre procuramos uma solução. Não deixamos que eles errem e sejam corrigidos pelos professores. Nós mesmos não damos uma chance aos professores de identificarem onde as crianças precisam de reforço ou devam ser corrigidas. Estamos sempre um passo a frente. Ao “ajudarmos” as crianças a fazer a lição, reduzimos sua curiosidade, deixamos de instigá-las a buscar novas saídas e retiramos constantemente os obstáculos a serem superados.
O mundo atual também não tem ajudado muito, pois, estamos cada vez mais individualistas, pouco olhamos para os lados e atentamos para as necessidades de nosso vizinho. Vivemos de um modo egocêntrico, cobramos nossos filhos para que sejam altruístas, emprestem seus brinquedos ao coleguinha e percebam como tem pessoas que vivem com muito pouco. Cobramos empatia das crianças se não a exercitamos.  Como adultos, o se colocar no lugar do outro, e, perceber como ele se sente, pode ser friável até dentro de casa. Ainda estamos presos a tabus, preconceitos e casualidades. Filho bem sucedido é igual à filho feliz.
Temos a pré-concepção, de que para as crianças serem felizes, elas precisam ter tudo do bom e do melhor e que nada pode faltar. Os pais contemporâneos viciam as crianças no ter, e não no ser. As crianças precisam ter tudo. É uma matemática desonesta, pois, presentes e mimos não suprem a presença amorosa e responsável dos pais. Quando premiamos as crianças, sem o devido mérito, corremos o risco de criar crianças mimadas, que não sabem dar valor ao empenho pessoal ou de outrem, e as cobranças, com certeza, serão intermináveis.
Atolar as crianças com presentes não as farão mais felizes e realizadas. É preciso ensiná-las a serem gratas, e isso pode ser ensinado, pelo exemplo no cotidiano dos pais, principalmente, a partir das palavrinhas mágicas: por favor, e, muito obrigado.
É dever dos pais ajudar seus filhos a lidar e a superar seus medos. Para fazer isso, precisamos de pais presentes, com tempo para dialogar com seus filhos, trocar ideias, demonstrar seus sentimentos, afetos, reconhecer que todos precisam de ajuda em algum momento da vida.