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28.12.14

Frustração e tédio: não tem nada pior para agravar o humor das crianças (Parte 2)

                A semana passada, comentamos sobre os possíveis fatores, que poderiam deflagrar a frustração e o tédio nas crianças pequenas. Falamos sobre a falta de sono, ou, de cochilos ao longo do dia, e, o quanto essas variáveis podem deixar as crianças, quando privadas, irritadas e pouco tolerantes às situações banais do cotidiano. Falamos também da necessidade de mantermos o combustível energético dos pequenos em bom nível para que eles tenham fôlego, para atravessar as diversas rotinas do dia e sempre acompanhados de um adequado suporte hídrico.
Não menos importante, também, reforçamos a necessidade de sermos criativos na hora de estimularmos as crianças em atividades monótonas, pelo menos ao olhar delas, como a ida ao supermercado, ao banco, a consulta médica, entre outras.  Ter sempre um joguinho, um brinquedo preferido e livrinhos de histórias a disposição evita que a monotonia ative comportamentos desorganizados.
                No artigo de hoje vou comentar sobre a hiperestimulação.
Como você se sente ao entrar em um recinto cheio de gente, com barulho em demasia, e, para piorar a situação, um calor terrível. Acredito que a resposta seria um grande mal estar e um desejo de abandonar o local para respirar um ar fresco. O mesmo ocorre com as crianças. Porém, elas não sabem que é só achar uma porta de saída, que tudo ficará bem de novo.
                O excesso de estímulos deixa a criança com seus órgãos dos sentidos a mil. Elas não conseguem filtrar o que é positivo e o que é negativo. Elas absorvem como esponjas tudo que as rodeiam. Caso o passeio do dia seja uma festinha de aniversário na casa de amiguinhos, procure não chegar ao local com seu filho cansado ou com fome – planeje antes um lanch
inho e um período de repouso. Um brinquedo preferido também pode ajudar no passeio, pois a criança se sente segura e com lembrança concreta de sua casa.
                Caso você perceba, que o pequeno está ficando cansado, birrento ou irritado, são sinais de que seu combustível de tolerância está se esgotando, e, que a hora de ir embora chegou. Não queira negociar um tempo extra no passeio, pois a criança ainda é imatura para desenvolver doses adicionais de flexibilidade e características de negociador. Ofereça um abraço e diga que vocês já estão indo para casa.
                Outro fato que pode potencializar o mal humor em crianças é o fato delas não poderem permanecer numa atividade quando ela está muito prazerosa. As crianças adoram um parquinho ou brincar em grupo com amiguinhos. Quando sinalizamos que está na hora de ir para casa elas ficam muito desapontadas e insatisfeitas. Falando em desapontadas, atividades rotineiras como higiene bucal e corporal, guardar os brinquedos, também tiram as crianças do prumo. Elas jogam uma bela negativa em cima dos cuidadores e ficam intempestivas. Uma maneira prática de minimizar o problema seria enfrentar a realidade e demonstrar que entendemos o que elas sentem: “Ok, eu entendo que você gostaria de continuar brincando e não quer ir para casa”. “Temos que ir embora, do contrario você chegará atrasado na escola”. Mostramos a realidade e ao mesmo tempo nos demonstramos sensíveis as suas emoções e sentimentos. Existem situações que não precisamos ser tão rígidos e podemos oferecer uma boa dose de flexibilidade.
                Tenho observado que algumas crianças quando estão temerosas ou com medo de algo, negam seu sentimento, e, tornam-se dúbias, chorosas e estressadas. Não precisa ser uma grande aventura, o simples fato de ir para a escolinha, pode ser um exemplo. Entender a situação e estar disponível para traduzir em palavras o que a criança está sentindo é de grande valia. A ação mostra a criança que a entendemos e que estamos do lado dela, mesmo quando o assunto é ir de encontro à independência relativa.
                Por fim, gostaria de lembrar que a expressão comportamental das crianças é uma linguagem não falada, mas que pode estar contendo diversos conteúdos e significados. Como pais e cuidadores atentos, antes de nos contaminarmos com o mal humor, frustração ou tédio das crianças, precisamos nos colocar no lugar delas e pensarmos com antecipação para evitar os comportamentos infantis desorganizados.


4.12.14

Frustração e tédio: não tem nada pior para agravar o humor das crianças (Parte 1)


                Quem nunca olhou para uma criança ou experienciou em causa própria um pequenino teimoso, cheio de querer, que Chora, esperneia, briga com os outros ao seu redor, e, que a obediência passa longe!
Ouvir, nem pensar! Se tornam temporariamente surdos!
                Nem todos os dias a criança exibe esse cenário conflitante. Ela se parece conosco, adultos. Tem dias que acordamos do avesso e não podemos olhar para uma mosca, que nos sentimos exacerbadamente irritados. Pois bem, as crianças também têm seus dias nebulosos. Até mesmo as crianças mais amáveis, muito tranquilas e solícitas, apresentam dias que não sabem como lidar com as emoções e sentimentos não nobres.
                Algumas situações podem despertar ou deflagrar o “leãozinho interior” dos pequenos. Eles não são como os adultos, que tentam racionalizar, respirar fundo, e, buscar a melhor saída. Os pequenos ficam confusos e não sabem o que fazer com o que estão sentindo. Ainda são imaturos para governar um turbilhão de sensações!
Um grande despertador da irritabilidade infantil é a falta e a qualidade de sono repousante. Os estudos mostram, que a criança quando dorme mal (horas a menos ou falta de um cochilo) fica menos atenta, disposta, hiperativa, mal humorada e exibe a birra como válvula de escape.
A criança dormir mal já é uma catástrofe, imagine agora a família dormindo mal – é um verdadeiro caos doméstico. Pais privados de sono se tornam impacientes, irritadiços e sujeitos a perder o controle.
Evite as desordens do sono, proporcionando períodos de descanso à criança durante o dia, e, uma boa noite de sono reparadora. Detalhe, não há milagre! A boa e velha rotina é a grande solução.
As crianças são sensíveis e conhecidas como “antenas parabólicas” – captam todas as informações do ambiente, mas nem sempre sabem o que fazer com elas. As emoções e os sentimentos se desorganizam e o entendimento sobre o contexto situacional passa longe. Moral da história: podem reagir aos problemas domésticos com muita inabilidade emocional, portanto, problema de casal se resolve entre o casal e os filhos são poupados!
Outro agravante da birra ou do chilique infantil é a fome. Assim como os adultos, às vezes nos sentimos estranhos, quando estamos com fome. Ficamos zonzos, o pensamento fica alterado e a tolerância reduzida. Uma dieta equilibrada contribuiria muito para evitar o problema. Saidinhas ao longo do dia com os pequenos podem ser complementadas com um lanchinho saudável e uma garrafinha com suco e água também ajudam a hidratar e a evitar a sede. Sem energia, as crianças ficam desconfortáveis e intolerantes. Você já viu carro andar sem combustível?
As crianças são verdadeiras “mentes brilhantes em ação integral”. Pensam mais rápido do que seu corpo pode responder. Não aceitam perder tempo com atividades desnecessárias quando o assunto é brincar. Para que comer? Para que amarrar o tênis? Para que colocar a sandália? Para que parar a brincadeira e ir ao sanitário. Tudo isso é perda de tempo quando o assunto é brincar e se divertir.
Elas até tentam, mas logo percebem que a atividade requer um tempo de pausa e logo se frustram, ficam irritadas e a teimosia vira palavra da hora. Como adultos pensantes, precisamos entender que em alguns momentos podemos ser mais tolerantes e aguardar o tempo das crianças, mas em outros, quando o tempo nos cobra uma ação preponderante, precisamos intervir e ajudar a criança a ganhar tempo. Isso não significa fazer por eles, e sim, manter o fôlego.
Criança entediada é um grave problema. Os pequenos foram “planejados” para ser criativos, aprender coisas novas e testar suas potencialidades e habilidades no mundo. Quando não oferecemos estímulos apropriados. eles se viram de qualquer forma, e, é ai que o caldo entorna – as emoções se desorganizam! Uma criança entediada corre o risco de deixar desabrochar o mau comportamento ou aprontar alguma arte!

Assim, deixe seu filho desbravar o mundo de maneira criativa e responsável. Aproveite para ter livrinhos dentro do carro e conte para ele uma história. Use da criatividade na hora das compras. Pergunte para a criança quantas embalagens vermelhas ela viu na prateleira de massas. Na fila do banco peça para o pequeno contar quantas pessoas estão de calça cumprida. Use suas habilidades de adulto ao seu favor e ao mesmo tempo estimule a inteligência que existe em seu filho.