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23.12.15

A todos os nossos leitores:
Desejamos um Natal de muita páz e um 2016 de realizações e amorosidade!!!!!!







16.12.15

É com a gente, que você sempre poderá contar!!


Qual pai e qual mãe nunca falou essa frase para seus filhos, que cite uma frase de melhor impacto! Parece, que apesar de nosso investimento e preocupação com os filhos, eles, de alguma maneira, não nos escutam como gostaríamos, ou, não qualificam positivamente nossos argumentos.
Lembro-me de ter ouvido algo parecido de meus pais. Será que a surdez temporária na adolescência é um vírus típico dessa fase? Acredito que sim! Pior, se é uma virose, passa!
Eu sei que fazer ouvir nossos filhos adolescentes, não é uma tarefa fácil, como é, para as crianças menores. Os ouvidos desses “seres” parecem que estão entupidos de água, ou, envelopados com filme plástico. Ao ouvido do adolescente, nossa fala mais parece algo do tipo “uon, uon, uon...”
Não são inéditas as minhas palavras, então porque abrir um espaço, aqui, para falar sobre isso?
É uma fase e passa. Entretanto, segundo a organização Mundial da saúde, a adolescência se estendeu e vai até os 24 anos. Isso mesmo, até os 24 anos. Somente a partir dessa data é que o cérebro humano pode ser considerado maduro.
Talvez, uma saída para driblar os percalços, de pais de adolescentes, seja nos colocar no lugar deles, e, lançar mão da empatia. Por empatia entenda, respeitá-los, ter muita paciência e acionar nossa memória passada, pois, um dia nós também já desfrutamos dessa fase. Empatia, não é falta de limites claros e muito menos subserviência aos jovens. Empatia é apenas tentarmos entende-los!
Tenho notado em meus atendimentos com família, que não adianta os pais serem autocráticos e impor apenas regras. É preciso envolver o adolescente nas decisões, deixar que ele participe de acordos firmados em família. É o famoso decidir em conjunto.
Decidir em conjunto atitudes corriqueiras, mas que podem fazer toda diferença na dinâmica familiar: horas de estudo por dia, diversão, cumprimento de atividade extracurricular, atividades domésticas, viagens, entre outras, mas sempre levando em conta a idade do jovem.
Levar em consideração o descumprimento de uma decisão tomada em conjunto. Que consequências vão advir da quebra do “contrato”. Cada família terá sua forma de encarar os dilemas, sempre sob a ótica do diálogo e do bom senso.
Não percam de vista a comunicação não verbal, do tipo, olho no olho, a proximidade afetiva, o abraço amigo e as perguntas rotineiras: tudo bem? Como foi seu dia? Você me parece aborrecido!
Use a tecnologia a seu favor. Envie mensagem, SMS, “whats up”, para lembra-lo de datas importantes, atividades essenciais, dias de prova, aniversários, etc. Vale usar a tecnologia até para pedir ajuda nos afazeres de casa. Qualquer meio de comunicação é uma importante ferramenta para manter contato com o jovem.
Esteja atento para a tendência em “deslizar na maionese” e cair na armadilha de usar a violência: gritos, tapas, xingamentos, ofensas, críticas destrutivas, entre outras. Negatividade afasta pais de filhos, reforça a baixa autoestima e não assegura responsabilidade.
Filhos precisam cooperar com os pais e não tornarem-se subservientes. Cooperação instiga responsabilidade, companheirismo e desenvolvimento de afetos positivos.
Mantenha o vinculo positivo e encare a relação pais-filhos como um investimento para o longo da vida. Estejam abertos para o que der e vier.
Aproveite as manchetes de jornais, revistas ou mídias sociais, para entender o que o seu filho pensa sobre um determinado assunto, sem critica-lo ou desqualifica-lo. Apenas escute e introduza alguma informação diferente. Nesse vai e vem nasce um diálogo muito rico.

Não seja tão duro e não leve a vida a ferro e fogo. É com os pais, que os filhos aprendem a ser resilientes, a desenvolver a flexibilidade. Elogie seu filho pelo seu esforço em buscar algo importante, e, console-o quando necessário. Por último, dê e respeite o espaço de seu filho, mesmo porque, todos nós precisamos de um local para chamar de “seu” e poder respirar com conforto.

28.11.15

Birra: o que mais me resta a fazer?

              
É usual receber pais em meu consultório, e, de sopetão, eles comentarem: “eu faço de tudo pelo meu filho e parece que nunca atinjo a marca do suficiente. Sempre falta algo! “
Acho que não é só na vida de relação entre pais e filhos que a frustração aparece. A frustração chega de mansinho em vários acontecimentos da nossa vida. Por exemplo: “me empenhei tanto no estudo da prova e não fui tão bem assim”; “tenho cuidado tão bem de minhas flores e agora ela está perdendo as pétalas e as folhas também estão caindo”; “ estou fazendo tudo direitinho conforme o adestrador de meu cãozinho mandou, mas ele teima em fazer xixi no meu tapete”.
Como se pode notar, as coisas nem sempre são exatas como gostaríamos que elas fossem! Com os nossos filhos é a mesma coisa. Não é porque nos dispusemos a fazer algo que esse algo não necessite de persistência e constância. Nem sempre as crianças burlam uma regra, ou, quebram uma norma, que a devemos interpretar como falência pessoal no papel de cuidadores e educadores de nossos pequenos.
Veja só, existe uma situação, que os pais conhece, a muito tempo, que é a birra, pirraça, ataque de nervos, explosão de ira, ou, outros adjetivos para uma fase conturbada, que a maioria das crianças passam por volta dos dois ou três anos. Se os pais já ouviram falar dessa terrível fase, então por que será que ninguém se prepara para enfrentá-la? Por que será, que quando o pequeno está para atingir essa idade, nós não procuramos um profissional para nos orientar a passarmos por esse período com menos estresse?
Fazemos cursinho para tantas coisas: curso de noivos, curso de padrinhos, curso de gestantes, etc. E por que não curso de pais?
Pelo que tenho observado, é porque os pais pagam para ver!
Será que com meu filho vai ser diferente? Será que comigo as coisas vão ser melhores? Afinal eu sou presente e muito paciencioso na vida de meu filho!
Na verdade deveríamos ir um pouco alem em nossas reflexões. É impossível ter um filho que não chora, que seja paciencioso e tranquilo o tempo todo, e, muito menos, que sempre se satisfaça com apenas um olhar seu para interpretar as noções de limite e regra.
Contudo, é possível reduzir ou atenuar os episódios de birra.
As crianças não são manipuladoras, ao ponto de fazer birra simplesmente, para mostrar aos pais, quem está no comando, mesmo por que, as crianças precisam do adulto para se sentir seguras e amadas.
Provavelmente a birra pode estar sinalizando algo mais do que um simples “eu quero”!
Vamos ser adultos e no lugar de entendermos o “eu quero”, vamos trocar por “eu preciso”. Os pequenos, ainda, apresentam seu cérebro imaturo para lidar com situações complexas ao olhar deles, e, é somente por volta dos quatro anos, que a criança deixa o status de “birrento”, para lidar com situações mentais mais complexas – o jogo da manipulação.
Voltemos para as nossas crianças de dois ou três anos. A criança, nessa faixa etária, ainda conserva alguns resquícios do período de bebê, e por isso, o contato ainda fala muito alto. A criança precisa se voltar aos pais, com frequência, para se abastecer de amor, carinho e atenção, para prosseguir, então, em suas atividades. O circuito cerebral dos pequenos ainda é imaturo e por vezes entram em “curto-circuito”. Não é a toa, que choram, gritam, esbravejam, se jogam no chão, e, ainda de quebra podem arremessar objetos. Nossa, parece uma verdadeira crise de destempero.
Como modular as birras no começo da primeira infância?

Não vou dizer que é fácil, mas conter a criança, falar em voz baixa e pausada “eu te entendo”, fazer um afago, distrair, mudar de cena, podem ser bons estímulos para driblar a birra, e, ainda de quebra, estimular a produção de hormônios da felicidade na circulação infantil. Dedique alguns momentos do dia, exclusivamente, ao seu filho. Procure interagir com brincadeiras simples, mas que estimulem o olho no olho, o contato físico, a linguagem verbal e não verbal, e frases, que permitam a criança se sentir amada, valorizada e muito importante para seus pais.

17.11.15

Gosto mesmo é de ficar com você


               A essência de um bebe está relacionada à sua necessidade de estar conectado amorosamente a um cuidador. Um cuidador, que esteja disponível para amá-lo, mostrar-lhe lentamente o mundo, sem atropelos, e, ao mesmo tempo, ser uma pessoa capaz de responder às suas necessidades fisiológicas (alimentação, higiene, sono, estímulos) e emocionais.
                Às vezes, recebo mães, que temem, que seus filhos se viciem em colo, e, que no futuro, se tornem crianças dependentes e inseguras. Para tanto, acreditam, que deixar chorar, é uma forma de ajudar o bebê a se endurecer, e, a se tornar resistente para enfrentar a vida amanhã. Respondo que o tempo, que o bebezinho vai permanecer nos braços ternos e amorosos, no peito macio e suculento, é muito curto, em relação ao tempo de vida total da criança, que o amor do cuidador, e, sua disponibilidade afetiva fará toda a diferença na construção sólida do bebê no futuro.
                A criança começa a criar seus laços afetivos desde o nascimento, e, é por meio desse contato, “pele-a-pele” (mãe-filho), que se dá o apego precoce, pois, é nas horas seguintes, após o parto, onde ambos estão muito sensíveis e disponíveis e a se conectarem.
O pronto contato após o parto é como um prêmio para a díade, pois, após terem aguardado um ao outro, por nove meses, acontece o feliz encontro. É nesse encontro sutil e fora de qualquer entendimento objetivo, que a vinculação vai “amalgamando” mãe e bebê.
                Em meio a uma dança harmônica e num compasso lento, a amamentação entra não só como uma fonte nutridora do bebê, mas também proporciona experiências de amorosidade e estabilidade emocional para a dupla. No aleitamento, um vinculo muito forte é estabelecido, ativando inúmeros processos químicos, dentro do corpo materno e do lactente. Esse emaranhado bioquímico dispara na mãe e no bebê um desejo de estarem juntos, e, ainda de quebra, promove calmaria, segurança e bem estar.
Bebês acalentados, ninados e aconchegados estão resguardados das incertezas do mundo. Eles se sentem protegidos, o nível de estresse é reduzido, e, no período em que estão acordados se sentem tranquilos. O ambiente se torna um gostoso ninho. Portanto, calmaria e aconchego podem ser entendidos como importante estimulo para o desenvolvimento físico e mental do pequenino. Os braços da mãe brindam com carinho e afeto o bebê.
E o soninho? O que dizer de dormir com o papai e a mamãe? Algumas famílias optam pela cama compartilhada, outras deixam o berço ao lado da cama do casal. A mãe e o pai, que se dispõem a dividir a noite próximo ao bebê, proporcionam redução da angustia de separação, melhora do descanso noturno e ensinam seus pequenos, que dormir é um momento agradável e seguro, que seus filhos podem relaxar confiantes na presença de um adulto protetor. Não estou afirmando, que as crianças devem dormir com os pais para sempre, pelo menos nos primeiros meses, depois disso os pais podem ir “dando linha”.
Com certa previsibilidade e flexibilidade, o bebê vai descobrindo o que vem a seguir e adquirindo noções de rotina (mamar, arrotar, trocar fralda, brincar, dormir) e nesse vai e vem diário, os pequenos vão compondo um dia habitual em família.
Traduzir nossos gestos, ações e atitudes, em palavras, ajuda a introduzir o bebê na linguagem falada e não falada. Aos poucos ele vai aprendendo a decodificar nossos gestos, palavras, expressões faciais, etc. Lembrar que o bebê, desde que nasce já sabe falar! Eles falam por meio do choro, das caretas, do movimento corporal, e, na maior parte das vezes significa “eu preciso de...”.
Procure manter o equilíbrio, o bom senso, e, um filtro protetor contra “pitacos”. Afinal todo mundo tem um para dar! Reserve um tempinho para você, e devagar, vá recuperando sua auto-referência: cuidar do corpo, dos cabelos, investir numa roupa nova, ou, num visual moderno. Deixe o papai assumir com você as responsabilidades junto ao bebê, e lembre-se: pai não ajuda, ele partilha e compartilha cuidados e amor.


15.10.15

Precisamos falar sobre raiva

Todo mundo comenta o quanto devemos desenvolver sentimentos positivos, que estimulem nosso bem-estar e o do outro. Todavia nos esquecemos, que existem outros sentimentos menos nobres, e, que também fazem parte de nosso cotidiano. Espero que os sentimentos menos nobres prevaleçam em menor proporção em nossas vidas, mas eles existem SIM, quer queiram ou não!
É claro, que amamos e devotamos muito tempo de nossas vidas expressando sentimentos de amorosidade aos nossos filhos, por outro lado, há mo
mentos em que saímos do prumo, e, emerge de nós, um sentimento terrível – a raiva.
Por que isso acontece?
Primeiro, pode ser que estejamos em um dia não muito bom e já estamos predispostos a nos irritar com mais facilidade. Segundo, nossos anjinhos, por vezes, também acordam com o pé esquerdo, e, o limiar para frustração tende a zero. Como vocês podem notar, a raiva pode acontecer de qualquer lado.
Quando as coisas não saem como desejamos, nos assustamos com nossa raiva e então, nos deparamos confusos com nossos próprios sentimentos. Nós nos julgamos péssimos pais ao não encontrarmos maneiras mais assertivas de lidar com a inadequação. Pais confusos e raivosos de um lado, filhos raivosos e inábeis em controlar sua raiva do outro.
Não conseguimos perceber que ambos estão perdidos e procuramos dar uma resposta racional para tudo: “Estou assim porque meu filho me provoca”! “Não queria ter batido nele, mas ele superou o pior dos comportamentos”! Tomamos atitudes desmedidas ou impensadas, depois nos sentimos péssimos e culpados.
Conclusão: criar e educar filhos, é uma ação, que demanda persistência, carinho e atitude.
Quando deixamos que a raiva cegue nossos olhos e nossas percepções, nossas decisões se tornam equivocadas e menos certeiras. Alteramos nossas respostas fisiológicas e cognitivas (respiração acelerada, coração bate forte, o pensamento e comportamento ficam confusos).
Quem poderá nos ajudar?
Penso que quando existe bom senso, ainda é fácil acionar nosso eu interior e buscar medidas mais assertivas. Conhecer nossos limites é um bom começo. Nosso comportamento desmedido com as crianças pode estar associado a nossa solidão, à dificuldade em ter uma rede de apoio, às expectativas irreais do que é ser bons pais e ter bons filhos, às frustrações pessoais e às irritações com nossos pares.
Tenho observado que os pais sofrem muita pressão para serem excelentes, sem terem alicerce para isso. As avós e os avôs de antigamente, que pregavam paciência e sabedoria, hoje estão antenados com o mundo e não têm muito tempo para dispor com seus filhos e netos. Não é uma critica é só uma constatação. Assim, os bons conselhos e o acolhimento ficam frágeis. As mídias sociais trazem tantas informações, que em muitos momentos, deixam os pais confusos e estressados quanto sua habilidade de educar seus filhos com competência.
Sem querer ditar regras ou fórmulas mágicas, mesmo porque não as detenho, gostaria de deixar uma dica, que é a base de qualquer ponto para reflexão: crianças são infantis – simples assim!
As crianças são simples, imaturas, inexperientes, ingênuas, narcísicas (já assegurava isso Freud) e seu conhecimento sobre o mundo é restrito. As regras sociais e o que o mundo espera delas está sendo construído por intermédio da visão e do comportamento de seus pais. Se isso não bastasse, elas são seres com vontade e pensamentos próprios e dão pouca importância para as contingencias sociais.
Moral da história: não podemos forçar os pequenos a deixar de ser crianças e também não podemos apressar seu processo de maturação.
O que podemos fazer então?

 Ampará-los, dar o exemplo e procurar fazer o nosso melhor com amorosidade, reciprocidade, respeito, bravura, mostrando claramente o que esperamos delas, dando noções transparentes de limites e tendo fé, pois, acreditamos que estamos fazendo nosso melhor. Consciência tranquila!

10.9.15

Gritar com os filhos pode ser prejudicial

             Esta semana caiu este texto em minhas mãos e eu gostaria de dividi-lo com meus leitores.
“Na atual geração de pais, em que as palmadas foram banidas do repertório educativo, elevar a voz se transformou no recurso mais usado para impor disciplina. Em toda parte. “Trabalho com milhares de pais e posso dizer, com certeza, que o grito é a nova surra”, afirma a terapeuta de família americana Amy McCready, organizadora do Positive Parenting Solutions, que dá cursos e aconselhamento para pais. “A maioria se sente sem ferramentas para disciplinar seus filhos e acaba gritando. Depois se sente culpada e passa por um período de autocontrole, mas acaba apelando para os berros novamente, criando um padrão familiar.” Na semana passada, ela disse o mesmo em uma reportagem do jornal americano The New York Times, que mostrou vários psicólogos criticando a pedagogia dos altos decibéis. “Nós elogiamos os pequenos por aprenderem a assoar o nariz, somos amigos do adolescente e somos capazes de passar um bom tempo ajudando nosso filho a entender seus sentimentos. Mas, paradoxalmente, somos uma geração que berra”, diz o artigo.
As educadoras americanas Devra Renner e Aviva Pflock, autoras do livro Mommy guilt (Culpa de mãe), fizeram uma pesquisa com 1.300 pais sobre o que os deixava mais culpados no dia a dia doméstico. Dois terços apontaram “gritar com as crianças” – mais que faltar ao trabalho ou esquecer uma reunião escolar. “Levantar a voz é a reação mais fácil e rápida, aquela que todos os pais cometem. E eu me incluo entre eles”, diz Aviva, mãe de três filhos com idade entre 8 e 17 anos. O debate sobre a pedagogia do grito rapidamente tomou conta da internet.
Será tão grave? Os críticos do grito paterno afirmam que ele assusta a criança sem ter efeito pedagógico. “Quando você grita com seu filho, ele não assimila suas palavras. Ouve o volume de sua voz e sente sua raiva”, diz Amy McCready. Segundo ela, a criança pode até obedecer na hora, mas não há efeitos a médio e longo prazo. “Não há aprendizado. Repare como no dia seguinte você provavelmente berrará as mesmas coisas”, diz. Logo, o grito paterno é mais um instrumento de correção ou apenas uma explosão emocional? “Nos dias de hoje, ele revela perda de controle”, diz Anne Lise Scapatticci, psicanalista infantil e doutora em saúde mental pela Escola Paulista de Medicina. Para ela, o diálogo é a melhor forma de educar, mas a criança precisa lidar com a ideia de que pais também ficam nervosos, irritados ou cansados. “Mesmo pequena, ela é capaz de entender as emoções dos outros. Especialmente quando depois do grito existe uma boa conversa ou um pedido de desculpas.”
O conceito de bom pai ou de boa mãe é construído pela cultura de cada lugar e cada período. E é flexível – desde que não coloque em risco a integridade física e mental das crianças. A terapeuta familiar Magdalena Ramos, mãe de duas filhas e avó de quatro netos, professora da Universidade Católica de São Paulo por 33 anos, lembra que as crianças são criaturas resistentes. Não é um par de gritos teatrais de uma mãe nervosa que vai traumatizá-las. O problema, diz a psicanalista argentina, é a repetição e a padronização do comportamento agressivo. “O grito tem de ser a exceção”, afirma. “Se ele se tornar a norma na relação entre pai e filho, se os pais estão sempre alterados, talvez seja hora de procurar ajuda profissional.” Magdalena diz que os pais modernos são estressados (porque trabalham demais, porque têm pouco tempo livre) e, consequentemente, na relação com as crianças alternam impaciência, gritos e culpa. Muita culpa”!
Para mim, como terapeuta e mãe, o mais importante deste texto foi mostrar que nem sempre a criança entende uma regra ou solicitação vinda de um pai ou figura de autoridade (professores, cuidadores) de primeira. A criança precisa de compreensão e reforço – diálogo e respeito. Assim como, as vezes, burlamos uma regra, o mesmo pode acontecer com os pequenos ou ainda porque ele não a entendeu. Um outro ponto a considerar é que a criança é uma cientista e ela estará experienciando e testando as figuras de autoridade para entender o mundo e conhecer qual é o seu limite e seu lugar dentro nele. 
    

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI102068-15228,00-GRITAR+COM+OS+FILHOS+PODE+SER+PREJUDICIAL.html

21.8.15

Criança precisa de toque e carinho!

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Ninguém tem dúvida que criança precisa de atenção e de afago – Mas quem garante isso?
      Até a alguns anos atrás as crianças eram vistas e tratadas como mine adultos, e, como tal, era esperado delas um comportamento “adultizado” e precocemente cheio de competências e atitudes.
      A psicanálise teve um papel crucial em desconstruir esse paradigma, principalmente, a partir de estudos de Klein e Winnicott .
      Nesse artigo vou me ater a Winnicott, mesmo porque me identifico com seu constructo. Winnicott era um pediatra e psicanalista que dedicou seus estudos em prol das crianças e suas famílias. Desde o início ele afirmava que não existia um bebê sem sua mãe. Portanto, para que um bebê existisse como um ser total (físico e emocionalmente falando), ele precisava da mãe para dar sentido a sua existência.
      No livro “Os bebês e suas mães”, logo no primeiro capítulo, Winnicott se dirige as mães apontando o quanto elas se dedicam habilmente a tarefa de cuidar de seus filhos e que a forma como faziam era fantástico - era de uma maneira complexa e ao mesmo tempo simples – Ele chamava essa atribuição das mães em relação aos seus filhos de “mãe devotada comum”.
      Essa mãe devotada ao seu bebê era uma nobre anfitriã de um ser humano que “decidiu” alojar-se em seu ventre e que desde o período gestacional tratava esse pequenino com muito carinho, zelo e empatia. Com a chegada do bebê, e quando tudo vai bem – digo assim, por que algumas vezes essa mãe sofre de estresse repetido e de desamparo. Nessas circunstâncias, esse sistema aconchegante e acolhedor pode se desestruturar profundamente, afetando a díade.
      Bem, voltando a mãe devotada, ela durante um bom período vai estar dedicada de corpo e alma ao seu filho. A mãe gradativamente vai dando noção ao seu filhinho de onde ele começa e onde ele termina (noção corporal), da importância de manter o ritmo nos cuidados diários (alimentar, higienizar, brincar) e nesse compasso o bebê vai desenvolvendo a capacidade de ter sentimentos.
      Winnicott dizia que para o bebê se sentir integrado ele precisava de cuidados básicos de sobrevivência, mas também de muito acolhimento, carinho e toque. O bebê para se desenvolver integralmente precisaria se sentir amado, cuidado e assim poderia ir construindo sua noção de “ser”.
      É claro que o bebê não precisa de uma mãe perfeita, apenas de uma mãe suficientemente boa, que possa falhar em alguns momentos.
Pois bem, tudo isso para mostrar que estudos recentes, elaborados na Universidade de Harvard –       Departamento de Psiquiatria (http://news.harvard.edu/gazette/1998/04.09/ChildrenNeedTou.html), estão em congruência com Winnicott. Nesses estudos, os autores mostraram que as crianças para se constituírem como sujeitos precisam mais do que cuidados gerais, elas precisam de atenção, segurança e toque. Deixar o bebê solitário e chorando é danoso para a estrutura cerebral e para a mente dos pequenos, e, que os pais deveriam manter seus bebês por perto. Consolar a criançinha quando ela chora e trazê-la para perto do corpo dos pais tem efeito apaziguador, tranquilizador e antiestresse.
      Manter os bebês longe dos pais e não responder prontamente ao chamado dos pequenos, pode levar ao estresse pós-traumático, a sensação de desamparo e a desordens emocionais na fase adulta.
      Não confortar um bebê em agonia é plantar doses de estresse repetidamente e prover a criança de uma capacidade imatura de se autoacalmar e a um sentimento desmedido de insegurança e solidão. Tais ocorrências provocam modificações importantes na arquitetura cerebral e desequilíbrio na liberação de mediadores químicos no cérebro infantil.
      Os pesquisadores ouviram de alguns pais que eles achavam importante deixar o bebê chorar, porque temiam que seus filhos se viciassem em colo e que no futuro eles se tornariam dependentes e com pouca atitude para buscar o sucesso.
      Na contra mão desses pais, a neurociência atual, assim como já havia sido concluído em décadas passadas por Winnicott, as crianças atendidas em suas demandas emocionais e acolhidas fisicamente, se tornam no futuro pessoas mais seguras e abeis para estabelecer boas relações e buscar formas positivas de atingirem seus objetivos.
      Os estudos de Harvard também mostraram que as crianças que se sentiam protegidas, em seu início de vida, respondiam durante seu desenvolvimento de maneira mais assertiva e ética.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

5.8.15

Por que estimular os bebês é tão importante?

                Os primeiros anos de vida do ser humano são marcados pelo incremento de conexões neuronais, que servirão de capital para o desenvolvimento físico, mental e emocional da criança.
                 O desenvolvimento cerebral do bebê se assemelha muito a uma orquestra, cada instrumento tem sua vez para assegurar a melodia. No caso do bebê, a cada período, novas conexões vão sendo estabelecidas e com propósitos bem definidos. Não adianta pensar que o que não foi assegurado na primeira infância pode ser restituído mais tarde. Ledo engano!
                Durante a gestação, o cérebro do bebê já está em alerta para realizar mais de 2500 sinápses no pós-parto e vão dando origem a 700 novas por segundo, pura magia e fantasia!
                Não, é a interação entre fatores genéticos e ambientais influenciando nesse ritmo frenético de desenvoltura cerebral infantil, portanto, a inter-relação entre pais e o bebê terá repercussão decisiva para o incremento cerebral dos pequenos.
                O cérebro do bebê intraútero já desempenha funções muito específicas como, por exemplo, o feto já consegue sentir sabores por meio da deglutição do líquido aminiótico, discernir sons, “interpretar” o estado de animo da mãe, receber carinho de seus pais, por meio do acariciar da barriga da gestante.
                Ao nascer, o bebê já nasce conectado, e, quem acredita que ele não está nem ai para as desavenças entre os pais, está enganado. O bebê, mesmo em seus primeiros dias de vida, já tem a percepção da voz acurada, podendo entender a diferença de uma voz calma, e, a de um grito de desespero ou de raiva.
               E o colo, vicia?
               Não!
               A neurociência já demonstrou que colo não faz mal e também não vicia. O colinho aconchegante, o cantarolar de uma música calma, uma boa conversa ao pé do ouvidinho, são capazes de restituir a calmaria e o ritmo interno dos órgãos internos do bebê. É como se todas essas ações devolvessem algo ao bebê, que ele ainda não consegue fazer sozinho.
               Os estudos atuais mostram, que crianças pequenas expostas a traumas ou a situações estressantes, com frequência, podem ter seu desenvolvimento, como um todo, prejudicado. As experiências negativas, durante o começo de vida, são capazes de ativar o sistema de resposta ao estresse, promovendo a liberação em excesso de substâncias, que intoxicam o organismo, e, que terão repercussão importante na vida adulta (infarto, diabetes, depressão, etc).
               A liberação de substâncias tóxicas no organismo, não está restrita somente, a traumas da infância, mas também a situações onde a criança é super-exigida, e, ainda não tem maturidade para se defender.
Por outro lado, temos histórias dramáticas de bebês, que são deixados de lado, parados em seu berço, pouco estimulados e amados por seus cuidadores. Resultado, crianças com desenvolvimento global prejudicado, dificuldade de interação com outras crianças e adultos, afetividade empobrecida e desenvolvimento cerebral com áreas danificadas e irrecuperáveis.
               Eu sei que muitos pesquisadores afirmam que o cérebro consegue se adaptar e mudar ao longo da vida, entretanto, essa capacidade diminui ao longo da vida, e, se o bebê já começa em desvantagem em seus primeiros anos, o que dirá na fase adulta.
               Os três primeiros anos da criança são fundamentais para a resposta cerebral, e, se eu puder ser mais específica, o primeiro ano do bebê é primordial. É nessa fase que se dá a maior parte do desenvolvimento da massa cerebral.
               O que dizer das influencias externas sobre nossas nobres criancinhas?
               Sei que para muitos pais é difícil resistir à tentação de deixar os pequeninos à frente da TV. Sempre há uma emissora com programação que se diz específica para crianças de diferentes faixas etárias. Os pais acabam acreditando, pois os “pequerruchos” não tiram os olhos da telinha, e, se mantêm calmos por um tempo (bom tempo!).
               Por que será que a TV exerce essa magia sobre os bebês e as crianças?
               Provavelmente pela emissão de excesso de cores primárias, de cortes rápidos dos filminhos. Isso acaba por hipnotizar os pequenos. Se isso não for o suficiente, tanto a televisão, como os joguinhos, e, programações infantis em tablets e celulares chamam a atenção das crianças pelo movimento rápido das cenas, pela possibilidade de uma criança poder mudar de um filminho para outro, caso ela se sinta cansada ou frustrada.
               Quer mostrar para uma criança como não lidar com a frustração? Exponha seu filho a um tempo demasiado às mídias eletrônicas. É sempre possível mudar ou remover algo que não é agradável. A tolerância é decodificada como algo do tipo “zero” e pode modificar os afetos, a sensação de prazer imediato, até o planejamento e a atenção.
               Ninguém está dizendo para não oferecer uma mídia eletrônica a criança, pois, a maioria dos lares possuem algum dispositivo móvel ou um aparelho de televisão. Hoje existem estudos mostrando, que os eletrônicos não são tão vilões assim, quando forem mediados pelos pais, e, por curto período de tempo e para crianças depois dos dois anos.          
               Antes dos dois anos de idade, a Academia Americana de Pediatria não recomenda nenhum acesso às mídias eletrônicas e afirmam que a interação humana é preponderante a qualquer dispositivo tecnológico.
               Pois bem, quando oferecemos um ambiente amável e acolhedor para nossas crianças, quando interagimos com eles com qualidade e constância, quando nos preocupamos com a alimentação, quando cuidamos da saúde geral dos pequenos, entre outras, estamos estimulando-os a terem uma vida criativa, amorosa e recíproca.
               O que significa isso? Estimulação das crianças em suas potencialidades e habilidades!
 

24.7.15

Que soninho bom!


Dormir representa mais que boas horas de sono. É se abastecer de “energia sonífera” para um novo dia. A criança quando dorme bem, melhora a memória, potencializa o bom humor, a disposição para brincar e aprender. Um soninho reparador previne doenças crônicas e distúrbios do humor.
Estudos realizados pelo Jornal de Pediatria Americano em 2012, mostrou que uma em cada dez crianças de até três anos sofrerá de alterações noturnas de sono, que afetarão não só seu descanso, como também seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Não é a toa, que os mais velhos costumam dizer, que o “sono alimenta”.
Na atualidade sabemos que o hormônio de crescimento é sintetizado durante o período de sono, regulando o crescimento infantil, bem como atuando como um potente reparador de diversos tecidos do organismo e seu funcionamento.
Quando o “pequenino” não dorme, seu organismo fica vulnerável à doenças e desordens. Conheça algumas delas:
1-      Falta de atenção: o cérebro precisa descansar para reorganizar suas múltiplas conexões. Durante o sono o sistema nervoso central arquiva informações e consolida a memória. Quando a criança apresenta um sono picadinho seu sistema de atenção fica prejudicado, deixando a criança agitada, hiperativa e desorganizada;
2-      Metabolismo desregulado: criança que não dorme bem apresenta maior probabilidade (quatro vezes maior) para distúrbios orgânicos crônicos. O estresse gerado por noites mal dormidas retroalimenta os distúrbios de humor;
3-      Distúrbios de humor: a criança ao ser privada de um sono reparador pode ter reduzida sua produção de endorfinas. Essas substâncias são responsáveis pelo bem estar, capazes de minimizar riscos de transtorno de ansiedade e depressão. Imagine o que essa situação representa para uma criança em fase escolar!;
4-      Baixa imunidade: uma criança que dorme bem apresenta um sono reparador e seu sistema imunológico está atento para combater os intrusos. Há evidências de que a criança, que não dorme bem apresenta uma produção inadequada de anticorpos. Resultado, maior predisposição a infecções;
5-      Dor de barriga: quando os pequenos têm uma boa noite de sono, elas reduzem a produção de substâncias inflamatórias (citocinas) de maneira a proteger o sistema digestivo;
Tudo bem, até o momento entendemos porque o sono é tão importante para os pequerruchos. Contudo, existem outras situações, não menos preocupantes, que podem prejudicar o repouso das crianças e que merecem a nossa atenção como pais zelosos.
1-      Insônia infantil: de início pode ser relacionada à certa ansiedade infantil, como a separação da mamãe, controle do ambiente ao seu redor, falta de rotina de sono e regras inadequadas na hora de ir para a cama ( TV ligada, dar mamadeira de madrugada em fase infantil, que ela não precisa mais, passeio de carro para induzir ao sono, etc.). Toda criança apresenta micro-dispertares e se ela percebe que está sem seu acessório, seu mecanismo de defesa é acordar e revindicar o que está lhe faltando.
A rotina é uma aliada do sono, e, desenvolver um comportamento positivo antes de dormir é proporcionar saúde de sono a criança (relaxar antes de dormir, leitura, banho morno, musica relaxante, etc.).
2-      Terror noturno: quem nunca ouviu falar sobre o tema. A criança vai para a cama tranquilamente, mas de repente, ainda dormindo, começa a chorar, gritar, suar, se debater e por vezes até vomitar. Esse ciclo pode durar uns vinte minutos. Nesse ínterim, o pequeno volta a adormecer como se nada tivesse ocorrido. É um transtorno benigno e passa sozinho. E o remédio? Paciência e contenção para acriança não se machucar.
3-      Sonambulismo: desordem do sono muito retratada em desenho animado. É mais comum em crianças de seis a dez anos. Dura em média três minutos e provavelmente está relacionado à imaturidade do sistema nervoso central e ao mecanismo sono versus vigília. Acordar o pequeno não é uma boa ideia, apenas assegure que as janelas estejam fechadas e as portas trancadas. Objetos no quarto não devem impedir o transito da criança, pois pode provocar acidentes. Tem cura? O problema regride espontaneamente.
4-      Agitação noturna: comum em bebês acima de nove meses. O bebê se mexe muito, rola de um lado para o outro e bate as perninhas durante o sono. Com o tempo essa “hiperatividade” noturna vai diminuindo. É uma forma que o pequenino encontra para relaxar e se autoacalmar. Tem remédio? O tempo e os pais se certificarem que não tem nada no berço que possa feri-lo durante a noite.
5-      Apnéia do sono: pode afetar uma a três crianças na faixa etária de um a seis anos em maior ou menor intensidade. Pode prejudicar o rendimento escolar, o raciocínio, a memória e a concentração. Não é incomum observar essa desordem do sono em crianças com renite alérgica, adenoide eu amígdalas aumentadas e no refluxo.
6-      Ranger os dentinhos: o pequeno comprime a arcada dentária superior e inferior – o famoso bruxismo. É uma desordem que pode provocar dor muscular local, dor de cabeça, dor no pescoço, desgaste dos dentinhos, alterações articulares da boca. De onde vem isso? Pode ser decorrente de algum problema emocional que a criança esteja vivendo, conflitos difíceis de serem enfrentados, perfeccionismo, autoexigência, entre outros. Tem solução? A avaliação multiprofissional é bem vinda. Terapeuta, dentista e pediatra fazem uma bela tríade no acompanhamento dos pequenos com essa sintomatologia.

Essas são algumas alterações frequentes que os “pequerruchos” podem apresentar como alteração do sono de sono. Quase estava me esquecendo de mencionar o cochilo ou a sonequinha do meio da tarde (duração de uma a uma hora e meia). A maioria das crianças possuem uma agenda cheia desde pequenos, entretanto, vale a pena fazer uma pausa para recarregar as baterias de energia e dar um “up” no humor.

17.7.15

Com que brinquedo eu vou?!


    Os brinquedos e as brincadeiras fazem parte do mundo infantil desde o intraútero. O bebezinho, na cavidade uterina, brinca com seu cordão umbilical, adora dar rodopios, fazer movimentos graciosos, e aprecia interagir com sua mãe, quando se estica e se enrola dentro da barriga. Brincar é inerente à infância e diz muito sobre a saúde mental das crianças.
    Criança que brinca, tem seu mundo interno povoado de magia, fantasia, criatividade e desenvolve, com maior facilidade, a inteligência emocional. Portanto, para os pequenos, brincar é trabalho, e, dos mais importantes!
    Para cada fase existe um brinquedo mais adequado, pois, um brinquedo, que não respeita a fase de desenvolvimento mental e físico da criança, pode gerar frustração, sensação de derrota, insegurança e até mesmo riscos. Pecinhas pequenas não são adequadas para pequeninos com idade inferior a três anos. Temos também o órgão regulador, e hoje, todos os brinquedos devem possuir o selo do Inmetro, que assegura a adequação do brinquedo (material, segurança e faixa etária indicada).
    Para crianças até um ano, o ideal são os brinquedos macios e que estimulam os cinco sentidos. A presença de um adulto brincante é fundamental. Para tanto, os móbiles, bonecas, carrinhos e formas geométricas de tecido, são muito bem vindos pelos bebês. Os livrinhos de banho ajudam a introduzir os pequenos no mundo da literatura infantil.
    As crianças de um a três anos são cientistas em potencial. Imitam os adultos, adoram música e não descriminam, se um brinquedo é de menina ou de menino. O que importa é a brincadeira. Meninos brincam de panelinha, meninas jogam bola e empurram carrinhos. Blocos de montar distraem e aguçam a criatividade. Encaixar peças e folhear livros com figuras grandes e coloridas atraem os pequenos por um bom tempo.
    Meninos e meninas de três a cinco anos gostam de papel para colorir a lápis de cera ou com tinta de dedo. Fazem a festa com brincadeiras que estimulam a imaginação e o faz de conta, tais como, fantasias, dedoches, fantoches, massinhas, quebra-cabeça e blocos de montar interativos.
    Crianças de cinco a sete anos são muito espertas, ágeis e apreciam a interação com os coleguinhas. Brincar junto é uma festa. Os jogos de tabuleiro podem ser uma boa indicação, livrinhos com pouco texto são muito atrativos, pula-pula, amarelinha, teatro e cinema são bem vindos, quando na presença de um adulto que ajude a mediar a história.
    O que dizer dos pequenos de sete a dez anos? É a fase dos desafios, da prática do raciocínio lógico e a aplicação de estratégias para a resolução de problemas dentro das brincadeiras. Gastar a energia em parques, praças e clubes é uma aventura. Bicicleta, patins, patinete e skate ajudam a desafiar o equilíbrio, a concentração e a mobilidade. Empinar pipa junto com os amigos é uma diversão e tanto.
    Não importa o brinquedo, se ele é manufaturado ou feito de sucata, o que realmente importa é a magia e a vida que as crianças dão aos brinquedos. A brincadeira pode ficar melhor ainda se os pais se dispuserem a dedicar um tempo de qualidade para se entrelaçarem com seus filhos.
 
 
 

5.7.15

Os eletrônicos fazem mal aos pequenos?


A mídia sempre vincula alguma noticia conflitante sobre o uso de dispositivos eletrônicos pelas crianças. Tablets, celulares, ou, outros aparelhos podem, ou, não podem ser vistos como brinquedos pelas crianças?
    Os equipamentos eletrônicos estão na mesa, na cabeceira, na bolsa, na malinha das crianças, e, são muito acessíveis na vida dos pequenos. Parece que as crianças já nascem conectadas desde a maternidade. Os berçários das maternidades já são equipados com câmeras interativas para a família e os pais “babões” visualizam e acompanham os pequerruchos em tempo real.
    Tenho visto cada vez mais criançinhas, com menos de dois anos, conectadas aos dispositivos eletrônicos, enquanto, os pais “solitariamente” almoçam, jantam ou se “divertem” nas pracinhas com seus próprios dispositivos. Fico espantada! Cada um tem seu móbile!!
    Com o uso e a disponibilidade mais fácil dos meios eletrônicos, algumas crianças estão sofrendo de doenças emocionais que antes eram observadas em adultos, tais como a ansiedade social, a “demência digital”, depressão e etc.
    Esses aparelhinhos estão gerando um deslocamento familiar, ou seja, os membros podem estar juntos, mas cada um está no seu quadrado. Silenciosamente, cada membro da família está construindo sua barreira relacional e a troca de informações, quando muito, acontece por algum tipo de comunicação eletrônica, ou, por frases curtas, do tipo: “Vamos, está na hora (de alguma coisa)”.
    A semana passada, uma mãe me contou, que sofreu um pequeno acidente de carro enquanto digitava um “Whats up” para sua amiga. Seu filho de três anos nada sofreu, estava adequadamente atado na cadeirinha infantil. Segundo ela, ele está muito assustado e com dificuldade de dormir sozinho. Por outro lado, a mãe tenta apaziguar a situação colocando no tablet a boa e velha “Galinha Pintadinha”. Penso que seria muito mais carinhoso e reconfortante para a criança, nesse momento de angústia, um livrinho infantil, brincadeiras que trabalhassem a confiança mútua, e, conversar sobre o assunto de maneira lúdica.
    Acho que como terapeuta, estou ultrapassada e tudo que tenho estudado, até o momento, está indo por água a baixo. Afinal das contas, tento usar a palavra e outras formas de comunicação para ajudar as pessoas a ressignificarem suas angústias. Vou rever meus conceitos e vou usar os dispositivos eletrônicos para hipnotizar meus clientes, e, o melhor de tudo, ainda posso cobrar por isso. Socorro!! “Jesus apaga a luz”!
    Para piorar a coisa, outro dia caiu em minhas mãos uma matéria sobre campos magnéticos. A Organização Mundial da Saúde, em 2011, disparou um alerta, sugerindo que esses campos podem ser carcinogênicos, e, eles estão associados aos dispositivos celulares. França e Bélgica estão estudando legislação, que alerte sobre o tema, quando o assunto é o uso dos mesmos pelas crianças.
    Se não bastasse o empobrecimento relacional, que os equipamentos móveis causam nas famílias, quando usados em excesso, ainda temos a possibilidade de danos físicos.
    E agora?
    Pode ou não pode?
    Quanto tempo é considerado como medida aceitável para os pequenos?
    A partir de qual idade?
    Como terapeuta familiar, me interesso muito sobre o assunto, e, antes de responder se pode, quanto pode, e, a partir de que idade, posso afirmar, que o que realmente pode e deve, são as pessoas se olharem, fazerem a leitura da expressão facial, dar devolutivas, interagir com as crianças, trocar afagos, conversar mais, conviver entre família, dar risada, desfrutar do contato com amigos e amiguinhos, abraçar sem limite, brincar e gargalhar por coisas simples e singelas, contar histórias, bricar no pula-pula, jogar amarelinha, cantar e desafinar, frequentar pracinhas, afinar as boas lembranças. Garanto que são essas memórias afetivas, que ficarão para o resto de nossas vidas.
    Se você quer saber meu veredito, como terapeuta, sobre o uso dos dispositivos eletrônicos pelas crianças aqui vai: Já para fora brincar de verdade!

26.6.15

Será que existe a Boadrasta?



Alguns homens passam por certas dificuldades relacionais, com seus filhos, quando eles introduzem a nova parceira – a “Boadrasta”. Nem sempre, as crianças aceitam de bom grado a nova companheira do pai, e, situações adversas acontecem com frequência. Boadrasta e as crianças podem sair muito magoadas.
Como lidar com a nova realidade e causar menos estresse possível para ambos os lados?
De início pode não ser fácil, mas com boa vontade “Boadrasta” e “Boascrianças” podem achar pontos em comum e progressivamente afeição, respeito e cumplicidade, podem aflorar positivamente.
Um começo interessante é a “Boadrasta” reconhecer seu papel na relação com as crianças e entender que críticas, punições e disputas não facilitam o processo relacional. Pelo contrário, cria um abismo entre a nova parceira e os filhos.
Outro ponto a considerar é que as crianças precisam de um tempo especial com seus pais. Sentir que o pai é só dela e ela é a criança mais especial do mundo.
Caso existam filhos do lado da “Boadrasta”, num primeiro momento, evite misturar os meus, os seus, os nossos. Deixe que as aproximações aconteçam lentamente de cada lado. Assim, ninguém se sente atropelado ou em desvantagem. Não force a barra cobrando amores e empatias imediatas.
As crianças precisam de um tempo para entender a situação e perceberem, que não há necessidade de disputas entre elas mesmas. Que tanto a “Boadrasta” como o “Bompadrasto” estão jogando no mesmo time e querem a harmonia dentro da nova configuração familiar.
Quando as crianças percebem que o ambiente é pouco estressante e as relações estão abertas para novos relacionamentos, os pequenos tendem a baixar a guarda e a aproveitar o que o casal tem de melhor.
Aceitar os filhos do novo parceiro não é uma tarefa fácil, porém, é um investimento e uma construção diária que vale a pena. Ser gentil, amável, disponível e saber que ninguém está roubando o lugar de ninguém, são pontos fortes a considerar com frequência. Competição e cabo de guerra só afastam as crianças e as empurram para um abismo relacional sem volta. Lugar de mãe será sempre da mãe, e, lugar de pai será sempre do pai e ponto!
E quanto à ex-mulher ou o ex-marido, como fica a relação?
Se possível ela deve ser o mais cordial possível, evitando provocações, ciladas, falta de respeito e estar disponível para um diálogo aberto sobre as crianças quando necessário.