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29.3.15

Raiva, birra e ataque de choro! E agora?


            Raiva, birra, choro pode ser considerado tudo a mesma coisa?
Simbolizam apenas um ato de protesto das crianças quando algo as contradiz ou simplesmente se sentem frustradas?
                Bem, as coisas não são tão simples assim. De primeira vista, aos olhos do adulto, esses comportamentos representam o mesmo e seguem caminho similar – um ataque de fúria infantil.
                Raiva é uma emoção negativa que pode ser expressa num momento de mal estar ou de recusa a algo que incomode ou que cause frustração. A birra, por sua vez, é um clamor de choro sem justificativa, com tempero aditivo de protesto. Já o choro ou o choramingo é um lamento estridente e muito irritante para quem escuta e evidencia o “show time”.
                Como é possível notar, passar um período infantil regado as três situações citadas acima não é nada fácil, demanda paciência e muitos recursos internos por parte do cuidador.
                A tríade de mau comportamento (raiva, birra, choro) é mais comum de ser observada na fase dos dois anos, mas pode se prolongar até os quatro anos ou um pouquinho mais. Cada criança irá prevalecer em um ou mais recursos da tríade.
                Se a maioria das crianças passa por essa fase, nada mais simples do que nos prepararmos para entendermos e sabermos lidar com ela. Adultos são reflexivos e sabem o poder das consequências, já as crianças são imaturas para lidar com tantas variáveis ao mesmo tempo. Por isso, elas precisam de um adulto para ajudá-las a modular suas emoções.
                A tríade pode ser causada pela incapacidade da criança para expressar ou controlar suas emoções. Lidar com a negativa, com a fome, com a frustração, com a sede, com o sono não é fácil para nós adultos, imagine, então, para os pequenos que acabaram de chegar a esse nosso mundão de Deus.
                Quando nos dispomos a ajudar nossos filhos a lidar com a raiva e a frustração parece que as coisas ficam mais claras e menos difusas no momento de resolver as questões. Acalmar a criança antes que o descontentamento vire raiva é o grande pulo do gato para evitar que a tríade toda se estabeleça. Se aprendermos a observar e a identificar precocemente os gatilhos da tríade, fatalmente poderemos minimizá-la ou até mesmo evitá-la. É uma forma de reduzir a negatividade e preponderar formas positivas de lidar com as adversidades do mundo infantil.
                Quando o comportamento da criança e sua expressão facial começar dar sinais que estão saindo do “angelical” é hora de ascender a luz amarela e acionar o botão de “possíveis recursos positivos para lidar com a situação”.
E existe isso?
                Grande parte das crianças acaba por demonstrar um mau comportamento por repetição de mesmos eventos anteriores. Elas são pragmáticas e repetitivas quando o assunto é vencer pelo cansaço. Quando atentamos para isso, somos capazes de “pegá-las antes da curva” e evitar a tríade.
                Eu não descobri a eureca e muito menos estou sendo inovadora. Apenas estou sugerindo que você, nobre cuidador, faça o papel de adulto continente e amoroso na relação.
                Por exemplo, se você perceber que seu filho está cansado ou superestimulado por “n” motivos, procure acalmá-lo, oferecendo um colinho aconchegante e uma atividade tranquila do tipo, uma contação de história ou uma música relaxante. Caso você experiencie, junto ao seu filho, uma crise de frustração, remova-o da fonte frustradora (loja, doce, brinquedo, etc) e use a distração como ferramenta para ele recuperar a calmaria e o bom senso. Lembre-se, você é o adulto que pode conte-la e acolhe-la!
                Outro exemplo de nosso cotidiano com crianças é quando elas se recusam a obedecer uma solicitação. Evite elevar a voz ou usar de recursos que viole a integridade do pequeno. Diga que você entende que ela está triste e infeliz por ser contrariada, mas que ela precisa fazer a tarefa que você solicitou.

                De início pode parecer difícil, pois estamos acostumados com uma educação autocrática, mas com o tempo você verá que a conciliação e a moderação são melhores do que o “faça por que eu estou mandando!”
Em nosso próximo post daremos algumas soluções práticas para lidar com a terrível e tenebrosa tríade!!

5.3.15

O poder da imaginação criativa na resolução de problemas com crianças

          
      Todo pai e toda mãe sabe que criar e educar os filhos exige habilidades, competências, senso apurado, uma boa dose de flexibilidade para termos a atenção, e, a cooperação dos pequenos. Lidar com crianças na fase pré-escolar exige muita paciência e perseverança. Afinal, eles testam nossas habilidades paternais o tempo todo. Fazem para assegurar sua própria existência no mundo que as cercam.
                 A imaturidade, característica esperada da infância, acaba deflagrando em nós, pais, sentimentos confusos, ora de raiva por eles não nos obedecerem, ora de remorso por sermos rígidos e críticos em demasia com as crianças, de vez em quando.
                Ainda bem que existem algumas maneiras de deixar o cotidiano do lar mais leve e assertivo. Basta que os senhores pais se desnudem um pouco da roupa de autoridade e vistam a capa da imaginação criativa, e, usá-la como ferramenta adicional na resolução de problemas com os pequenos.
                Se tomar a sopa ou comer uma refeição está tão difícil para a criança, porque não lançar mão, mesmo que uma vez ou outra, de uma história criativa: a sopa será o liquido quentinho que quando ingerido deixará a criança mais forte e corajosa. O brócolis e a cenoura ganharão a forma de uma árvore frondosa, com frutos redondinhos capaz de promover a inteligência e muita disposição para brincar. As crianças vão amar uma inovação!
                A música também pode ser uma aliada a mais. Uma canção que agrada aos ouvidos infantis pode promover verdadeiros milagres. Guardar os brinquedos ao som da dupla “Palavra Cantada” estimula até o mais teimoso a mudar sua atitude e entrar na “dança” da cooperação.
                Queremos que nossos filhos entendam uma determinada situação ou conflito, mas ao mesmo tempo não sabemos como abordar a problemática sem confundi-los ou deixá-los confusos. Uma boa saída é lançar mão das historinhas. Elas ajudam a aliviar o tédio da ante-sala do pediatra, do extenso percurso dentro de um meio de transporte, além de promover também uma certa tranquilidade.
É possível, por meio dos contos, falar sobre assuntos que sem eles seriam muito educativo e pouco tocante ao coração das crianças. Os contos e as histórias infantis ajudam a passar valores éticos e morais aos pequenos sem ser chato e cheio de lição de moral. Contar histórias é um verdadeiro compartilhar de emoções e afetividade. O tempo passa sem perceber que ele está passando, além de ser mágico aos olhos e aos ouvidos infantis.
                 Quando os pais são mais abertos e disponíveis para seus filhos, as crianças ficam mais livres para expressarem seu jeito de ser e de agir no mundo. Sabem que o papai e a mamãe são seu verdadeiro porto seguro e com eles podem contar sempre que preciso for. O desenvolvimento da empatia, da cooperação e da sensibilidade são estimulados pelo comportamento aberto e amoroso dos pais.
                Não estou fazendo apologia a um lar complacente, mas sim a um cotidiano menos critico. Quando o assunto com os pequenos for realmente sério, não deixe de lado o olho no olho, a mensagem direta e clara, mas sem ameaças. Não permita que a raiva tome o lugar do bom senso e da consistência.
                No caso de dúvidas em relação à educação de seu filho, use o conhecimento ao seu favor. Leia, questione e procure deixar bem longe expressões física e emocional de violência. A criança que realmente se sente amada e respeitada, responde ao mundo com generosidade e esperança.