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13.4.15

Adaptação da criança na creche - berçário ou escolinha


Melhor idade para colocar a criança na creche?
- Lei N 12.796/2013: obrigatório a matrícula de crianças brasileiras na educação básica a partir dos 4 anos (antes dos 6 anos).
- Muitos pais colocam seus filhos antes, na préescola por necessidade: colocam seus filhos a partir dos 4 meses na creche devido ao final da licença maternidade e retorno as atividades profissionais.
Prós e contras da criança ir pequenina para a creche
a) Prós
Quanto mais cedo o ingresso da criança na creche melhor os benefícios e sua adaptação:
 - o ambiente da creche propicia uma ampliação dos círculos de relacionamento e situações que não são possíveis de resolver em casa (trabalho dos pais x cuidador)
 - o ambiente da creche facilita que a criança aprenda a esperar, dividir, lidar com a frustração
 - lembrar que até os 5 anos a criança não deve entrar numa rotina de aulas e tarefas. O brincar já é um grande trabalho e uma grande tarefa para o desenvolvimento osteoneuromuscular dos pequenos.
  - Após os 3 anos a criança já tem uma boa noção de coletivo e a escola ajuda os pequenos a integrar as noções de tempo e espaço, causa e efeito, e, como o mundo funciona. Tem hora para que as coisas aconteçam – isso promove previsibilidade e segurança a criança
 b) Contras
 - Seria mais adequado a criança ir para a escola após os 2 anos, pois ela estaria desfraldada e já estaria se comunicando verbalmente – teria uma independência relativa
  - A criança não seria obrigada a entrar numa rotina “forçada” precocemente e deixaria de conviver precocemente com a família
 - postergar a entrada da criança na creche fortaleceria os vínculos familiares
Obs: estudo efetuado nos EUA observando o comportamento de 1300 crianças dos 0 a 12 meses:
½ ficaram em casa sendo cuidada por mãe ou babá      
½ foram para a creche
 (ambos os grupos foram submetidos a testes psicométricos)
Conclusão: o grupo de crianças que foram para a creche se saiu melhor em todos os testes, demonstrando que elas são mais sociáveis, são bem adaptadas a normas e rotinas e o vocabulário é maior.
Generalidades
As necessidades das crianças até os 3 anos são muito individuais e devem ser atendidas com flexibilidade, adaptação lenta e atenção dedicada dentro de pequenos grupos de convívio. As brincadeiras devem estimular os 5 sentidos desde pequeninos (banho, leitura, música, massagem, brinquedinhos, paladar, texturas) e sempre acompanhadas de um cuidador “fixo” ,afetivo e disponível para o cuidado da criança.
É bom lembrar que a adaptação do bebê a creche vai depender muito mais da atitude pessoal do “cuidador” do que do bebê propriamente dito. O bebê não sabe que vai para creche, mas a escolinha sabe. Portanto, deve estar bem preparada para receber a criança pequena. Esse momento será muito mais produtivo e acolhedor se for compartilhado com os pais. A adaptação é gradativa (1h, 2h, 3h, 4h, 5h) e os pais podem participar de algumas atividades da creche (banho, alimentação, brincadeiras, banho de sol, repouso). O objetivo é aninhar o bebê ao seu novo espaço.
         Lembre-se o bebê não sabe ler o relógio. Para ele 1 ou 2 horas pode ser uma eternidade!
         A adaptação dos pais pode ser mais difícil que a do bebê. a separação envolve muito mais do que deixar um bebê indefeso no berçário. É um momento onde mãe/pai reeditam seus momentos de separação ao longo da vida.
Adaptação do bebê na creche
 Normalmente os pais resolvem colocar o bebê na creche após o final da licença maternidade.
Como enfrentar essa separação com menos estresse e trauma para o bebê e sua família?
Bem, deixar o bebê na creche aos cuidados de um berçarista pode ser angustiante para qualquer mãe. Quanto menor a criança, maior as dúvidas e as angústias maternas (paternas). Apesar das intempéries, é possível passar por essa etapa.
COMO?
A) Assegurar um vínculo positivo e fortalecido desde a gestação e nascimento – apego seguro. Dá a criança a percepção de que ela não está sendo abandonada.
Como saber se esse vínculo está estremecido ou débil? A criança responde de maneira a chorar intensamente e desesperada, permanece apática, desvia o olhar, apresenta inapetência. Caso isso aconteça, vale a pena reavaliar a ida do bebê para creche e pensar em postergar a ida do bebê para a escolinha e procurar ajuda especializada para restituir o vínculo fragilizado.
B) Escolher bem o local onde vai deixar o bebê. Quando ficamos em dúvida em deixar o bebê na creche é possível que a insegurança se torne maior. Por isso, antes de deixar o bebê numa creche é preciso conhecer o estabelecimento com critério e um olhar de detetive. Saber se o local está de acordo com as normas da Anvisa e da prefeitura (estrutura física e sanitária, disposição de recursos humanos, responsável técnico, organização, mobiliário, brinquedos certificados pelo Inmetro (Ministério da Educação Indicadores de qualidade na Educação Infantil. Brasília: Mec/Seb.2009.http//portal.mec.gov.br).
Adicionalmente assegurar que o cuidador:
- sempre a mesma pessoa que recebe o bebê na porta e presta os cuidados a  ele
 - oferece o alimento no colo, mantendo bom contato físico e olho no olho
- conversa de maneira empática com o bebê
- oferece uma rotina voltada as necessidades físicas e emocionais do bebê
- possui treinamento para atender emergências simples e contra acidentes
C) Focar atenção na alimentação
A creche deve assegurar a criança as orientações alimentares do pediatra e da nutricionista
D) Promoção da estimulação do bebê de acordo com a faixa etária da criança e pautada na afetividade e segurança (0 a 3 meses; 3 a 6 meses; 6 a 9 meses; 9 a 12meses e assim por diante).
 E) Lidar com as emoções é uma boa ferramenta
O bebê se separar da mãe é inevitavelmente uma situação difícil, mas é mais difícil ainda para o adulto – mãe. É um desafio a ser superado por ambos. O bebê é um ser muito sensível e pode captar as angústias e o estresse da mãe. Como ele ainda não sabe falar, sua única forma de se comunicar é por meio do choro e da expressão corporal. Moral da história, o bebê pode ficar mais agitado e choroso do que o habitual. Portanto, a melhor maneira de lidar com a situação é manter a tranquilidade e transmitir segurança ao pequenino.
F) Deixar na porta ou sair de fininho
Nem uma nem outra! De início é ideal que a mãe ou outro cuidador familiar esteja por perto nesse primeiro momento de adaptação. Oferecer colo e acalanto na hora do choro é fundamental. É uma forma de mostrar ao bebê que entendemos sua dor e nos empatizamos com ele. Essa medida também transmite ao bebê que ele não foi abandonado e está desprotegido. Fique confiante e acredite que se tudo for feito com paciência e persistência, logo o bebê se acostumará com a situação.
G) Acione o botão “vá com calma” que tudo dará certo
O período de adaptação do bebê a creche pode ser apaziguado com a participação positiva dos pais e dos cuidadores. Voz calma e acolhedora ajuda a conduzir o bebê as dependências do berçário, apresentando-o a “nova casa”. Deixe o bebê perceber o novo local, observar as pessoas, as cores, os cheiros e tudo que acontece ao seu redor. Apresente este novo lugar com paciência e permita que o bebê explore-o de acordo com sua percepção.
H) Assuntos administrativos
Procure conhecer o local escolhido para deixar seu bebê com antecedência. Não deixe para a última hora. Se assegure que a creche possui:
- responsável técnico
- professora ou cuidador responsável
- funcionário específico para cada área; limpeza, alimentação, secretária, etc
- averigue a qualificação profissional das pessoas que vão estar em cuidado direto com seu bebê
Assegure que a creche possui uma ficha de anamnese detalhada de seu bebê: histórico contendo hábitos, rotina e condições de saúde.
Coloque desde a entrevista inicial com o responsável pela creche seus anseios, dúvidas, expectativas e outras não menos importantes.
Lembre-se: a fase de adaptação do bebê a creche deve ser elástica, mas a média é de 3 semanas. Os pais podem e devem participar do processo, se envolvendo em alguma rotina do bebê na creche (alimentação, higiene, estimulação, brincadeiras, etc).

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