Postagens Mais Acessadas

22.5.15

Eu não vou para a escola mesmo!

    Um dia ou outro os pais vão passar pela experiência de seu filho não querer ir para a escola. Isso pode acontecer em qualquer fase do período escolar e os pais precisam aprender a lidar com isso.
Tudo estava, aparentemente, indo bem, até que um belo dia seu pequeno “decide” não ir mais a escola.
    Como assim?
    A criança pode se negar a vestir a roupa do colégio ou mesmo, entrar no carro e armar o maior berreiro na porta escola e se negar a se desgrudar de voce.
    Por que será que isso está acontecendo?
    Tudo parecia estar indo tão bem!
    Até ontem seu filho relatava adorar a professora, se dar bem com os colegas e a escola era seu segundo melhor lugar do mundo. Pois bem, a palavrinha mágica pode ser o “medo”. O medo ou a insegurança em ir para a escola pode estar relacionado a mudança de série (maternal – jardim; pré – fundamental e assim por diante). É o medo ou o temor do desconhecido, de ter que amadurecer e perder coisas, relações, atenção ou qualquer outra coisa que até ontem lhe era fonte de prazer e segurança. Esse tipo de situação é mais comum em crianças na fase dos quatro a sete anos, mas pode ser observada em qualquer idade. Afinal medo é medo e muitas vezes a causa desse sentimento não está evidente.
    Os adultos conseguem localizar seus medos e falar sobre eles com mais facilidade que as crianças. Elas simplesmente sentem o sentimento e não sabem lidar com ele. O medo vira um monstro sem tamanho e sem nome. Moral da história, se a criança não sabe o que ela está sentindo a saída é evitar o que está lhe causando desconforto e ansiedade. É importante ressaltar que o medo de ir para a escola é diferente para cada fase de amadurecimento da criança. A insegurança do pequenino que vai para a escola pela primeira vez é diferente do medo da criança que já cursa a escola. Os estudos mostram que a dificuldade infantil é mais usual nas fases que compreendem a préescola e o fundamental e depois pode ressurgir na puberdade.
    Uma boa notícia, é só uma fase!
    A criança com suas potencialidades e mediado pela presença amorosa e incentivadora dos pais conseguem superar essa fase de transição com sucesso, principalmente se a escola estiver de mãos dadas com a família, imbuídos de retomar a assiduidade do pequeno as aulas. Por outro lado, precisamos ficar atentos para que a fase de transição não seja confundida com um problema emocional mais grave.  Nesse aspecto, não podemos deixar de mencionar alterações importantes que podem repercutir diretamente na saúde mental da criança, entre elas, a depressão infantil, o transtorno de ansiedade, bullyng ou o descompasso entre a filosofia da escola e o que os pais desejam da escola.
    Algumas crianças ficam ansiosas, quando as coisas não vão bem. Podem somatizar e apresentarem dores de barriga, dor de cabeça, vontade de vomitar aos chegar na hora de ir para a escola, entre outras. Outras situações ,e, não menos importantes, podem contribuir para o não desejo dos pequenos em irem para a escola e usualmente estão associadas a desarmonia familiar, chegada do segundo filho, morte de ente querido, separação dos pais, etc.
    Como lidar com a situação?
    Primeira coisa, não entrar em desespero ou acreditar que seu filho virou um “ET” de uma hora para outra. Segundo, procure identificar a causa e espere o momento certo para seu filho se abrir com você. Questione sobre o ambiente escolar e do que ele gosta e não gosta na escola. Lembre-se, agora você é um verdadeiro detetive buscando pistas para esclarecer os conflitos que está sendo experienciado por seu filho. Seja habilidoso e paciente. Em seguida, procure a escola e converse com a professora e se preciso com outras mães para tentar entender a situação. Passe confiança a seu filho e diga que tudo ficará bem. Use livros infantis que fale sobre diversos tipos de medo, dramatize com bonecos ou dedoches e procure lidar com o medo infantil de maneira lúdica e assertiva. Por último, se as coisas não se resolverem, procure ajuda especializada para lidar com a problemática.

8.5.15

Mães são verdadeiros cabos conectores com seus filhos


    Durante meus caminhos, por essa vida a fora de terapeuta, caiu em minhas mãos o primeiro volume de um autor que estudou muito a relação mãe-bebê – John Bolwby. Esse cara legal e antenado, pesquisou o estabelecimento do apego seguro na infância e sua relação com a saúde mental no indivíduo adulto.
    O apego é algo tão grandioso dentro da relação mãe e bebê, que hoje pode ser entendido como uma expressão da ligação intensa e peculiar entre duas pessoas que estão estabelecendo uma relação muito intima e pessoal. Quem está de fora não pode entender essa conexão, pois, ela transcende o amor e o cuidado banalizado em tantos relacionamentos que são estabelecidos pelo mundo a fora.
    Porque estou trazendo esse tema ao nosso leitor?
    É que esta semana que antecede o dia das mães me fez refletir o mérito dessa relação sublime entre a mãe e seu filho. Popularmente, as pessoas costumam comentar: fulano é muito apegado a mãe; beltrano é muito apegado a sua família e ciclano é muito apegado a namorada ou a esposa.
    Estar apegado é algo que tem a ver com a conexão estabelecida entre alguém que se quer bem – é estar vinculado amorosamente a um parceiro.
    Apegado é querer estar próximo de quem se quer bem e esse alguém não pode ser substituído por nenhum outro. É um alguém especial, e, como tal tem qualidades afetivas nutridoras de amor e fonte intensa de carinho e respeito. É um alguém chamado “Mãe”.
    Essa mãe é fonte exaustiva de segurança, amparo e calmaria. Tem seu jeito peculiar de ser e de cuidar. Não admite ser julgada ou criticada, pois, entende que está fazendo seu melhor e ninguém faz melhor do que ela.
    Alguém apegado se sente aderido a uma base segura, e, pode se dar ao direito de explorar ao seu redor, dar uma volta pelo mundo a fora e voltar correndo para os braços aquecidos e protetores da figura cuidadora e amorosa.
    Se pensarmos nos seres humanos, são os indivíduos do reino animal mais frágeis e indefesos ao nascer. São incapazes de sobreviver sozinhos por um longo período de tempo. Assim, os bebês se apegarem as suas mães é uma forma amorosa de sobrevivência e manutenção da espécie.
    Desde o início, a mãe propicia a formação de um ambiente acolhedor, o qual facilita o apego de seu filho em relação a ela. Devagarinho, a dupla vai tecendo experiências dentro de um modelo seguro de apego e por causa desse modelo, o bebê vai criando expectativas positivas sobre o mundo e confiante de que sua mãe satisfará suas necessidades mais prementes de amor, carinho, acolhimento, amparo e segurança. Ingredientes amorosos para o desenvolvimento saudável de uma boa saúde mental.
    A costura de um modelo de apego seguro é capaz de fornecer as “lentes visuais” de como o indivíduo enxergará o mundo no futuro e a si próprio. Pensar que uma mãe é capaz de fazer tanto por seu filho é admirável! Enxergar que uma mãe pode influenciar em como seu filho vai entender e agir no mundo que o espera lá fora é de causar espanto e muita satisfação. É muita responsabilidade para um ser que é puramente humano!
    É claro que o vinculo afetivo entre pais e filhos é um processo contínuo, construído desde a gestação e é assegurado e reassegurado conforme as interações vão ocorrendo.
    Penso que os bebês ao nascerem sabem que vão encontrar algo mágico e muito especial, embora, ainda não fazem a menor ideia do que seja. Num passe de mágica, surge alguém muito amorosa e disponível, que se oferece de corpo e alma para proporcionar o apego e ao mesmo tempo se vincular amorosamente para sempre. Por isso, o amor materno é algo supremo, sutil e delicado.
    O dia das mães, segundo a teoria de Bolwby é todos os dias, pois, não conheço um filho, saudável mentalmente, que não seja apegado a sua mãe. O apego positivo é histórico e transgeracional. É maravilhoso e quando o apego é favorecido desde o início, é para todo o sempre!