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24.7.15

Que soninho bom!


Dormir representa mais que boas horas de sono. É se abastecer de “energia sonífera” para um novo dia. A criança quando dorme bem, melhora a memória, potencializa o bom humor, a disposição para brincar e aprender. Um soninho reparador previne doenças crônicas e distúrbios do humor.
Estudos realizados pelo Jornal de Pediatria Americano em 2012, mostrou que uma em cada dez crianças de até três anos sofrerá de alterações noturnas de sono, que afetarão não só seu descanso, como também seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Não é a toa, que os mais velhos costumam dizer, que o “sono alimenta”.
Na atualidade sabemos que o hormônio de crescimento é sintetizado durante o período de sono, regulando o crescimento infantil, bem como atuando como um potente reparador de diversos tecidos do organismo e seu funcionamento.
Quando o “pequenino” não dorme, seu organismo fica vulnerável à doenças e desordens. Conheça algumas delas:
1-      Falta de atenção: o cérebro precisa descansar para reorganizar suas múltiplas conexões. Durante o sono o sistema nervoso central arquiva informações e consolida a memória. Quando a criança apresenta um sono picadinho seu sistema de atenção fica prejudicado, deixando a criança agitada, hiperativa e desorganizada;
2-      Metabolismo desregulado: criança que não dorme bem apresenta maior probabilidade (quatro vezes maior) para distúrbios orgânicos crônicos. O estresse gerado por noites mal dormidas retroalimenta os distúrbios de humor;
3-      Distúrbios de humor: a criança ao ser privada de um sono reparador pode ter reduzida sua produção de endorfinas. Essas substâncias são responsáveis pelo bem estar, capazes de minimizar riscos de transtorno de ansiedade e depressão. Imagine o que essa situação representa para uma criança em fase escolar!;
4-      Baixa imunidade: uma criança que dorme bem apresenta um sono reparador e seu sistema imunológico está atento para combater os intrusos. Há evidências de que a criança, que não dorme bem apresenta uma produção inadequada de anticorpos. Resultado, maior predisposição a infecções;
5-      Dor de barriga: quando os pequenos têm uma boa noite de sono, elas reduzem a produção de substâncias inflamatórias (citocinas) de maneira a proteger o sistema digestivo;
Tudo bem, até o momento entendemos porque o sono é tão importante para os pequerruchos. Contudo, existem outras situações, não menos preocupantes, que podem prejudicar o repouso das crianças e que merecem a nossa atenção como pais zelosos.
1-      Insônia infantil: de início pode ser relacionada à certa ansiedade infantil, como a separação da mamãe, controle do ambiente ao seu redor, falta de rotina de sono e regras inadequadas na hora de ir para a cama ( TV ligada, dar mamadeira de madrugada em fase infantil, que ela não precisa mais, passeio de carro para induzir ao sono, etc.). Toda criança apresenta micro-dispertares e se ela percebe que está sem seu acessório, seu mecanismo de defesa é acordar e revindicar o que está lhe faltando.
A rotina é uma aliada do sono, e, desenvolver um comportamento positivo antes de dormir é proporcionar saúde de sono a criança (relaxar antes de dormir, leitura, banho morno, musica relaxante, etc.).
2-      Terror noturno: quem nunca ouviu falar sobre o tema. A criança vai para a cama tranquilamente, mas de repente, ainda dormindo, começa a chorar, gritar, suar, se debater e por vezes até vomitar. Esse ciclo pode durar uns vinte minutos. Nesse ínterim, o pequeno volta a adormecer como se nada tivesse ocorrido. É um transtorno benigno e passa sozinho. E o remédio? Paciência e contenção para acriança não se machucar.
3-      Sonambulismo: desordem do sono muito retratada em desenho animado. É mais comum em crianças de seis a dez anos. Dura em média três minutos e provavelmente está relacionado à imaturidade do sistema nervoso central e ao mecanismo sono versus vigília. Acordar o pequeno não é uma boa ideia, apenas assegure que as janelas estejam fechadas e as portas trancadas. Objetos no quarto não devem impedir o transito da criança, pois pode provocar acidentes. Tem cura? O problema regride espontaneamente.
4-      Agitação noturna: comum em bebês acima de nove meses. O bebê se mexe muito, rola de um lado para o outro e bate as perninhas durante o sono. Com o tempo essa “hiperatividade” noturna vai diminuindo. É uma forma que o pequenino encontra para relaxar e se autoacalmar. Tem remédio? O tempo e os pais se certificarem que não tem nada no berço que possa feri-lo durante a noite.
5-      Apnéia do sono: pode afetar uma a três crianças na faixa etária de um a seis anos em maior ou menor intensidade. Pode prejudicar o rendimento escolar, o raciocínio, a memória e a concentração. Não é incomum observar essa desordem do sono em crianças com renite alérgica, adenoide eu amígdalas aumentadas e no refluxo.
6-      Ranger os dentinhos: o pequeno comprime a arcada dentária superior e inferior – o famoso bruxismo. É uma desordem que pode provocar dor muscular local, dor de cabeça, dor no pescoço, desgaste dos dentinhos, alterações articulares da boca. De onde vem isso? Pode ser decorrente de algum problema emocional que a criança esteja vivendo, conflitos difíceis de serem enfrentados, perfeccionismo, autoexigência, entre outros. Tem solução? A avaliação multiprofissional é bem vinda. Terapeuta, dentista e pediatra fazem uma bela tríade no acompanhamento dos pequenos com essa sintomatologia.

Essas são algumas alterações frequentes que os “pequerruchos” podem apresentar como alteração do sono de sono. Quase estava me esquecendo de mencionar o cochilo ou a sonequinha do meio da tarde (duração de uma a uma hora e meia). A maioria das crianças possuem uma agenda cheia desde pequenos, entretanto, vale a pena fazer uma pausa para recarregar as baterias de energia e dar um “up” no humor.

17.7.15

Com que brinquedo eu vou?!


    Os brinquedos e as brincadeiras fazem parte do mundo infantil desde o intraútero. O bebezinho, na cavidade uterina, brinca com seu cordão umbilical, adora dar rodopios, fazer movimentos graciosos, e aprecia interagir com sua mãe, quando se estica e se enrola dentro da barriga. Brincar é inerente à infância e diz muito sobre a saúde mental das crianças.
    Criança que brinca, tem seu mundo interno povoado de magia, fantasia, criatividade e desenvolve, com maior facilidade, a inteligência emocional. Portanto, para os pequenos, brincar é trabalho, e, dos mais importantes!
    Para cada fase existe um brinquedo mais adequado, pois, um brinquedo, que não respeita a fase de desenvolvimento mental e físico da criança, pode gerar frustração, sensação de derrota, insegurança e até mesmo riscos. Pecinhas pequenas não são adequadas para pequeninos com idade inferior a três anos. Temos também o órgão regulador, e hoje, todos os brinquedos devem possuir o selo do Inmetro, que assegura a adequação do brinquedo (material, segurança e faixa etária indicada).
    Para crianças até um ano, o ideal são os brinquedos macios e que estimulam os cinco sentidos. A presença de um adulto brincante é fundamental. Para tanto, os móbiles, bonecas, carrinhos e formas geométricas de tecido, são muito bem vindos pelos bebês. Os livrinhos de banho ajudam a introduzir os pequenos no mundo da literatura infantil.
    As crianças de um a três anos são cientistas em potencial. Imitam os adultos, adoram música e não descriminam, se um brinquedo é de menina ou de menino. O que importa é a brincadeira. Meninos brincam de panelinha, meninas jogam bola e empurram carrinhos. Blocos de montar distraem e aguçam a criatividade. Encaixar peças e folhear livros com figuras grandes e coloridas atraem os pequenos por um bom tempo.
    Meninos e meninas de três a cinco anos gostam de papel para colorir a lápis de cera ou com tinta de dedo. Fazem a festa com brincadeiras que estimulam a imaginação e o faz de conta, tais como, fantasias, dedoches, fantoches, massinhas, quebra-cabeça e blocos de montar interativos.
    Crianças de cinco a sete anos são muito espertas, ágeis e apreciam a interação com os coleguinhas. Brincar junto é uma festa. Os jogos de tabuleiro podem ser uma boa indicação, livrinhos com pouco texto são muito atrativos, pula-pula, amarelinha, teatro e cinema são bem vindos, quando na presença de um adulto que ajude a mediar a história.
    O que dizer dos pequenos de sete a dez anos? É a fase dos desafios, da prática do raciocínio lógico e a aplicação de estratégias para a resolução de problemas dentro das brincadeiras. Gastar a energia em parques, praças e clubes é uma aventura. Bicicleta, patins, patinete e skate ajudam a desafiar o equilíbrio, a concentração e a mobilidade. Empinar pipa junto com os amigos é uma diversão e tanto.
    Não importa o brinquedo, se ele é manufaturado ou feito de sucata, o que realmente importa é a magia e a vida que as crianças dão aos brinquedos. A brincadeira pode ficar melhor ainda se os pais se dispuserem a dedicar um tempo de qualidade para se entrelaçarem com seus filhos.
 
 
 

5.7.15

Os eletrônicos fazem mal aos pequenos?


A mídia sempre vincula alguma noticia conflitante sobre o uso de dispositivos eletrônicos pelas crianças. Tablets, celulares, ou, outros aparelhos podem, ou, não podem ser vistos como brinquedos pelas crianças?
    Os equipamentos eletrônicos estão na mesa, na cabeceira, na bolsa, na malinha das crianças, e, são muito acessíveis na vida dos pequenos. Parece que as crianças já nascem conectadas desde a maternidade. Os berçários das maternidades já são equipados com câmeras interativas para a família e os pais “babões” visualizam e acompanham os pequerruchos em tempo real.
    Tenho visto cada vez mais criançinhas, com menos de dois anos, conectadas aos dispositivos eletrônicos, enquanto, os pais “solitariamente” almoçam, jantam ou se “divertem” nas pracinhas com seus próprios dispositivos. Fico espantada! Cada um tem seu móbile!!
    Com o uso e a disponibilidade mais fácil dos meios eletrônicos, algumas crianças estão sofrendo de doenças emocionais que antes eram observadas em adultos, tais como a ansiedade social, a “demência digital”, depressão e etc.
    Esses aparelhinhos estão gerando um deslocamento familiar, ou seja, os membros podem estar juntos, mas cada um está no seu quadrado. Silenciosamente, cada membro da família está construindo sua barreira relacional e a troca de informações, quando muito, acontece por algum tipo de comunicação eletrônica, ou, por frases curtas, do tipo: “Vamos, está na hora (de alguma coisa)”.
    A semana passada, uma mãe me contou, que sofreu um pequeno acidente de carro enquanto digitava um “Whats up” para sua amiga. Seu filho de três anos nada sofreu, estava adequadamente atado na cadeirinha infantil. Segundo ela, ele está muito assustado e com dificuldade de dormir sozinho. Por outro lado, a mãe tenta apaziguar a situação colocando no tablet a boa e velha “Galinha Pintadinha”. Penso que seria muito mais carinhoso e reconfortante para a criança, nesse momento de angústia, um livrinho infantil, brincadeiras que trabalhassem a confiança mútua, e, conversar sobre o assunto de maneira lúdica.
    Acho que como terapeuta, estou ultrapassada e tudo que tenho estudado, até o momento, está indo por água a baixo. Afinal das contas, tento usar a palavra e outras formas de comunicação para ajudar as pessoas a ressignificarem suas angústias. Vou rever meus conceitos e vou usar os dispositivos eletrônicos para hipnotizar meus clientes, e, o melhor de tudo, ainda posso cobrar por isso. Socorro!! “Jesus apaga a luz”!
    Para piorar a coisa, outro dia caiu em minhas mãos uma matéria sobre campos magnéticos. A Organização Mundial da Saúde, em 2011, disparou um alerta, sugerindo que esses campos podem ser carcinogênicos, e, eles estão associados aos dispositivos celulares. França e Bélgica estão estudando legislação, que alerte sobre o tema, quando o assunto é o uso dos mesmos pelas crianças.
    Se não bastasse o empobrecimento relacional, que os equipamentos móveis causam nas famílias, quando usados em excesso, ainda temos a possibilidade de danos físicos.
    E agora?
    Pode ou não pode?
    Quanto tempo é considerado como medida aceitável para os pequenos?
    A partir de qual idade?
    Como terapeuta familiar, me interesso muito sobre o assunto, e, antes de responder se pode, quanto pode, e, a partir de que idade, posso afirmar, que o que realmente pode e deve, são as pessoas se olharem, fazerem a leitura da expressão facial, dar devolutivas, interagir com as crianças, trocar afagos, conversar mais, conviver entre família, dar risada, desfrutar do contato com amigos e amiguinhos, abraçar sem limite, brincar e gargalhar por coisas simples e singelas, contar histórias, bricar no pula-pula, jogar amarelinha, cantar e desafinar, frequentar pracinhas, afinar as boas lembranças. Garanto que são essas memórias afetivas, que ficarão para o resto de nossas vidas.
    Se você quer saber meu veredito, como terapeuta, sobre o uso dos dispositivos eletrônicos pelas crianças aqui vai: Já para fora brincar de verdade!