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21.8.15

Criança precisa de toque e carinho!

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Ninguém tem dúvida que criança precisa de atenção e de afago – Mas quem garante isso?
      Até a alguns anos atrás as crianças eram vistas e tratadas como mine adultos, e, como tal, era esperado delas um comportamento “adultizado” e precocemente cheio de competências e atitudes.
      A psicanálise teve um papel crucial em desconstruir esse paradigma, principalmente, a partir de estudos de Klein e Winnicott .
      Nesse artigo vou me ater a Winnicott, mesmo porque me identifico com seu constructo. Winnicott era um pediatra e psicanalista que dedicou seus estudos em prol das crianças e suas famílias. Desde o início ele afirmava que não existia um bebê sem sua mãe. Portanto, para que um bebê existisse como um ser total (físico e emocionalmente falando), ele precisava da mãe para dar sentido a sua existência.
      No livro “Os bebês e suas mães”, logo no primeiro capítulo, Winnicott se dirige as mães apontando o quanto elas se dedicam habilmente a tarefa de cuidar de seus filhos e que a forma como faziam era fantástico - era de uma maneira complexa e ao mesmo tempo simples – Ele chamava essa atribuição das mães em relação aos seus filhos de “mãe devotada comum”.
      Essa mãe devotada ao seu bebê era uma nobre anfitriã de um ser humano que “decidiu” alojar-se em seu ventre e que desde o período gestacional tratava esse pequenino com muito carinho, zelo e empatia. Com a chegada do bebê, e quando tudo vai bem – digo assim, por que algumas vezes essa mãe sofre de estresse repetido e de desamparo. Nessas circunstâncias, esse sistema aconchegante e acolhedor pode se desestruturar profundamente, afetando a díade.
      Bem, voltando a mãe devotada, ela durante um bom período vai estar dedicada de corpo e alma ao seu filho. A mãe gradativamente vai dando noção ao seu filhinho de onde ele começa e onde ele termina (noção corporal), da importância de manter o ritmo nos cuidados diários (alimentar, higienizar, brincar) e nesse compasso o bebê vai desenvolvendo a capacidade de ter sentimentos.
      Winnicott dizia que para o bebê se sentir integrado ele precisava de cuidados básicos de sobrevivência, mas também de muito acolhimento, carinho e toque. O bebê para se desenvolver integralmente precisaria se sentir amado, cuidado e assim poderia ir construindo sua noção de “ser”.
      É claro que o bebê não precisa de uma mãe perfeita, apenas de uma mãe suficientemente boa, que possa falhar em alguns momentos.
Pois bem, tudo isso para mostrar que estudos recentes, elaborados na Universidade de Harvard –       Departamento de Psiquiatria (http://news.harvard.edu/gazette/1998/04.09/ChildrenNeedTou.html), estão em congruência com Winnicott. Nesses estudos, os autores mostraram que as crianças para se constituírem como sujeitos precisam mais do que cuidados gerais, elas precisam de atenção, segurança e toque. Deixar o bebê solitário e chorando é danoso para a estrutura cerebral e para a mente dos pequenos, e, que os pais deveriam manter seus bebês por perto. Consolar a criançinha quando ela chora e trazê-la para perto do corpo dos pais tem efeito apaziguador, tranquilizador e antiestresse.
      Manter os bebês longe dos pais e não responder prontamente ao chamado dos pequenos, pode levar ao estresse pós-traumático, a sensação de desamparo e a desordens emocionais na fase adulta.
      Não confortar um bebê em agonia é plantar doses de estresse repetidamente e prover a criança de uma capacidade imatura de se autoacalmar e a um sentimento desmedido de insegurança e solidão. Tais ocorrências provocam modificações importantes na arquitetura cerebral e desequilíbrio na liberação de mediadores químicos no cérebro infantil.
      Os pesquisadores ouviram de alguns pais que eles achavam importante deixar o bebê chorar, porque temiam que seus filhos se viciassem em colo e que no futuro eles se tornariam dependentes e com pouca atitude para buscar o sucesso.
      Na contra mão desses pais, a neurociência atual, assim como já havia sido concluído em décadas passadas por Winnicott, as crianças atendidas em suas demandas emocionais e acolhidas fisicamente, se tornam no futuro pessoas mais seguras e abeis para estabelecer boas relações e buscar formas positivas de atingirem seus objetivos.
      Os estudos de Harvard também mostraram que as crianças que se sentiam protegidas, em seu início de vida, respondiam durante seu desenvolvimento de maneira mais assertiva e ética.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

5.8.15

Por que estimular os bebês é tão importante?

                Os primeiros anos de vida do ser humano são marcados pelo incremento de conexões neuronais, que servirão de capital para o desenvolvimento físico, mental e emocional da criança.
                 O desenvolvimento cerebral do bebê se assemelha muito a uma orquestra, cada instrumento tem sua vez para assegurar a melodia. No caso do bebê, a cada período, novas conexões vão sendo estabelecidas e com propósitos bem definidos. Não adianta pensar que o que não foi assegurado na primeira infância pode ser restituído mais tarde. Ledo engano!
                Durante a gestação, o cérebro do bebê já está em alerta para realizar mais de 2500 sinápses no pós-parto e vão dando origem a 700 novas por segundo, pura magia e fantasia!
                Não, é a interação entre fatores genéticos e ambientais influenciando nesse ritmo frenético de desenvoltura cerebral infantil, portanto, a inter-relação entre pais e o bebê terá repercussão decisiva para o incremento cerebral dos pequenos.
                O cérebro do bebê intraútero já desempenha funções muito específicas como, por exemplo, o feto já consegue sentir sabores por meio da deglutição do líquido aminiótico, discernir sons, “interpretar” o estado de animo da mãe, receber carinho de seus pais, por meio do acariciar da barriga da gestante.
                Ao nascer, o bebê já nasce conectado, e, quem acredita que ele não está nem ai para as desavenças entre os pais, está enganado. O bebê, mesmo em seus primeiros dias de vida, já tem a percepção da voz acurada, podendo entender a diferença de uma voz calma, e, a de um grito de desespero ou de raiva.
               E o colo, vicia?
               Não!
               A neurociência já demonstrou que colo não faz mal e também não vicia. O colinho aconchegante, o cantarolar de uma música calma, uma boa conversa ao pé do ouvidinho, são capazes de restituir a calmaria e o ritmo interno dos órgãos internos do bebê. É como se todas essas ações devolvessem algo ao bebê, que ele ainda não consegue fazer sozinho.
               Os estudos atuais mostram, que crianças pequenas expostas a traumas ou a situações estressantes, com frequência, podem ter seu desenvolvimento, como um todo, prejudicado. As experiências negativas, durante o começo de vida, são capazes de ativar o sistema de resposta ao estresse, promovendo a liberação em excesso de substâncias, que intoxicam o organismo, e, que terão repercussão importante na vida adulta (infarto, diabetes, depressão, etc).
               A liberação de substâncias tóxicas no organismo, não está restrita somente, a traumas da infância, mas também a situações onde a criança é super-exigida, e, ainda não tem maturidade para se defender.
Por outro lado, temos histórias dramáticas de bebês, que são deixados de lado, parados em seu berço, pouco estimulados e amados por seus cuidadores. Resultado, crianças com desenvolvimento global prejudicado, dificuldade de interação com outras crianças e adultos, afetividade empobrecida e desenvolvimento cerebral com áreas danificadas e irrecuperáveis.
               Eu sei que muitos pesquisadores afirmam que o cérebro consegue se adaptar e mudar ao longo da vida, entretanto, essa capacidade diminui ao longo da vida, e, se o bebê já começa em desvantagem em seus primeiros anos, o que dirá na fase adulta.
               Os três primeiros anos da criança são fundamentais para a resposta cerebral, e, se eu puder ser mais específica, o primeiro ano do bebê é primordial. É nessa fase que se dá a maior parte do desenvolvimento da massa cerebral.
               O que dizer das influencias externas sobre nossas nobres criancinhas?
               Sei que para muitos pais é difícil resistir à tentação de deixar os pequeninos à frente da TV. Sempre há uma emissora com programação que se diz específica para crianças de diferentes faixas etárias. Os pais acabam acreditando, pois os “pequerruchos” não tiram os olhos da telinha, e, se mantêm calmos por um tempo (bom tempo!).
               Por que será que a TV exerce essa magia sobre os bebês e as crianças?
               Provavelmente pela emissão de excesso de cores primárias, de cortes rápidos dos filminhos. Isso acaba por hipnotizar os pequenos. Se isso não for o suficiente, tanto a televisão, como os joguinhos, e, programações infantis em tablets e celulares chamam a atenção das crianças pelo movimento rápido das cenas, pela possibilidade de uma criança poder mudar de um filminho para outro, caso ela se sinta cansada ou frustrada.
               Quer mostrar para uma criança como não lidar com a frustração? Exponha seu filho a um tempo demasiado às mídias eletrônicas. É sempre possível mudar ou remover algo que não é agradável. A tolerância é decodificada como algo do tipo “zero” e pode modificar os afetos, a sensação de prazer imediato, até o planejamento e a atenção.
               Ninguém está dizendo para não oferecer uma mídia eletrônica a criança, pois, a maioria dos lares possuem algum dispositivo móvel ou um aparelho de televisão. Hoje existem estudos mostrando, que os eletrônicos não são tão vilões assim, quando forem mediados pelos pais, e, por curto período de tempo e para crianças depois dos dois anos.          
               Antes dos dois anos de idade, a Academia Americana de Pediatria não recomenda nenhum acesso às mídias eletrônicas e afirmam que a interação humana é preponderante a qualquer dispositivo tecnológico.
               Pois bem, quando oferecemos um ambiente amável e acolhedor para nossas crianças, quando interagimos com eles com qualidade e constância, quando nos preocupamos com a alimentação, quando cuidamos da saúde geral dos pequenos, entre outras, estamos estimulando-os a terem uma vida criativa, amorosa e recíproca.
               O que significa isso? Estimulação das crianças em suas potencialidades e habilidades!