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10.9.15

Gritar com os filhos pode ser prejudicial

             Esta semana caiu este texto em minhas mãos e eu gostaria de dividi-lo com meus leitores.
“Na atual geração de pais, em que as palmadas foram banidas do repertório educativo, elevar a voz se transformou no recurso mais usado para impor disciplina. Em toda parte. “Trabalho com milhares de pais e posso dizer, com certeza, que o grito é a nova surra”, afirma a terapeuta de família americana Amy McCready, organizadora do Positive Parenting Solutions, que dá cursos e aconselhamento para pais. “A maioria se sente sem ferramentas para disciplinar seus filhos e acaba gritando. Depois se sente culpada e passa por um período de autocontrole, mas acaba apelando para os berros novamente, criando um padrão familiar.” Na semana passada, ela disse o mesmo em uma reportagem do jornal americano The New York Times, que mostrou vários psicólogos criticando a pedagogia dos altos decibéis. “Nós elogiamos os pequenos por aprenderem a assoar o nariz, somos amigos do adolescente e somos capazes de passar um bom tempo ajudando nosso filho a entender seus sentimentos. Mas, paradoxalmente, somos uma geração que berra”, diz o artigo.
As educadoras americanas Devra Renner e Aviva Pflock, autoras do livro Mommy guilt (Culpa de mãe), fizeram uma pesquisa com 1.300 pais sobre o que os deixava mais culpados no dia a dia doméstico. Dois terços apontaram “gritar com as crianças” – mais que faltar ao trabalho ou esquecer uma reunião escolar. “Levantar a voz é a reação mais fácil e rápida, aquela que todos os pais cometem. E eu me incluo entre eles”, diz Aviva, mãe de três filhos com idade entre 8 e 17 anos. O debate sobre a pedagogia do grito rapidamente tomou conta da internet.
Será tão grave? Os críticos do grito paterno afirmam que ele assusta a criança sem ter efeito pedagógico. “Quando você grita com seu filho, ele não assimila suas palavras. Ouve o volume de sua voz e sente sua raiva”, diz Amy McCready. Segundo ela, a criança pode até obedecer na hora, mas não há efeitos a médio e longo prazo. “Não há aprendizado. Repare como no dia seguinte você provavelmente berrará as mesmas coisas”, diz. Logo, o grito paterno é mais um instrumento de correção ou apenas uma explosão emocional? “Nos dias de hoje, ele revela perda de controle”, diz Anne Lise Scapatticci, psicanalista infantil e doutora em saúde mental pela Escola Paulista de Medicina. Para ela, o diálogo é a melhor forma de educar, mas a criança precisa lidar com a ideia de que pais também ficam nervosos, irritados ou cansados. “Mesmo pequena, ela é capaz de entender as emoções dos outros. Especialmente quando depois do grito existe uma boa conversa ou um pedido de desculpas.”
O conceito de bom pai ou de boa mãe é construído pela cultura de cada lugar e cada período. E é flexível – desde que não coloque em risco a integridade física e mental das crianças. A terapeuta familiar Magdalena Ramos, mãe de duas filhas e avó de quatro netos, professora da Universidade Católica de São Paulo por 33 anos, lembra que as crianças são criaturas resistentes. Não é um par de gritos teatrais de uma mãe nervosa que vai traumatizá-las. O problema, diz a psicanalista argentina, é a repetição e a padronização do comportamento agressivo. “O grito tem de ser a exceção”, afirma. “Se ele se tornar a norma na relação entre pai e filho, se os pais estão sempre alterados, talvez seja hora de procurar ajuda profissional.” Magdalena diz que os pais modernos são estressados (porque trabalham demais, porque têm pouco tempo livre) e, consequentemente, na relação com as crianças alternam impaciência, gritos e culpa. Muita culpa”!
Para mim, como terapeuta e mãe, o mais importante deste texto foi mostrar que nem sempre a criança entende uma regra ou solicitação vinda de um pai ou figura de autoridade (professores, cuidadores) de primeira. A criança precisa de compreensão e reforço – diálogo e respeito. Assim como, as vezes, burlamos uma regra, o mesmo pode acontecer com os pequenos ou ainda porque ele não a entendeu. Um outro ponto a considerar é que a criança é uma cientista e ela estará experienciando e testando as figuras de autoridade para entender o mundo e conhecer qual é o seu limite e seu lugar dentro nele. 
    

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI102068-15228,00-GRITAR+COM+OS+FILHOS+PODE+SER+PREJUDICIAL.html

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