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15.10.15

Precisamos falar sobre raiva

Todo mundo comenta o quanto devemos desenvolver sentimentos positivos, que estimulem nosso bem-estar e o do outro. Todavia nos esquecemos, que existem outros sentimentos menos nobres, e, que também fazem parte de nosso cotidiano. Espero que os sentimentos menos nobres prevaleçam em menor proporção em nossas vidas, mas eles existem SIM, quer queiram ou não!
É claro, que amamos e devotamos muito tempo de nossas vidas expressando sentimentos de amorosidade aos nossos filhos, por outro lado, há mo
mentos em que saímos do prumo, e, emerge de nós, um sentimento terrível – a raiva.
Por que isso acontece?
Primeiro, pode ser que estejamos em um dia não muito bom e já estamos predispostos a nos irritar com mais facilidade. Segundo, nossos anjinhos, por vezes, também acordam com o pé esquerdo, e, o limiar para frustração tende a zero. Como vocês podem notar, a raiva pode acontecer de qualquer lado.
Quando as coisas não saem como desejamos, nos assustamos com nossa raiva e então, nos deparamos confusos com nossos próprios sentimentos. Nós nos julgamos péssimos pais ao não encontrarmos maneiras mais assertivas de lidar com a inadequação. Pais confusos e raivosos de um lado, filhos raivosos e inábeis em controlar sua raiva do outro.
Não conseguimos perceber que ambos estão perdidos e procuramos dar uma resposta racional para tudo: “Estou assim porque meu filho me provoca”! “Não queria ter batido nele, mas ele superou o pior dos comportamentos”! Tomamos atitudes desmedidas ou impensadas, depois nos sentimos péssimos e culpados.
Conclusão: criar e educar filhos, é uma ação, que demanda persistência, carinho e atitude.
Quando deixamos que a raiva cegue nossos olhos e nossas percepções, nossas decisões se tornam equivocadas e menos certeiras. Alteramos nossas respostas fisiológicas e cognitivas (respiração acelerada, coração bate forte, o pensamento e comportamento ficam confusos).
Quem poderá nos ajudar?
Penso que quando existe bom senso, ainda é fácil acionar nosso eu interior e buscar medidas mais assertivas. Conhecer nossos limites é um bom começo. Nosso comportamento desmedido com as crianças pode estar associado a nossa solidão, à dificuldade em ter uma rede de apoio, às expectativas irreais do que é ser bons pais e ter bons filhos, às frustrações pessoais e às irritações com nossos pares.
Tenho observado que os pais sofrem muita pressão para serem excelentes, sem terem alicerce para isso. As avós e os avôs de antigamente, que pregavam paciência e sabedoria, hoje estão antenados com o mundo e não têm muito tempo para dispor com seus filhos e netos. Não é uma critica é só uma constatação. Assim, os bons conselhos e o acolhimento ficam frágeis. As mídias sociais trazem tantas informações, que em muitos momentos, deixam os pais confusos e estressados quanto sua habilidade de educar seus filhos com competência.
Sem querer ditar regras ou fórmulas mágicas, mesmo porque não as detenho, gostaria de deixar uma dica, que é a base de qualquer ponto para reflexão: crianças são infantis – simples assim!
As crianças são simples, imaturas, inexperientes, ingênuas, narcísicas (já assegurava isso Freud) e seu conhecimento sobre o mundo é restrito. As regras sociais e o que o mundo espera delas está sendo construído por intermédio da visão e do comportamento de seus pais. Se isso não bastasse, elas são seres com vontade e pensamentos próprios e dão pouca importância para as contingencias sociais.
Moral da história: não podemos forçar os pequenos a deixar de ser crianças e também não podemos apressar seu processo de maturação.
O que podemos fazer então?

 Ampará-los, dar o exemplo e procurar fazer o nosso melhor com amorosidade, reciprocidade, respeito, bravura, mostrando claramente o que esperamos delas, dando noções transparentes de limites e tendo fé, pois, acreditamos que estamos fazendo nosso melhor. Consciência tranquila!