Postagens Mais Acessadas

28.11.15

Birra: o que mais me resta a fazer?

              
É usual receber pais em meu consultório, e, de sopetão, eles comentarem: “eu faço de tudo pelo meu filho e parece que nunca atinjo a marca do suficiente. Sempre falta algo! “
Acho que não é só na vida de relação entre pais e filhos que a frustração aparece. A frustração chega de mansinho em vários acontecimentos da nossa vida. Por exemplo: “me empenhei tanto no estudo da prova e não fui tão bem assim”; “tenho cuidado tão bem de minhas flores e agora ela está perdendo as pétalas e as folhas também estão caindo”; “ estou fazendo tudo direitinho conforme o adestrador de meu cãozinho mandou, mas ele teima em fazer xixi no meu tapete”.
Como se pode notar, as coisas nem sempre são exatas como gostaríamos que elas fossem! Com os nossos filhos é a mesma coisa. Não é porque nos dispusemos a fazer algo que esse algo não necessite de persistência e constância. Nem sempre as crianças burlam uma regra, ou, quebram uma norma, que a devemos interpretar como falência pessoal no papel de cuidadores e educadores de nossos pequenos.
Veja só, existe uma situação, que os pais conhece, a muito tempo, que é a birra, pirraça, ataque de nervos, explosão de ira, ou, outros adjetivos para uma fase conturbada, que a maioria das crianças passam por volta dos dois ou três anos. Se os pais já ouviram falar dessa terrível fase, então por que será que ninguém se prepara para enfrentá-la? Por que será, que quando o pequeno está para atingir essa idade, nós não procuramos um profissional para nos orientar a passarmos por esse período com menos estresse?
Fazemos cursinho para tantas coisas: curso de noivos, curso de padrinhos, curso de gestantes, etc. E por que não curso de pais?
Pelo que tenho observado, é porque os pais pagam para ver!
Será que com meu filho vai ser diferente? Será que comigo as coisas vão ser melhores? Afinal eu sou presente e muito paciencioso na vida de meu filho!
Na verdade deveríamos ir um pouco alem em nossas reflexões. É impossível ter um filho que não chora, que seja paciencioso e tranquilo o tempo todo, e, muito menos, que sempre se satisfaça com apenas um olhar seu para interpretar as noções de limite e regra.
Contudo, é possível reduzir ou atenuar os episódios de birra.
As crianças não são manipuladoras, ao ponto de fazer birra simplesmente, para mostrar aos pais, quem está no comando, mesmo por que, as crianças precisam do adulto para se sentir seguras e amadas.
Provavelmente a birra pode estar sinalizando algo mais do que um simples “eu quero”!
Vamos ser adultos e no lugar de entendermos o “eu quero”, vamos trocar por “eu preciso”. Os pequenos, ainda, apresentam seu cérebro imaturo para lidar com situações complexas ao olhar deles, e, é somente por volta dos quatro anos, que a criança deixa o status de “birrento”, para lidar com situações mentais mais complexas – o jogo da manipulação.
Voltemos para as nossas crianças de dois ou três anos. A criança, nessa faixa etária, ainda conserva alguns resquícios do período de bebê, e por isso, o contato ainda fala muito alto. A criança precisa se voltar aos pais, com frequência, para se abastecer de amor, carinho e atenção, para prosseguir, então, em suas atividades. O circuito cerebral dos pequenos ainda é imaturo e por vezes entram em “curto-circuito”. Não é a toa, que choram, gritam, esbravejam, se jogam no chão, e, ainda de quebra podem arremessar objetos. Nossa, parece uma verdadeira crise de destempero.
Como modular as birras no começo da primeira infância?

Não vou dizer que é fácil, mas conter a criança, falar em voz baixa e pausada “eu te entendo”, fazer um afago, distrair, mudar de cena, podem ser bons estímulos para driblar a birra, e, ainda de quebra, estimular a produção de hormônios da felicidade na circulação infantil. Dedique alguns momentos do dia, exclusivamente, ao seu filho. Procure interagir com brincadeiras simples, mas que estimulem o olho no olho, o contato físico, a linguagem verbal e não verbal, e frases, que permitam a criança se sentir amada, valorizada e muito importante para seus pais.

17.11.15

Gosto mesmo é de ficar com você


               A essência de um bebe está relacionada à sua necessidade de estar conectado amorosamente a um cuidador. Um cuidador, que esteja disponível para amá-lo, mostrar-lhe lentamente o mundo, sem atropelos, e, ao mesmo tempo, ser uma pessoa capaz de responder às suas necessidades fisiológicas (alimentação, higiene, sono, estímulos) e emocionais.
                Às vezes, recebo mães, que temem, que seus filhos se viciem em colo, e, que no futuro, se tornem crianças dependentes e inseguras. Para tanto, acreditam, que deixar chorar, é uma forma de ajudar o bebê a se endurecer, e, a se tornar resistente para enfrentar a vida amanhã. Respondo que o tempo, que o bebezinho vai permanecer nos braços ternos e amorosos, no peito macio e suculento, é muito curto, em relação ao tempo de vida total da criança, que o amor do cuidador, e, sua disponibilidade afetiva fará toda a diferença na construção sólida do bebê no futuro.
                A criança começa a criar seus laços afetivos desde o nascimento, e, é por meio desse contato, “pele-a-pele” (mãe-filho), que se dá o apego precoce, pois, é nas horas seguintes, após o parto, onde ambos estão muito sensíveis e disponíveis e a se conectarem.
O pronto contato após o parto é como um prêmio para a díade, pois, após terem aguardado um ao outro, por nove meses, acontece o feliz encontro. É nesse encontro sutil e fora de qualquer entendimento objetivo, que a vinculação vai “amalgamando” mãe e bebê.
                Em meio a uma dança harmônica e num compasso lento, a amamentação entra não só como uma fonte nutridora do bebê, mas também proporciona experiências de amorosidade e estabilidade emocional para a dupla. No aleitamento, um vinculo muito forte é estabelecido, ativando inúmeros processos químicos, dentro do corpo materno e do lactente. Esse emaranhado bioquímico dispara na mãe e no bebê um desejo de estarem juntos, e, ainda de quebra, promove calmaria, segurança e bem estar.
Bebês acalentados, ninados e aconchegados estão resguardados das incertezas do mundo. Eles se sentem protegidos, o nível de estresse é reduzido, e, no período em que estão acordados se sentem tranquilos. O ambiente se torna um gostoso ninho. Portanto, calmaria e aconchego podem ser entendidos como importante estimulo para o desenvolvimento físico e mental do pequenino. Os braços da mãe brindam com carinho e afeto o bebê.
E o soninho? O que dizer de dormir com o papai e a mamãe? Algumas famílias optam pela cama compartilhada, outras deixam o berço ao lado da cama do casal. A mãe e o pai, que se dispõem a dividir a noite próximo ao bebê, proporcionam redução da angustia de separação, melhora do descanso noturno e ensinam seus pequenos, que dormir é um momento agradável e seguro, que seus filhos podem relaxar confiantes na presença de um adulto protetor. Não estou afirmando, que as crianças devem dormir com os pais para sempre, pelo menos nos primeiros meses, depois disso os pais podem ir “dando linha”.
Com certa previsibilidade e flexibilidade, o bebê vai descobrindo o que vem a seguir e adquirindo noções de rotina (mamar, arrotar, trocar fralda, brincar, dormir) e nesse vai e vem diário, os pequenos vão compondo um dia habitual em família.
Traduzir nossos gestos, ações e atitudes, em palavras, ajuda a introduzir o bebê na linguagem falada e não falada. Aos poucos ele vai aprendendo a decodificar nossos gestos, palavras, expressões faciais, etc. Lembrar que o bebê, desde que nasce já sabe falar! Eles falam por meio do choro, das caretas, do movimento corporal, e, na maior parte das vezes significa “eu preciso de...”.
Procure manter o equilíbrio, o bom senso, e, um filtro protetor contra “pitacos”. Afinal todo mundo tem um para dar! Reserve um tempinho para você, e devagar, vá recuperando sua auto-referência: cuidar do corpo, dos cabelos, investir numa roupa nova, ou, num visual moderno. Deixe o papai assumir com você as responsabilidades junto ao bebê, e lembre-se: pai não ajuda, ele partilha e compartilha cuidados e amor.