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21.12.16

Boas Festas!!!!

Que as bençãos de Deus recaiam sobre nossos lares!!
Feliz natal e um 2017 maravilhoso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



19.12.16

Por que as crianças mentem!


Por que será que as crianças pequenas mentem?
Existem pessoas que dizem que criança não mente!
A verdade é que a criança pequena vive num mundo especial, “sui generis”!
Um mundo onde a fantasia e a realidade se misturam. Elas apreciam as histórias contadas pela família e ao mesmo tempo se entretêm com os contos de fada, com os desenhos animados, com os contos infantis e com histórias intrigantes, que falam de monstros, bruxas e o escuro. Raciocine comigo, se as crianças pequenas mergulham nesse mundo, não é de se estranhar, que a fantasia se misture com a verdade.
Nesse aspecto, podemos até entender, que a mentira é uma ferramenta, que a criança utiliza para ajudar em seu processo de desenvolvimento. Se é assim ficamos atados, então, num ato mentiroso da criança?
Claro que não! Os pais estão presentes na vida da criança para mostrar o quanto a verdade é uma atitude honrosa, e, o quanto ela é valorizada no seio familiar e social.
Como vimos acima, a mentira pode fazer parte da fantasia e da imaginação do mundo infantil. Porém, mesmo fazendo parte do mundo infantil ela não deve ser estimulada.
É importante que os pais reforcem a honestidade. Para tanto, é preciso dar espaço para a criança contar um fato sem criticá-la de imediato e muito menos ameaça-la. Quando os pequenos percebem que eles podem confiar nos pais e que o falar a verdade é visto como uma boa atitude, isso ajuda as crianças a começarem a entender a diferença entre verdade e mentira.
Ensinamos aos nossos filhos, desde pequenos, que a mentira pode ser tolerada. Certa vez, eu estava na sala de espera de um laboratório, quando uma criança, de cerca de quatro anos, pediu um confeito para a mãe antes da coleta de sangue. A mãe prontamente respondeu, que o confeito havia acabado em vez de lhe dizer que ela precisava permanecer sem comer nada até a hora de seu exame.
Mentir para a criança é passar a ideia de que a mentira, em certos momentos, é admissível, principalmente, quando for para driblar uma situação constrangedora, ou, para se safar de uma punição.
As crianças vão aprendendo, que existem graus de tolerância para mentir. A mentira amarela, é aquela, que no momento aparente não vai causar grandes danos, como a que comentei agora: “O confeito acabou”! A mentira laranja, é aquela, com repercussão menos tolerável: “ Que pena meu filho, eu acabei de dar o último confeito para um menininho pobre que passou”. E a mentira vermelha, é aquela, que o adulto ou a criança criam para impressionar ao outro: “Tudo bem meu filho, depois que você colher seu exame eu vou comprar uma caixa enorme de confeitos e você vai comer o quanto quiser e a hora que quiser”!
Por isso é preciso prestar atenção em nosso comportamento, pois acaba reverberando em nossos filhos, somos o exemplo para eles.
Numa circunstância onde ele afirma que não quebrou o brinquedo, e, você sabe, que ele o fez, diga-lhe, que você entende, que ele não quer ser penalizado, mas que você está muito desapontada por ele estar mentindo. Reassegure a criança, que ele sempre pode lhe contar a verdade, para que juntos vocês possam resolver o problema. Minha experiência tem mostrado, que com atitudes simples assim, as crianças se sentem mais a vontade para encarar a verdade. Ela confia que em sua atitude segura e descarta o medo da punição física ou os castigos contra producentes.
            Mostre ao seu filho, por meio de histórias ou acontecimentos, o quanto vale a pena ser honesto e responsável pelas próprias atitudes, que as mentiras trazem consequências danosas. Evite o castigo! É muito mais proveitoso ensiná-lo a aceitar a responsabilidade por um erro, a consertar o problema que causou. Se seu filho pintou a parede da sala e negou o fato, ofereça o material para ele limpar a parede e permaneça ao lado dele oferecendo sua ajuda.
Evite formular profecias: “você não passa de uma criança mentirosa”!
O comportamento de seu filho foi inadequado, mas ele não é inadequado!


10.12.16

Não me interrompa menino!



Crianças ainda na fase pré-escolar anseiam pela atenção dos pais. Elas fazem de tudo para serem vistas e ouvidas, ser o centro das atenções é seu “objeto” de consumo.
Por vezes, os pais no desejo de ter um momento para si, um momento de pausa no dia, ou, um espaço reservado para conversar, cedem a pressão da criança oferecendo alimentos apetitosos (balas, doces, salgadinhos) e brinquedos atraentes. Moral da história, o que a criança acaba aprendendo com isso?
Quanto maior minha pressão sobre meus pais, maior a chance de eu obter ganhos adicionais. Essa frase bonita nada mais significa do que “chantagem infantil”!
Quantas vezes você está numa conversa importante, num chamado telefônico, ou, mesmo tentando escrever um bilhete, e, as crianças tentam desviar sua atenção a qualquer preço. Não posso dizer que isso não irrita e nos faz perder a medida do bom senso.
Se isso é tão comum, devemos então aceitar o evento?
Se é uma fase da criança, então, nos vemos no direito de usar de medidas mais drásticas?
Penso que formas assertivas de resolver o problema são mais positivas e menos estressantes.
Que tal ensinar o seu filho a controlar o impulso de interromper uma conversa. Não vou sugerir uma receita de bolo, ou, muito menos, lhe passar uma solução milagrosa. Apenas algumas dicas que na hora “H” podem fazer a diferença.
Primeira coisa a fazer é ensinar o seu filho o que significa; “agora não, por favor, não me interrompa!” É claro que orientações na forma de um discurso para uma criança na fase pré-escolar não funciona. Procure lançar mão de atividades lúdicas para passar a mensagem. Por exemplo, utilize um par de telefones de brinquedo, ou, um similar feito de sucata, e mostre que quando estamos falando com alguém não gostamos de ser interrompidos.
As crianças são muito espertas e logo captam a mensagem.
Segundo, se você sabe de antemão, que a tal horário vai fazer ou receber uma ligação importante, diga para seu filho, que você precisará falar ao telefone, e, que durante a sua fala, você não poderá ser interrompida. Deixe a vista brinquedos que ele goste pare entretê-lo, lápis de cor e folhas em branco de papel. Revistas para rasgar e recortar também são boas pedidas. Se massinha de modelar estiver liberada, use-a a seu favor!
Terceiro, se o drama for, não ser interrompida durante uma conversa, explique para seu filho, que você acabou de encontrar uma pessoa querida, que você vai conversar um tempo com ela. Mantenha sua criança perto de você e não demore. Crianças pequenas correm o risco de dispersar e você de perdê-la de vista.
Toda vez que seu filho demonstrar um comportamento positivo, elogie. Diga o quanto você está orgulhosa por ele estar respeitando seu momento e por ele ter encontrado uma maneira divertida de passar o tempo. Sempre que possível abra a roda de conversa e deixe-o participar. Lembre-se, seu filho está aprendendo boas maneiras, mas isso não quer dizer, que ele seja um adulto em miniatura, ou, um robozinho!
Evite gritar ou ser agressiva, caso seu filho não consiga se controlar e venha interromper sua conversa. Eles são pequenos e imaturos, precisam de seu suporte para aprender sobre a vida. Numa próxima oportunidade, retome a regra.
De o exemplo, quando seu filho estiver conversando com alguém, não o interrompa. Espere ele terminar de falar. Com o tempo as crianças aprendem a manejar o impulso de interromper pelo ato de esperar.


1.12.16

Controlar o xixi e o coco são marcos para a criança


Outro dia comentei, em uma matéria para uma determinada revista infantil, sobre a fase dos dois anos da criança. O quanto ela já está “sabida”. O repertório da linguagem está maior e o fato de andar e se movimentar livremente no ambiente a deixa “senhor (a) de si.”
Junto com o amadurecimento neuromotor, por volta dos dois ou três anos, a criança busca sua autonomia não só pela fala e movimento, mas também por meio do controle do xixi e do coco. Para muitos pais e crianças, controlar os esfíncteres (músculo que ajuda a controlar a urina e as fezes) representa a aquisição de mais uma etapa cumprida. Significa o abandono das fraldas, a ida para a escolinha, maior liberdade de movimento para as crianças e menor custo para os pais.
Em nossa cultura, o controle do xixi e do coco tem um significado precioso. As crianças identificam seus orifícios como algo mágico. Poder controlar os excreções, na visão dos pequenos, é ter a chave do próprio corpo. Enquanto usavam fraldas, os pequeninos não tinham controle do que saiam de seu corpo. Com o avanço do controle dos esfíncteres, a criança começa a perceber que ela produz seu xixi e seu coco.
Os pequenos descobrem que podem ter controle sobre a expulsão da urina e das fezes e que eles podem representar “presentinhos ou ‘reprimendas” para seus pais. Dependendo de como a mãe trata o xixi ou coco da criança, ela pode simbolizar seus produtos como algo bom ou ruim.
Assim, continua valendo a regra do respeito pelo desenvolvimento particular de cada criança: vá com calma! Cada criança tem seu processo de maturação. Na dúvida, não transforme os hábitos de higiene em um campo de batalha, questione junto ao pediatra de seu filho se ele está se desenvolvendo adequadamente para a idade apresentada.
As crianças são verdadeiras torres de recepção da ansiedade das mães. Se os pequenos captam o quanto a mãe se importa com os hábitos de higiene, elas reagem com ansiedade também. Quanto mais calma a mãe demonstra, maior a chance de êxito por parte da criança.
Lembre-se, vivemos em sociedade e as crianças tendem a copiar o que os mais velhos fazem. Ver o papai e a mamãe usando o vaso sanitário, desperta a curiosidade e instiga o desejo de fazer igual. As crianças querem instintivamente crescer e buscar sua autonomia. Assim, cedo ou um pouquinho mais tarde, elas anseiam por se livrarem das fraldas e receberem reforços positivos de seus pais.
Pais muito exigentes com a higiene, e aqui me refiro ao controle dos esfíncteres, podem influenciar diretamente na imagem que ela vai construindo de si própria, sou uma criança boa ou má. O excesso de controle pode influenciar na construção da segurança e da autoestima da criança e até mesmo em como a criança vai lidar com suas excreções no futuro.
Você nunca ouviu uma mãe comentar que seu filho não pode passar por momentos mais angustiantes que seu intestino prende? Outras mães comentam que o intestino solta!
Outros cuidadores relatam que quando a criança fica muito excitada ou com medo ela solta, sem perceber, o xixi na roupa.
A forma como as crianças aprendem a lidar com suas excreções também influenciará em sua forma de ser no futuro, ou seja, mais generosas ou mais retentivas.

Em resumo, controlar o xixi e o coco, para a criança, é uma conquista, um marco em seu desenvolvimento infantil. Muito embora, o ambiente que a cerca influencie de maneira marcante sua aquisição.

21.11.16

Socorro meu bebê está crescendo



É claro que todos os pais se sentem confiantes e orgulhosos enquanto desfrutam do crescimento saudável de seu bebê. Que mãe não se sente satisfeita ao ouvir do pediatra, que seu filho está forte e se desenvolvimento com saúde e segurança.
O crescimento ao qual eu me refiro é o emocional. As primeiras “maturidades” do bebê.
Ao colocar em prática seu repertório relacionado à fala e a desenvoltura corporal, a criança está dando um “up grade” em sua forma de se comunicar e de se mover no ambiente que a cerca. Ao falar, o pequeno torna-se mais ativo e questionador, influenciando todo o seu mundo externo.
Qual o significado da fala para o bebê e para os pais?
Independência, relativa, claro!
Os pais costumam reagir de maneira dúbia. Ora se sentem orgulhosos, ora temerosos por perder “o bebê” e ganhar um garotinho ou uma garotinha com desejos e vontades próprios.
Ao mesmo tempo podem surgir sentimentos conflitantes, a mãe se sente mais livre, por entender que seu filho está crescendo, e, ela pode ter mais autonomia, ou, liberdade para fazer coisas, que anteriormente não estava fazendo.
Quando a mãe percebe o crescimento de seu filho, e, dá “corda” relativa para esse desenvolvimento, a criança se sente fortalecida, encorajada para dia a dia dar um pacinho a diante rumo a novas experiências com outras pessoas (priminhos, amiguinhos, outros parentes, etc.). Pai e mãe reforçam o comportamento e juntos oferecem ao pequeno a segurança para ir em frente. È como se os pais dissessem: “Pode crescer!. “Nós estamos aqui para lhe dar um bom suporte emocional!”.
A criança com cerca de dois anos pode demonstrar ciúme de seus progenitores, oscilar entre sentimentos de amor e de raiva do papai ou da mamãe, mediante sua demanda de suprimento afetivo. Na verdade o que a criança dessa idade quer é exclusividade. Tudo para mim!
Não se preocupe! Tudo passa! Os pequenos estão aprendendo a relativizar!
Se os pais toleram com amorosidade o desenvolvimento emocional da criança, logo ela se sente confiante e segura em um ambiente onde papai e mamãe se entendem, se amam e se respeitam.
Algo interessante acontece entre meninos e meninas. Para os meninos, os pais representam o herói, um modelo a ser seguido, mas que também o afasta dos carinhos exclusivos da mamãe. O papai, por vezes, é visto como alguém que pode interromper as delícias de ter o carinho exclusivo da mãe.
O mesmo acontece com a menina. A mãe também é um modelo a ser seguido. Por outro lado, a menina sente que precisa disputar com a mãe a atenção e o carinho do papai.
Nessa fase tanto o menino quanto a menina podem ficar chatinhos, mais agressivos e chorosos. Quando os pais tem compreensão deste momento delicado das crianças, os pequenos passam por esse período com certa tranquilidade e se sentem aptos para irem para a próxima etapa do desenvolvimento psicoemocional.
Ser verdadeiro com a criança também é muito importante para o amadurecimento infantil. Isso se torna evidente durante os momentos de separação. Não inventar desculpas ou mentiras quando precisar se ausentar. Não falar que vai até o vizinho e que vai voltar logo, quando na verdade o afastamento representa a volta ao trabalho ou outra atividade qualquer. A verdade ajuda a construir a estabilidade emocional e o vínculo estável, mesmo que seja dolorida para os pequenos. Claro que a criança vai protestar quando houver o afastamento da mamãe. O que causará surpresa é se a criança ficar indiferente à presença ou ausência da mesma.
Não podemos esquecer que o temperamento dos pequenos também influencia na maneira como a criança vai lidar com o afastamento da mãe.
Por isso não se esqueça: tudo à seu tempo, uma fase por vez!


13.11.16

Falar e ser ouvido: as primeiras relações do bebê

        
A conversa ao pé de ouvido (mãe-pai-bebê), desde a gestação, estimula o desenvolvimento do bebê e aguça a curiosidade do mesmo pelo mundo externo.
            Nunca se falou tanto sobre a importância da comunicação dos pais com o bebê enquanto prestam os cuidados diários: no aleitamento, nas atividades de higiene, conforto, na introdução do repouso e do sono. Falar com o bebê, significa orientá-lo para o mundo, mostrar o que vem a seguir, de uma maneira continente e carinhosa.
As sinalizações afetivas dos pais ajudam a criança a introjetar lentamente as noções da vida, de como transcorre um dia habitual na vida do bebê. É por meio desses sinais, que a criança pequena tem a oportunidade de conhecer o mundo a sua volta e de experiênciá-lo de maneira sensível e sutil.
Os pequeninos nascem com um potencial nato para a comunicação, e, sua primeira forma de comunicação é o choro. É por meio do choro, que o bebê comunica aos seus pais ou cuidadores o famoso “eu preciso de...”.
Os bebês são verdadeiros artistas na arte da comunicação! Conseguem dizer com o corpo o que qualquer adulto teria muita dificuldade em fazê-lo. Qualquer movimento corporal do bebê tem um significado.
Querem um exemplo, já, ao nascer, o bebê move seu pescoço e expõe sua língua em busca do seio materno para se alimentar. É o mesmo que dizer eu preciso de seu aconchego e de seu leitinho morno. Não o bastante, move pernas e braços, em ritmo acelerado, e faz careta quando está com dor.
O repertório de sinais de comunicação da criança vai se aperfeiçoando conforme os meses passam. O olhar do bebê pode emitir sinais de alerta, tais como, estou hiperestimulado, estou com receio do colinho do vizinho, e é prenuncio de uma boa risadinha.
Os bebezinhos, embora não saibam ainda falar, sentem-se acolhidos e seguros, quando percebem que seus cuidadores conseguem entender seus sentimentos de aflição, de alegria, de dor, expressos pelo choro, pelo resmungar ou até pelos gritos. Quem nunca ouviu um grito de cólica do bebê. Pode ser ensurdecedor!
Os pais são os primeiros agentes ativos na apresentação do mundo para o bebê. Por meio da contação de historinhas, da apresentação da natureza (cheiro das flores, cantar dos pássaros, o barulho do vento, o som do trovão, entre outros), da exibição de uma figura colorida, do brincar com um brinquedinho, os cuidadores vão traduzindo em gestos e formas o mundo ao pequeno, e, isso ajuda o bebê a associar as vivencias de aprendizado, o prazer de ter por perto, o carinho, e, a atenção de seus progenitores.
A mãe quando embala seu filho e canta músicas suaves, transmite os primeiros significados emocionais pelo qual a díade está passando. É como se a mãe passasse ao bebê, em prosa e verso, as primeiras noções do que é o amor, o carinho, a amabilidade, o aconchego e a noção de poder viver em um mundo bom.
Houve um autor, Didier Anzieu (psicanalista), que costumava dizer que: “O espaço sonoro é o primeiro espaço psíquico”. É nas palavras que acontece o primeiro preenchimento do sentido de ser. Quando alguém me conta o que está acontecendo eu me acalmo e desfruto do momento.
Quando comento sobre a comunicação mãe-bebê-pai ou cuidador imediato, eu não estou dizendo que é necessário falar o tempo todo com o bebê. O excesso de ruído também hiperestimula a criança e invade seu território do Ser.

Precisamos prestar atenção ao excesso de atividades ou estímulos que oferecemos ou propormos ao pequenino. Respeitar o silêncio é uma forma sutil de dar corpo a comunicação não verbal, pode ser considerada uma forma de expressar respeito e amor pelo bebê.

22.10.16

Afinal, onde meu filho deve dormir: berço ou cama dos pais?

Existem inúmeros manuais de como fazer as crianças dormir nas prateleiras das livrarias.
Uns muito bons e outros não tão bons assim. Porém, o que mais chama a atenção é como alguns manuais, precocemente, querem separar os bebês de suas mães. Quando digo precocemente é logo após o nascimento.
Não conheço nenhum mamífero que após sete dias, dez dias ou mais a mãe mamífera pegue seu bebê e o coloque num espaçinho ao lado para evitar que ele se vicie de sua presença constante. Toda a cria fica ao lado da mãe até atingir certa maturidade e poder ir desbravar o ambiente que o cerca.
Não sei como isso começou, mas existe uma forte tendência em nossa sociedade ocidental em afastar de maneira precoce os bebês da proximidade de suas mães.
Que elas não devem permanecer muito tempo no colo de suas mães e muito menos serem embaladas e acalentadas com o argumento de que vão ficar viciadas e não conseguirão no futuro se desprender de suas mães.
Outros argumentos para este tipo de comportamento é o de que se a criança ficar no colo de sua mãe, esta por sua vez, não terá tempo e agilidade para cumprir seus afazeres domésticos.
Quando paramos para observar os mamíferos, seus bebês permanecem conectados a suas mães enquanto estiverem no período de amamentação e lentamente vão se desgrudando e explorando o espaço a sua volta.
A mãe quando está no período de dar a luz e logo após ele, regride a fases muito sutis de sua vida e submerge em sensações e sentimentos primitivos onde seu desejo maior é estar conectada, e neste caso, conectada ao seu bebê.
Grande parte dos bebês ocidentais não são mantidos nos braços de sua mãe durante um tempo suficiente. A educação atual dita que deve-se dar de mamar, trocar e colocar a criança para dormir em seu quarto ou espaço!
Não advogo contra isso. Contudo, os bebês precisam de calor, abrigo, contato corporal, conexão amorosa, atenção, embalo e acalanto e muito mais disposição emocional.
As mães tentando acertar e corresponder aos anseios dos pediatras e dos familiares, tidos como maios experientes, excluem seus bebês de uma união mais rica e sustentada e acabam por escapar precocemente para o mundo racional e prático dos cuidados do cotidiano e esquecem de uma particularidade essencial da mulher-mãe, a intuição.
A maior preocupação surge da pergunta: o bebê não tem que aprender a dormir sozinho?
Pois bem, para isso o pediatra e psicanalista infantil DW Winnicott costumava afirmar “a criança só aprende a ficar só na presença de um adulto”. Portanto, antes de aprender a dormir sozinho o bebê precisa estabelecer uma base de confiança e isso só poderá ser atingido na presença de uma mãe devotada, carinhosa, amável e disponível para esses primeiros treinos de vida.
Os bebês suficientemente acolhidos evoluem em relação às suas necessidades básicas uma vez que tenham superado e adquirido a maturidade necessária para transpor novas fases ou etapas de sua vida. Afinal ninguém pede aquilo que não precisa, do contrário, soa falso, artificial e pouco responsivo por aquele que acolhe.
Quando não se oferece o que o bebê precisa na época certa, ele cresce e pode tornar-se um adulto carente, que exige atenção constante, nada o completa e o mundo parece em débito o tempo todo com ele. É como se o que não foi atendido e ofertado quando criançinha ficasse pendente até a atualidade.
De início a sutileza mãe-bebê deve falar mais alto. Se a mãe intui que seu filho deve permanecer com ela numa cama compartilhada e segura, a sociedade deve apoiá-la.
Se ela sente que o bebê deve permanecer no “Moises” ou no carrinho bem ao seu lado para prontamente ser atendido, que seu sentimento seja valorizado e encorajado.
O bebê que solicita a presença da mãe não deve ser visto como viciado em colo e sim como um bebê com energia e desperto para aquilo que o alimenta e o completa como ser vivo – o aconchego, o carinho e a quentura dos braços amorosos de sua mãe.


12.10.16

Me sinto muito triste depois do parto


Nos últimos vinte anos, tem havido um crescente reconhecimento, para algumas mulheres, que a gravidez pode vir sobrecarregada de muitos transtornos de humor, e, em particular da depressão. Para algumas mulheres o período da gestação é coroado de muitas alegrias, para outras surge o peso da tristeza e da melancolia.
Estima-se que cerca de trinta por cento das gestantes apresentem sintomas depressivos durante a gestação, e, que vinte por cento sejam realmente caracterizadas como depressivas. A depressão pós-parto tem sido vinculada a rupturas no estabelecimento da comunicação mãe-bebê: menor atenção da mãe com seu bebê, menor comunicação vocal e visual, menor frequência das interações que envolvem o tocar, o sorrir, o interagir com a criança. As mães deprimidas têm dificuldade em realizar a leitura das necessidades de seus bebês, e, acabam por se tornarem invasivas, negativistas, pouco afetivas e continentes com seus filhinhos.
O que será que predispões uma mulher a sofrer de depressão pós-parto?
Algumas mulheres possuem uma sensibilidade particular a alterações hormonais, sendo o estresse gestacional/pós-gestacional o gatilho para o desencadeamento da depressão. Por outro lado, outros estudiosos acreditam que a história familiar da mulher, sua relação com sua mãe e parentes próximos teriam um efeito adicional na alteração do humor da mulher no período perinatal, bem como a falta de suporte emocional, entre outros motivos.
Com o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na mulher, e, não podemos negar, que essas reações também ressoam no ambiente familiar e social, que podem reativar ansiedades – ansiedades relacionadas ao próprio parto e nascimento – seria o primeiro marco da perda de todo o aconchego e prazer, que tínhamos dentro do útero e a saída irrevogável para o mundo em que todos vivem.
O nascimento deixa uma cicatriz de parto, representada pela cicatriz umbilical, a qual simboliza a separação. Portanto, o parto, para a mãe, é vivido como uma forte separação de algo, que por um tempo foi sentido como seu, e, que agora tem uma vida independente dela, mas que ao mesmo tempo é inteiramente dependente dela. É como perder uma parte de si e encontrar essas mesmas partes em outro lugar.
Parece confuso, não? É pura poesia!
Além dos acontecimentos inconscientes, a mulher também expressa carência materna e do companheiro. Quando essas carências não podem ser, de alguma forma superada ou contemplada, a puérpera pode erguer alguns mecanismos de defesa para tentar lidar com a situação e esses mecanismos vão variar de mulher para mulher.
Entre eles é comum a recém-mamãe apresentar-se cheia de energia, euforia, preocupação com seu estado físico, preocupação com a ordem e organização da casa. As visitas são recebidas com muito calor humano, a disposição em dar conta de tudo é exacerbada e quem olha a mamãe não acredita que ela precise de ajuda – ela está dando conta de tudo. Todavia, seu aspecto físico sinaliza cansaço, doenças podem surgir e distúrbios do sono aparecem facilmente.
Ao contrário, a nova-mamãe pode apresentar-se com um profundo retraimento. Ela prefere ficar isolada, sente certa decepção pelo bebê, que acabou de chegar ao mundo, sente-se carente e dependente de proteção. Parece que ela compete pelas atenções e carinhos direcionados ao bebê. Sua percepção é de que ela vive a serviço do bebê e que nunca mais recuperará sua identidade pessoal.
Uma mulher mais sensível, certamente terá mais segurança, se ela dispuser de uma rede de apoio que colabore de maneira satisfatória, proporcionando confiança e suporte, principalmente no que diz respeito as atividades maternas. Quanto menos critica e hostilidade ela receber, um ambiente mais acolhedor e carinhoso ela vai perceber. Isso facilitará o resgate de sua autoconfiança e a capacidade em responder as necessidades do bebê.

Algumas alternativas surgem como esperança na tentativa de reduzir a ocorrência de depressão pós-parto,e, entre elas podemos citar: cursos de preparo para maternidade, psicoterapia, prescrição de remédios de indicação médica e manter o sono em dia.

1.10.16

O que fazer com a criança “mexedora”


A criança que não “mexe” não é criança. A criança já nasce com a predisposição de mexer! Mexe o pescoço para alcançar o seio para mamar, mexe as mãozinhas para conhecer um pouco sobre o mundo, mexe o corpo para indicar que está com fome ou com dor, e assim por diante. Mexer faz parte da descoberta do mundo!
Conforme a criança cresce, o ato de mexer fica cada vez mais elaborado, pois, ela sente que ao se movimentar e ao mexer nas coisas, ela estará desbravando o novo. Situação essa, que a enche de alegria e prazer. A palavra “proibido” ainda é desconhecida.
A criança pequena ainda não tem claro em sua mente o que pode mexer e o que não pode. Ela não distingue um simples bichinho de vidro, de um bichinho de cristal austríaco. Tudo parece “bichinho”, e, como tal pode ser um brinquedo.
A melhor forma de prevenir acidentes e tornar a casa segura é manter os objetos valiosos ou queridos em local alto ou em armários com portas e chaves. Áreas perigosas como as que abrigam materiais de limpeza, ou, com produtos que podem ser venenosos aos pequenos devem estar em áreas com portas e em prateleiras ou armários de difícil acesso aos pequenos.
Precisamos lembrar que as crianças de cerca de três anos estão tentando estabelecer um certo grau de independência e nem sempre entendem o porque de não terem  acesso a tudo que existe em casa.
Criar limites claros, do que a criança pode acessar ou não, é uma boa dica, e, poderá ajudar a evitar mexidas desnecessárias e perigosas.
Deixe claro ao seu filho o que você espera dele, por exemplo: “Você não pode brincar com o material de limpeza que está na lavanderia, pois, é perigoso, mas você pode brincar na sala com seus brinquedos”.
Quando você tiver que visitar uma loja, ou, ir a casa de alguém, converse com antecedência com seu filho sobre “mexer” em objetos e reafirme, que antes dele mexer ele deverá consultar você. Atitudes simples como esta mostram aos pequenos a noção de respeito, limite e prudência.
As crianças entendem uma mensagem, quando ela é clara e sem discursos presidenciais. Seja objetiva e mostre alternativas. Tudo bem, você não pode entrar na loja de cristais, mas podemos tomar um sorvete, e aí você terá espaço para deliciá-lo, de brincar com o carrinho, ou, bichinho de pelúcia, que você trouxe.
Se seu filho transgredir repetidamente uma solicitação sua, volte a explicar o motivo dele não poder fazer determinada ação. Lembre-se, ele ainda é pequeno e precisa de constância para assimilar as informações desse mundão de Deus.
Outro dia eu vi uma criança de quatro anos numa loja de departamentos, na sessão de copos, pratos e travessas fazendo malabarismo com um copo, e, a mãe “fingindo” não ver. Claro que esse copo foi ao chão. Os vendedores limparam a área, olharam feio para a criança e para a mãe, mas no final não houve nenhum aprendizado. Todos pareciam mudos, cegos e surdos. A criança não aprendeu nada de positivo com sua atitude. Pelo contrário, que o seu “mexer” não tem limites, causa e nem consequências.
Corrigir uma atitude inadequada do filho na hora certa, com respeito e firmeza, é sinônimo de boa criação, de educação e de confirmação de valores.
Por outro lado, quando seu filho não mexe no que não lhe é permitido, ele deve ter sua atitude valorizada, premiada com sua atenção e carinho. Atitudes positivas estimulam os pequenos a fazer de novo para receber incentivo, boas palavras e atenção amorosa.
As crianças pequenas têm olhos nas pontinhas dos dedos! Ver e mexer, é quase uma atração fatal! Precisamos ensiná-los desde pequenos a ver com os olhinhos e só então mexer quando houver a aprovação de um adulto.
 Dá trabalho?
Não tenho dúvida que sim, mas certamente valerá a pena para os pequenos e para os pais, que estão acertando na educação. São pais assertivos criando e educando bons cidadãos!


30.9.16

Essas crianças destroem tudo que veem pela frente


Não é raro ouvirmos dos pais, que eles cansam de comprar brinquedos para as crianças, e, no final, elas quebram ou destroem tudo. Fico pensando sobre que idade essas crianças estão e que tipo de brinquedos esses pais compram. Uma criança na fase préescolar ainda não é muito cuidadosa e muito menos entende o valor de um brinquedo caro, o suor que os pais tiveram que “gastar” para adquiri-lo.
As crianças na faixa dos 2 a 6 anos são desbravadoras, querem entender como as coisas funcionam, o que existe dentro do brinquedo e como elas se articulam. Elas são muito curiosas, e, porque não dizer, meio pesquisadoras!
Isso não quer dizer que não podemos, enquanto pais, ensinar e orientar os filhos a cuidarem de seus brinquedos. Não é só em relação ao comportamento que precisamos ser claros com os pequenos. O cuidado e o armazenamento dos brinquedos podem seguir a mesma regra. Podemos salientar os brinquedos que podem ser pintados, rasgados, ou, até mesmo desmontados, tendo em mente, que o brinquedo foi feito para brincar e não para ficar na prateleira, do contrário, não é um brinquedo e sim um enfeite, ou, um troféu.
As crianças pequenas também se sentem motivadas a cuidar de seus brinquedos e a dar vida a eles, principalmente quando elas sentem que existe um espaço para expressarem sua criatividade sem medo de se sujar ou de estragar alguma coisa. Elas adoram pintar, usar tinta de dedo sobre uma cartolina branca, desenhar no chão com giz, ou, “pintar e bordar” em rolo de papel.
Se o brinquedo foi feito para brincar, temos que oferecer brinquedos seguros e resistentes para as crianças pequenas. Brinquedos que elas possam manipular, montar, desmontar, levar para o banho, para a consulta médica, para a casa dos avós e exercer toda a criatividade e espontaneidade.
Do que adianta dar um brinquedo caro e da moda para os pequenos, se no fundo vamos estar em estado de alerta, para que ele não sofra avarias ou se torne sujo? Crianças na fase préescolar não precisam de brinquedos sofisticados e caros. Elas precisam de espaço para brincar, coleguinhas, ar livre, natureza, adulto cuidador e protetor, que supervisione, sem atrapalhar a brincadeira, e, brinquedos, que exercitem o corpo, a mente e a interação social.
As crianças não nascem sabendo o preço das coisas ou como devem fazer para manterem em boas condições seus brinquedos. Elas aprendem observando os adultos e recebendo orientações deles. Assim, desde pequeno, ensine seu filho a guardar os brinquedos no lugar certo, como conservá-los, e, no momento certo, fazer uma doação dos brinquedos antigos, para uma instituição ou para outras crianças. Trocar brinquedos com outras crianças também pode ser uma boa opção para pais e filhos. Afinal, a criança terá sempre algo novo para se divertir e explorar.
Mostre para seu filho o brinquedo que pode ser desmontado, o livro que pode ser pintado ou rasgado, e, o brinquedo que pode sofrer arremesso ou queda. Como falei as crianças não sabem muita coisa ainda.
Quando “acidentes” acontecerem (um brinquedo quebrar por mau uso) converse com seu filho e novamente ensine-o a cuidar de seus brinquedos. Explique que se ele não cuidar bem de seus pertences ele não terá com o que brincar em outro momento. Seja firme, porém não exagere na reação (raiva, desgosto, desapontamento), ou, no uso de medidas intempestivas. Devagar e com constância, seu filho vai entender o que pode e o que não pode fazer.

O mais importante é a mensagem que você está passando ao seu filho, ou seja, brincar com cuidado e responsabilidade vale a pena, pois, o brinquedo vai estar por ali, esperando a próxima brincadeira!

15.9.16

Não fale com estranhos

 Quem nunca falou para o seu filho “Não fale com pessoas que você não conhece”; “Não aceite balas ou guloseimas de estranhos”; “Não aceite carona de quem você não conhece”; entre outras frases de preocupação.
Alertar os filhos é sempre válido, mesmo por que as crianças, em sua ingenuidade, tendem a confiar nos mais velhos ou em pessoas que “vendem” uma imagem de credibilidade. Ninguém está dizendo que seu filho precisa virar um anti-social de uma hora para outra. Apenas que ele adote medidas de auto-proteção. A melhor coisa é ensinar a criança a se proteger quando você não estiver por perto – estamos falando em proteção e não em “neura”.
A melhor forma de proteger as crianças de pessoas desconhecidas que possam causar algum dolo é estipulando regrinhas básicas do tipo:  quando eu ou um cuidador estivermos perto de você, você pode ser simpático e aceitar um diálogo, do contrário, evite ser empático com estranhos.
Não aceite passeios ou oferta de diversão de estranhos. Essas pessoas podem causar algum prejuízo a você. Solicite a ajuda de um adulto o mais breve possível. Se preciso for, pratique, ensene ou faça um teatrinho da regra sugerida até que você esteja segura de que seu filho entendeu sua solicitação.
Ensinar seu filho a se proteger não quer dizer causar pânico ou traumas na criança!
Catastrofizar uma suposta situação pode gerar trauma ou retração na criança. Alerte seu filho de forma lúdica, contando estórinhas, fazendo um teatrinho com bonecos ou até mesmo inventando uma musica sobre o tema. As crianças amedrontadas não agem, apenas reagem e a reação pode ser de estagnação.
Sempre que possível relembre as regras com seu filho e pontue positivamente quando ele fizer o que você solicitou de maneira positiva. Não é por que ele deve ser precavido que ele não pode ser amável  e agradável com as pessoas que são de seu meio e do ambiente social da criança (amigos, professores, familiares).
Como a criança pode saber se um indivíduo é confiável ou não?
Acredito que é muito difícil!  As vezes, até nós, adultos, nos enganamos com as pessoas que parecem ser confiáveis ou não. Por isso as regras são necessárias e enfatizá-las usualmente serve de precaução.
Evite amedrontar os pequenos com histórias aterrorizantes de crianças sequestradas, sumidas, assassinadas ou até com programas de televisão apelativos que incentive o medo ou receio nos indivíduos.

Lembre-se cumprimentar as pessoas é uma coisa (educação e simpatia), porém abrir a guarda é outra!

1.9.16

O que é isso? Meu filho deu para se esconder atrás de mim!



Qual pai ou mãe nunca passou por esse tipo de experiência um dia na vida, de seu filho se esconder por de trás? É só chegar perto um adulto fazendo graça ou dizendo que ele é lindo ou uma gracinha, que o pequeno logo vai se esconder atrás dos pais, e se estiver em casa, vai para outro cômodo e fica espiando de “rabo de olho”.
O que é isso?
Meu filho tá ficando esquisito?
É a famosa timidez!
As crianças são muito curiosas, aventureiras e desbravadoras dos sete mares. Por outro lado, existem algumas crianças que são mais contidas e reservadas em sua curiosidade. É o “jeitão” de cada uma! Ser tímido não é uma patologia.
O caso se transforma num problema quando a criança se torna inibida ao exagero, a ponto de evitar o contato com as pessoas fora de seu círculo de confiança, impedindo de fazer e ter amigos, de participar de eventos sociais, de expressar toda sua vivacidade e potencialidade.
Como os pais podem ajudar seu filho numa situação básica de timidez?
Os pais precisam entender seu filho e não cobrar atitudes que ele ainda é imaturo para expressar. Antes de tudo, precisam conhecer o que se espera em cada etapa de desenvolvimento de seu pequeno. Por exemplo, uma criancinha de dois anos que não quer ir a uma festa de casamento não deve ser forçada. Obrigá-la pode agravar a situação e transformar a festa em um caos. Lembrem-se, as criancinhas superam sua timidez, a partir do momento, que adquirem confiança em si mesma e no ambiente.
Aceitar a timidez do filho, é uma maneira de entender o temperamento particular do pequeno, e fazê-lo entender, que cada um tem sua maneira de ser e de fazer parte do mundo. Por outro lado, elogiar a criança quando ela falar com um coleguinha, uma amiga dos pais, ou o caixa de supermercado é uma forma de fazer reforço positivo e de prestigiar a iniciativa da criança.
Como já mencionei algumas vezes, ser o exemplo pode ajudar muito. Deixe seu filho observar sua conversa com outras pessoas, brinque de teatrinho com ele. Ora ele é um personagem ora ele é outro. Uma hora ele é um bichinho muito falante, em outro momento ele é um personagem quieto e que gostaria de ser um cantor e cantar para uma plateia de bichos curiosos da floresta. Ser lúdico pode fazer milagres!
O importante nessa história toda é evitar fazer censuras e comparações com amiguinhos, primos ou irmãos. Nunca humilhe ou castigue seu filho por ele não se “comportar” frente aos outros como você gostaria. Isso vai gerar muito mal estar, medo e receio por parte da criança.
Evite os rótulos! Não nomeie seu filho para as outras pessoas como ele sendo assim mesmo – tímido, quieto, retraído. Tal atitude pode se tornar uma profecia e os recursos internos de seu filho podem minar nesse contexto.
Já conheci muitas crianças tímidas que superaram a timidez e se transformaram em atores, gerentes de empresas, professores e etc.


18.8.16

Criança agressiva, onde está a falha?




As crianças são vivas, espertas, dinâmicas e inquietas para descobrirem tudo que existe no mundo. São curiosas por natureza.
Tudo isso é muito interessante e esperado. O problema é quando a criança não sabe como lidar com a impulsividade e a frustração. Algumas são menos inquietas, outras são mais ativas. Não existe uma criança igualzinha à outra. Cada um é cada um! Todavia, existem crianças que quando contrariadas jogam brinquedos no chão, batem nos coleguinhas, levantam a mão ou as pernas para os pais, respondem de maneira grosseira, rolam no chão e choram copiosamente, e, ainda podem se transformar em uma verdadeira usina de energia, tipo Itaipu!
O que será que acontece com elas?
Por que será que elas são tão impulsivas e reativas?
A maioria dos trabalhos acadêmicos mostra que a criança agressiva ou desmedida apenas demonstra, que ela “destempera” e não sabe lidar com seus sentimentos mais avassaladores de raiva, medo, tristeza, impotência, frustração, entre outros. Seu comportamento pode denunciar que algo não anda bem em seu mundo. Pode ser que seus pais não estejam se entendendo bem, que um irmãozinho está para chegar, que houve necessidade de mudar de escola e os amiguinhos antigos ficaram para trás ou até mesmo que ele está sendo vitima de abuso ou maus tratos. O assunto é mesmo complexo.
Bem, independente da causa, a criança precisa ser vista, acolhida e acompanhada, frisando que bater, morder, arremessar coisas e “cutucar” os outros não é um comportamento aceitável. Que é muito louvável beijar, abraçar, conversar, brincar e pedir com educação quando se quer algo. O “por favor” agente aprende de berço, bem como, o obrigada.
Nesta matéria estou enfocando apenas as crianças que apresentam um mau comportamento por falta de limites e educação. As crianças com alto grau de agressividade e de longa data devem ser vistas e avaliadas por profissional especializado.
Bem, mas será que existe uma luz no fim do túnel? Será que há como prevenir as crises de agressividade infantil?
Procuro ver o lado positivo das coisas e tenho observado, com as famílias que atendo, que “ajustes finos” colaboram muito para reduzir a agressividade e gerar com competência comportamentos mais adaptativos. Não sou a favor de esquemas, mas acho que neste caso vale a pena  considerar alguns pontos:
1-      Observe com quem seu filho está brincando: a interação entre as crianças mostram muito do comportamento, da personalidade e da integração;
2-      Não cobre aquilo que você não faz: não seja o modelo de comportamento agressivo – evite gritar, ser desrespeitoso com as pessoas, cuide de seus objetos com carinho;
3-      Explique por que brigar, bater, morder as crianças ou as pessoas é inadmissível e que isso causa dor e sofrimento ao outro
Procure ajudar seu filho a desenvolver a inteligência emocional e com isso evitar a agressividade.
 Como?

1-      Mostre ao seu filho outras formas de lidar com a frustração: em vez de bater ou agir de forma agressiva. Diga para ele que pedir ajuda é uma maneira saudável de lidar com o conflito, ou até mesmo, sair de perto das crianças que estão provocando-o. Ajudar a criança a entender as emoções que ela está sentindo e entende-las na presença de um adulto continente é muito bom;
2-      Elogie as coisas boas que seu filho faz: quando ele estiver brincando sem ser agressivo, diga que você aprecia o bom convívio, que é bacana dividir e “multiplicar” os brinquedos e tratar os outros com respeito;
3-      Quando você notar um comportamento inadequado ou agressivo de seu filho não deixe passar em branco ou para falar depois. Pontue na hora e ajude-o a lidar com a situação acolhendo-o e sugerindo um comportamento alternativo;
4-      Não rumine o mau comportamento: se você conversou com seu filho e tudo foi resolvido, bola para frente e nada de ficar relembrando a toda hora o que ele fez ou deixou de fazer;
5-      Não cobre calma de seu filho quando na verdade você está destemperada e violenta;
6-      Evite perder as estribeiras quando seu filho tiver um mau comportamento: agressão é que nem vírus, passa!


4.8.16

Chega de bater – Chega de gritar !




Esta semana eu atendi um menino de 9 anos que me perguntou se existia a Lei Maria da Penha para crianças. Ele comentou que principalmente seu pai, costumava gritar com ele toda vez que ele fazia algo inadequado, e, quando isso acontecia ele tinha a sensação de que suas orelhas estavam encolhendo. Seu desejo era de ser surdo!

Nunca comentou que apanhava, mas os gritos doíam tanto quanto uma surra!

Comentou ainda que os adultos não podiam se bater ou perder o respeito por que havia lei para punir isso. Assim sendo, ele queria denunciar o pai para a polícia baseada na lei Maria da Penha. A que ponto chega a vulnerabilidade de uma criança que, na verdade, precisa ser cuidada e amparada pelos seus pais.

Bom, vamos sair do meu caso e ir para o assunto em questão: bater ou gritar com as crianças.

Qual é o nosso comportamento quando as crianças nos tiram do sério e estamos cansados, frustrados ou num momento de muita ira e raiva?

Muitos pais relatam, que em situações como as citadas possuem a tendência em gritar e apelar para o destempero físico, além de punirem de maneira desmedida as crianças. Eu nunca li em nenhum estudo científico, que estas atitudes promovam a educação dos pequenos, ou, que eles se tornariam verdadeiros lordes, pelo contrário, ações desmedidas incitam o medo, a vergonha e o multiplicar da raiva sobre as outras pessoas.

Alguns pais referem que gritam ou batem em seus filhos de forma branda, sem grandes consequências para a saúde emocional das crianças. Esses pais possuem um termômetro com escala analógica para quantificar o quanto estão sendo “brandos” em seu castigo?

Tenho observado que o castigo físico e o abuso psicológico dos pais sobre seus filhos acabam empurrando o mau comportamento para debaixo do tapete e para o mercado negro. As crianças acabam cometendo seus erros por trás dos pais para não serem pegas no flagrante.  Os filhos fingem que não cometerão mais o comportamento indesejado e os pais fingem que acreditam na lisura de seus filhos.

Em vez das crianças seguirem as regras propostas pelos pais por elas serem boas e justas para serem seguidas, as crianças acatam os pais por medo do castigo. Conclusão, não há tempo para reflexão sobre algo errado que tenha acontecido e sim o receio ou o medo do castigo.

Quem somos nós para cobrarmos de nossos filhos para que ele não bata no irmão ou no coleguinha se somos os primeiros a levantar a mão para eles?  É preciso lembrar que os pequenos enxergam o mundo ainda de maneira concreta. Portanto, quando veem que os adultos podem bater nas crianças, eles tomam por regra que eles também podem bater em seu semelhante ou em outro adulto. É a famosa frase: violência gera violência, que gera raiva, que gera sentimentos de revanchismo, que aborta a comunicação saudável entre as pessoas, principalmente entre os pais e seus filhos.

As crianças quando expostas a violência em seus lares entendem que o adulto é poderoso, forte e que pode punir de maneira desmedida os mais fracos. A criança se sente enfraquecida, amedrontada, ansiosa e com um desejo interno muito grande de usar esse “poder” quando estiverem zangadas ou forem contrariadas.

Ainda não encontrei nenhum artigo que mostrasse o efeito positivo da surra ou de castigos físicos sobre a criança.

28.7.16

Em vez de rótulos ensine seu filho a ser disciplinado




Certa vez atendi uma família que nomeava (rotulava) seus filhos com características bem peculiares. O mais velho, de 10 anos era o folgado, o do meio de 8 anos, o desleixado, e o mais novo de 3 anos, o pobrezinho, afinal ele ainda era pequenino e não tinha vez na casa. Como vocês podem observar, nenhum deles tinha uma identidade positiva.

Pontuei que as características atribuídas pelos pais às crianças não era genética ou hereditária, e, que eu desconhecia o gene responsável por essas competências. Apenas quis demonstrar que se as crianças agiam de acordo com essas “qualidades”, é por que os pais, de alguma maneira, reforçavam esses comportamentos ou atitudes.

Pensem comigo, atribuir uma nominação negativa a uma criança não vai mudar o rumo da carruagem. O fato de um pai chamar seu filho de folgado, não vai fazer com que ele passe a guardar ou manter suas roupas arrumadas no guarda-roupa, tão pouco, que ele mantenha em ordem seu material escolar. Atribuir adjetivos jocosos a criança não muda comportamento! Pelo contrário, interfere em sua autoestima, em sua forma de se ver e se posicionar no mundo. Já ouvi dizer que vira “carma”!
Atitudes construtivas são mais eficientes e funcionais do que você rotular uma criança. Não sou muito a favor de dar passos para criar e educar os filhos. Prefiro a reflexão e a ponderação. Todavia, nesse caso, acho que alguns pontos poderiam ser considerados para trocar o rótulo pela ação.
De nada adianta lançar mão de apelidos: desleixado, folgado, porco, mal criado, briguento, bagunceiro, mandão, mal humorado, entre outros. O que funciona é dizer especificamente qual comportamento, que você, enquanto pai ou mãe, não tolera e pretende mudar, saia do abstrato e vá para o concreto. Explique ao seu filho onde ele deve guardar os brinquedos após as brincadeiras, por exemplo, seja objetivo e claro.
Não elogie seu filho e sim a atitude ou ato positivo que ele teve. Direcione o elogio ao comportamento. Mantenha o reforço positivo enquanto o novo comportamento precisar de reforço. Veja, quanto mais alguém nos diz, que fazemos bem determinada tarefa, mais queremos nos superar. Com as crianças também é assim!
Evite disputa de poder entre os irmãos. Essa atitude gera reforço na rivalidade entre eles.
As crianças precisam da supervisão dos adultos e das competências e habilidades dos pais para ajudarem a modular suas emoções e seu comportamento. Isso não acontecerá se os adultos não forem presentes na vida das crianças.
Pare de reforçar os aspectos negativos que seu filho teve no passado. Essa é uma atitude rancorosa e sem valia. Demonstrar as potencialidades das crianças é muito mais adaptativo do que se prender aos aspectos negativos.
Pais nervosos e cansados podem facilmente perder a paciência e apelar para o castigo físico e a intimidação psicológica. Esse tipo de atitude não modifica um comportamento indesejado, apenas os mascaram, ou pior, ensinam a criança a ter medo, a descarregar a raiva no outro, e pior ainda, que a violência é a melhor forma de lidar com os conflitos e com a intolerância.
Veja que algumas vezes os filhos se comportam mal ou apresentam alguma atitude inadequada pelo simples fato de poderem ser notados por seus pais. É uma forma “às avessas” de pedirem contato ou a presença dos seus cuidadores. Entretanto, funciona, porém a um alto preço! Os pais se irritam e respondem com violência. Por sua vez, as crianças recebem atenção e destroem sua autoestima. Na verdade é um trabalho totalmente contraproducente.
Moral da história, cuidar, educar e orientar é mais producente e amoroso do que deixar que as crianças sejam rotuladas e modifiquem seu comportamento inadequado por conta própria.