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29.2.16

Porque eu preciso tanto da mamãe?

              Durante a gestação e até mesmo no pós-parto, o cérebro do bebê passa por uma serie de transformações e especializações, promovendo um contínuo progresso neurológico. Dentro desse universo de aprimoramento biológico, substâncias químicas também vão participar desse processo, aprimorando cada vez mais a desenvoltura cerebral do bebê.
           Após o nascimento do pequeno, sua demanda é de um cuidador, pois todo seu sistema biológico ainda é imaturo e carece de muito cuidado, carinho e atenção. Isso significa que o bebê vai se apegar as pessoas disponíveis a sua volta, principalmente à mãe, e, sempre que possível ao papai. A partir disso, vínculos amorosos irão se formar para sempre. É assim que esperamos!
As relações vinculares estabelecidas entre o bebê e seu cuidador imediato (mamãe, papai, vovó, ente querido) vão ajudar a modelar, dia após dia, o circuito neuronal do pequenino. Isso quer dizer, quanto melhor a relação mãe-bebê, mais aprimorada a confiança da criança em estabelecer um bom contato com o meio em que vive, e, a cada dia aprender mais coisas sobre o mundo que a cerca.
É por intermédio de um ambiente continente e acolhedor, que o bebe terá suas angustias assimiladas, e, continuamente terá a oportunidade de moldar sua identidade. Sua percepção de ser e de existir no mundo.
Gostaria de ressaltar, que as vivencias emocionais, do começo de vida do bebê, principalmente os dois primeiros anos, servirão de base para a organização cerebral da criança, que refletirá diretamente em seu comportamento e na sua capacidade de pensar.
Conviver com a mamãe, daí a importância da licença maternidade prolongada, permite modificações neurobiológicas positivas em ambos, incidindo principalmente no bebê. Moral da história, ter tempo para desfrutar da companhia da mamãe significa ficar mais conectado, ativo, esperto, disponível para aprender mais, sentir-se mais seguro e confiante.
É nessa convivência mútua, que o bebê constrói suas bases do “ser” e de poder, calmamente, desenvolver suas funções executivas (capacidade do indivíduo em estabelecer objetivos, planejar adequadamente, corrigir uma rota se houver necessidade, concluir e verificar se um objetivo foi atingido).
De início, a parte que mais “trabalha” no cérebro do bebê é o hemisfério direito. Nessa região encontramos áreas relacionadas às emoções. O medo e as ansiedades derivam dessas áreas. Daí a importância da mamãe estar por perto de seu bebê, pois é ela, que, desde o comecinho de vida do bebê, o auxilia a aplacar seus medos e angustias com muito carinho e devoção.
De início, o bebê busca, com muita intensidade, o prazer imediato: ter sempre sua fome aliviada, sua fralda limpinha, ausência de dor e desconforto, presença contínua de um colo acolhedor, macio e quentinho. Com o tempo, o bebê precisa da quebra desse prazer constante, para iniciar seu aprendizado rumo a eventos que o frustre. Calma, isso é lento e progressivo. No começo é impossível pensar em deixar o bebê chorar por um segundo, mas conforme adquirimos mais confiança no nosso poder materno, passamos a decifrar o código de choro do bebê, e, sabemos quando o choro é de fome, ou de dor, ou de desconforto, ou, apenas um “dá para vir aqui, que eu acordei e não quero ficar só!”
Em seu começo de vida o bebê pensa que ele e a mãe são um bloco só – uma só pessoa. Com o passar dos meses, o bebezinho vai percebendo que ele é um e a mamãe é outro e a frustração de não ser atendido de prontidão é um pouco tolerável. É nesse vai e vem, nessa corrente de vivencias, que o bebê vai gradativamente aprender a esperar, tolerar, confiar, sentir-se seguro e ser menos ansioso/angustiado.
Nas bases de um mundo sentido como seguro, o bebê estará mais disponível para confiar no mundo a sua volta, a construir um mundo de aprendizado e simbolização.
 

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