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14.4.16

Ninguém me contou que o pós-parto era assim!


Durante muitos meses, a futura mamãe foi se adaptando ao bebezinho, que estava sendo gerado em seu ventre. Conforme seu corpo ia adquirindo novas formas, a mãe, quando saudável e amparada, se dedica de corpo e alma a chegada de seu filho, além de se moldar as novas mudanças fisiológicas, que o bebê requer para crescer e se desenvolver sadio.
Uma coisa é certa, a mamãe sonha e vislumbra seu bebê no mais amplo sentido da alegria e idealização: ele será lindo, saudável, inteligente e vitorioso para se impor nesse mundão de Deus. Imagina e fantasia o bebezinho em seus braços, prestando cuidados amorosos, integrando essa criança aos planos futuros do casal, ou, da família.
Por outro lado, o nascimento de uma criança, é uma mudança importante, não só para o bebê, mas também para a mãe. Viver intensamente com alguém dentro de sua barriga, e, de repente se ver esvaziada, e, ao mesmo tempo agarrada a um “serzinho” tão indefeso, não é nada fácil. Isso pode gerar algum grau de ansiedade ou angústia.
Não é raro, durante minha passagem na maternidade (consulta a saúde materno infantil), me deparar com mães, que se sentem desamparadas, solitárias e revoltas ao passado – ao seu próprio passado. Recordando sua meninice, seus feitos, seus abandonos, suas alegrias, suas desesperanças. É uma verdadeira chuva de ideias e memórias!
Nesse vai e vem de sentimentos, não é incomum encontrar uma mãe pedindo contenção e amparo. Um acolhimento, que nem sempre seus familiares estão enxergando naquele momento, ou, mesmo estão disponíveis para oferecer. Ser puérpera não é nada fácil!
A presença de um acompanhante de escolha da recém-mamãe pode fazer toda a diferença, pois, este vai poder acolhê-la em suas angústias, ajudar a conter o cansaço das primeiras horas, dos primeiros dias do pós-parto. Esse acompanhante deverá ser uma pessoa com habilidades para trazer segurança e apoio emocional para a mãe e seu bebe.
Quem seria essa pessoa?
Alguém especial nomeado pela mulher (parturiente ou puérpera) capaz de reciclar suas ansiedades e angústias. Uma pessoa afetiva, dedicada, disponível para servir de corpo e alma a novata mamãe. Pode ser o companheiro, uma avó afetiva, uma amiga dedicada, uma Doula. Não importa o nome, o que realmente importa é a disponibilidade desse “alguém” para a mulher que acabou de parir.
O próprio Ministério de Saúde do Brasil relata que a presença de um acompanhante no peri parto traz benefícios importantes para a mulher. Vão desde o sentimento e sensação de maior segurança e confiança até a redução de medicamentos para alívio do desconforto e da duração do trabalho de parto. Sem contar sua participação nos cuidados iniciais com o bebê e a amamentação.
É claro, que se as angústias maternas se exacerbarem, se tornarem impossíveis de ser confortadas por pessoas do círculo da puérpera, um profissional de saúde mental deverá ser chamado. Um profissional que esteja habilitado para lidar intimamente com a relação mãe-bebê.
O parto é um evento social e emocional. Todos anseiam por este momento. Há uma mistura de preocupação pela vida da mãe, do bebê, e, um desejo imenso de comemoração. Todavia, ver o recém-nascido, poder acolhê-lo nos braços, é uma maneira de ajudar a mamãe, a recuperar sua identidade, seu estado de lógica. Olá terra, cambio! Estamos aqui de volta – eu e agora o meu filho!
A presença do pequenino na família propicia possibilidades de renovação, esperança e integração, se é assim, então, que a vida se renove, e, seja celebrada com muito amor e carinho! Que se façam “rodas”, assim como os índios, pra recepcionar os dois nobres viajantes, a mulher, que acabou de dar a luz, e, o bebê, que chegou do mundo aquático para a vida aérea! 

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