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27.4.16

O bebê chegou e... E nós?


Lembro-me muito bem, do primeiro dia que cheguei com minha filha em casa. Meu marido me perguntou onde nossa filha iria dormir: No berço ou no carrinho? No quarto dela ou no nosso?
Olhava para aquele corpinho tão pequenino e indefeso, e, eu mal compreendia como poderia deixá-la um milímetro longe de mim. Pensava, que eu, e, somente eu, poderia ser sua única fonte de carinho, conforto e alimento. Era como se naquele instante o mundo só tivesse espaço para nós duas. Logo a ficha caiu, o choro, as mamadas frequentes, o trocar de fralda, as atividades diversas do lar, me fizeram entender a realidade, enxergar que eu precisava de ajuda, e, a mais próxima era a de meu marido.
Um pai amoroso, prestativo e muito disponível para tudo que fosse necessário. Todavia, ele é humano como eu, e, portanto, se cansava, tinha muito sono, e, precisava trabalhar no dia seguinte.
Pois bem, observo que o primeiro ano de vida do bebê, não é nada fácil para a maioria dos casais. É um período de grandes adaptações do casal, da nova constituição familiar, dos hábitos da casa, das mudanças do cotidiano, e, que uma criança exige regras, rotinas e alterações no estilo de vida.
As mudanças podem ser tão intensas, que alguns casais não sabem como lidar com elas, chegando até a separação. Não é fácil ser pai e mãe!
Tão logo o bebê deixa sua “incubadora humana”, ele mostra aos seus pais, que ele precisa de um ambiente acolhedor, amoroso e nutridor em todos os sentidos. O pequeno precisa de tudo isso para se desenvolver fisicamente e cognitivamente. Ele precisa de estabilidade, e, por estabilidade, entenda um lar calmo e previsível. Onde seus pais se respeitem e se queiram bem.
A chegada de um bebê pode causar muitas “turbulências”. Engana-se quem pensa que um lindo e gracioso bebê, não gera um estresse, pensar assim é puro idealismo, romantismo e imaturidade.
O sociólogo E. Le Master publicou, no início da década de 60, uma pesquisa mostrando, que cerca de 80% dos novos pais, passariam por uma crise relacional moderada, ou, severa, durante o primeiro ano de vida do bebê. Claro, que o sociólogo foi criticado, e, deixado no ostracismo por décadas.
Hoje se sabe que as adversidades do casamento, causada pela vinda do primeiro filho, é uma experiência normal, representa uma transição na vida de casal para a vida triangular (pai, mãe e filho), mas que mesmo assim pode desencadear conflitos relacionais.
Qual a causa das adversidades relacionais pós-chegada do bebê?
A principal seria a perda de sono, ou, a restrição dele, a carga de trabalho por vezes distribuída de maneira desigual entre mãe e pai, e, a depressão. Claro, que casais que decidem ter filhos de maneira consciente, e, apresentam fortes laços de amorosidade e cumplicidade, essas variáveis tendem a ser menos incidentes ou intensas.
De um lado temos os pais tentando se ajustar a nova vida, e, do outro, o pequeno tentando a todo custo se vincular amorosamente aos seus pais, principalmente, à sua cuidadora imediata, a mãe.
Se o bebê precisa tanto de um ambiente amoroso para crescer de maneira saudável, o que acontece, então, quando o casal está em pé de guerra?
Os conflitos, ou, desavenças conjugais frequentes, são capazes de prejudicar o desenvolvimento cerebral do bebê, e, predispõe ao estresse tóxico. Estes bebês, são difíceis de acalmar, choram repetidamente, não conseguem dormir, e, o apetite pode tornar-se voraz ou inapetente.
Se a hostilidade conjugal perdura a criança pode crescer apresentando dificuldade em lidar com a frustração, agressividade desmedida, dificuldade para balancear as emoções, problemas com a concentração, e, pouco recurso para se autoacalmar. Além dos problemas emocionais, as crianças ainda podem apresentar maior predisposição para doenças repetitivas, como resfriados, tosses, amigdalites e otites.
Como driblar os conflitos relacionais advindos da chegada do bebê?
Uma boa dica, seria preparando o relacionamento a dois. Casais com relacionamentos sólidos e empáticos conseguem fazer a transição de casal, para a paternidade com mais compaixão e cumplicidade, atravessam noites mal dormidas e outras privações, com menos mágoas e sobrecarga, aceitam ajuda com presteza, procuram construir uma rede de apoio, se sentem a vontade em contar com pessoas próximas de seu circulo de referência.
Moral da história: pais harmoniosos asseguram o sadio desenvolvimento mental de seus filhos, bem como a sua felicidade.

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