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28.7.16

Em vez de rótulos ensine seu filho a ser disciplinado




Certa vez atendi uma família que nomeava (rotulava) seus filhos com características bem peculiares. O mais velho, de 10 anos era o folgado, o do meio de 8 anos, o desleixado, e o mais novo de 3 anos, o pobrezinho, afinal ele ainda era pequenino e não tinha vez na casa. Como vocês podem observar, nenhum deles tinha uma identidade positiva.

Pontuei que as características atribuídas pelos pais às crianças não era genética ou hereditária, e, que eu desconhecia o gene responsável por essas competências. Apenas quis demonstrar que se as crianças agiam de acordo com essas “qualidades”, é por que os pais, de alguma maneira, reforçavam esses comportamentos ou atitudes.

Pensem comigo, atribuir uma nominação negativa a uma criança não vai mudar o rumo da carruagem. O fato de um pai chamar seu filho de folgado, não vai fazer com que ele passe a guardar ou manter suas roupas arrumadas no guarda-roupa, tão pouco, que ele mantenha em ordem seu material escolar. Atribuir adjetivos jocosos a criança não muda comportamento! Pelo contrário, interfere em sua autoestima, em sua forma de se ver e se posicionar no mundo. Já ouvi dizer que vira “carma”!
Atitudes construtivas são mais eficientes e funcionais do que você rotular uma criança. Não sou muito a favor de dar passos para criar e educar os filhos. Prefiro a reflexão e a ponderação. Todavia, nesse caso, acho que alguns pontos poderiam ser considerados para trocar o rótulo pela ação.
De nada adianta lançar mão de apelidos: desleixado, folgado, porco, mal criado, briguento, bagunceiro, mandão, mal humorado, entre outros. O que funciona é dizer especificamente qual comportamento, que você, enquanto pai ou mãe, não tolera e pretende mudar, saia do abstrato e vá para o concreto. Explique ao seu filho onde ele deve guardar os brinquedos após as brincadeiras, por exemplo, seja objetivo e claro.
Não elogie seu filho e sim a atitude ou ato positivo que ele teve. Direcione o elogio ao comportamento. Mantenha o reforço positivo enquanto o novo comportamento precisar de reforço. Veja, quanto mais alguém nos diz, que fazemos bem determinada tarefa, mais queremos nos superar. Com as crianças também é assim!
Evite disputa de poder entre os irmãos. Essa atitude gera reforço na rivalidade entre eles.
As crianças precisam da supervisão dos adultos e das competências e habilidades dos pais para ajudarem a modular suas emoções e seu comportamento. Isso não acontecerá se os adultos não forem presentes na vida das crianças.
Pare de reforçar os aspectos negativos que seu filho teve no passado. Essa é uma atitude rancorosa e sem valia. Demonstrar as potencialidades das crianças é muito mais adaptativo do que se prender aos aspectos negativos.
Pais nervosos e cansados podem facilmente perder a paciência e apelar para o castigo físico e a intimidação psicológica. Esse tipo de atitude não modifica um comportamento indesejado, apenas os mascaram, ou pior, ensinam a criança a ter medo, a descarregar a raiva no outro, e pior ainda, que a violência é a melhor forma de lidar com os conflitos e com a intolerância.
Veja que algumas vezes os filhos se comportam mal ou apresentam alguma atitude inadequada pelo simples fato de poderem ser notados por seus pais. É uma forma “às avessas” de pedirem contato ou a presença dos seus cuidadores. Entretanto, funciona, porém a um alto preço! Os pais se irritam e respondem com violência. Por sua vez, as crianças recebem atenção e destroem sua autoestima. Na verdade é um trabalho totalmente contraproducente.
Moral da história, cuidar, educar e orientar é mais producente e amoroso do que deixar que as crianças sejam rotuladas e modifiquem seu comportamento inadequado por conta própria.


14.7.16

Passar por cima ou corrigir os maus modos das crianças


Não é incomum, ver uma criança dar um tapinha nos pais, quando é contrariada ou quando um objeto lhe é negado. De início seus pais não corrigem o ato por achar que seu filho fez algo engraçado, ou por achar, que ele demonstra desde pequeno “atitude”, ou, até mesmo um temperamento “forte”.
Assim, as ideias pré-concebidas dos pais e a própria história de vida de cada progenitor pode levá-los a tolerar comportamentos ou ações que outros pais não tolerariam ou aprovariam.
Quem está certo?
Se olharmos pela ótica das crianças, cada atitude ou comportamento dos pequenos tem um sentido para eles: “Ele pegou meu brinquedo, logo vou bater nele”; “Eu quero aquele carrinho agora, logo posso pegá-lo e brincar com ele”. As crianças são imediatistas e ainda estão numa fase voltada para tudo que lhes deem conforto e prazer. O que estou querendo chamar a atenção, é que as crianças ainda não aprenderam maneiras adequadas ou satisfatórias de lidar com os problemas ou desafios e de quebra ainda saírem satisfeitos com a situação. Estamos falando da imaturidade emocional, típica das crianças na primeira infância!
Para enfrentar ou lidar com os problemas de comportamento dos pequenos, os pais precisam em primeiro lugar serem o exemplo de conduta que eles querem para seus filhos. Não adianta mandar os filhos pararem de gritar, se somos os primeiros a gritar com nosso parceiro, esbravejar na fila do banco, ou xingar um sujeito que fez algo que não apreciamos. Os pais precisam ser disciplinados em suas convicções e terem constância em suas atitudes.
Um casal respeitoso entre si serve de exemplo para seus filhos e mostra que desrespeito e intolerância não são as palavras de ordem da família. É como se a família criasse um código de conduta no lar e que algumas pequenas coisas podem ser toleráveis e outras não podem ser aceitas em hipótese alguma. Lembre-se, ensinamos respeito e tolerância as crianças dentro de casa, e, o comportamento vai reverberar no convívio com as demais pessoas.
Eu sei que cuidar de uma criança demanda habilidades 24 horas por dia, 365 dias do ano. Entretanto, não podemos abrir mão de nossas responsabilidades paternas e terceirizar a criação de nossos filhos para uma Empresa “Criacional”. As coisas básicas são aprendidas no convívio do lar!
O convívio com as crianças exige empenho, paciência e perseverança. Os maus comportamentos e as más atitudes devem ser pontuadas e corrigidas na hora. Todavia, alguns incidentes, podem ser avaliados pelos pais como diminutos e com pouca influência no andamento e nas crenças de retidão familiar. Assim, se tudo que as crianças fizerem nós formos levar a ferro e fogo, o convívio dentro da família se tornará chato, inflexível e sem um colorido particular. Como pais também temos, que demonstrar jogo de cintura, mostrar que em algumas situações podemos ser mais brandos e afáveis.
É a famosa métrica relacional!
Métrica essa que não pode variar com o estado emocional dos pais. Se hoje estou bem posso relevar determinado comportamento de meu filho. Se amanhã estou nervoso ou irritado, o mesmo comportamento de meu filho será punido com o mais severo rigor da lei! Socorro!
Moral da história, ter um plano disciplinar em casa pode ser uma saída eficiente para ensinar a criança desde cedo a ser responsável e a ter atitudes positivas que ajudam a solidificar suas aquisições emocionais.


4.7.16

Crianças fortes e seguras

   
Outro dia, estava eu conversando com uma mãe numa livraria, que ao saber que eu trabalhava com família, perguntou-me como ajudar seu filho de 5 anos a ser forte emocionalmente, para ele poder conseguir enfrentar os problemas do futuro com competência e assertividade. Parecia até que eu teria uma receita de bolo pronta e que as coisas seriam simples e fáceis assim.
Refletindo sobre o ocorrido, entendi que o que ela mais queria ouvir era como criar e educar seu filho com carinho, competência e sem violência. Pelo menos acho que foi isso. Não tivemos muito tempo para conversar, pois eu estava indo para um seminário na referida livraria.
Para que a criança se sinta forte e segura para enfrentar seu dia a dia, ela precisa ser protagonista de sua história, sentir que ela tem um lugar de destaque em sua família, que possui competências e que seus pais, ao mesmo tempo, que são dedicados, expressam claramente limites e o que esperam de seus filhos, tendo como norte a idade e a maturação dos mesmos.
Os pais possuem uma grande importância no desenvolvimento das competências de seus filhos para que eles cresçam fortes emocionalmente, e, para isso algumas características precisam estar claramente expressas na mente dos progenitores. Entre elas podemos citar:
1-      A capacidade que os pais demonstram em aceitar a personalidade e o temperamento natural (essencial) de seus filhos,
2-      A expertise e a sensibilidade que os pais mostram aos seus filhos para delegar e estimular a responsabilidade baseadas na idade cronológica e mental das crianças,
3-      A habilidade que os pais demonstram em confiar em seus filhos para que eles sejam capazes de tomar decisões e resolver problemas de acordo com a idade cronológica e mental dos pequenos.
4-      A destreza com que os pais conduzem um erro cometido por um filho, e, como esse erro pode se tornar um desafio para a criança se sentir motivada para repará-lo, e, no futuro poder fazer diferente numa outra situação.
Como visto acima, não é tão simples “dar conselhos” em como educar e criar um filho, para que ele seja emocionalmente saudável para lidar com as situações conflitantes do cotidiano familiar, afinal das contas, criar e educar um filho, não é um assunto comum na literatura mundial, mesmo por que nos deparamos com as diversas culturas e com formas diferentes de pensar e agir.
Porém, uma coisa é certa e amplamente demonstrada pela literatura acadêmica: nenhuma forma de violência deve fazer parte da criação e educação de um filho. A violência trás sequelas indeléveis na autoestima das crianças e prejuízos importantes em seu psiquismo na fase adulta!
Costumo conversar com as famílias que atendo, que a infância não é romântica, que é uma fase que pode apresentar-se conflitante, e, que o papel dos pais é fundamental na superação desses conflitos. Algumas crianças são mais arteiras, outras são mais tranquilas e afáveis. Antes dos pais e da comunidade rotular um comportamento da criança como “problemático” é preciso traçar um panorama do que está acontecendo na família, que estressores podem estar ocorrendo naquele momento (morte ou separação de um ente querido, chegada de um irmãozinho, entrada ou mudança na escola, mudança de casa ou de cidade, problemas financeiros, doenças graves num familiar, mudança de emprego de um dos pais, entre outras).
Por vezes, a criança pode exibir um determinado comportamento por não estar sabendo lidar com seus sentimentos, e, normalmente a raiva é um dos sentimentos mais difíceis para a criança contornar, tendo em vista sua imaturidade e sua dificuldade em lidar com ela. É nesse momento que os pais precisam lançar mão de suas competências e habilidades para ajudar seu filho.
Quanto à receita de bolo, vou ficar devendo!