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18.8.16

Criança agressiva, onde está a falha?




As crianças são vivas, espertas, dinâmicas e inquietas para descobrirem tudo que existe no mundo. São curiosas por natureza.
Tudo isso é muito interessante e esperado. O problema é quando a criança não sabe como lidar com a impulsividade e a frustração. Algumas são menos inquietas, outras são mais ativas. Não existe uma criança igualzinha à outra. Cada um é cada um! Todavia, existem crianças que quando contrariadas jogam brinquedos no chão, batem nos coleguinhas, levantam a mão ou as pernas para os pais, respondem de maneira grosseira, rolam no chão e choram copiosamente, e, ainda podem se transformar em uma verdadeira usina de energia, tipo Itaipu!
O que será que acontece com elas?
Por que será que elas são tão impulsivas e reativas?
A maioria dos trabalhos acadêmicos mostra que a criança agressiva ou desmedida apenas demonstra, que ela “destempera” e não sabe lidar com seus sentimentos mais avassaladores de raiva, medo, tristeza, impotência, frustração, entre outros. Seu comportamento pode denunciar que algo não anda bem em seu mundo. Pode ser que seus pais não estejam se entendendo bem, que um irmãozinho está para chegar, que houve necessidade de mudar de escola e os amiguinhos antigos ficaram para trás ou até mesmo que ele está sendo vitima de abuso ou maus tratos. O assunto é mesmo complexo.
Bem, independente da causa, a criança precisa ser vista, acolhida e acompanhada, frisando que bater, morder, arremessar coisas e “cutucar” os outros não é um comportamento aceitável. Que é muito louvável beijar, abraçar, conversar, brincar e pedir com educação quando se quer algo. O “por favor” agente aprende de berço, bem como, o obrigada.
Nesta matéria estou enfocando apenas as crianças que apresentam um mau comportamento por falta de limites e educação. As crianças com alto grau de agressividade e de longa data devem ser vistas e avaliadas por profissional especializado.
Bem, mas será que existe uma luz no fim do túnel? Será que há como prevenir as crises de agressividade infantil?
Procuro ver o lado positivo das coisas e tenho observado, com as famílias que atendo, que “ajustes finos” colaboram muito para reduzir a agressividade e gerar com competência comportamentos mais adaptativos. Não sou a favor de esquemas, mas acho que neste caso vale a pena  considerar alguns pontos:
1-      Observe com quem seu filho está brincando: a interação entre as crianças mostram muito do comportamento, da personalidade e da integração;
2-      Não cobre aquilo que você não faz: não seja o modelo de comportamento agressivo – evite gritar, ser desrespeitoso com as pessoas, cuide de seus objetos com carinho;
3-      Explique por que brigar, bater, morder as crianças ou as pessoas é inadmissível e que isso causa dor e sofrimento ao outro
Procure ajudar seu filho a desenvolver a inteligência emocional e com isso evitar a agressividade.
 Como?

1-      Mostre ao seu filho outras formas de lidar com a frustração: em vez de bater ou agir de forma agressiva. Diga para ele que pedir ajuda é uma maneira saudável de lidar com o conflito, ou até mesmo, sair de perto das crianças que estão provocando-o. Ajudar a criança a entender as emoções que ela está sentindo e entende-las na presença de um adulto continente é muito bom;
2-      Elogie as coisas boas que seu filho faz: quando ele estiver brincando sem ser agressivo, diga que você aprecia o bom convívio, que é bacana dividir e “multiplicar” os brinquedos e tratar os outros com respeito;
3-      Quando você notar um comportamento inadequado ou agressivo de seu filho não deixe passar em branco ou para falar depois. Pontue na hora e ajude-o a lidar com a situação acolhendo-o e sugerindo um comportamento alternativo;
4-      Não rumine o mau comportamento: se você conversou com seu filho e tudo foi resolvido, bola para frente e nada de ficar relembrando a toda hora o que ele fez ou deixou de fazer;
5-      Não cobre calma de seu filho quando na verdade você está destemperada e violenta;
6-      Evite perder as estribeiras quando seu filho tiver um mau comportamento: agressão é que nem vírus, passa!


4.8.16

Chega de bater – Chega de gritar !




Esta semana eu atendi um menino de 9 anos que me perguntou se existia a Lei Maria da Penha para crianças. Ele comentou que principalmente seu pai, costumava gritar com ele toda vez que ele fazia algo inadequado, e, quando isso acontecia ele tinha a sensação de que suas orelhas estavam encolhendo. Seu desejo era de ser surdo!

Nunca comentou que apanhava, mas os gritos doíam tanto quanto uma surra!

Comentou ainda que os adultos não podiam se bater ou perder o respeito por que havia lei para punir isso. Assim sendo, ele queria denunciar o pai para a polícia baseada na lei Maria da Penha. A que ponto chega a vulnerabilidade de uma criança que, na verdade, precisa ser cuidada e amparada pelos seus pais.

Bom, vamos sair do meu caso e ir para o assunto em questão: bater ou gritar com as crianças.

Qual é o nosso comportamento quando as crianças nos tiram do sério e estamos cansados, frustrados ou num momento de muita ira e raiva?

Muitos pais relatam, que em situações como as citadas possuem a tendência em gritar e apelar para o destempero físico, além de punirem de maneira desmedida as crianças. Eu nunca li em nenhum estudo científico, que estas atitudes promovam a educação dos pequenos, ou, que eles se tornariam verdadeiros lordes, pelo contrário, ações desmedidas incitam o medo, a vergonha e o multiplicar da raiva sobre as outras pessoas.

Alguns pais referem que gritam ou batem em seus filhos de forma branda, sem grandes consequências para a saúde emocional das crianças. Esses pais possuem um termômetro com escala analógica para quantificar o quanto estão sendo “brandos” em seu castigo?

Tenho observado que o castigo físico e o abuso psicológico dos pais sobre seus filhos acabam empurrando o mau comportamento para debaixo do tapete e para o mercado negro. As crianças acabam cometendo seus erros por trás dos pais para não serem pegas no flagrante.  Os filhos fingem que não cometerão mais o comportamento indesejado e os pais fingem que acreditam na lisura de seus filhos.

Em vez das crianças seguirem as regras propostas pelos pais por elas serem boas e justas para serem seguidas, as crianças acatam os pais por medo do castigo. Conclusão, não há tempo para reflexão sobre algo errado que tenha acontecido e sim o receio ou o medo do castigo.

Quem somos nós para cobrarmos de nossos filhos para que ele não bata no irmão ou no coleguinha se somos os primeiros a levantar a mão para eles?  É preciso lembrar que os pequenos enxergam o mundo ainda de maneira concreta. Portanto, quando veem que os adultos podem bater nas crianças, eles tomam por regra que eles também podem bater em seu semelhante ou em outro adulto. É a famosa frase: violência gera violência, que gera raiva, que gera sentimentos de revanchismo, que aborta a comunicação saudável entre as pessoas, principalmente entre os pais e seus filhos.

As crianças quando expostas a violência em seus lares entendem que o adulto é poderoso, forte e que pode punir de maneira desmedida os mais fracos. A criança se sente enfraquecida, amedrontada, ansiosa e com um desejo interno muito grande de usar esse “poder” quando estiverem zangadas ou forem contrariadas.

Ainda não encontrei nenhum artigo que mostrasse o efeito positivo da surra ou de castigos físicos sobre a criança.