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22.10.16

Afinal, onde meu filho deve dormir: berço ou cama dos pais?

Existem inúmeros manuais de como fazer as crianças dormir nas prateleiras das livrarias.
Uns muito bons e outros não tão bons assim. Porém, o que mais chama a atenção é como alguns manuais, precocemente, querem separar os bebês de suas mães. Quando digo precocemente é logo após o nascimento.
Não conheço nenhum mamífero que após sete dias, dez dias ou mais a mãe mamífera pegue seu bebê e o coloque num espaçinho ao lado para evitar que ele se vicie de sua presença constante. Toda a cria fica ao lado da mãe até atingir certa maturidade e poder ir desbravar o ambiente que o cerca.
Não sei como isso começou, mas existe uma forte tendência em nossa sociedade ocidental em afastar de maneira precoce os bebês da proximidade de suas mães.
Que elas não devem permanecer muito tempo no colo de suas mães e muito menos serem embaladas e acalentadas com o argumento de que vão ficar viciadas e não conseguirão no futuro se desprender de suas mães.
Outros argumentos para este tipo de comportamento é o de que se a criança ficar no colo de sua mãe, esta por sua vez, não terá tempo e agilidade para cumprir seus afazeres domésticos.
Quando paramos para observar os mamíferos, seus bebês permanecem conectados a suas mães enquanto estiverem no período de amamentação e lentamente vão se desgrudando e explorando o espaço a sua volta.
A mãe quando está no período de dar a luz e logo após ele, regride a fases muito sutis de sua vida e submerge em sensações e sentimentos primitivos onde seu desejo maior é estar conectada, e neste caso, conectada ao seu bebê.
Grande parte dos bebês ocidentais não são mantidos nos braços de sua mãe durante um tempo suficiente. A educação atual dita que deve-se dar de mamar, trocar e colocar a criança para dormir em seu quarto ou espaço!
Não advogo contra isso. Contudo, os bebês precisam de calor, abrigo, contato corporal, conexão amorosa, atenção, embalo e acalanto e muito mais disposição emocional.
As mães tentando acertar e corresponder aos anseios dos pediatras e dos familiares, tidos como maios experientes, excluem seus bebês de uma união mais rica e sustentada e acabam por escapar precocemente para o mundo racional e prático dos cuidados do cotidiano e esquecem de uma particularidade essencial da mulher-mãe, a intuição.
A maior preocupação surge da pergunta: o bebê não tem que aprender a dormir sozinho?
Pois bem, para isso o pediatra e psicanalista infantil DW Winnicott costumava afirmar “a criança só aprende a ficar só na presença de um adulto”. Portanto, antes de aprender a dormir sozinho o bebê precisa estabelecer uma base de confiança e isso só poderá ser atingido na presença de uma mãe devotada, carinhosa, amável e disponível para esses primeiros treinos de vida.
Os bebês suficientemente acolhidos evoluem em relação às suas necessidades básicas uma vez que tenham superado e adquirido a maturidade necessária para transpor novas fases ou etapas de sua vida. Afinal ninguém pede aquilo que não precisa, do contrário, soa falso, artificial e pouco responsivo por aquele que acolhe.
Quando não se oferece o que o bebê precisa na época certa, ele cresce e pode tornar-se um adulto carente, que exige atenção constante, nada o completa e o mundo parece em débito o tempo todo com ele. É como se o que não foi atendido e ofertado quando criançinha ficasse pendente até a atualidade.
De início a sutileza mãe-bebê deve falar mais alto. Se a mãe intui que seu filho deve permanecer com ela numa cama compartilhada e segura, a sociedade deve apoiá-la.
Se ela sente que o bebê deve permanecer no “Moises” ou no carrinho bem ao seu lado para prontamente ser atendido, que seu sentimento seja valorizado e encorajado.
O bebê que solicita a presença da mãe não deve ser visto como viciado em colo e sim como um bebê com energia e desperto para aquilo que o alimenta e o completa como ser vivo – o aconchego, o carinho e a quentura dos braços amorosos de sua mãe.


12.10.16

Me sinto muito triste depois do parto


Nos últimos vinte anos, tem havido um crescente reconhecimento, para algumas mulheres, que a gravidez pode vir sobrecarregada de muitos transtornos de humor, e, em particular da depressão. Para algumas mulheres o período da gestação é coroado de muitas alegrias, para outras surge o peso da tristeza e da melancolia.
Estima-se que cerca de trinta por cento das gestantes apresentem sintomas depressivos durante a gestação, e, que vinte por cento sejam realmente caracterizadas como depressivas. A depressão pós-parto tem sido vinculada a rupturas no estabelecimento da comunicação mãe-bebê: menor atenção da mãe com seu bebê, menor comunicação vocal e visual, menor frequência das interações que envolvem o tocar, o sorrir, o interagir com a criança. As mães deprimidas têm dificuldade em realizar a leitura das necessidades de seus bebês, e, acabam por se tornarem invasivas, negativistas, pouco afetivas e continentes com seus filhinhos.
O que será que predispões uma mulher a sofrer de depressão pós-parto?
Algumas mulheres possuem uma sensibilidade particular a alterações hormonais, sendo o estresse gestacional/pós-gestacional o gatilho para o desencadeamento da depressão. Por outro lado, outros estudiosos acreditam que a história familiar da mulher, sua relação com sua mãe e parentes próximos teriam um efeito adicional na alteração do humor da mulher no período perinatal, bem como a falta de suporte emocional, entre outros motivos.
Com o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na mulher, e, não podemos negar, que essas reações também ressoam no ambiente familiar e social, que podem reativar ansiedades – ansiedades relacionadas ao próprio parto e nascimento – seria o primeiro marco da perda de todo o aconchego e prazer, que tínhamos dentro do útero e a saída irrevogável para o mundo em que todos vivem.
O nascimento deixa uma cicatriz de parto, representada pela cicatriz umbilical, a qual simboliza a separação. Portanto, o parto, para a mãe, é vivido como uma forte separação de algo, que por um tempo foi sentido como seu, e, que agora tem uma vida independente dela, mas que ao mesmo tempo é inteiramente dependente dela. É como perder uma parte de si e encontrar essas mesmas partes em outro lugar.
Parece confuso, não? É pura poesia!
Além dos acontecimentos inconscientes, a mulher também expressa carência materna e do companheiro. Quando essas carências não podem ser, de alguma forma superada ou contemplada, a puérpera pode erguer alguns mecanismos de defesa para tentar lidar com a situação e esses mecanismos vão variar de mulher para mulher.
Entre eles é comum a recém-mamãe apresentar-se cheia de energia, euforia, preocupação com seu estado físico, preocupação com a ordem e organização da casa. As visitas são recebidas com muito calor humano, a disposição em dar conta de tudo é exacerbada e quem olha a mamãe não acredita que ela precise de ajuda – ela está dando conta de tudo. Todavia, seu aspecto físico sinaliza cansaço, doenças podem surgir e distúrbios do sono aparecem facilmente.
Ao contrário, a nova-mamãe pode apresentar-se com um profundo retraimento. Ela prefere ficar isolada, sente certa decepção pelo bebê, que acabou de chegar ao mundo, sente-se carente e dependente de proteção. Parece que ela compete pelas atenções e carinhos direcionados ao bebê. Sua percepção é de que ela vive a serviço do bebê e que nunca mais recuperará sua identidade pessoal.
Uma mulher mais sensível, certamente terá mais segurança, se ela dispuser de uma rede de apoio que colabore de maneira satisfatória, proporcionando confiança e suporte, principalmente no que diz respeito as atividades maternas. Quanto menos critica e hostilidade ela receber, um ambiente mais acolhedor e carinhoso ela vai perceber. Isso facilitará o resgate de sua autoconfiança e a capacidade em responder as necessidades do bebê.

Algumas alternativas surgem como esperança na tentativa de reduzir a ocorrência de depressão pós-parto,e, entre elas podemos citar: cursos de preparo para maternidade, psicoterapia, prescrição de remédios de indicação médica e manter o sono em dia.

1.10.16

O que fazer com a criança “mexedora”


A criança que não “mexe” não é criança. A criança já nasce com a predisposição de mexer! Mexe o pescoço para alcançar o seio para mamar, mexe as mãozinhas para conhecer um pouco sobre o mundo, mexe o corpo para indicar que está com fome ou com dor, e assim por diante. Mexer faz parte da descoberta do mundo!
Conforme a criança cresce, o ato de mexer fica cada vez mais elaborado, pois, ela sente que ao se movimentar e ao mexer nas coisas, ela estará desbravando o novo. Situação essa, que a enche de alegria e prazer. A palavra “proibido” ainda é desconhecida.
A criança pequena ainda não tem claro em sua mente o que pode mexer e o que não pode. Ela não distingue um simples bichinho de vidro, de um bichinho de cristal austríaco. Tudo parece “bichinho”, e, como tal pode ser um brinquedo.
A melhor forma de prevenir acidentes e tornar a casa segura é manter os objetos valiosos ou queridos em local alto ou em armários com portas e chaves. Áreas perigosas como as que abrigam materiais de limpeza, ou, com produtos que podem ser venenosos aos pequenos devem estar em áreas com portas e em prateleiras ou armários de difícil acesso aos pequenos.
Precisamos lembrar que as crianças de cerca de três anos estão tentando estabelecer um certo grau de independência e nem sempre entendem o porque de não terem  acesso a tudo que existe em casa.
Criar limites claros, do que a criança pode acessar ou não, é uma boa dica, e, poderá ajudar a evitar mexidas desnecessárias e perigosas.
Deixe claro ao seu filho o que você espera dele, por exemplo: “Você não pode brincar com o material de limpeza que está na lavanderia, pois, é perigoso, mas você pode brincar na sala com seus brinquedos”.
Quando você tiver que visitar uma loja, ou, ir a casa de alguém, converse com antecedência com seu filho sobre “mexer” em objetos e reafirme, que antes dele mexer ele deverá consultar você. Atitudes simples como esta mostram aos pequenos a noção de respeito, limite e prudência.
As crianças entendem uma mensagem, quando ela é clara e sem discursos presidenciais. Seja objetiva e mostre alternativas. Tudo bem, você não pode entrar na loja de cristais, mas podemos tomar um sorvete, e aí você terá espaço para deliciá-lo, de brincar com o carrinho, ou, bichinho de pelúcia, que você trouxe.
Se seu filho transgredir repetidamente uma solicitação sua, volte a explicar o motivo dele não poder fazer determinada ação. Lembre-se, ele ainda é pequeno e precisa de constância para assimilar as informações desse mundão de Deus.
Outro dia eu vi uma criança de quatro anos numa loja de departamentos, na sessão de copos, pratos e travessas fazendo malabarismo com um copo, e, a mãe “fingindo” não ver. Claro que esse copo foi ao chão. Os vendedores limparam a área, olharam feio para a criança e para a mãe, mas no final não houve nenhum aprendizado. Todos pareciam mudos, cegos e surdos. A criança não aprendeu nada de positivo com sua atitude. Pelo contrário, que o seu “mexer” não tem limites, causa e nem consequências.
Corrigir uma atitude inadequada do filho na hora certa, com respeito e firmeza, é sinônimo de boa criação, de educação e de confirmação de valores.
Por outro lado, quando seu filho não mexe no que não lhe é permitido, ele deve ter sua atitude valorizada, premiada com sua atenção e carinho. Atitudes positivas estimulam os pequenos a fazer de novo para receber incentivo, boas palavras e atenção amorosa.
As crianças pequenas têm olhos nas pontinhas dos dedos! Ver e mexer, é quase uma atração fatal! Precisamos ensiná-los desde pequenos a ver com os olhinhos e só então mexer quando houver a aprovação de um adulto.
 Dá trabalho?
Não tenho dúvida que sim, mas certamente valerá a pena para os pequenos e para os pais, que estão acertando na educação. São pais assertivos criando e educando bons cidadãos!