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21.11.16

Socorro meu bebê está crescendo



É claro que todos os pais se sentem confiantes e orgulhosos enquanto desfrutam do crescimento saudável de seu bebê. Que mãe não se sente satisfeita ao ouvir do pediatra, que seu filho está forte e se desenvolvimento com saúde e segurança.
O crescimento ao qual eu me refiro é o emocional. As primeiras “maturidades” do bebê.
Ao colocar em prática seu repertório relacionado à fala e a desenvoltura corporal, a criança está dando um “up grade” em sua forma de se comunicar e de se mover no ambiente que a cerca. Ao falar, o pequeno torna-se mais ativo e questionador, influenciando todo o seu mundo externo.
Qual o significado da fala para o bebê e para os pais?
Independência, relativa, claro!
Os pais costumam reagir de maneira dúbia. Ora se sentem orgulhosos, ora temerosos por perder “o bebê” e ganhar um garotinho ou uma garotinha com desejos e vontades próprios.
Ao mesmo tempo podem surgir sentimentos conflitantes, a mãe se sente mais livre, por entender que seu filho está crescendo, e, ela pode ter mais autonomia, ou, liberdade para fazer coisas, que anteriormente não estava fazendo.
Quando a mãe percebe o crescimento de seu filho, e, dá “corda” relativa para esse desenvolvimento, a criança se sente fortalecida, encorajada para dia a dia dar um pacinho a diante rumo a novas experiências com outras pessoas (priminhos, amiguinhos, outros parentes, etc.). Pai e mãe reforçam o comportamento e juntos oferecem ao pequeno a segurança para ir em frente. È como se os pais dissessem: “Pode crescer!. “Nós estamos aqui para lhe dar um bom suporte emocional!”.
A criança com cerca de dois anos pode demonstrar ciúme de seus progenitores, oscilar entre sentimentos de amor e de raiva do papai ou da mamãe, mediante sua demanda de suprimento afetivo. Na verdade o que a criança dessa idade quer é exclusividade. Tudo para mim!
Não se preocupe! Tudo passa! Os pequenos estão aprendendo a relativizar!
Se os pais toleram com amorosidade o desenvolvimento emocional da criança, logo ela se sente confiante e segura em um ambiente onde papai e mamãe se entendem, se amam e se respeitam.
Algo interessante acontece entre meninos e meninas. Para os meninos, os pais representam o herói, um modelo a ser seguido, mas que também o afasta dos carinhos exclusivos da mamãe. O papai, por vezes, é visto como alguém que pode interromper as delícias de ter o carinho exclusivo da mãe.
O mesmo acontece com a menina. A mãe também é um modelo a ser seguido. Por outro lado, a menina sente que precisa disputar com a mãe a atenção e o carinho do papai.
Nessa fase tanto o menino quanto a menina podem ficar chatinhos, mais agressivos e chorosos. Quando os pais tem compreensão deste momento delicado das crianças, os pequenos passam por esse período com certa tranquilidade e se sentem aptos para irem para a próxima etapa do desenvolvimento psicoemocional.
Ser verdadeiro com a criança também é muito importante para o amadurecimento infantil. Isso se torna evidente durante os momentos de separação. Não inventar desculpas ou mentiras quando precisar se ausentar. Não falar que vai até o vizinho e que vai voltar logo, quando na verdade o afastamento representa a volta ao trabalho ou outra atividade qualquer. A verdade ajuda a construir a estabilidade emocional e o vínculo estável, mesmo que seja dolorida para os pequenos. Claro que a criança vai protestar quando houver o afastamento da mamãe. O que causará surpresa é se a criança ficar indiferente à presença ou ausência da mesma.
Não podemos esquecer que o temperamento dos pequenos também influencia na maneira como a criança vai lidar com o afastamento da mãe.
Por isso não se esqueça: tudo à seu tempo, uma fase por vez!


13.11.16

Falar e ser ouvido: as primeiras relações do bebê

        
A conversa ao pé de ouvido (mãe-pai-bebê), desde a gestação, estimula o desenvolvimento do bebê e aguça a curiosidade do mesmo pelo mundo externo.
            Nunca se falou tanto sobre a importância da comunicação dos pais com o bebê enquanto prestam os cuidados diários: no aleitamento, nas atividades de higiene, conforto, na introdução do repouso e do sono. Falar com o bebê, significa orientá-lo para o mundo, mostrar o que vem a seguir, de uma maneira continente e carinhosa.
As sinalizações afetivas dos pais ajudam a criança a introjetar lentamente as noções da vida, de como transcorre um dia habitual na vida do bebê. É por meio desses sinais, que a criança pequena tem a oportunidade de conhecer o mundo a sua volta e de experiênciá-lo de maneira sensível e sutil.
Os pequeninos nascem com um potencial nato para a comunicação, e, sua primeira forma de comunicação é o choro. É por meio do choro, que o bebê comunica aos seus pais ou cuidadores o famoso “eu preciso de...”.
Os bebês são verdadeiros artistas na arte da comunicação! Conseguem dizer com o corpo o que qualquer adulto teria muita dificuldade em fazê-lo. Qualquer movimento corporal do bebê tem um significado.
Querem um exemplo, já, ao nascer, o bebê move seu pescoço e expõe sua língua em busca do seio materno para se alimentar. É o mesmo que dizer eu preciso de seu aconchego e de seu leitinho morno. Não o bastante, move pernas e braços, em ritmo acelerado, e faz careta quando está com dor.
O repertório de sinais de comunicação da criança vai se aperfeiçoando conforme os meses passam. O olhar do bebê pode emitir sinais de alerta, tais como, estou hiperestimulado, estou com receio do colinho do vizinho, e é prenuncio de uma boa risadinha.
Os bebezinhos, embora não saibam ainda falar, sentem-se acolhidos e seguros, quando percebem que seus cuidadores conseguem entender seus sentimentos de aflição, de alegria, de dor, expressos pelo choro, pelo resmungar ou até pelos gritos. Quem nunca ouviu um grito de cólica do bebê. Pode ser ensurdecedor!
Os pais são os primeiros agentes ativos na apresentação do mundo para o bebê. Por meio da contação de historinhas, da apresentação da natureza (cheiro das flores, cantar dos pássaros, o barulho do vento, o som do trovão, entre outros), da exibição de uma figura colorida, do brincar com um brinquedinho, os cuidadores vão traduzindo em gestos e formas o mundo ao pequeno, e, isso ajuda o bebê a associar as vivencias de aprendizado, o prazer de ter por perto, o carinho, e, a atenção de seus progenitores.
A mãe quando embala seu filho e canta músicas suaves, transmite os primeiros significados emocionais pelo qual a díade está passando. É como se a mãe passasse ao bebê, em prosa e verso, as primeiras noções do que é o amor, o carinho, a amabilidade, o aconchego e a noção de poder viver em um mundo bom.
Houve um autor, Didier Anzieu (psicanalista), que costumava dizer que: “O espaço sonoro é o primeiro espaço psíquico”. É nas palavras que acontece o primeiro preenchimento do sentido de ser. Quando alguém me conta o que está acontecendo eu me acalmo e desfruto do momento.
Quando comento sobre a comunicação mãe-bebê-pai ou cuidador imediato, eu não estou dizendo que é necessário falar o tempo todo com o bebê. O excesso de ruído também hiperestimula a criança e invade seu território do Ser.

Precisamos prestar atenção ao excesso de atividades ou estímulos que oferecemos ou propormos ao pequenino. Respeitar o silêncio é uma forma sutil de dar corpo a comunicação não verbal, pode ser considerada uma forma de expressar respeito e amor pelo bebê.