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13.11.16

Falar e ser ouvido: as primeiras relações do bebê

        
A conversa ao pé de ouvido (mãe-pai-bebê), desde a gestação, estimula o desenvolvimento do bebê e aguça a curiosidade do mesmo pelo mundo externo.
            Nunca se falou tanto sobre a importância da comunicação dos pais com o bebê enquanto prestam os cuidados diários: no aleitamento, nas atividades de higiene, conforto, na introdução do repouso e do sono. Falar com o bebê, significa orientá-lo para o mundo, mostrar o que vem a seguir, de uma maneira continente e carinhosa.
As sinalizações afetivas dos pais ajudam a criança a introjetar lentamente as noções da vida, de como transcorre um dia habitual na vida do bebê. É por meio desses sinais, que a criança pequena tem a oportunidade de conhecer o mundo a sua volta e de experiênciá-lo de maneira sensível e sutil.
Os pequeninos nascem com um potencial nato para a comunicação, e, sua primeira forma de comunicação é o choro. É por meio do choro, que o bebê comunica aos seus pais ou cuidadores o famoso “eu preciso de...”.
Os bebês são verdadeiros artistas na arte da comunicação! Conseguem dizer com o corpo o que qualquer adulto teria muita dificuldade em fazê-lo. Qualquer movimento corporal do bebê tem um significado.
Querem um exemplo, já, ao nascer, o bebê move seu pescoço e expõe sua língua em busca do seio materno para se alimentar. É o mesmo que dizer eu preciso de seu aconchego e de seu leitinho morno. Não o bastante, move pernas e braços, em ritmo acelerado, e faz careta quando está com dor.
O repertório de sinais de comunicação da criança vai se aperfeiçoando conforme os meses passam. O olhar do bebê pode emitir sinais de alerta, tais como, estou hiperestimulado, estou com receio do colinho do vizinho, e é prenuncio de uma boa risadinha.
Os bebezinhos, embora não saibam ainda falar, sentem-se acolhidos e seguros, quando percebem que seus cuidadores conseguem entender seus sentimentos de aflição, de alegria, de dor, expressos pelo choro, pelo resmungar ou até pelos gritos. Quem nunca ouviu um grito de cólica do bebê. Pode ser ensurdecedor!
Os pais são os primeiros agentes ativos na apresentação do mundo para o bebê. Por meio da contação de historinhas, da apresentação da natureza (cheiro das flores, cantar dos pássaros, o barulho do vento, o som do trovão, entre outros), da exibição de uma figura colorida, do brincar com um brinquedinho, os cuidadores vão traduzindo em gestos e formas o mundo ao pequeno, e, isso ajuda o bebê a associar as vivencias de aprendizado, o prazer de ter por perto, o carinho, e, a atenção de seus progenitores.
A mãe quando embala seu filho e canta músicas suaves, transmite os primeiros significados emocionais pelo qual a díade está passando. É como se a mãe passasse ao bebê, em prosa e verso, as primeiras noções do que é o amor, o carinho, a amabilidade, o aconchego e a noção de poder viver em um mundo bom.
Houve um autor, Didier Anzieu (psicanalista), que costumava dizer que: “O espaço sonoro é o primeiro espaço psíquico”. É nas palavras que acontece o primeiro preenchimento do sentido de ser. Quando alguém me conta o que está acontecendo eu me acalmo e desfruto do momento.
Quando comento sobre a comunicação mãe-bebê-pai ou cuidador imediato, eu não estou dizendo que é necessário falar o tempo todo com o bebê. O excesso de ruído também hiperestimula a criança e invade seu território do Ser.

Precisamos prestar atenção ao excesso de atividades ou estímulos que oferecemos ou propormos ao pequenino. Respeitar o silêncio é uma forma sutil de dar corpo a comunicação não verbal, pode ser considerada uma forma de expressar respeito e amor pelo bebê.

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