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17.1.17

Mães e Bebês podem estar em risco




Para que uma criança se desenvolva de maneira salutar ela deve contar com uma boa biologia (herança genética, boa formação intraútero), bons cuidados maternos, paternos, ambientais e adequado desenvolvimento cerebral. Todo esse conjunto de “desenvolvimentos” ajudam a convergir para um desenvolvimento infantil otimizado. Uma boa biologia, um ambiente amoroso, facilitador e vínculos satisfatórios vão ajudar a estabelecer o crescimento e desenvolvimento favorável do bebê.
O bebê, no comecinho de sua vida, é um ser totalmente dependente de sua mãe (cuidador), e, portanto, é impossível pensar num bebê sem ao mesmo tempo visualizar a sua mãe. Assim, a díade mãe-bebê precisam de amparo na gestação e no pós-parto. Esse amparo auxiliará a mãe a se dirigir, estar disponível de corpo e alma para seu filho, ir lentamente se adaptando as necessidades do pequeno, e, as formas sutis de comunicação entre ambos. Estamos falando de vínculo e apego!
Como nem tudo são flores, algumas situações podem predispor a futura mãe a adentrar num mundo mais nebuloso e estar sujeita a alterações psíquicas que podem influenciar diretamente sua relação futura com seu bebê. Profissionais da saúde, amigos e parentes que estão em contato frequente com as gestantes devem estar atentos a possíveis sinais de indicadores de risco para a complicação do vínculo mãe-bebê, entre eles destacam-se: alta ansiedade, medo exacerbado do parto, tristeza, suporte familiar insipiente, irritabilidade diária, violência domestica, histórico de abortos, depressão pessoal ou familiar, gravidez indesejada, preocupação exagerada com a carreira profissional, dificuldade em falar sobre o bebê, morte de familiar recente, alterações do sono e do apetite, doenças crônicas, entre outras.
A gestante que exibe alguns desses sinais está mostrando, mesmo que de uma maneira velada, que está precisando de ajuda psicológica, compreensão e amparo.
As coisas não param por ai. Todo mundo sabe que o pós-parto é um momento onde os vínculos vão ser assegurados e solidificados. Uma fase da mulher onde ela fica mais exposta às críticas, aos defeitos e ao julgamento alheio. Nesse contexto alguns indicadores podem sinalizar que a puérpera e seu bebê podem estar em risco: reduzida autoestima, isolamento familiar ou social e tristeza, sentimento de incapacidade para cuidar do bebê, insônia, ansiedade ou angustia excessiva, choro frequente, cansaço exacerbado, entre outros.
Falamos sobre os indicadores que podem apontar para uma mãe em risco. No entanto, há indicadores que podem demonstrar também a fragilidade vincular do bebê. A criança pode apresentar dificuldade para o aleitamento, chora intensamente e com dificuldade para consolá-la, a criança apresenta um olhar fugidio, sorri pouco e parece pouco dinâmico. É uma criança intolerante ao toque, não aprecia a ausência de vestimentas, apresenta dificuldade de interagir com a mãe ou outro cuidador, se irrita com facilidade e chora de maneira inconsolável.
Como vimos até o momento, para que o bebê se desenvolva de maneira adequada física e emocionalmente falando, ele precisa de uma mãe devotada, que de início “adivinhe” suas necessidades mais básicas (fome, higiene, dor, amparo , amor e carinho) e com o tempo vá dando “linha” para que ele possa ir em busca de sua independência relativa. Para isso ele precisa contar com uma mãe ativa, disposta a manter contatos sutis, que só ocorrem positivamente quando a mãe está disponível para seu filho.
Não desqualifico de maneira alguma a função paterna e, por conseguinte a função familiar e a rede social. Entretanto, é a mãe (cuidador imediato) que, de início, é capaz de moldar e modular os sentimentos e as necessidades do bebê para que ele consiga atingir seus estágios de desenvolvimento adequados e se direcionar com todas as suas potencialidades para as fases seguintes.
 

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