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16.4.17

Eleve o otimismo de seu filho



Ser otimista é bem diferente do que tentar enxergar o mundo com um par de óculos cor de rosa e uma lente do mesmo tom. Ensinar otimismo a uma criança é mostrar a ela como desenvolver habilidades que despertem a esperança e a confiança de que com empenho e perseverança as coisas podem ficar bem ou darem certo.
                Ajudar a criança a desenvolver o otimismo traz efeitos positivos não só no comportamento geral, mas também  em termos de qualidade de vida e bem estar. Se ser otimista é tão bom, como despertar essa atitude em nossos filhos?
                Nossa vida é atribulada e lotada de tarefas, objetivos e compromissos. Estamos sempre com a sensação de que estamos atrasados ou deixamos alguma coisa sem fazer. Se estamos no piloto automático, permitimos que o pessimismo adentre nossos pensamentos e nos deixamos ser cobrados e invadidos por sentimentos de incapacidade ou de incompetência. É o mal do mundo moderno.
                Dificilmente abrimos espaço ao longo do dia para fazer uma chamada as crianças e pergunta-las sobre o dia, como elas se sentiram o  que fizeram naquele dia, manhã ou tarde. Parece que tudo tem que seguir uma rotina fluida. Que tal, aproveitarmos o momento do jantar, onde a família costuma estar reunida, e pedir para cada membro revelar o melhor e o pior que aconteceu naquele dia? O objetivo é a família tentar se fixar no positivo, nas possibilidades de construir um dia melhor no dia seguinte – é fortalecer a esperança e abrir caminho para a resolução mais assertiva de problemas.
                Por que temos que assumir todas as responsabilidades da casa? É possível dar algumas atribuições as crianças pequenas (proporcionais a idade cronológica e mental) e deixar uma listinha no quarto dos pequenos a ser cumprida. Por exemplo, tive uma paciente que elaborou uma lista num “post it” e afixou no interruptor de luz para as crianças não esquecer de realiza-las. Como as crianças ainda eram pequenas (4 e 5 anos), ela desenhou as instruções: escovar os dentes, pentear os cabelos, vestir o uniforme e arrumar a cama. A mãe não servia o café da manhã enquanto a lista não havia sido efetuada. Com o tempo, passou a sobrar tempo para troca de carícias, contar uma piadinha e entrar no carro rumo a escola de bom humor. Pais e filhos desenvolveram uma boa sintonia.
                As crianças não desenvolvem o otimismo sem um empurrãozinho! Elas precisam sentir dentro delas que são capazes de fazer algo e se orgulharem disso. Por exemplo, uma criança de dois anos pode ser ensinada a pegar seus brinquedos espalhados e coloca-los dentro da caixa /baú/cesto; uma criança de três anos pode ser estimulada a levar a roupa suja para o cesto escolhido para este fim; uma criança de 4 anos pode ser orientada a pegar os objetos que você selecionou e coloca-los sobre a mesa na hora do jantar e assim por diante. Cada família desenvolverá suas regras.
                `As vezes, pensamos que podemos magicamente controlar todos os riscos que envolve o mundo infantil e poupamos nossas crianças de tristezas e frustrações achando que elas não estão preparadas ou que vão sofrer. É importante que eles “corram algum risco”. Não estou querendo dizer que devemos jogar as crianças na cova do leão. Muitas vezes desencorajamos nosso filho a fazer algo por acharmos que ele não tem habilidades. Quer um exemplo? Certa vez minha filha insistiu para que eu a colocasse na aula de piano. Contudo, nunca havíamos percebido que ela tinha algum dom musical. Apostamos nesse desafio. Ela não se tornou uma pianista, mas correu o risco de desafiar a si própria e dedilhar algumas musicas no piano. Ponto para ela!
                Outra maneira de ajudar as crianças a desenvolver o otimismo é não tomar a frente de tudo. Existem certos momentos que temos a tendência em sair defendendo nossos filhos como se fossemos os paladinos da justiça – e pasmem, alguns pais agem olho por olho dente por dente. Tive uma “clientinha” de 6 anos que tomou um empurrão na escola de uma coleguinha. A mãe queria conversar com a professora e entender o que havia acontecido – estava muito brava. A menina chegou no portão da escola, no final da aula,  e disse para a mãe: “já resolvi tudo!” “Falei para ela que se isso acontecer novamente eu vou falar com a diretora e ela vai falar feio com ela!” Deixar as crianças tentar resolver seus pequenos problemas e mostrar a elas que temos muita esperança e confiança em sua forma de ser e de estar no ambiente que a cerca é uma forma de demonstrar otimismo. Claro, tudo com parcimônia, cautela e respeito!
                Desde pequenos as crianças tendem a pensar negativo e a  dizerem “Eu não sei fazer isso, eu não sei fazer aquilo” “Não adianta tentar eu não vou fazer” “Nem vou tentar, vou desistir”.  Para prevenir esses pensamentos negativos ou conclusões precipitadas devemos desencorajar esse tipo de pensamento e colocar outros mais assertivos: “Como você vai desistir se ainda nem tentou?” “Que tal eu te ajudar antes de você jogar a toalha?”
                Quando notamos que nosso filho entrou no modo “só reclama”, é o momento de pararmos e tentarmos entender, junto com ele, o que está acontecendo para que a nuvem negra tenha estacionado sobre a cabeça dele e o esteja  impedindo de ser otimista e de ter esperança em suas atitudes e realizações.

12.4.17

A família como berço de amorosidade e carinho para o bebê




Eu não tenho dúvidas que a gravidez é, na vida de uma mulher, de um casal, e, de uma família, um período de grande complexidade emocional. Em nossos costumes, principalmente, o ocidental, é uma fase na qual a mulher exibe e esbanja fecundidade, lembranças de sua meninice, memórias de questões não resolvidas no seu seio familiar e perspectivas que de agora em diante tudo poderá ser bem diferente.
Antes mesmo de duas pequenas células, masculina e feminina, se encontrarem, e, diga-se de passagem, em um ambiente escurinho, quentinho e acolhedor, propício ao primeiro despertar do que será uma nova vida, cada genitor recebeu ao longo de sua existência uma verdadeira avalanche de informações familiares verbal e não verbal, que no futuro irão fazer parte da história da terceira “pessoinha” que está por chegar, o bebê. Todas essas informações, mensagens e códigos familiares, farão parte do psiquismo infantil e alimentarão o futuro dessa criança.
Essa avalanche de informações é um bem precioso, embora também contenha mitos, tabus, ditos que nem sempre corresponde a realidade, mas fazem parte dos bens hereditários de cada um dos proponentes a pais. Costumo dizer, um dito interessante, em minhas aulas, aos meus alunos, “Pau que nasce torto morre torto”, ou, ainda, “Filho de peixe peixinho é”, e, finalizo com esta pergunta: vocês realmente acreditam nisso? E graças a Deus, a maioria dos alunos discorda dessas frases, e assim, eu continuo em minha jornada, acreditando que o ser humano sempre pode se superar, mudar, ou ainda, relativizar.
Na realidade o que importa é que as circunstâncias, ou, os eventos gerados em cada família de origem é que comporão e darão colorido, a pré-história do futuro bebê. O que podemos dizer sobre a história do casal antes da chegada do bebê? A história do casal começa quando eles ainda eram bebezinhos e foram se estruturando rumo à maturidade, e, nessa história, certamente, ocorreram muitas experiências positivas, algumas não tão positivas assim, fatos omitidos, distorcidos, ou, mesmo ainda, engrandecidos, ou não, e, tantas outras, que compuseram a dinâmica de cada um dos parceiros dentro do contexto familiar.
O mais importante independente do tipo de experiência existencial de cada um, é que cada mãe e cada pai tiveram um lugar em sua família de origem, e, os que não se sentiram nomeados nela, ou bem dizendo, não desenvolveram o sentimento de pertencer, que o presente permita que esse lugar seja conquistado ou recuperado para que o bebê, que está a caminho, possa desfrutar desse lugar com a plena autorização do papai e da mamãe e assim se constituir como uma pessoa.
Os bebês muitas vezes vêm ao mundo com o propósito de desempenhar papeis ou legados determinados por seus pais, tais como: unir o casal, presentear o vovô usando seu primeiro nome e sobrenome, com direito a um “plus” de neto, perpetuar a missão profissional (todos os homens da família são médicos) entre outros, ou simplesmente, ser bem vindos, e, serem felizes pelo o que são, e, pelo que o futuro assim lhes desejar. O que eu não tenho dúvida, é que papeis delineados aos filhos serão cobrados e nem sempre a criança terá ombro suficiente para suportar o peso do legado familiar e ai o “caldo pode entornar”.
Estamos falando da felicidade e do bem estar de amanhã de nossos filhos, que ao nascer já experimentam o potencial para vida e para o viver criativo. Assim, não podemos esquecer que o bebê é uma pessoa, que tem seu próprio talento e é merecedor de sua identidade pessoal e sua liberdade. Tem seu EU diferente de todos os outros bebês. É capaz de desenvolver recursos e potencialidades que lhes serão facilitados por seus pais e pela família. O que importa para nós, nesta conversa, é que a noção de casal que a criança terá no futuro será determinada pelas ideias e concepções que lhe deram origem. Os humanos possuem a tendência a repetir a história da família de origem, de maneira positiva ou negativa, e o que eu desejo, é que os bebês, que estão por chegar, tenham a tendência em repetir o amor, o carinho, a sinceridade, a fraternidade, o sentimento de pertencer e existir que receberam de sua família de origem, e, que possam transmitir isso por várias gerações.