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15.5.17

Bons motivos para receber os bebês sem “noias”



     
Gostaria de falar sobre as particularidades de cada família em relação à chegada de um bebê, mas aqui não há espaço para isso. Assim, vou comentar de maneira genérica, porém, com muito carinho e atenção, sobre as “noias” (paranoias) que experienciamos com a vinda de um pequenino ao seio familiar.
A chegada de um novo membro na família, pode trazer “um certo” estresse, principalmente, quando os pais são pais de primeira viagem, ou, apresentam um desejo interno e "irrevelável" sobre a preferência do sexo do bebê. Algumas mães ou pais gostariam que o primogênito fosse do sexo masculino e quando o oposto acontece, decepções podem vir a tona, mesmo que de maneira velada. Cada um tem sua preferência pautada em suas histórias ou conflitos familiares. Ótimo para quem não pensa assim – uma dificuldade a menos.
Até o momento estou me dirigindo aos pais, mas o mesmo pode acontecer com os avós. Alguns avôs, que atendi em sessão familiar, referiam que seu primeiro neto deveria ser um menino, assim a “profissão” ficaria na família (médico, advogado, engenheiro, etc). Acredite, existem avós que preferem um neto para dar continuidade ao nome da família.
O “drama” não para por aí! O nascimento de um bebê pode desorganizar a cabecinha do filho mais velho. Ele precisa de um tempo para se ajustar a nova configuração familiar. Quando a criança é pequenina, entre 1 e meio ou 2 aninhos, dificilmente ela esboça propriamente o ciúme. Ela encara o irmãozinho como um brinquedo animado.
As coisas se complicam mais, quando a criança é maior, entende claramente seu lugar na família e o quanto ela é agraciada por isso. Não é fácil para o filho mais velho perceber, que o “novo membro familiar” é uma gracinha, pequenininho, fofo, que detém a maior parte da atenção da família nuclear, dos parentes e dos amigos. Haja coraçãozinho! Acho que elas pensam “como alguém pode admirar uma pessoa menor que eu?”. “Como alguém pode curtir um ser que faz muito menos coisas do que eu?”. “Como alguém pode querer ficar perto de alguém que chora periodicamente e ainda faz suas necessidades na frente de todos e na roupinha?”
O que estou querendo comentar é que para o primogênito, talvez fosse mais fácil se os bebês já nascessem grandinhos e pareados para possíveis comparações. Nesse aspecto não são só os filhos mais velhos que precisam de ajuda. Os pais também! Os pais necessitam de uma rede de apoio para ingressarem em mais uma nova jornada familiar: a expansão da família.
Por vezes, o filho mais velho muda seu comportamento com a chegada do bebê, e grande parte das pessoas, associa isso ao ciúme, a birra, ou, a “ataques” de capricho infantil. Pensar dessa maneira é uma forma linear de não levar em conta as emoções e sentimentos do primogênito, ou, até mesmo seu estado físico. Certa vez, atendi uma mãe, que reclamava, que seu filho de 3 anos não queria ir para a escolinha, que todos os dias, na hora de colocar o uniforme era uma briga – põe a calça – tira a calça. Isso se repetia umas “duzentas vezes”, até a criança se dar por cansada e aceitar o uniforme, e, os pais estarem a beira de um ataque de nervos.
Todos achavam que ela estava fazendo birra, ou, querendo chamar a atenção, devido à chegada do bebê.
Ledo engano!
Em sessão familiar esse evento (põe e tira o uniforme) veio à tona e o pequeno disse, por meio lúdico (fantoches), que odiava por o uniforme da escola, pois, ele era quente e que transpirava demais.
Resumo da ópera, aquilo que traduzimos como birra, ou, a criança estar tentando chamar a atenção dos pais, nem sempre é o que parece ser. Precisamos ter bom senso, ouvir, ver e dar espaço para o irmãozinho mais velho se pronunciar, quer por meio da palavra objetiva, quer por meio de expressões lúdicas! Deve sempre haver um bom motivo para as reações humanas. Nem sempre elas aparecem de maneira clara, mas vale a pena pensar e não polemizar. As crianças são mais simples do que parecem!

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