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30.6.17

Hábitos parentais que estimulam as crianças a serem gentis




Gentileza gera gentileza?
Muito tem se falado sobre disciplina infantil – na necessidade de termos filhos que entendam limites e que consigam lidar bem com a frustração de não poderem ter tudo na vida. Será que o discurso dos adultos são verdadeiramente fortes para mudar o comportamento das crianças. Será que existe segurança e verdade nesse discurso? Como será que as crianças ouvem a fala do adulto?
A verdade é que existem muitas maneiras para ajudarmos uma criança a moldar suas atitudes e sua maneira de se comportar neste “mundão” que habitamos. Trago, aqui, algumas reflexões que tem me ajudado muito em minhas orientações de pais. São, a primeira vista, muito simples, mas que carregam em si grande eficácia.
A relação que desenvolvemos com nossas crianças é capaz de influenciar seu comportamento e a maneira como elas sentem e decifram o mundo. Se nossa relação é saudável, baseada no respeito, empatia e compaixão, nós nos tornamos pessoas sensíveis e exemplos de cidadania para eles. As crianças vão desenvolvendo sentimentos bons, segurança para escolhas mais saudáveis e quando as coisas não saem bem, elas se sentem seguras em pedir ajuda. Entretanto, se nossa relação familiar é árida, coercitiva e manipulativa, estaremos criando filhos autoritários, inflexíveis, tiranos ou até mesmo o oposto, crianças com reduzida autoestima e com pouca atitude. A maneira como tratamos nossos filhos e nos mantemos em conexão com eles, ajuda não só a traçar novos circuitos cerebrais (plasticidade) como também a preservar a saúde mental dos pequenos.
Quando você olha para seu filho o que você costuma ver, mais aspectos positivos ou mais aspectos negativos? Saiba que a maneira como você os focaliza influencia diretamente na maneira como eles se vêm. O que você pensa sobre eles também reverbera em como eles lidam com as próprias emoções e sensações.
É comum os pais das crianças de 2 a 4 anos dizerem que essa fase é terrível – que os pequenos travam uma verdadeira batalha para ver quem cede primeiro. Entretanto, podemos mudar a forma de enxergar essa fase, mudando nossa lente de ver as coisas. Que tal mudar  “a terrível fase dos 2 a 4 anos” por a “incrível fase das descobertas dos 2 a 4 anos”. Por que é isso que realmente está acontecendo. As crianças estão descobrindo coisas e precisam dos adultos (pais) para lhes ensinarem se elas podem, quando podem e onde podem! Traduzindo em miúdos: LIMITES CLAROS!
As crianças estão em constante aprendizado. A maneira como você trata seu semelhante ou a natureza funciona como uma sala de aula em 4D. Um lar com boas fundações, valores sólidos e amorosidade ajudam a nutrir os alicerces da criança. Moral da história, somos o espelho no qual as crianças se miram!
Se o clima em casa é favorável, amistoso e amoroso, a criança se desenvolve com segurança, respeito e entende que pode seguir em frente. O que você costuma sentir quando visita uma família que do nada os membros começam a brigar ou se atacar – vontade emergencial de ir embora, correto? As crianças sentem o mesmo, mas não podem virar as costas e sair. Pelo contrário, elas se resignam ou desenvolvem doenças psicossomáticas.
As crianças aprendem com os nossos atos. Quão solidário você tem sido ultimamente? Tem efetuado algum trabalho voluntário? Tem feito alguma coisa por sua comunidade? Como queremos ter filhos empáticos se não desenvolvemos a empatia!
As crianças desfrutam de um lar acolhedor quando estão em conexão com seus pais. Para tanto, tudo precisa ter hora. Hora dos pais estarem em conexão com seus filhos e hora para que o casal também esteja em conexão um com o outro. Do contrário, preservar a família fica difícil quando o casal não está bem alimentado amorosamente.
Será que dispositivos eletrônicos alteram o entrosamento familiar? Estudos apontam que sim! Nunca tivemos tantas famílias solitárias e com seus membros queixando de solidão. Por isso, proibir  não adianta, mas usar os dispositivos com bom senso e parcimônia é a palavra da vez. Para tudo tem lugar e hora. Que tal retornar ao bom e saudável olho no olho?
Voltemos ao título do artigo: Hábitos parentais estimulam as crianças a serem gentis - sim, estimulam,  principalmente quando as crianças percebem que esses hábitos são verdadeiros e fazem parte do cotidiano delas!

19.6.17

Difícil controlar os dedinhos




 
As crianças são surpreendentes! Fazem coisas do arco da velha! Sobem, descem, dão cambalhotas, pulam, dão piruetas, trepam em coisas impossíveis, se jogam com muita desenvoltura e raramente se machucam! Parecem que são feitas de silicone! Basta dar um beijinho carinhoso no dodói que logo o “chororo” passa e elas voltam a sorrir e a brincar novamente.
Até aqui não estou comentando nada inédito, ou, que cause espanto a qualquer pessoa, que já tenha olhado para uma criança tenaz e cheia de vida. Crianças brincam, choram, questionam, fazem birra, testam limites e algumas roubam!
Nossa! Como é mesmo?
Roubam?
Trouxe esse assunto nesta semana, tendo em vista um email que recebi, via jornal Atibaia Hoje, há cerca de algumas semanas. No email, a senhora comentava ter dois filhos seguidos, ou seja, o mais velho de 8 anos e uma menina de 6 anos. Percebeu, que de uns tempos para cá, o menino começou a roubar pequenas “coisinhas” (borracha do amigo de escola, balinha no mercadinho colado a sua casa, pequenos objetos na casa dos parentes) e a deixá-las em local visível, como se na verdade quisesse que alguém visse. Conta ainda que sua filha é muito linda, doce, afável e admirada por todos que convivem com ela.
Aqui não é muito difícil entender a reação do garotinho. Afinal ele, provavelmente, quer também ser admirado e valorizado por “coisinhas” interessantes que ele “adquire”.  Todavia, aos 7, 8 anos, já é esperado, que a criança saiba que roubar ou tomar para si o objeto de outrem é errado e inaceitável.
O que fazer então?
A primeira coisa é entender que o garotinho está tentando, mesmo que por meio escuso, chamar a atenção de sua família sobre ele, ou seja, talvez por sua irmãzinha ser tão admirada, as pessoas o deixa em segundo plano. Dessa maneira, ele se sente privado do amor de seus pares e tenta cobrar do ambiente esse amor e carinho. O roubo, nessa questão, pode ser visto como uma compensação, uma carência – algo que está faltando em demasia. Não podemos esquecer que o ser humano é sempre carente de algo!
Todavia, os pais ao fingirem, que não perceberam nada, se tornam cúmplices do roubo do filho, coniventes e responsáveis também pelo ato de roubar.
Segundo, os pais precisam passar ao garoto que o amam, que ele tem qualidades importantes e admiráveis, que ele não precisa roubar para mostrar que ele existe. Em seguida, os pais devem conversar com a criança e dizer-lhe que seu comportamento é inaceitável, reprovável e que isso deve parar imediatamente.
Terceiro, sem humilhar a criança com atitudes violentas ou com tortura psicológica, assegurar que a criança devolva o que roubou. Os pais podem acompanhar a criança durante todo o processo, fazendo o pequeno retornar o que ele pegou indevidamente e ao mesmo tempo se desculpar pelo ato com o coleguinha ou com o adulto em questão.
Por último e não menos importante, os pais devem dizer ao filho, que seus dedinhos fizeram algo que sua cabeça inteligente não queria fazer, que sua atitude, até o presente, estava pautada na necessidade de chamar a atenção, que ela é uma criança muito inteligente e capaz de mandar em seus próprios dedos daqui para frente.
Quanto aos pais, estes precisam estar mais presentes e atentos na vida da criança. Ter um momento só deles, deixar os ouvidos abertos para conversar, expor ideias e pensamentos, abrir espaço para o diálogo, e, acima de tudo ter um coração receptivo para as demandas emocionais da criança.

5.6.17

Papai e mamãe devem desejar um bebê juntos




Como deveria ser a chegada de um bebê: programada ou surpresa?
Se pensarmos, que em décadas passadas, nem ultrassom existia, o que dirá de métodos contraceptivos seguros e com poucos efeitos colaterais. Apesar, da pílula anticoncepcional, ter mais de 50 anos, ela passou por grandes evoluções, além, da chegada, no mercado de outros dispositivos contraceptivos. O que quero dizer, é que há algumas décadas passadas “estar grávida” poderia realmente ser uma grande surpresa.
Há 30, 40 ou mais anos passados, era esperado um número maior de filhos nas famílias. Na atualidade, é possível decidir o número de filhos que um casal gostaria de ter – de certa maneira os bebês são “programados.”
 Benditos métodos contraceptivos!
A chegada do bebê na contemporaneidade entra na lista de prioridades do casal. Primeiro vem a festa de casamento, depois a lua de mel, o carro da família, a casa própria e assim por diante. Quando as “coisas” parecem estáveis, é a hora de pensar no bebê. Não estou recriminando as escolhas ou as prioridades, apenas comentando sobre as crianças programadas.
Tornar-se pai/mãe, nos dias de hoje, parece uma decisão mais madura do que na época onde os métodos “naturais” reinava. Era uma verdadeira loteria ou crise de ansiedade. Os candidatos a pais poderiam, num belo dia, acordar papai ou mamãe e o famoso jargão ser entoado “foi sem querer”!
Atendo casais que apreciam muito a vida a dois, mas ora ou outra são pegos pelo marcador do relógio biológico feminino e a famosa pergunta aparece “será que devemos ter filho agora?”. “Vivemos tão bem só nós dois!”
Quando se é jovem tudo parece distante, e facilmente, algumas decisões podem ser postergadas, sem muitos questionamentos. Todavia, quando a mulher está na faixa dos quarenta anos, ter o primeiro filho pode ser um pouco conflitivo.
Certa vez, atendi uma mulher entre 34/35 anos, que estava em dúvida quanto a ter seu primeiro filho. Dizia ter uma vida prazerosa com o esposo, que a roda de amigos era fértil e muito ativa. Comentei com a paciente, que ela estava numa fase da mulher madura para ter um filho, que seu momento era de plenitude. Se ela trazia para a sessão uma demanda “filhos” é por que o assunto estava se tornando palatável para ela, e assim, sempre damos um jeito de criar um espaço amoroso em nossa mente, quando o desejo da maternidade emerge.
Tanto o pai quanto a mãe, quando têm um bebê, se tornam pais a partir desta criança, e, graças a ela, os horizontes se abrem, muitas questões podem vir à tona. Moral da história é isso que faz um casal evoluir – é se surpreenderem dia a dia com o “poder” da chegada de um filho. Não pretendo ser romântica e vislumbrar somente o lado bom do nascimento, mas entre ganhos e perdas, o casal que realmente se ama, tem um saldo positivo com a chegada de uma criança. Qualquer coisa que aconteça ao casal depois de ter bebê é transformador. Ninguém sai do nascimento de um filho do mesmo jeito que entrou. Nesse sentido todos nós, pais, um dia já fomos casulo e depois nos tornamos, com muita garra, borboletas.
Quanto à pergunta inicial, acho que cada indivíduo ou casal deve pensar com muita ponderação sobre a chegada de um filho. Quanto cada um está disposto a abrir mão de algumas coisas, provisoriamente ou não. Refletir o quanto um filho programado pode trazer maior estabilidade emocional aos parceiros do que o “fator” surpresa.
Claro, que o ser humano tem a capacidade de superar desafios e intempéries, porém, é mais saudável, mentalmente falando, fazer uma coisa por vez – cada coisa no seu tempo!