Postagens Mais Acessadas

Transtornos Mentais

PRINCIPAIS TRANSTORNOS MENTAIS – Breviário




TRANSTORNO DEPRESSIVO:


Na linguagem corrente ou popular é conhecido como sinônimo de tristeza ou luto. Entretanto, na linguagem acadêmica, é entendido como o humor torna-se automaticamente depressivo e, embora um episódio possa ser desencadeado por alguma circunstância adversa, uma vez disparado, tal episódio segue seu curso com independência em relação ao fator que o desencadeou. Ainda que o humor depressivo seja típico dos quadros depressivos, ele não é essencial para o diagnóstico. Muitas vezes, o indivíduo queixa-se de desinteresse e falta de motivação como principal sintoma.




Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: humor depressivo, sentimentos de tristeza, autodesvalorização, sentimentos de culpa, redução ou ausência da capacidade de experimentar prazer na vida, redução da energia, diminuição da capacidade de pensar, concentrar e tomar decisões. Alteração do sono, do apetite, redução do interesse sexual. Retraimento social, crises de choro, lentificação ou agitação motora




Questões para perguntar:


# Tenho tido perda de interesses?


# Tenho tido pouca energia?


# Tenho tido perda de autoconfiança?


# Tenho tido dificuldade para me concentrar e realizar atividades de vida diária?


# Tenho me sentido mais devagar?


# Tenho tido pensamentos pessimistas em relação a minha vida?




Obs. Depressão pós-parto pode ser consultada em artigos publicados anteriormente neste blog






TRANSTORNO BIPOLAR:


É uma doença crônica que afeta cerca de 1,6% da população. Em geral os sintomas iniciam no final da adolescência e início da vida adulta (18 e 22 anos). Os principais transtornos de humor são o transtorno depressivo maior e os transtornos afetivos bipolar I e II. O transtorno afetivo bipolar I é caracterizado por oscilações importantes do humor entre os pólos da euforia (ou mania) e a depressão. A alternância entre quadros depressivos e hipomania constitui o transtorno bipolar tipo II.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: no transtorno de humor bipolar – fase maníaca ocorre alteração de humor, euforia, verborragia, agitação psicomotora, redução da necessidade de sono, aumento exagerado da autoestima, idéias de grandeza, perda das inibições sociais, condutas inapropriadas e fácil irritabilidade. No transtorno de humor – fase depressiva, os sintomas incluem apatia, cansaço constante, baixa autoestima com idéias até suicidas.




Questões para perguntar:


# Como você explica o sentimento de grandeza ou de se sentir tão poderosa (o)?


# Você já se sentiu assim, tão poderosa (o) antes?


TRANSTORNO BODERLINE:


Borderline é um transtorno de personalidade que traz sérias conseqüências para a pessoa, seus familiares e seus amigos próximos. O termo "fronteiriço" se refere ao limite entre um estado normal e um quase psicótico, assim como às instabilidades de humor.


Não é muito freqüente. Nos USA se considera 2% da população, (mas cuidado, geralmente as estatísticas lá são exageradas). Muito mais freqüente em mulheres do que em homens.




Critérios para diagnóstico:
Sintomas psiquicos: medo de abandono e rejeição, dificuldade em administrar as emoções, impulsividade, instabilidade de humor - oscilações em horas ou minutos, comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar), mudanças frequentes no plano profissional e social, amam e odeiam com facilidade, baixa autoestima, sentimento de vazio, admiração e desencanto rapídamente por uma pessoa, idealizações. Apresentam risco aumentado para compras compulsivas, sexo de risco, depressão, abuso e substâncias ilícitas ou alcool, outras desordens emocionais


Questões para perguntar:


# Tem apresentado oscilação de humor ultimamente?


# Tem praticado sexo sem segurança?


# Tem se autoagredido nos últimos tempos?


# Tem abusado de substâncias?


# Tem estado mais violenta ultimamente?


ESQUIZOFRENIA:


Aproximadamente 1% da população é afetada por essa condição – os sintomas começam a se manifestar na adolescência ou no início da fase adulta (17 e 27 anos). A esquizofrenia pode ter apresentações muito variáveis. Engloba alterações no pensamento, na sensopercepção, na afetividade, nos movimentos e no comportamento. A maneira como esses sintomas são expressos varia entre os pacientes e com o passar do tempo.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: eco do pensamento, inserção ou roubo do pensamento, delírios de controle, ações ou sensação e percepção delirante. Vozes alucinatórias comentando o comportamento do paciente ou discutindo entre elas ou sobre o paciente ou outras vozes vindo de diversas partes do corpo. Delírios de identidade: Deus, figuras religiosas, políticas, reis, rainhas, etc., ou ainda poderes e capacidades sobre-humanas, discurso ou fala incoerente, neologismos, comportamento catatônico (parado), negativismo – mutismo.


Questões para perguntar:


# Quanto tempo está durando os sintomas?


# O que é mais freqüente: delírio, alucinações, comportamento/discurso desorganizado?


# Houve alteração dos afetos, como embotamento, perda de desejos?




TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO:


A característica essencial do TOC é a presença de obsessões e compulsões que interferem na habilidade do paciente em enfrentar os eventos de vida diária. As obsessões podem ser percebidas sob várias formas, como pensamentos extressantes e desprazerosos ou impulsos e imagens que surgem na mente do paciente de forma repetitiva e estereotipada, apesar de sua tentativa de controlá-los e de seu conhecimento racional de que são absurdos. Os pensamentos assumem o comando da vida mental (mesmo que o paciente tente se livrar deles) e podem incluir: sujeira ou contaminação; temor em perder o controle; evitações, impulsos. Neste caso uma pessoa pode apresentar o impulso obsessivo de ferir alguém, mesmo que não deseje fazê-lo, ou ainda impulsividade pelo sexo. As compulsões são a contra parte comportamental das obsessões e se manifestam como uma extrema necessidade de agir de acordo com uma série de ações repetidas a fim de evitar ou prevenir as ameaças contidas nas obsessões, mesmo que o paciente reconheça como desnecessárias e absurdas. Há predomínio da ansiedade e ela só é minimizada quando o paciente conclui a execução de seus atos compulsivos. São consideradas compulsões: lavar as mãos ou limpar objetos obsessivamente, rituais de checagem, atitudes perfeccionistas, rezar, cantar, repetir , contar palavras sileciosamente.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: repetir comportamentos, tais como, lavar as mãos com freqüência, organizar, separar, classificar, orar, contar, arrumar, usar roupas ou calçados sempre da mesma cor entre outros.


Questões para perguntar:


# Tem alguma mania que incomoda?


# Imagens ou pensamentos ficam se repetindo na cabeça?


# Costuma ficar preocupado (a) com sujeira ou lavar as mãos ou tomar banhos com muita freqüência?


# Checa coisas para ver se elas estão fechadas corretamente?


# Se atrasa para compromissos por ter ficado verificando detalhes de tudo que fez?


# Deixar de seguir uma rotina ou programação lhe deixa nervoso?


TRANSTORNO DE PÂNICO E AGORAFOBIA:


Uma crise de pânico pode ser desencadeada por uma reação fisiológica quando estimulada por um estímulo forte. Assim, todas as pessoas têm a possibilidade de ter uma crise de ansiedade ou mesmo de pânico. O diagnóstico de transtorno de pânico é reservado quando a reação de medo e desespero acontece predominantemente de modo espontâneo, repetitivo e de forma desproporcional ao estímulo desencadeante. Para o diagnóstico é importante que as crises tenham levado a alterações comportamentais e cognitivas. Desse modo, a diferenciação entre normal e patológico é sempre subjetiva e além do mais, devido a complexibilidade do funcionamento cerebral, os diagnósticos de transtorno de ansiedade são inteiramente baseados no relato do paciente, seus familiares ou responsáveis e nas observações do profissional de saúde mental durante as consultas.


Pânico ou agorafobia? Quem sofre desse transtorno pode ter crises de pânico com muita freqüência, inclusive várias vezes por dia. As crises, em geral, não estão associadas a um motivo ou causa específica, embora tudo possa estar bem.Algumas sentem uma ansiedade antecipatória que não conseguem mais enfrentá-la. Deixam de sair sozinhas de casa ou não saem mesmo acompanhadas e a vida torna-se cada vez mais limitada – medo de sentir medo – agorafobia. Ela acompanha o transtorno do pânico.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: transtorno do pânico – crises expontâneas de palpitação associada a falta de ar, sufocação, tremores no corpo, transpiração excessiva e sensação de desfalecimento, perda do controle ou morte iminente – duração de 10 a 30 min. Dor ou desconforto toráxico, náuseas ou enjôos, dor abdominal, tontura, desmaio, cabeça oca, desrealização e despersonalização, medo de perder o controle ou enlouquecer, parestesias, calafrios e ondas de calor. Na agorafobia, o indivíduo procura evitar lugares onde possa vir a passar mal, em que haja aglomerações (transporte público, cinemas, anfiteatros) ou ficar só, sem a possibilidade de socorro imediato.


Diferenças clínicas entre transtorno de pânico e agorafobia


Transtorno pânico:


- evolução das crises de 10 a 30 min., ocorrência de 4 ou mais sintomas concomitantes, mudança de comportamento por causa das crises.






Agorafobia


- evolução contínua, esquiva repetitiva de determinados locais, não sair ou ir a certos locais desacompanhado, vontade de sair correndo quando exposto aos locais evitados.


Questões para perguntar:


# Se preocupa muito em vir passar mal?


# Evita ir a locais de difícil escapatória?


# Tem crises de palpitação e falta de ar?


# Sente medo de morrer?


# Tem muito medo de ficar doente?


# Se sente sufocado em certos locais ou situações?


TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO:


As conseqüências da exposição e experiências traumáticas sobre a saúde física e mental das pessoas têm chamado cada vez mais a atenção de profissionais da área de saúde mental. As experiências traumáticas podem ser resultantes de violência (estupro, assalto, etc.), de desastres naturais (enchentes, terremotos), de acidentes (carro, avião, incêndios) e de desastres causados deliberadamente (guerras, terrorismo, tontura, entre outros). Sabemos hoje que a exposição a situações traumáticas desse tipo, como vítima ou testemunha, é responsável pela ocorrência de um transtorno de estresse pós-traumático.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas psíquicos: presença de sintomas de revivência do evento, associados a perda do interesse e desânimo, esquiva de situações relacionadas ao evento e aumento da excitabilidade, distúrbio do sono, hipervigilancia, sobressaltos. Os sintomas tiveram início após um evento traumático que foge da esfera da experiência humana e duram por três meses ou mais.


Questões para perguntar:
# Passou por um evento que seria traumático para qualquer pessoa?


# Tem tido pesadelos desde então?


# Tem tido sensação de reviver esse evento, mesmo ao longo do dia, na forma de flashbacks?


# Tem evitado objetos, pessoas ou situações que lembram o evento?


# Está mais desanimado desde o ocorrido?


# Tem tido sono perturbado, mais alerta do que o habitual e reagido com sobressaltos frequentemente?




TRANSTORNO CONVERSIVO:


O ser humano expressa suas emoções, alegrias, sofrimentos e estratégias defencivas por meio do corpo. Expressões como coração partido ou dor de cotovelo são empregadas pelo público quando se referem á perda de um amor. Quando o paciente exagera ou minimiza determinados sintomas de forma incomum, é extremamente difícil desenvolver o raciocínio clínico e estabelecer o diagnóstico correto. Freud introduziu a noção de conversão, mediante a qual uma idéia ameaçadora, proibida ou perigosa pode ser anulada ou reprimida por meio de sua conversão em um sintoma físico. O conflito é inconsciente e o sintoma resultante apresenta um significado simbólico. O alívio do conflito emocional é chamado de ganho primário. Já o ganho secundário refere-se a vantagem direta e imediata de atenção, simpatia, companhia, desobrigação de responsabilidades do cotidiano – é uma forma de recompensa. Antigamente esse transtorno era conhecido por histeria.
Tipos de transtornos:
- transtorno conversivo/dissociativo: sintomas sensoriais e motores sugestivos de doenças neurológicas – e fatores psicológicos estão associados. O controle é involuntário, a motivação é inconsciente e os ganhos são secundários.


- transtorno de somatização: queixa de múltiplos sintomas físicos (acima de 8), início antes dos 30 anos, longa evolução (anos), prejuízo socioocupacional e uso excessivo dos serviços médicos. O controle é involuntário, a motivação é inconsciente.


- transtorno factício: produção intencional de sintomas físicos e psicológicos com o objetivo de se manter no papel e doente. O controle é voluntário e a motivação é inconsciente.


- simulação: produção voluntária de sintomas físicos e psicológicos para obter vantagens objetivas. O controle é voluntário, a motivação é consciente e os ganhos são secundários.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas comuns: movimentos involuntários, tiues, afonia, torcicolo, convulsões, marcha anormal, quedas, paralisia, fraqueza, cegueira, anestesias de extremidades, surdez, vômito psicogênico, desmaio, diarréia


Fatores perpetuadores do quadro clínico: depressão, ansiedade, desajuste familiar, estresse.


Questões para perguntar:


# Recentemente aconteceu alguma coisa que o deixou chateado ou estressado?


# Isso já aconteceu outras vezes? Como foi? Desde quando tem isso?


# Em caso positivo, o que seu médico disse sobre isso? Fez algum exame para checar o ocorrido?


# O que acha que causou esses sintomas?


# Como é seu relacionamento com as pessoas (pais, namorado (a), amigos, família?


# Tem problemas com algum deles?


TRANSTORNO DA ALIMENTAÇÃO:


A anorexia nervosa acomete principalmente adolescentes, porém tem se observado casos isolados acima de 40 anos. O início da bulemia nervosa é um pouco mais tardio do que a da anorexia, sendo mais comum no final da adolescência e no início da idade adulta. É predominante no sexo feminino (90%), com grande maioria de raça branca e classe social mais favorecida. É usual em indivíduos relacionados com moda e beleza.


A anorexia caracteriza-se por perda de peso intensa 985% abaixo ddo esperado), paciente recusa-se a ganhar peso, sendo todo esse quadro á custa de dietas extremamente rígidas, com busca desenfreada da magreza, distorção da imagem corporal e alterações do ciclo menstrual - A bulemia caracteriza-se pela ingestão de grande quantidade de alimento, muito rapidamente, com a sensação de perda de controle, acompanhados de métodos compensatórios inadequados para o controle de peso, como võmitos autoinduzidos, uso de medicamentos (laxantes, diuréticos, inibidores de apetite). Uma excessiva preocupação com o peso e a forma corporal está invariavelmente presente.


Critérios para o diagnóstico:


Sintomas comuns: anorexia: recusa em manter o peso dentro ou acima do normal adequado para a idade e à altura, medo intenso de ganhar peso, negação da gravidade quanto ao baixo peso, ausência de 3 ciclos menstruais consecutivos.


Bulemia: episódios recorrentes de consulmo alimentar compulsivo, sensação de perda de controle sobre a ingestão alimentar, compensamentos compensatórios (vômitos, jejum prolongado, exercícios vigorosos, , preocupação persistente com o ato de comer, autopercepção de estar gordo (a), pavor de engordar, ausência de amenorréia, entre outros.


Questões para perguntar:


# Se preocupa muito com seu corpo e com seu peso?


# Fez regimes para perder peso sob orientação com especialista?


# Está satisfeita com seu corpo ou fica apavorada em engordar?


# Usa algum recurso para manter ou perder peso?


# Conta calorias de tudo que come ou se preocupa com as calorias?


# Perde o controle do que come, a ponto de comer muito enão conseguir parar?




Fonte: Cristiano Nabuco Abreu et al. Síndromes psiquiátricas.
Artmed, 2006.
Organização Mundial da saúde. Classificação
de transtornos mentais e de comportamento da CID-10.
Artmed, 1993.